Notas iniciais
Oi galera! Então né, demorei demais, mas aqui estou eu. Vou aproveitar uns dias de folga e vou tentar postar o mais rápido que meus dedos conseguirem. A escola estava me consumindo, então realmente peço perdão. Espero que gostem! Um beijo, um brigadeiro!

Annabeth esperava inquieta, já fazia muito tempo que Percy havia saído e pouco menos que sua mãe lhe deixara sozinha. Katie havia tido imprevistos com a família por isso não estava trabalhando.

Annabeth sentiu nas mãos suadas o próprio nervosismo, estava preocupada com o marido, suspirou cansada, não importava o quanto olhasse ou torcesse o relógio parecia não mover um ponteiro sequer. Ela só queria vê-lo, abraçá-lo e garantir que se sentisse melhor. Mordeu os lábios até que este ficassem doloridos, suas unhas já estavam ruídas e quase arrancara metade do cabelo durante o ápice de inquietação. Seu coração só se suavizou quando o viu passar com um semblante derrotado pela porta, se precipitou rapidamente ao encontro do marido.

—Como foi?-perguntou Annabeth ainda incerta.

—Acho que meus pais nunca estiveram tão surpresos. — ele se jogou no sofá, suspirando de forma cansada, Annabeth sentou do seu lado. — Eu ainda não acredito que isso aconteceu...

Ele depositou a cabeça sobre os ombros da esposa que acariciou os fios negros de cabelo com cuidado.

—Mamãe também não me disse muita coisa. — ela revelou calmamente. — Não entendo por que esconderam isso por tantos anos.

—Eu também não. -confessou. -A única coisa que sei é que provavelmente foi uma amante, e tudo que ficou pra trás foi uma pilha de nada. É impossível que alguém possa matar e não deixar nem um rastro.

Ele apertou os punhos, nervoso demais.

—É impossível de imaginar que a pessoa que você sempre desejou conhecer era um canalha e que foi assassinado. -ele fechou os olhos com força. — Afinal por que seria morto se não tivesse feito uma coisa muito ruim?

—Percy, eu entendo que esteja confuso, mas... -ela ainda acariciava os cabelos negros, sentindo a maciez dos fios entre os dedos. -Eu estou aqui para você, cúmplices para eternidade, lembra?

—Não poderia esquecer jamais. -afirmou aproveitando as carícias da esposa. De repente uniu as sobrancelhas de forma obstinada, um relance de ideia passou pela sua mente. — E se eu falasse com a polícia, convencê-los a reabrir o caso?

Annabeth tentou transparecer apoio, mas ele viu nos olhos dela uma centelha de dúvida, que foi suficiente para que os olhos verdes murchassem.

—Você não acredita que possa dar algum resultado, não é?- mas afirmou do que perguntou. — Pode me dizer Annabeth.

—É que já fazem muitos anos Percy, as pistas devem ter sido consumidas pelo tempo. -revelou meio que a contragosto. — Mas poderíamos tentar, não é? Nunca se sabe afinal.

—Você tem razão, é inútil. — ele apertou os punhos de forma nervosa. — É perda de tempo, se houvesse alguém que o conhecesse bem...

Os olhos cinzentos de Annabeth ficaram mais escuros, sua mente trabalhava em uma alternativa tão rápido que Percy pode jurar ouvir algumas engrenagens se mexendo lá dentro.

—Vovó. — ela sussurrou, e logo aumentou o tom exclamando alto. — Minha vó, ela deve ter conhecido bem seu avô, pense comigo: Minha mãe disse que foi prometida ao seu pai antes de aprender a falar, as famílias devem ter mantido relações. Minha avó o conheceu quando ele ainda era jovem, poderia conhecer alguma razão para que isso tenha acontecido.

—Annie você é genial!-ele exclamou segurando o rosto corado da esposa entre as mãos e selando os lábios em um beijo que foi prontamente retribuído.

Os braços de Annabeth abraçavam o pescoço do marido e as mãos dele repousavam na cintura delgada da mulher, se afastaram apenas quando o ar faltou, o rosto corado da esposa fez com que Percy risse um pouco, antes de capturar-lhe os lábios novamente. Annabeth sentia o rosto quente, naquele momento ela desejou que não tivesse pulmões, pois eles a atrapalhavam enquanto exigiam o maldito ar. Será que eles não percebiam que ela estava nas nuvens, os corpos estavam quase fundidos de tão perto. Os corações palpitavam numa ponta de desejo reprimido por muito tempo, era a saudade que incendiava seus corpos, o amor que movia suas mentes, era instinto, eram como imãs que se atraiam. Polos opostos que finalmente haviam se encontrado, era eletricidade, era amor. Eles eram Percy e Annabeth, não os melhores amigos de infância, mas um casal apaixonado. Por isso quando Percy a perguntou com os olhos escuros:

—Você tem certeza?-ela sentia os olhos dele lhe queimarem.

E tudo que pode fazer foi assentir debilmente com a cabeça, um sim mudo, mas que foi o suficiente. Ela não tinha medo do fogo afinal.

***

Annabeth ainda ajeitava o chapéu sobre a cabeça, os cabelos se enroscavam como fios de ouro sobre os seus ombros, os olhos cinzentos estavam tão brilhantes que nem uma visita a sua avó poderia retirar-lhes o brilho. O dia estava iluminado, havia poucas nuvens no céu, o dia perfeito para um bom passeio.

