Milo POV

O que aconteceu em seguida foi inteiramente culpa minha. Eu soube o que ia acontecer quase no momento em que o arrastara pra aquela sala. Estivera lá, no fundo da minha mente, eu tinha certeza, desde o começo da noite, quando pusera os olhos nele no salão. De algum modo, eu o fizera esquecer tudo – seu irmão, a noiva, o casamento já próximo.

E como eu não podia fazer isso do modo como teria preferido, convencendo-o do absurdo daquela situação, eu só pude esperar tirar vantagem da fraqueza dele. Algo que aparentemente só eu em todo o mundo conseguira descobrir.

O fato era que Camus Chevalier era uma criatura tão carnal quanto eu. Fraqueza que se escondia sob aquela postura fria, aquelas roupas clássicas e a aparência virtuosa. Eu me dava conta agora que soubera disso desde a primeira vez em que o beijara. Quando percebi que ali estava, finalmente, o que eu vinha procurando durante toda a vida: um cara inteligente, íntegro, leal e cuja surpresa diante do mundo era carregada da sensualidade mais voraz que eu já havia encontrado, com exceção talvez da minha própria.

Mas como fazer para que ele admitisse isso? Que tirasse a gravata e aceitasse o fato de que nossos corpos se pertenciam? O único jeito era mostrar isso a ele.

E então eu tentei.

E não o fiz, eu era o primeiro a admitir, com muita delicadeza. Num piscar de olhos minha boca estava sobre a dele, saboreando a carne macia, devorando-a.

Eu não estava pensando. Se tivesse pensado, ainda que por um momento, saberia que estava quebrando todas as regras. Mas eu queria ver, precisava saber, queria sentir.

Sua boca tinha gosto de anis. Eu mordisquei os lábios rosados para abrí-los, a fim de permitir a passagem da minha língua através deles, entre eles.

Um calor começou a se concentrar nos meus pulmões, como uma bola de fogo, minhas mãos envolvendo-lhe os quadris, deslizando até as nádegas firmes, o trazendo para mais perto.

Era a boca de Camus, eu pensei, aquela boca perfeita e tentadora que eu pensei que quisesse. Que me satisfisesse. Mas que no momento em que a provara, compreendi que não era o bastante. Que precisava de mais. Que desejava tudo. Tudo nele.

Em algum ponto no andar de baixo a voz grave de Jace Everett gritava 'I wana bed things with you', como um eco diabólico das minhas próprias intenções

Ele estava grudado a mim. Aquele corpo firme e anguloso vibrando contra o meu. Os músculos fortes e definidos deliciosamente pressionados contra o meu peito. As nádegas firmes e redondas gloriosamente envolvidas pelas minhas mãos. Eu exultava ouvindo os gemidos de paixão que pareciam vir do fundo da garganta dele, e o saboreava, enquanto seus lábios se moviam ardentemente sobre os meus.

Com a sensação deliciosa de chegar a beira do abismo eu senti uma forte fisgada em meu membro e soube que estava exitado. Profundamente exitado.

Minha vontade era jogar pro alto toda paciência e cuidado e simplesmente devastá-lo ali mesmo. A violência das minhas necessidades parecendo entrar em erupção dentro de mim. A exitação assumindo o controle do meu corpo... E eu o teria puxado para o chão naquele instante mesmo se ele não tivesse, de repente, lutado contra aquilo e se afastado, ofegante.

– Isso não vai acontecer. –ele falou. Seu sotaque era rouco, arrastado, devastador.

Deus, eu estava enlouquecendo!

– Ao Diabo que não vai. – eu repliquei, furiosamente, puxando-o de volta.

Não havia nenhuma razão pra deixá-la continuar. Por experiência própria eu sabia que, ao mesmo tempo em que ele no ínicio opunha muita resistência aos meus avanços, logo perdia todo interesse de negar aquilo que, eu tinha certeza, nós dois queríamos.

ooOoOoOoo

Camus POV

Tudo o que eu tinha que fazer, eu sabia, era pedir a ele que parasse. Não porque eu não estivesse gostando do que ele estava fazendo, ao contrário, eu estava gostando muito. Mas eu sabia agora que seus beijos, por serem divinos, eram muito perigosos.

Era por isso que eu não podia – não devia – deixar que ele fizesse aquilo.

Só que, de alguma forma, eu me sentia completamente sem vigor pra afastá-lo outra vez. Em vez disso, sentia um delicioso calor percorrer meu corpo, especialmente em certos pontos que ele ainda nem tocara. Pelo menos não diretamente. Ainda não.

E então ele começou a tocá-los.

Eu não sabia ao certo como isso tinha acontecido – ele estava me beijando tão profundamente, tão intrusivamente que meus pensamentos se tornaram uma mistura de sensasões breves, mas incrivelmente intensas: como era seu sabor; como a barba, que ele estava precisando fazer, arranhava meu rosto que, aquela altura, já devia estar roxo, e como ardiam as marcas que ele provavelmente estava deixando em volta da minha boca; como ele habilmente conseguia manter minhas pernas afastadas com seus joelhos e depois se encaixava entre elas; como, de vez em quando, ele murmurava meu nome, com a voz mais profunda que se podia imaginar, toda vez que levantava a cabeça pra tomar fôlego, antes de voltar a me beijar.

