Notas iniciais
Olá meus amores! Voooooltei! Não disse que voltava? Então, voltei mesmo! Espero que gostem do capítulo e BOA LEITURA :D

“Você é o primeiro pensamento do meu dia,

Se eu não te vejo quase morro de agonia.

Sou dependente desse amor, seu beijo vicia,

Eu quero todo dia!

A noite cai, o meu sonho é você,

Dizer te amo já tá virando clichê.

Mas eu tô repetindo pra você saber,

Que eu adoro amar você!”

Clichê — João Neto e Frederico.

Alice

Uma pilha de nervos, era como eu estava. Eu não conseguia parar de andar de um lado para o outro no meu quarto na casa de tia Beth, eu já tinha até tirado os saltos depois que quase tropecei na barra do meu vestido branco e enorme.

Olhei-me outra vez no espelho e sorri. Meus cabelos estavam presos num penteado elaborado, a tiara e o véu eu fiz questão, assim como fiz questão das mangas de rendas que iam até o meu pulso. A saia do meu vestido de noiva não era tão ampla quanto à de Cordélia foi, mas eu estava me sentindo uma princesa do mesmo jeito.

A pouco mais de um mês a construção da minha casa tinha ficado pronta e Lilly me garantiu que já tinha “Voltado a caber em um vestido de madrinha”, palavras dela, não minhas, então eu e Hugo finalmente tínhamos marcado a data do casamento. Eu só não imaginei que um mês fosse passar tão rápido e que eu teria tantas coisas pra resolver.

Cordélia realmente se vingou de mim agora, por que até sobre as fitas de prender os arranjos de mesa ela me perguntou, e ela estava adorando me encher com essas pequenas coisas, eu via pelo divertimento em seus olhos, Lilly nem disfarçava. Felizmente no fim deu tudo certo e eu consegui planejar e organizar meu casamento, com ajuda — ou não — de Cordélia sem surtar. E tinha ficado lindo. A cerimônia seria na capela da vila e a festa aqui na fazenda, eu tinha realmente amado a festa de Lilly.

— Como está minha noiva favorita? — minha amiga pergunta entrando no quarto com o filho no colo. Cordélia estava usando um vestido verde tomara que caia com uma fenda na perna esquerda, seus cabelos, que agora alcançavam o meio das costas, estavam soltos.

— Estou com saudades do meu afilhado lindo. Oi Guto, a dinda estava com saudades — fiz uma vozinha mais fina e o bebê com todos os seus três meses gargalhou. Os olhos azuis e as bochechas gordinhas garantiam a Guto meu amor incondicional. Não só o meu, todos nessa fazenda e fora dela, o senhor Ricardo e a dona Cíntia inclusos, eram apaixonados pelo bebê.

— Oi pra você também, Alice — Cordélia ironizou e fiz menção em pegar José Augusto, mas ela não deixou. — Não vai pegá-lo de jeito nenhum, já pensou se meu filho fofo e muito babão mancha seu vestido a essa altura do campeonato? Ia ser um desastre, deixa para mimá-lo amanhã, e depois e depois, você vai ter a vida toda pra isso, mas hoje melhor não.

— Isso tudo é por que eu não cumprimentei você? — me fiz de magoada com a mão sobre o peito e Lilly riu. — Você é muito rancorosa.

— Rancor não, meu amor, eu só guardo informações importantes para usá-las mais tarde quando eu precisar.

A explicação elaborada de Cordélia e suas caras e bocas me fizeram rir também, era bom poder aliviar a tensão de estar trancada num quarto esperando meu tio vir me buscar para irmos para a igreja. Ainda era meio surreal o fato de eu estar me casando com o meu amor platônico da juventude, era surreal, incrível e encantador e eu não via à hora de sermos finalmente, marido e mulher.

— Muito ansiosa? — Cordélia perguntou depois de se sentar na beirada da cama e ajeitar Guto, muito estiloso em sua roupa social, em seus braços.

— Demais, você também ficou assim?

— Achei que fosse morrer antes de me encontrar com Theo, mas foi tranquilo — ela brinca me fazendo sorrir.

— Será que ainda vai demorar muito? — pergunto e como se só estivessem esperando a deixa tia Beth e tio Jorge entram no quarto.

Minha tia usa um vestido salmão com mangas longas de renda e tem o cabelo preso num coque elaborado, está linda e é estranho ver meu tio de terno.

