Notas iniciais
Queridos leitores
Chegamos no terceiro oneshot sobre as famílias dos nossos queridos golds.
Nessa história agradeço a ajuda da minha amiga que me ajudou a escrever essa fanfic.

Lara

Durante a minha juventude fiz muitas coisas que me arrependo, só de lembrar o tempo que eu perdi, as pessoas que magoei, as oportunidades das quais abri mão e do filho que eu sequer conheci, sinto uma dor enorme dentro do meu peito, lágrimas escorrem dos meus olhos e a tristeza invade a minha alma.

Eu era muito jovem e achava que podia fazer tudo que desejava, comecei a ir em festas, shows, bebia muito, ficava com qualquer homem que me oferecia bebidas, cheguei a um momento que só beber não me satisfazia, me deixei influenciar pelos meus amigos e comecei a me drogar.

Drogas é a pior coisa que existe, por causa dela perdi o amor da minha família, quase perdi a minha vida, felizmente consegui tratamento que foi muito doloroso e demorado mas agora tenho orgulho de dizer que estou limpa há dezenove anos e consegui reconstruir a minha vida.

Atualmente sou casada, moro em uma cidade do interior da Grécia, tenho dois filhos, Camila de 16 anos que é morena como o pai e Felipe de 13 anos que é mais parecido comigo e tem cabelos castanhos claros.

O que mais me dói é lembrar do meu primeiro filho que atualmente tem 20 anos, ele nasceu em uma época que eu estava com dependência química, não tive nenhuma condição de me cuidar durante a gravidez, não sei quem é o pai dele, não sei nada sobre esse meu filho, mas oro todos os dias para que ele seja saudável, que tenha sido criado por pessoas que lhe deram muito amor e que um dia me perdoe por todo o mal que lhe fiz antes mesmo dele nascer.

Há um mês me cadastrei em um site que ajuda pessoas a encontrar os seus entes queridos, sei que é muito difícil encontrar alguém que não sei nem o nome, mas tenho esperança que um milagre aconteça e que um dia possa olhar dentro dos olhos do meu filho e lhe pedir perdão, sei que posso ser desprezada mas eu preciso lhe encontrar para poder viver em paz com a minha consciência.

Hoje recebi uma notícia que me deixou muito feliz, eles encontraram o meu filho, não me deram muitas informações sobre ele, apenas sei que mora na Grécia e que foi avisado sobre o meu interesse de lhe encontrar mas sei que ele pode negar me conhecer, agora só me resta orar para que ele venha ao meu encontro.

Santuário de Atena

Milo: Não acredito, isso não é verdade.

Shion: Chamo o Milo e lhe entrego a carta que o orfanato mandou, que a mãe dele queria lhe conhecer e ele começa a gritar desesperadamente assim que a ler. Abraço ele tentando o acalmar, mas isso não ajuda muito.

Milo, sei que é um momento difícil, mas tente se controlar.

Milo: Não quero saber.

Falo chorando tentando conter os prantos.

Nãooo quero saber mestre. Por favor mestre, me deixe sozinho. Não estou com cabeça para ler essa carta.

Shion: Não esperava uma reação calma do Milo, mas acho que ele está exagerando.

Pode ir para casa Milo.

Milo: Desço as escadas em direção a minha casa, começo a gritar e fico mais revoltado.

Drogaaa, isso não é verdade. Como ela pode me abandonar na hora que mais precisei, era apenas um recém-nascido.

Digo isso aos prantos, chego na minha casa ainda chorando e com muita raiva, a primeira coisa que eu vejo a pego e atiro contra parede, depois me sento no chão e choro desesperadamente.

Camus: Estou subindo as escadas para chegar na minha casa após um dia de treinamento, ao chegar em escorpião sinto o cosmo do Milo, ele não parece estar bem, seu cosmo está muito agitado, então resolvo entrar na sua casa sem pedir permissão, vejo ele quebrando copos de vidro, gritando e se descabelando.

Milo, o que te deixou tão transtornado?