E então eu tomei consciência de que os dedos dele haviam descoberto o caminho pra dentro da minha roupa, subindo por baixo da minha camisa, encontrando um mamilo endurecido e depois o outro. Acariciando-os. Enfraquecendo a minha espinha dorsal, que nem tinha se recuperado do primeiro impacto daquele beijo ainda. De repente era como se meus joelhos não pudessem mais suportar meu peso.

Mas não havia problema porque, percebendo isso, ele apoiou meu quadril com as mãos escorando-me no encosto do sofá, as pernas afastadas, uma de cada lado de seu corpo.

–Tire isso – ele falou em voz rouca enquanto retirava em um único movimento meu casaco e a camisa. Eu ouvi o som de tecido rasgando — Milo Escorpion não era o tipo de cara que perdia tempo com botões. No segundo seguinte ele havia erguido a camiseta que eu usava por baixo e inclinado a cabeça, de forma que seus lábios ficassem na altura exata pra acariciarem meus mamilos.

O primeiro toque quente daquela boca em um dos meus mamilos sensíveis quase me fez cair pra trás. Ainda bem que a outra mão dele, a que não estava levantando a minha camiseta, segurava-me com firmeza. Ainda bem, porque o mundo parecia ter virado de cabeça pra baixo de repente. Tinha que ter virado: só isso justificava que eu estivesse fazendo o que estava fazendo: abrindo o zíper da calça dele.

Aquela parte do corpo dele que parecia ser tão firme e quente estava agora em minhas mãos. A única parte do corpo de Milo Scorpion que eu nunca havia visto. Mas que era justamente aquela da qual eu suspeitava que poderia obter o melhor proveito.

O caminho abençoado de Milo, felizmente, não terminava em decepção.

No minuto em que eu toquei aquela parte, ele respirou fundo e enterrou o rosto no meu pescoço, como se não estivesse acostumado a ter tanta atenção concentrada naquela área – o que era improvável, considerando seu 'currículo'. Seu hálito quente se espalhou pela minha pele, e a mão que havia mergulhado sob a minha camiseta pra acariciar meu mamilo moveu-se pra baixo, em direção ao cós da minha calça...

E então seus dedos escorregaram pra dentro dela, encontrando aquela parte rígida e sensível entre as minhas pernas. Eu não consegui nem soltar um gemido, pois os lábios dele vieram mais uma vez de encontro aos meus. A língua tão firme quanto seus dedos. Tudo que eu podia fazer era repetir com meus próprios dedos as carícias que os dele faziam em mim.

Não que eu me importasse. Por que me importaria? Era difícil pensar em qualquer outra coisa quando alguém te beijava de forma tão profunda e intrusiva como ele estava me beijando. Na verdade era impossível acreditar que ele era aquele exibicionista arrogante quando ele me acariciava daquele jeito.

E, de repente, eu me vi acometido por uma vontade quase irresistível de deslizar a minha língua pelo lugar onde estavam os meus dedos... E então eu poderia fazer com ele exatamente o que ele havia feito comigo na outra noite. Essa possibilidade era imensamente tentadora. Na verdade, eu estava tendo muita dificuldade em me manter longe daquele órgão quente e pulsante em minhas mãos.

E então eu o fiz. Ajoelhando-me diante dele e segurando com força nas cochas torneadas.

O primeiro toque dos meus lábios na carne sensível fez com que ele lançasse a cabeça pra trás com um gemido e levasse a mão a minha cabeça, agarrando firmemente meus cabelos. Eu provei cada centímetro da extensão rígida que despontava a minha frente, sentindo-o tremer sob o meu toque, deliciando-me com o sabor dele. Aquele gosto que era estranhamente doce e salgado ao mesmo tempo. Algo que eu nunca havia sentido antes. Sem aviso eu o tomei inteiro, fazendo-o arquear o corpo e emitir um grito. A sensação daquele orgão rígido e quente pulsando na minha boca era incrível. Eu nunca poderia imaginar que seria assim. Era maravilhoso. Porém mais maravilhoso era ouvir os gemidos que saim de seus lábios a cada movimento que eu fazia ali embaixo. De repente, aquilo havia se tornado um grande jogo. Um jogo delicioso e exitante, onde o objetivo era extrair quantos gemidos eu pudesse da garganta dele. Eu soube que estava perto da vitória quando senti intensificarem os tremores no corpo que eu segurava, e aumentei o ritmo...

Ele, no entanto, parecia ter outros planos. Ainda com as mãos segurando meus cabelos ele me obrigou a levantar e olhar pra ele — para os olhos que agora eram apenas um fino halo azul em torno das pupilas dilatadas – antes de atacar meus lábios com fúria. De repente as mãos que estavam no meu cabelo foram para minhas nádegas e ele me ergueu, direcionando-se comigo até uma porta que, só agora eu percebia, levava há um quarto contíguo à sala.

Ele devia ter alguma coisa contra transar com alguém naquela sala, eu pensei. Essa era a única razão que eu conseguia atribuir a sua mudança repentina de comportamento.

Contudo, eu fiquei mais do que agradecido pela decisão dele quando, um segundo depois, ele me jogou na cama macia, deitando-se sobre mim. Eu conseguia sentir o caminho abençoado dele contra a minha barriga... o caminho... e muito mais.