— Você está linda, meu amor — tia Beth diz com um sorriso emocionado depois de me esmagar em um abraço.

— A senhora também, tia.

— Uma verdadeira princesa — tio Jorge sorri e agradeço o elogio. — Seus pais ficariam muito orgulhosos da mulher que você se tornou.

— Você acha? — pergunto num sussurro me lembrando deles e é tia Beth a concordar.

— Tenho certeza, agora nada de chorar, hoje é dia de festa — ela limpa as lágrimas que não cheguei a derramar e me beija o rosto.

— Agora que ela já está em boas mãos eu vou atrás do meu marido — Cordélia anuncia ficando de pé fazendo seu vestido se mexer e mostrar a fenda, ela definitivamente era uma mulher linda e nem precisava se esforçar muito pra isso. — Não chore antes da hora pra não borrar a maquiagem e nos vemos daqui a pouco na capela. Dá tchau para os vovôs e a dinda, Guto — ela pegou a mão do bebê e balançou no ar antes de dar um sorriso divertido e sair.

— Lilly é mesmo uma figura — tia Beth sorriu e concordei, mas minha questão principal era outra.

— Nós já vamos? — perguntei ansiosa e meus tios riram.

— Vamos sim — minha tia concordou. — Pronta?

— Com certeza. Bem, mais ou menos — ri levantando a barra do vestido mostrando meus pés cobertos com a meia branca e descalços. — Só preciso dos sapatos.

Meus tios gargalham e eu me sento na cama para calçar os sapatos. Depois disso não demora até estarmos os três no carro do meu tio na estrada de terra em direção à capela. Posso ver Cordélia no carro a nossa frente, ela tinha ficado para organizar uns últimos detalhes da festa e Theo tinha ido ajudar Hugo com a recepção na igreja, no fim acho que ela não encontrou o marido.

É estranho pensar que essa é a última vez que passo por essa estrada como a garota órfã cuja única família são os tios e o primo que a acolheram, quando eu voltar eu e Hugo seremos uma família, nossa pequena família que eu pretendo fazer com que fique maior, afinal, ainda quero dar muitos primos a Guto, talvez não agora, mas isso com certeza está nos planos.

Quando chegamos à capela posso ver a movimentação de convidados na entrada, vejo Cordélia andando com elegância em direção a Theo com Guto no colo, só ela mesmo para conseguir parecer elegante com um bebê no colo. Vejo também seu Ricardo e dona Cíntia, meus tios saem e minha tia me instrui a nem se quer me mexer de onde estou. Posso ver todo mundo, menos Hugo. Há sorrisos e felicitações por todo lado, não escuto o que dizem, mas gosto de olhar todas as pessoas que vieram celebrar meu casamento, meu amor e minha felicidade.

Não demora até minha tia mandar todos entrarem e entrar ela mesmo na capela, escuto de forma abafada as músicas e no fim sobramos apenas eu e meu tio, ele de pé perto da porta de madeira dupla e eu ainda no carro. Mas até agora nada de Hugo, será que meu noivo está lá me esperando?

— Vamos? – tio Jorge me chama depois de abrir a porta e o olho começando a ficar nervosa.

— Tio, seja sincero, Hugo está lá no altar me esperando, ou não?

A gargalhada do meu tio me deixa um pouco mais aliviada e eu aceito sua mão estendida e deixo que ele me ajude a sair do carro.

— É claro que está, Alice. Extremamente nervoso andando pra lá e pra cá. Ele perguntou o mesmo sobre você. Vocês são muito ansiosos. Mas fique tranquila, vai dar tudo certo – ele sorri. – Vamos?

— Vamos – digo confiante aceitando seu braço. Aperto o buquê com uma mão e o braço do meu tio com a outra. Agora é realmente oficial.

Quando as portas se abrem e a marcha nupcial começa não vejo mais nada, nem ninguém, só ele sorrindo pra mim com olhos emocionados no fim do corredor. Hugo me encara e quero correr até ele, mas sei que não posso, afinal, todos esperam que a noiva faça sua caminhada com graça e beleza, e, ironicamente, me jogar nos braços do meu noivo, é a única coisa que quero fazer.

Tio Jorge garante que eu não fuja correndo em direção à Hugo e quando finalmente o alcanço tenho a sensação que essa minha caminhada durou uma eternidade.

— Cuide dela – meu tio pede a Hugo e meu noivo sorri para mim depois olha pra ele.

