Aprendendo a Dizer Eu te amo

8 Uma visita, uma volta e um problema


Notas iniciais
Demorei um pouquinho demais, me perdoem. É que agora comecei com outra fanfic e não consegui mais escrever aqui. Mas, ó:

Quando acordei, meus olhos arderam. Senti como se tivesse chorado durante o sono, e não percebi o motivo logo de cara. Depois de pensar bem, decidi ignorá-lo.

Não quis me levantar. Fiquei sentado, encostado na parede com os pés sobre a cama, e respirei fundo. Enxuguei meu rosto e tentei apagar cada lembrança do meu sonho. Estava totalmente desanimado, até ouvir as vozes na sala.

– O sol se põe todos os dias – falou minha mãe.

– Mas não é em todos eles que podemos vê-lo – respondeu Jullie.

Ao ouvir a voz da minha irmã, algo se revigorou dentro de mim. Já sentia sua falta, meu quarto ficava bem maior e mais solitário sem ela lá. Ficava mais silencioso sem suas ligações e choros no meio da madrugada. E eu ficava com mais frio quando não podia abraçá-la.

Mas, claro, nunca tinha dito isso para ninguém.

Me olhei no espelho e passei a mão no cabelo. Levantei e corri para a porta, mas meu pé bateu na cama, e soltei uma exclamação. Apertei meus dedos e me joguei no colchão, gemendo.

Alguém bateu na porta. Duas vezes, um segundo, três vezes, três segundos, uma vez e “a porta está a abrir”.

E ela se abriu.

Bem ali, sob o arco formado, estava de pé uma figura de uma mulher loira, com olhos azuis doentios, mas sorridentes. Podia-se ver um rastro de sombra, mas não ela própria. Quem os olhasse saberia que seu dono já havia sido triste.

Jullie fechou a porta e andou até se sentar do meu lado. Olhou para o meu rosto e bagunçou meu cabelo. Suspirou e se encostou.

– Você não teve sorte – disse.

Aquilo me fez sorrir. Nós dois tínhamos um jeito de conversar que somente a gente entendia. Quem quer nos olhasse não saberia o quanto próximos poderíamos ser.

– Tá doendo – respondi.

– Eu o julgaria maluco se não doesse. É normal se machucar, ainda mais nessa idade...

Olhei para ela, com uma expressão confusa no rosto.

– Do que você está falando? – perguntei.

– De duas coisas ao mesmo tempo. Soube que você tem visitado a Marcy ultimamente, e sempre voltava bem. Mas parece que ontem foi diferente.

Não pude parar de observá-la.

– C-como você soube?

– Nossos pais me contaram. Mas eles não sabem o motivo de você ter estado triste.

– E nem vão saber.

– Mas acho que eu vou.

Nos encaramos um pouco e não soube o que dizer. Estava sem reação novamente diante da minha irmã. Assim como nas vezes em que a via chorar, se machucar ou estar incomodada demais para conseguir dormir.

Eu conhecia muito bem a história da minha irmã, e a admirava. Imaginava que, um dia, poderia ter um final igual ao dela, mesmo que o enredo tenha sido triste.

Talvez, por ter sido pequeno ao seu decorrer, não soubesse exatamente de tudo. Mas sabia que tiveram três mortes – sua mãe, seu melhor amigo pelo qual era apaixonada, e uma amiga sua. Através desse seu amigo, conheceu Fernando, e ele descobriu algum problema mental com o qual ela tinha que lidar – e, no auge dos meus doze anos, ninguém resolveu me contar. E, depois de sofrer tanto, ele foi atropelado, piorando ainda mais a situação dela. Isso resultou em algumas palavras marcadas na árvore do quintal e um pedido de namoro. O que importa é que eles se amam demais, e não precisam usar palavras o tempo todo para demonstrar isso. Apenas seus olhares e tudo pelo que passaram já descreve tudo.

Não conseguia imaginar tudo. Não pude prestar atenção, e parecia que ela não tinha tempo para me contar.

Ela já vivera sua história, e esta ainda continuava. Aquele era o momento da minha ter algum início, e minha irmã estava disposta a ajudar e ouvi-la.

Contei desde o casamento até o tal pedido, e enfim a história escrita na noite anterior. Quando Jullie descobriu que eu estava começando a escrever, seu rosto iluminou-se e não pôde deixar de sorrir. Mas ao ouvir as palavras de Marcy, algo em sua expressão endureceu.

Ficamos sem reação por um instante. Eu olhava para minhas mãos pousadas no colchão, e ela estava com o olhar fixo em qualquer coisa. Naquele momento, mais que tudo, quis perguntar-lhe sobre a sua história, mas não fui capaz. Acreditei que, se ela quisesse, a própria contaria, por livre e espontânea vontade. Eu não precisaria pedir-lhe para ouvir.

– Ela falou comigo, Victor – sua voz saiu subitamente, e mal a entendi.

– O quê?

– Ela falou comigo. Marcy. Fernando ligou para lá ontem e percebeu que ela não estava bem. Pediu para que eu conversasse com ela, e me contou tudo do seu ponto de vista. Estava abalada, e tinha lido algo que você deixou no caderno dela.

Bati a mão na cabeça, lembrando-me daquelas frases que tinham roubado meu tempo para serem criadas. Tentei pensar em alguma maneira de recuperá-las sem encontrar Marcelle novamente, mas não tive nenhuma outra ideia.

– Vai ter que ir lá, cara – disse Jullie.

– Mas ela me disse para nunca mais procurá-la.

– Bem, ela te disse para esquecer. Mas eu o lembrei. Vai logo lá, é só para buscar aquelas folhas. Ou elas não significam nada para você?

– Sim, significam – de verdade.

Me levantei, mas Jullie permaneceu na cama, debruçando sobre a almofada. Pela primeira vez em anos, não pude ler seu olhar. Não consegui interpretar suas emoções.

– Eu... – ela falou – acho que vou ficar aqui mais um pouco. Não tem problema, né?

Fiquei confuso, mas essa era a habilidade da minha irmã. Balancei a cabeça e saí do quarto.

Murmurei um bom dia para os meus pais, peguei um pedaço de bolo e avisei que iria sair rapidinho. Eles trocaram um olhar, mas me deram permissão.

Daquela vez, fui a pé. Não era a mesma coisa de antes, o dia não parecia ter o mesmo sentido. Eu não estava ansioso, nem nervoso. Eu sentia como se não tivesse aonde ir, como se meu objetivo fosse ficar andando pela rua sem rumo. Não queria aquele final para a nossa história. Mas tive que aceitar.

Não tive um surto antes de apertar a campainha. Empurrei meu dedo normalmente, como se estivesse acionando um interruptor. A nota aguda tão familiar soou, mas não parecia ter o mesmo som. Não notei o que tinha mudado, só sabia que não era a mesma coisa.

Quem apareceu à porta foi a mãe. Seu rosto estava mais pálido, os olhos, arregalados. Algo estava acontecendo, e eu não fazia ideia de o que poderia ser.

– Victor! – ela exclamou – Precisávamos de ajuda.

– O que aconteceu?

– Marcy. Ela certamente não está bem. Desmaiou pela segunda vez no dia, e não pude levá-la ao hospital ainda. Não quis dizer o que houve, mas com certeza tem algo.

– O que ela tem?

– Está pálida. Magra demais. E muito, muito fraca. Alguma ideia de o que pode ser?

Eu tinha. Mas precisava ver antes de ter a certeza.

Notas finais
1/+ reviews = Próximo Capítulo. :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.