Ele terminou de tirar a minha roupa. Lá se foi a camiseta. Os sapatos. Adeus às meias. A ultima peça a sair foi a calça, que ele retirou juntamente com a cueca, observando cada centímetro de pele nua que ia se revelando à meia luz do fogo que queimava em uma lareira próxima.

E então voltou a me beijar de novo. Mais um daqueles beijos matadores e ofegantes que me faziam sentir como se sua única missão na Terra fosse aquela, e mais nenhuma... apenas me beijar. E enquanto me beijava, ele corria as mãos pelo meu corpo, fazendo coisas, beijando partes que ninguém nunca havia beijado.

Fazer amor com a Saori era bom, mas havia algo acanhado no ato. Nós fazíamos sexo regularmente, três vezes por semana, e era satisfatório.

Mas ela nunca havia pressionado meu corpo contra um colchão como se sua vida dependesse disso. Ela nunca havia feito o som que Milo fez quando eu deslizei minhas mãos avidamente pelo seu corpo e nem nunca afogara o rosto em meu pescoço. Ela nunca havia me feito sentir o que ele estava fazendo. Como se só existíssemos nós dois no mundo todo, e como se tudo que importasse no mundo naquele momento fosse a gente.

E ela nunca havia tirado as próprias roupas como ele o fez, como se não aguentasse mais ficar com elas nem por um segundo... A luz do fogo dando relevo aos picos e vales da musculatura de seu torso. A saliência dourada de seus bícepes, as profundas reentrâncias de ambos os lados de seu abdomém, os pelos louros do peito. E finalmente, lá estava, em toda a sua glória, o famoso traseiro de Milo Scorpion.

E, pelo menos por alguns instantes, ele estava inteiramente ao meu dispor.

O que eu queria fazer com aquele traseiro naquele momento era correr as mãos pela pele lisa que o circulava... e puxá-lo de encontro ao meu corpo.

Ele entendeu a mensagem e não precisou de mais comandos. Um segundo depois estava novamente sobre mim, os lábios movendo-se pelo meu corpo, como se quisesse devorá-lo, parecendo que não ia mais parar até prová-lo inteiro: pescoço, tórax, barriga, umbigo. Descendo pela virilha, encontrando meu membro, inundando-o com seus toques molhados, até tomá-lo por completo. Enlouquecendo-me com os movimentos fortes, precisos, insanos de seus lábios. Os malabarismos quase acrobáticos daquela língua ousada, quente, macia, que ma faziam gemer alto e arquear o corpo a cada nova sensação.

E todo o tempo suas mãos corriam febrilmente sobre mim. Era como se ele tivesse cinquenta braços. E cada uma das suas cinquenta mãos acariciavam um ponto erógeno diferente que eu nem sabia que existia. Deslizando, apertando, arranhando, marcando. Eu sabia que estaria roxo no dia seguinte, mas nem me incomodava.

Tudo bem que ele me marcasse. Não tinha problema. Tudo mais deixara de importar – a Saori, o casamento, tudo. Eu não me importava nem um pouco, apenas continuava gemendo agarrado em seus ombros e me perguntando como eu vivera vinte e cinco anos sem nunca ter sentido nada assim.

E quando seus dedos me tocaram, onde haviam tocado na outra noite... bem, eu também não objetei. Como poderia, quando aquilo parecia tão bom, tão certo? Eu queria os dedos dele ali, com a sua boca me sugando daquela forma. Queria que ele me tocasse mais uma vez daquele jeito. Queria isso mais do que qualquer coisa. Ainda respirei fundo quando ele fez isso – ainda parecia estranho ter os dedos de alguém lá. Estranho, contudo, imensamente satisfatório. Apesar de não inteiramente satisfatório, eu pensei em minha névoa entorpecente de desejo, como se ele estivesse presionando aquele ponto, tocando-me bem fundo, como fizera no escritório. Então eu me movi contra a mão dele, pra lhe mostrar o que queria. E, de repente, aconteceu...

Seus dedos atingindo em cheio aquele lugar – Deus, aquele lugar – como ele fizera antes, mandando-me para as gloriosas alturas. E parecia glorioso de novo, só que ele não podia estar pensando... não podia estar imaginando...

Aparentemente estava, pois se mexia sobre mim do mesmo modo que fizera na outra noite, na empresa, só que dessa vez ele estava nú como eu, e as sensações da pele dele na minha eram quase insuportáveis. Era tão intoxicante... só que ele não podia, realmente não podia...

Então, muito subitamente, sua cabeça se levantou, deixando o meio das minhas pernas e nossos olhares se encontraram. E, sentindo a ponta daquele falo liso e duro se pressionar entre as minhas nádegas, eu soube que ele podia sim.

Até o momento eu não mostrara nenhum receio. Meu coração estava batendo forte, tudo bem, mas eu realmente não havia perdido a coragem... até então.

Mas quando seus dedos se retiraram de mim e eu senti a ponta daquela coisa incrivelmente grande e rígida me pressionando naquele lugar... foi só então que a minha coragem enfraqueceu.