— Sempre.

Depois de se cumprimentarem eu finalmente entrelaço meus dedos aos de Hugo e sorrio pra ele.

— Eu te amo – sussurro.

— Amo você também, desde que pus os olhos na garota descabelada com um cesto nas mãos – ele sorri e já estou chorando antes mesmo do padre começar.

Há aquele discurso sobre amor, respeito, companheirismo e reciprocidade, mas não presto atenção em muita coisa. Estou nervosa e feliz demais para me concentrar em qualquer outra coisa que não seja os olhos escuros de Hugo e nossas mãos entrelaçadas. Estou chorando e não me importo, é de emoção, felicidade. Finalmente o padre chega à parte mais importante, e presto atenção a cada uma de suas palavras.

— Eu, Alice Azevedo, recebo-te, Hugo Tavares, por esposo, e prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossas vidas – repito o discurso do padre e deslizo a aliança pelo dedo de Hugo. – Te amo, desde sempre e para sempre.

— Eu, Hugo Tavares, recebo-te, Alice Azevedo, por esposa, e prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossas vidas – ele também diz às palavras que são uma promessa para toda vida e desliza o aro brilhante pelo meu dedo anelar. Hugo beija minha mão e sorrio em meios as lágrimas de emoção. – Amo você. No momento em que a vi sabia que não teria outra a ocupar o espaço que você ocupa no meu coração.

— Então eu vos declaro marido e mulher – o padre diz por fim com um sorriso emocionado. – Pode beijar a noiva.

Hugo não precisa de mais nenhuma palavra antes de me puxar para um beijo daqueles que só ele sabe me dar, de deixar as pernas bambas e o coração acelerado, ele me gira no ar e quando me coloca outra vez no chão há palmas e assovios mesmo que eu não saiba se isso é permitido ou não na igreja. Por fim entrelaçamos nossos dedos e seguimos para a saída juntos, do mesmo jeito que faremos tudo a partir de agora, como uma família.

Theo se oferece para nos levar de volta a fazenda e somos nós quatro e Guto na velha caminhonete, rindo e nos implicando. Contando histórias e relembrando que alguns meses atrás estávamos os quatro desse mesmo jeito voltando do casamento de Lilly e Theo, e sinceramente naquela época eu não achava que o meu fosse acontecer tão rápido, mas felizmente aconteceu. E eu não podia estar mais feliz, a vida pode ser encantadora e maravilhosa às vezes, é só termos paciência para esperar.

Quando chegamos outra vez à fazenda é que eu realmente paro para observar a decoração em branco e verde, com luzes por todo lado, mesas de madeira, um bolo lindo e pista de dança. Infelizmente eu não posso fazer como Lilly e simplesmente ir me sentar, tenho que cumprimentar os convidados, tirar milhares e milhares de fotos, quando me canso, simplesmente sento-me em uma das mesas, tiro os sapatos e o véu e faço Hugo conseguir um parto de comida pra mim. Ele ri e assim o faz, estamos os dois jantando quando Lilly e Theo passam por nós, agora sem Guto, ele, no mínimo, deve estar sendo paparicado por alguns dos avós, ou por todos eles. O casal nos cumprimenta e segue para a para a pista de dança.

— Me daria à honra, minha esposa? – Hugo pergunta depois de ficar de pé e me estender à mão.

— Sim, meu marido – sorrio aceitando sua mão estendida. – Pra você, sempre vai ser sim.

Nós dançamos, mais rimos e rodopiamos pela pista que qualquer coisa, alguém grita para eu jogar o buquê e assim o faço, há uma comoção e muitas risadas, depois disso cortamos o bolo, tomamos champanhe e quando a lua já está alta no céu e a festa parece muito longe de terminar Hugo me olha divertido, no casamento de Lilly e Theo fomos literalmente os últimos a sair, mas dessa vez, quando meu marido me pega no colo, comigo rindo em seus braços, somos os primeiros, enquanto ele vai correndo em direção à nossa nova casa, a nossa nova vida.

Espero que nossa pequena bolha de felicidade possa durar para sempre, cada vez mais encantadora e divertida, com brigas, desastres, mas sempre com muito amor.

Notas finais
Espero que tenham gostado e agora realmente acabou e foi isso, mas deu ao menos pra matar a saudade desse pessoal, não deu? Comentem! Beijocas e até a próxima, Lelly ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!