Coloco as minhas mãos nos seus ombros tentando o acalmar, mas ele continua chorando alto.

Milo: Olho para o meu amigo e em soluços o respondo.

Camus… O mestre Shion…

Camus: Sim, o que tem mestre Shion? Aconteceu alguma coisa com o mestre? Diga-me.

Milo: Ele me entregou uma carta dizendo que minha mãe quer me ver.

Digo aos prantos chorando desesperado e me jogo nos braços do meu amigo.

Camus: Fico sem reação, o loiro não se controla de maneira nenhuma, retribuo o seu abraço mas isso não o acalma e eu não tenho paciência com o seu desespero.

Milo, porque você não aceita a conhecer?

Milo: Eu não quero vê-la na minha frente, não depois de ter me abandonado quando era um bebê indefeso, sinceramente isso não me interessa.

Camus: Milo, sabe o motivo de terem lhe abandonado? Lhe sugiro que apenas ouça o que ela tem a dizer e depois decidi se pode ou não perdoar.

Milo: Eu sei disso Camus, mas no momento eu estou com muita raiva, eu guardo isso há anos, sempre fui rejeitado e isso me deixa mais revoltado do já estou.

Camus: Milo, ficar revoltado não te fará bem, também não posso dizer para você a perdoar, pois não conheço a sua dor.

Milo: Não sei Camus, pensando bem, é verdade, o jeito é fazer o que você me disse, procurar saber o que levou essa mulher me abandonar, só assim ficarei mais tranquilo, perdoar não sei se farei isso, tudo depende do que eu descobrir.

Camus: Faça isso Milo, mas primeiro tente relaxar um pouco, se sair daqui com o cosmo tão elevado pode até matar civis sem querer.

Milo: Eu sei Camus, obrigado amigo por estar do meu lado nesse momento tão difícil.

Camus fica mais alguns minutos conversando comigo e depois vai para a sua casa, como já estou um pouco calmo, arrumo toda a bagunça que eu fiz na casa, eu quebrei quase todos os pratos e copos, acho que levarei uma bronca do Shion por causa disso mas eu não ligo, o importante é que consegui me controlar mas devo isso ao meu amigo que me conheci melhor que qualquer outra pessoa no santuário, temos comportamentos muito diferentes um do outro mas nos entendemos bem.

Tomo um banho, tento comer um lanche mas não consigo porque estou com muita raiva, deito na cama e não consigo dormir, o que me deixa mais nervoso e estressado, passo a noite inteira pensando na notícia que recebi, lembrei da carta que o mestre Shion me entregou, me levanto da cama já que não consigo dormir, abro a carta e agora que estou um pouco calmo a leio inteira, vejo o remetente dela e começo a chorar intensamente e ficar com mais raiva, mas me contenho e tento me acalmar mais uma vez, volto para o meu quarto, me deito novamente e fico chorando até pegar no sono.Acordo as 13:00 não estou com cabeça para sair de casa mas não adianta ficar em casa chorando, levanto, tomo um banho bem relaxante e vou para casa de aquário tentar espairecer a cabeça e tomar uma decisão sobre ir atrás dela com o conselho que sei que o Camus me dará novamente.

Camus: Estava sossegado lendo o meu livro quando o Milo entra na minha casa sem pedir permissão, algo que ele sempre costuma fazer e que me chateia muito.

Milo: Oi amigo, que bom que você está aqui, quero muito conversa com você. Ainda estou pensando em ir atrás daquela mulher que diz ser minha mãe mas ainda sinto muita raiva dela e não preguei o olho essa noite só pensando nisso.

Camus: Respiro fundo, eu preciso ficar calmo ou acabarei o expulsando da minha casa.

Vejo que está com a aparência péssima, mas há nada que posso fazer para lhe ajudar, a não ser lhe incentivar a conhecê-la.