Eu simplesmente não conseguia ver nenhuma possibilidade física do que estava pra acontecer... ou melhor, acontecendo. Eu sabia que era isso que acontecia entre dois homens, é claro, mas talvez eu tivesse algum tipo de deformidade, não sei. Talvez eu tivesse sempre vivido com essa enfermidade, sem saber da sua existência e jamais fosse poder me relacionar sexualmente com outro homem. Porque por tudo que eu via aquilo era tecnicamente impraticável. Dois corpos não ocupavam o mesmo lugar no espaço, não importava o quanto você pudesse querer. Era como querer colocar os EUA dentro da França. Era inviável. Simplesmente não ia caber.

E então, de repente, coube.

Eu o senti se aproximar ainda mais de mim, com a ponta daquela haste endurecida me cutucando no lugar onde seus dedos haviam estado, abrindo-me, movendo-se escorregadio ao longo daquela parte estreita, ainda molhada pelo contato com sua saliva... E então, como mágica, ele estava dentro de mim. Aquela parte dele que eu havia sentido contra minha barriga finalmente achando o seu lugar.

Não sem alguma dificuldade, é verdade. E também um certo de desconforto. Bastante desconforto, se vocês querem saber. Doía, sim, mas não era só isso. Havia também... prazer.

Porque embora eu não tivesse sido capaz de evitar um grito diante do volume e do comprimento daquilo que ele estava introduzindo em mim, eu sabia agora que das vezes em que ele me tocara com os dedos e eu sentira um desejo ardente, era por isso que eu ansiava, era isso que incoscientemente eu desejava quase desde o momento em ele me tocara pela primeira vez .

Até que ele se moveu.

Foi apenas um milésimo de centímetro, mas mesmo assim sensações que eu nunca havia sentido antes percorreram o meu corpo... E já não havia mais dor alguma.

Mais uma vez ele tocava aquele ponto mágico dentro de mim. Só que agora era como se tivessem mil pontos e ele tocasse todos ao mesmo tempo. De repente, eu estava em outra montanha russa, mas esta era uma montanha russa de desejo. Eu precisava que ele se movesse daquela forma novamente, e precisava me mover com ele...

E pra minha felicidade eterna, ele o fez.

Só que não gentilmente. Ele se movia como um homem que chegara ao limite do pouco controle que tinha sobre seus instintos básicos e se entregava a eles. E eu, movendo-me junto com ele, só conseguia pensar que depois de meses – anos até – de jornadas, eu finalmente estava em casa.

O que era rídiculo, claro, por que não havia nada nele que me lembrasse a minha casa. Ele não era confortável. Estar com ele não era nada relaxante. Exceto pelos seus supostos dotes culinários, ele nem parecia ser muito doméstico.

Mas nós nos encaixávamos. Mon Dieu, como nos encaixavamos bem. Como se nossos corpos tivessem sido criados com o único propósito de se encaixar um no outro. Eu nunca havia sentido nada como aquilo que passou pelo meu corpo quando ele apoiou uma das minhas pernas em seu ombro e me pentrou com vigor. Tão profundamente que eu poderia jurar que meus ossos estavam rindo – os ossos que ele já havia conseguido debilitar com o beijo.

O peso dele – sem mencionar o seu membro – me prendiam à cama, e eu gostava disso. Nossa, como eu gostava disso! Ele mergulhava em mim como se, com cada impulso, pudesse se despejar mais dentro de mim, enquanto seus lábios procuravam meu pescoço, e sua mão estimulava meu membro. Ao mesmo tempo, a outra mão, a que não estava me estimulando, segurava-me pelos quadris, levantando-me, para que cada vez que ele me penetrasse conseguisse ir mais forte e mais fundo. Imergindo mais e mais entre as minhas cochas, tomando-me de assalto e completamente.

E todo o tempo ele continuava me beijando, como se não conseguisse parar, com os olhos azuis estranhamente fora de foco.

Eu nunca havia me sentido tão completo. Tão longe de ser um cérebro, tão perto de ser um homem. Na verdade, eu tinha certeza de que havia morrido e ido para o paraíso.

Então era assim que o sexo deveria ser, eu pensei. E não aquela coisa seca e mecânica que eu vinha fazendo com a Saori há quase seis meses. Não, era pra ser assim, escorregadio, quente, uma montanha-russa de amor. Era disso que todo mundo falava o tempo todo. Era sobre isso que se faziam músicas e se escreviam livros. Era sobre isso que eu vinha escutando durante anos, mas nunca havia realmente vivido, entendido.

Eu sempre havia considerado o sexo como algo altamente superestimado. Agradável, sem dúvida. Mas nada que superasse um belo banho quente e um bom livro...

Até agora.

Agora eu sabia. Agora eu entendia. Ali, deitado sob ele, meu corpo moldado ao dele, líguas e lábios entrelaçados, eu finalmente compreendia por que as pessoas falavam tanto sobre aquilo.

A pergunta agora era: como eu havia conseguido ficar tanto tempo sem fazer aquilo?

E então alguma coisa começou a acontecer.

Alguma coisa estava acontecendo dentro de mim. Uma pressão que eu me lembrava de já ter sentido antes com a Saori, só que mil vezes mais forte. É claro que não podia ser um orgasmo ainda. Eu normalmente levava muito mais tempo pra chegar a um orgasmo. Mas alguma coisa estava definitivamente acontecendo. Nascendo em um lugar profundo dentro de mim e crescendo como a chama de um fósforo.

Só que em vez de para de queimar como aconteceria com a chama de um fósforo, essa coisa continuou crescendo. Até que ficou maior que a chama de uma vela, maior até que uma fogueira, que uma casa em chamas fora de controle. Não, aquilo ali era uma floresta inteira pegando fogo. Me consumindo, fazendo-me agir como eu nunca havia agido antes. Eu estava, por exemplo, murmurando palavras desconexas em francês – indecências de que eu certmente me envergonharia -, enquanto cravava as unhas no famoso traseiro de dois milhões de dólares de Milo Scorpion e chamava seu nome repetidamente em uma voz cheia de propriedade.

Então meu mundo — a fogueira, a casa, a floresta, tudo — pareceu explodir em milhares de fogos de artifício. Por alguns segundos, todo o meu corpo, do alto da cabeça à sola dos pés parecia arder. A sensação era quase insuportável, mas também inteiramente deliciosa. E, perdido nos espasmos que provocava, eu afastei meus lábios dos dele e agarrei convulsivamente seus ombros, incapaz de conter os gritos... ouvindo, em algum lugar além daquela explosão, os gritos dele soarem de volta, em resposta aos meus.

Então, simplesmente, de repente, o fogo se extinguiu, como se uma parede de água fresca e azul caísse sobre mim, e eu senti que tremia da cabeça aos pés.

Quando, trêmulo e completamente vacilante, eu abri os olhos, percebi que os fogos de artícifio não eram apenas dentro de mim. Em algum lugar lá fora alguém realmente estourava fogos e uma algazarra de vozes subia do salão de festas. Percebi também que meu abdomém estava molhado pelo meu prazer e que Milo também havia atingido o clímax em algum momento do meu frenesi, considerando que seu corpo estava caído sobre mim. O único sinal de que ele ainda estava vivo era seu batimento cardíaco, que martelava forte contra meu peito.

– Mon Dieu, Milo – eu disse quando finalmente consegui reunir energia suficiente pra falar – o que foi isso?

Ele sorriu sem forças, acariciando meu rosto.

– Feliz Natal, Ruivo.

ooOoOoOoo

Milo POV

– Acontece – eu falei enquanto tirava outras duas amêndoas achocolatadas do pacotinho que havia descoberto na cômoda, que foi também onde eu encontrei o vinho — Esse tipo de coisa... dizem que acontece entre pessoas que brigam tanto quanto nós.

– Oui, é muita tensão. – ele concordou dando um gole no vinho, direto do gargalo já que nós não tínhamos taças — Eu entendo isso. Mas, por favor... eu posso até ser praticamente virgem...

– Já disse que retiro o comentário. – eu falei lançando mais algumas amêndoas dentro da boca.

– Como consegue comer isso? – ele disse – Não fica grudado no seu dente?

– Fica, – eu respondi – mas depois sai. E aí você tem um lanchinho extra.

Ele fez uma careta.

– Isso foi nojento!

Eu dei de ombros.

– Enfim, – eu disse – nem era isso que eu ia falar. Sim, nós brigamos muito. Mas por que brigamos? É essa a pergunta que deveríamos fazer.

– Eu sei por que brigamos. – ele falou — Porque você é um idiota.

– Não, – eu joguei mais cinco amendôas dentro da boca – não é por isso que brigamos. Nós brigamos porque você não consegue controlar o desejo que sente por mim e fica mal humorado.

– Você fala de boca cheia com todos os seus amantes mesmo, – ele perguntou — ou é só comigo?

Eu engoli as amendôas e rolei na cama até apoiar a cabeça na coxa nua dele. Eu havia descoberto, desde que colocara a mão por dentro de sua blusa aquela noite na garagem da casa dele, que sua pele era firme, consistente e suave. Eu não sentia uma pele assim desde... eu nem conseguia lembrar. Talvez eu nunca tivesse sentido uma textura assim.

Mas de uma coisa eu estava certo: eu ainda queria mais. Muito mais.

Era impressionante, eu mal havia acabado de sair de dentro dele já queria estar lá outra vez. Eu nunca havia me sentido assim antes, o desejo que aquele ruivo despertava em mim estava além de qualquer padrão humanamente aceitável.

Eu sei que havia dito que iria devagar, que seria paciente, mas todas as minhas boas intenções de desvaneceram diante do calor dele. Quando eu senti meu pênis escorregar por aquele canal estreito e quente foi como se eu tivesse sido atingido por um raio, despedaçando-me em mil estilhaços de fogo. Todos os meus desejos mais primais que eu vinha tentando conter com tanta dificuldade explodiram dentro de mim como um grito de triunfo. E, de repente, eu não conseguia pensar em mais nada que não fosse a posse. A posse completa e total.

Eu queria lhe dizer que estava tudo bem. Enquanto beijava seu rosto, o cabelo, tudo o que minha boca conseguia alcançar, eu queria dizer que não o machucaria, que conseguiria me controlar. Mas não podia dizer essas palavras, seria mentira. Porque, Deus era testemunha, eu não conseguia me controlar. Não havia como parar.

Eu tentei me segurar, esperar um pouco, dar a ele tempo pra se ajustar à minha invasão, mas simplesmente não era possível. E então eu fui consumido pela culpa. Porque enquanto ele sentia apenas dor, eu experimentava o mais esplêndido prazer com as coxas dele apertadas a minha volta. Até que eu o senti mexer ligeiramente sob mim... E isso bastou para me deixar sem ar outra vez, admirado pelo calor que me envolvia tão estreitamente.