Milo: Fiquei umas duas horas conversando com o Camus, ele me convenceu que o melhor a fazer é procurar essa mulher nem que seja apenas uma vez. Preciso saber o que ela tem a me dizer, volto para a minha casa, tomo outro banho, pego o endereço dela, vejo que mora em Atenas, não é muito longe daqui e não será difícil encontrá-la, desço as escadarias das doze casas, pego a minha moto, coloco o capacete e parto com destino a capital.

Lara: É 18:00 horas, chego do trabalho cansada, fico feliz em ver que a minha filha arrumou a casa e está fazendo o jantar, sempre agradeço por ter uma ótima família, vou tomar banho, assim que saio do banho a campainha toca, penso que o meu marido esqueceu a chave, mas depois me lembro que hoje está trabalhando até a noite pois é chefe em restaurante, abro a porta e vejo um lindo rapaz loiro na minha frente, ele é muito bonito e o jeito do seu rosto lembra um pouco o meu, fico muito emocionada ao perceber que ele só poderia ser o meu filho mais velho.

Milo: O meu olhar fico estático e por um minuto fiquei calado e olhando para ela sem forças até para a cumprimentar.

Oi, eu sou Milo, eu recebi uma carta sua ontem dizendo que você queria me conhecer.

Lara: Oi, prazer eu sou Lara, por favor, entre e sente-se.

Milo: Entro na sua casa, é uma casa simples, mas bem organizada, sento no sofá em silêncio, algo que não é o meu costume, ela se senta de frente para mim e apenas a observo sem ter vontade de falar nada.

Lara: Sim, fui eu Milo que mandei a carta, queria muito te conhecer e você deve estar querendo saber o por que você foi entregue para orfanato, certo? Quando tinha a sua idade, era usuária de drogas, fugi da casa dos meus pais e passei a morar nas ruas, fiquei grávida, no dia que você nasceu eu tinha usado muitas drogas, comecei a passar mal, fui para o hospital as pressas e assim que você nasceu eu fui transferida para uma clínica de reabilitação e você foi para o orfanato. Desde então nunca soube notícias suas, naquela época eu fugi da clínica e voltei para as ruas e a usar drogas novamente, até que um dia que eu resolvi sair daquela vida miserável, lutei muito para me libertar das drogas e reconstruir a minha vida, depois de muito tempo eu finalmente consegui me afastar de tudo que me fazia mal, durante muitos anos desejei lhe conhecer mas não sabia por onde lhe procurar, mas felizmente isso mudou e há um mês tive esperança de poder finalmente lhe encontrar, queria muito lhe ver e saber como você está.

Milo: Após escutar o que ela disse, meus olhos começaram a lacrimejarem e eu tento me conter as lágrimas e com a voz embargada falo.

Você tem noção do mal que você me fez ao me abandonar? Diga-me. Pelo visto não, né? Esses anos todos eu fui rejeitado por ser órfão e por ser filho de uma usuária, sem contar que nenhuma família me quis adotar.

Começo a chorar intensamente e entro no desespero, um choro doido que segurei muito chorar mas foi mais forte que eu, ela ao ver nessa situação, senta ao meu lado e me abraça olhando nos meus olhos e me pedindo perdão pelo que ela havia me feito comigo, aos poucos consigo me acalmar e decidi a perdoar, embora ainda estando muito triste com tudo isso, sei muito bem que ela não havia feito por mal e não tinha condições nenhuma de ficar comigo e me criar, sinto que ela também sofreu muito por não ter me criado.

Depois dessa conversa ela me apresentou aos meus dois irmãos que me receberam muito bem e em seguida chegou o pai deles e fui apresentado, ele foi muito legal comigo eu fiquei bem tarde conversando com eles, queriam que dormisse na casa deles, mas não me sentia bem para fazer isso, então me despedi deles e voltei para o santuário.

Estou me sentindo bem por conhecer o meu passado, no fundo do meu coração não sinto raiva da minha mãe, não sei se um dia conseguirei lhe chamar de mãe mas sei que quero os ver novamente, finalmente eu aprendi a perdoar alguém e sei como isso deixa o coração aliviado e feliz.

Notas finais
Um grande abraço a todos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!