Agarrando-o com mais força eu mantive suas nádegas entre as mãos e me impusinei outra vez dentro dele. E em seguida o fiz de novo, e mais uma vez, e uma outra vez.

Eu já não tinha mais qualquer comando sobre mim. Governado pelo instinto eu só arremetia furiosamente contra ele, como se cada investida pudesse me fazer tocá-lo mais fundo. A excitação avolumando-se dentro de mim como uma onda, cada vez maior, mais densa, precipitando-me, inexorável, à beira de um abismo tão profundo que era impossível ver onde acabava.

Eu cairia a qualquer minuto. Por um momento a ansiedade era quase insuportável. Então, com um último impulso dentro dele, todas as fibras do meu corpo se contraíram e eu estava caindo. Caindo, caindo... finalmente eu via o fundo do abismo se aproximando, tão rápido que nem deu tempo de ver que o chão era feito de água. Gotas prateadas cobriram minha pele... uma vez, e mais outra, sem que eu tivesse a chance de me recuperar. Eu ouvi minha própria voz gritar distante e então estava caído, sem forças, sobre o corpo dele.

Emergindo dos meus devaneios eu olhei mais uma vez pra cima, pra ele, coberto apenas pelo fino lençol de seda, recostado na cabeceira da cama com a garrafa de Bordeaux na mão.

Eu levantei uma mão pra alcançar uma das lindas mechas ruivas que desciam até quase tocar sua cintura.

– Por que não ficamos aqui? – eu perguntei – Pra sempre. Ou pelo menos até a neve derreter.

– Não podemos – ele respondeu – não tem amêndoas achocolatadas o suficiente pra você aqui. E eu tenho que trabalhar na Segunda Feira.

– Não precisamos disso. – eu respondi, brincando com a mecha vermelha entre os dedos — Temos um ao outro.

–Claro, — ele sorriu – e nos mataríamos em um dia, dois, no máximo.

Eu aproximei a mecha perfumada dos olhos, admirando a cor. A maioria das mulheres que eu conheço mataria por um cabelo daquele.

– Alguém já te disse – eu falei — que o seu cabelo tem a cor do pôr do sol na cratera, em Santorini?

– Não. – ele respondeu — E alguém já te disse que é feio falar de boca cheia?

– Está vendo? – eu sorri — É por isso que nós damos tão certo juntos. Você é a única pessoa que eu conheço que é completamente imune a cantadas. É por isso que nós deveríamos pensar em morar juntos, sabe. Não precisa ser aqui, nem no meu apartamento, eu tenho uma casa nas montanhas. Sete quartos, piscina, uma vista linda... – eu me interrompi diante da expressão no rosto dele — O que?

– Nada. – ele respondeu — É só que eu ainda estou assimilando a idéia de dividir a cama com alguém que esconde doces e bebida pelo quarto e você vem falar em morar junto?

– Bom... – eu falei – um cara precisa se prevenir, sexo gasta muita energia, você sabe.

– É, eu sei, — ele respondeu — e por falar nisso, já vou avisando que se você me passou alguma doença vou contar tudo à mídia.

Eu suspirei

– Você poderia parar de ficar mudando de assunto e interrompendo meu raciocínio? Eu estou tentando expressar algo que tem um significado importante pra mim, aqui.

– Contanto que você não tenha me transmitido nenhuma Clamídia – ele respondeu, irônico — sou todo ouvidos. Mas da próxima vez nós vamos usar camisinha.

– Eu e você nas montanhas, que tal? – eu continuei, deslizando dois dedos pela parte interna da coxa dele, acariciando-o — Uma banheira de água quente, um pouquinho de Don Perignon e bolhas pra nos acalmarem.

– Milo, – ele falou, com um supiro, cerrando as pálpebras – nós não vamos morar nas montanhas.

– Tive outra idéia, — eu falei, substituindo os dedos pela língua, mordiscando a pele macia do interior daquelas coxas — nós podemos adotar um cachorro. – eu desci a boca até a virilha dele — Só um cachorro, pra começar, pra combinar com a nossa casa de praia. Um Husk Siberiano. Nós vamos batizá-lo de Max, e quando o 'Enterteniment Tonight' for nos entrevistar sobre nossa vida juntos, nós vamos pra praia jogar frisbee com Maxie.

– Milo, não vai haver nenhum cachorro. – ele falou com voz trêmula enquanto eu lambia sua virilha e o via enrigecer novamente — E nós também não vamos ter uma casa de praia juntos. Eu já disse que...

Mas eu nunca soube o que ele supostamente já havia dito, porque suas palavras se perderam em um gemido quando eu o tomei mais uma vez em minha boca, sugando com força. Seu corpo estremeceu e ele agarrou meus cabelos, começando a se movimentar embaixo de mim, conduzindo-me. Impondo um ritmo fquase frenético que pareceu rasgá-lo no momento em que atingiu o clímax. Seus lábios deixando escapar um grunido enquanto parecia explodir por dentro e se derramava em mim, quase me arrastando pra aquele abismo sensorial junto com ele.

Ainda com o gosto dele em minha boca, eu levantei a cabeça e olhei pra ele. Deus, como eu adorava aquele rosto quando ele se deixava abandonar assim!... Os olhos rubros embaçados pelo orgasmo, a pele vermelha de excitação, a boca, de lábios bem feitos, que se suavizava e entreabria, a cabeça tombada pra trás, exibindo o pescoço branco e alongado, onde um pulsar violento era visível.

Eu o saboreei ali. Carne. Pele escorregadia. Meu Ruivo.

E o puxei pro meu colo, esmagando minha boca contra dele de forma quente, faminta, quase o mordendo, enquanto entrava nele mais uma vez... Manipulando seu membro... E sentindo-o excitar-se novamente sob a regência precisa das minhas mãos. De forma rápida e constante. Seus quadris batendo contra os meus como pistões a cada elevar de corpo. A respiração ofegante todas as vezes que a maré de prazer nos levava.

Dessa vez, quando a onda se formou, pronta pra quebrar, eu apenas me enterrei ainda mais fundo dentro dele e deixei que âmbos fôssemos levados pelo oceano de sensações.

– É sério. – eu disse quando nossos lábios se afastaram, ainda sentindo meu corpo estremecer de prazer — Vamos ficar juntos. Não morar juntos. Apenas ficar juntos. Depois que isso tudo terminar e estiver tudo resolvido, eu digo.

– Olha... – ele falou ofegante, seu corpo estava largado sobre o meu e ele respirava com dificuldade — eu agradeço. Mesmo. Mas por que nós não dormimos agora e pensamos sobre isso depois? Acho que estamos muito cansados.

Ele se ergueu, deslizando pra fora da cama e saiu do quarto, completamente nu, em direção ao banheiro. Um minuto depois eu ouvia o barulho do chuveiro.

Eu respirei fundo olhando pro teto manchado do quarto – fruto de uma infiltração antiga que já fora resolvida, mas que eu ainda não me dignara a mandar pintar.

Eu não sabia porque aquilo era tão difícil. Talvez fosse porque ele estivesse sempre fugindo. Talvez porque eu estivesse mental e fisicamente exausto – por um bom motivo. Talvez porque eu estivesse acostumado a ser a caça e não o caçador. Ou talvez fosse porque, pela primeira vez, eu estivesse realmente me importando – mais do que eu gostaria – com alguém.

De qualquer forma eu estava achando aquilo muito mais difícil do que eu imaginara que poderia ser.

Eu sabia que era um risco. Eu nunca havia pedido a um cara que ficasse comigo antes. Eles simplesmente acabavam ficando, sabe. Na verdade, eu saía um belo dia pro trabalho e quando voltava as coisas deles – ou delas – já estavam no meu armário.

Eu não queria que ele entendesse errado. Eu não estava pensando em compromisso sério ou em chamá-lo pra morar comigo. Brincadeiras à parte, só um idiota moraria com um cara com quem dormiu uma única vez. Bom, três, se vocês considerarem as brincadeiras no banho depois, e o episódio agora pouco.

Mas só sair junto, namorar talvez, era uma coisa diferente.

E ele não parecia o tipo de pessoa que chegaria sem aviso com o pijama e a escova de dentes à tiracolo.

Era só ver a forma como ele reagira ao descobri que teria de passar a noite ali comigo, por exemplo – o mau tempo se agravara de tal forma que era inviável pensar em ir a qualquer parte. Enrolado em um lençol, em pé diante da janela onde a neve se chocava com força, ele simplesmente se virara pra mim com uma expressão desolada no rosto, depois de receber uma mensagem no celular do tal Afrodite, e dissera: 'Você não teria um par de esquis aqui por acaso, teria?'

Não, um cara assim definitivamente não iria aparecer no meio do nada com sua caixa de CDs e uma mala feita. Ele certamente esperaria por um convite. Ele ia precisar de um pedido.

Então, eu estava pedindo. À despeito de ele já ser comprometido e daquela confusão toda em que eu estava metido, eu estava pedindo a ele que ficasse comigo, antes que outra pessoa fizesse isso primeiro.

E isso era outra coisa.

Por que eu me importava que outra pessoa fizesse isso? Por que me incomodava tanto a idéia dele com alguém que não fosse... bem, eu? Por que eu estava reagindo ao sexo com ele daquela maneira? Só o fato de ter sido o melhor sexo que eu já havia feito na vida não era motivo pra reagir daquele jeito. Se eu não me cuidasse ia acabar achando que estava apaixonado por ele. E não estava. Definitivamente, não.

Eu só não queria ficar longe dele de novo. Isso não era amor, necessariamente. Era apenas... interesse. Ele era como uma marca nova de carro. Eu havia feito o test drive... E havia gostado muito. Agora eu queria ter acesso livre. Não possuir, apenas ter acesso.

Com a opção de compra, talvez.

Ele saiu do banheiro e voltou pro quarto.

Ali estava o problema. Como eu poderia me manter racional quando ele ficava desfilando na minha frente, completamente nú?

Porque embaixo de toda aquela roupa havia um corpo de fazer inveja a qualquer modelo da Calvin Klein. Um corpo que era deliciosamente anguloso e curvo nos lugares certos. Além de um par de nádegas redondas, firmes e bem delineadas, e daquele cabelo vermelho que distraía qualquer um.

Era tudo como um feitiço pra me enlouquecer.

Como eu poderia resistir a algo com uma embalagem tão bonita?

Talvez, eu pensei enquanto me diriga também ao chuveiro, quando ele se deitasse ao meu lado e adormessese, começasse a roncar. Era isso: Se ele roncasse, tudo estaria resolvido. Eu nunca poderia conviver com um cara que roncasse.

Mas quando eu voltei pro quarto e olhei pra ele, tudo o que ele fez foi me lançar outro daqueles sorrisos élficos que ele às vezes dava, curvando os lábios.

– Boa noite, Milo – ele falou antes de apagar a luz ao lado da cama.

– Boa noite – eu respondi, me acomodando ao seu lado.

O quarto ficou quase completamente mergulhado no escuro. O fogo na lareira já havia apagado há tempos. E, excetuando-se a música e os gritos de um ou outro bêbado no andar de baixo, a casa até parecia estar relativamente tranquila.

Eu fiquei ali deitado, olhando pra ele, pras costas dele, naquela semi obscuridade que nos envlovia, e senti que não eram apenas o lençol e o pacote de amêndoas que estavam entre a gente.

– Como você pretende explicar isso pra sua noiva? – eu perguntei, delineando com o dedo uma mancha roxa no ombro dele. Uma das muitas que estavam espalhadas por todo seu corpo nos mais diferentes matizes entre o rosa claro e roxo belicão.

– Eu não preciso explicar, — ele respondeu, blasé — ela está viajando. De qualquer forma eu duvido muito que alguém vá acreditar que essas marcas foram feitas por um ser humano. É mais fácil pensarem que eu fui atropelado por caminhão do controle da zôonose.

Eu sorri. Com todos aqueles arranhões e mordidas eu não duvidava disso.

E então pensei que pelo menos o pacote de amêndoas e o lençol eram fáceis de ser removidos.

Limpando a cama e ajeitando o lençol eu me movi pelo colchão até que as costas dele estivessem encostadas no meu peito, um dos meus braços envolvendo posessivamente sua cintura.

– Nem pensar – ele falou, em um tom não muito agradável — De novo não .

Eu o encarei.

– Do que você está falando?

Ele olhou pra mim por sob o ombro e então voltou a enterrar o rosto no travesseiro.

– Nada. – ele disse — É que você é uma criatura bem insistente.

Eu ri.

– Você também pode admitir, Ruivo, — eu falei com a boca tocando seus cabelos, que se estendiam no travesseiro, entre nós — que está completamente louco por mim.

A risada dele foi tudo o que eu pude escutar além do vento. Eu pensei em ficar acordado observando-o dormir, mas acabei dormindo também com o som das risadas lá em baixo e o perfume do cabelo dele. Eu nem me dei conta de que aquele era o cheiro do meu próprio xampoo. Caí no sono pensando em como era estranha aquela situação toda que nos havia levado até ali... e em como era bom que fosse assim. Dormi fantasiando em como eu o convenceria a passar o resto do feriado comigo. Sonhando com as conversas que teríamos. As refeições que eu prepararia. As histórias que contaríamos. E o amor – principalmente o amor – que faríamos.

Mas quando eu acordei na manhã seguinte, a cama ao meu lado estava vazia. Olhando pela janela eu percebi que a neve havia parado de cair. Um pálido sol hibernal destacava-se agora entre as nuvens brancas. E, como uma miragem de neve, um príncipe encantado de gelo, ele também havia partido.

Notas finais
Olá a todos, Como prometido aqui está a continuação do outro ch, como vocês estão vendo é imeeenso, agora imagina postar tudo isso de uma vez? Seria desanimador u.u. Bem, gente, finalmente o lemon que todos esperavam, na verdade o ch inteiro foi quase um grande lemon XD, e eu realmente espero que atenda, pelo menos um pouco a expectativa de vocês. E, bom, como deu pra ver, a fic não tem classificação +18 à toa XD. Nem preciso falar que estou mega tensa por ser meu primeiro lemon, né? Então eu realmente preciso, necessito, de review nesse ch, please! A música que o Milo cita no primeiro POV dele foi a que me inspirou nesse ch. Tanto esse quanto o anterior, na verdade. Então vou deixar um lik aqui como sugestão de trilha sonora do ch(http:/www.youtube.com/watch?v=p0zAPzweZFw&feature=related) Outra coisa, caso não tenha dado pra notar, existe um breve lapso de tempo entre o fim do POV do Camus e o início do segundo POV do Milo, onde eles tomaram banho ('brincaram' no chuveiro, nas palavras do Milo), o tempo piorou, o Camus recebeu a mensagem do Dite no celular e descobriu que teria que passar a noite ali, até a neve amainar, o Milo encontrou as amêndoas e o vinho no quarto, e eles voltaram pra cama e começaram a jogar conversa fora. E acho que é isso, espero os comentários de vocês ^^. Muito obrigada a todos que acompanham, especialmente àqueles que foram bonzinhos e me deixaram reviews ^^: Kamy_Jaganshi, PapilonBleu, Alexia-Black,lihchan, sashinha, Chakal_Maldito, ddd, stocking e Moni-d, muito obrigada mais uma vez, meninas ^^ Bjos PS: Creditos devidos, os mesmos do ch anterior.