Percy adentrou o quarto e as bochechas de Annabeth coraram levemente. O homem escondeu o riso, mas a verdade é que ver sua esposa sempre tão cheia de si corar era algo digno de um genuíno interesse.

—Está mais linda que o normal nessa manhã, senhora Jackson. -ele sorriu galante e viu-a revirar os olhos. -Pelo visto vou ter de espantar os urubus de si da minha esposa.

Annabeth sorriu, depois da noite anterior, se sentiu mais a Senhora Jackson do que nunca.

—Está preparado para enfrentar a fera?-perguntou zombeteira. -Sabe minha avó costuma ser um doce de pessoa.

—Vamos lá, se não fosse por ela não estaríamos casados hoje. Talvez a velha saiba o que faz afinal. -Percy beijou uma das bochechas da esposa.

—Ela tirou meus livros. -lembrou Annabeth, Percy riu com a cabeça escondida na curva do pescoço da mulher. A respiração quente lhe causava arrepios.

—Retiro o que disse, a mulher é completamente pirada — brincou ele de forma descontraída. -Vamos?

Annabeth fez um bico como se não aprovasse a ideia, ele balançou a cabeça em negação, pelo visto teria de pegar pesado com a esposa.

—Te compro um sorvete. O seu preferido... -Percy sabia que ela brincava afinal a ideia de perguntar a avó tinha sido dela, mas era uma das coisas que mais gostava na esposa, era isso que lhe dava um ar tão diferente de todas as mulheres que Percy já conhecera: Ela não tentava mudar a si mesma. — E ainda te compro mais livros.

Os olhos de Annabeth brilharam.

—Vamos lá. -a garota praticamente arrastou Percy para fora de casa, ele riu.

***

A empregada abriu a porta espantada, avistou o casal, eles sorriam de uma forma tão íntima que por um momento ela chegou a sentir inveja por não ter alguém que a olhasse de maneira tão apaixonada. Annabeth entrou sem cerimônias, afinal aquela de alguma forma também era sua casa, sondou o local em busca da avó.

—A minha avó ela está em casa?-perguntou simpaticamente.

—Irei chamá-la agora mesmo. -a mulher informou.

—Não será necessário, Miranda. Aproveite e prepare um chá para nós. -Hera tinha seu habitual sorriso no rosto, as poucas rugas ao redor dos seus olhos se destacaram, os olhos negros brilhavam como o fio de uma faca bem afiada. — A que devo a honra?

Annabeth reprimiu o desejo de arquear as sobrancelhas, sua avó apontou para o sofá indicando que eles se sentassem.

—Senhora... -Percy começou. — A senhora chegou a conhecer meu avô?

As narinas de Hera tremeram levemente e uma expressão de nojo surgiu em seu rosto tão rápido quanto desapareceu dando lugar a uma feição descontraída.

—Conheci. -ela foi categórica. — Há muito tempo atrás.

Ele tinha as mãos presas as de Annie, ela era sua âncora, num navio que não tinha como se fixar.

—O que Percy quis perguntar foi sobre o assassinato. -Annabeth foi direta mesmo que de forma cuidadosa, apertou a mão de Percy de uma forma reconfortante. — A senhora deve ter conhecido ele, afinal minha mãe era noiva do filho dele.

Os olhos de Hera arregalaram de forma significativa, mas ela tratou de disfarçar com um sorriso complacente.

—Meus pêsames Percy, foi um choque quando eu soube da morte dele. -a mais velha afundou as unhas em uma das pernas. — Mas parece que vocês estão bem informados.

—A menos tempo do que gostaríamos. -Annie resmungou contrariada

—Já disse para não resmungar, é falta de educação, e não são modos. -Hera repreendeu, tentando inutilmente mudar de assunto, mas Percy foi mais rápido.

—Conhece alguma coisa que teria motivado alguém a matá-lo?-ele quase não cabia em si de tanta ansiedade. — Ele era um bom homem.

A mulher sentiu uma bola quente se instalar em sua garganta, ele foi tudo, menos um bom homem. Se ainda tivesse lágrimas choraria, mas elas tinham se esgotado há muitos anos, naquele bordel imundo junto com seus sonhos de menina. Olhar para Percy agora era como ver um retrato de Cronos anos atrás, era doloroso. Olhar para o rosto da sua neta e ver o mesmo sorriso que enfeitava seu rosto anos atrás, naquele momento ela só queria afundar as unhas no pescoço daqueles dois até ver o sangue sair junto com a vida. A descendência imunda de Cronos deveria desaparecer para sempre. Em breve talvez... É o jogo já estava perto de acabar.

—Não vejo nenhuma razão para aquela morte horrível. Ele era um homem bom. — as palavras doeram para ser pronunciadas. -Um homem de negócios, ele sabia como convencer muito bem as pessoas.

-Nós estávamos pensando em reabrir o inquérito. -Percy se pronunciou.

—Isso não pode acontecer. -a voz soou um pouco desesperada.

—Por que vovó? Por que isso não pode acontecer?-questionou a loira, os olhos cinzentos brilhavam confusos e desafiadores.

—Devemos deixar os mortos onde eles estão. — avisou sucintamente. -Algumas histórias devem permanecer trancadas.

—Não entendo. -admitiu Percy franzindo o cenho.

—O que quero dizer é que já fazem muitos anos, as pistas já desapareceram, deixem o passado onde está, os mortos tem o seu lugar de descanso. Não é seguro que crianças cavem ossos que há muito tempo foram enterrados. — era uma ameaça mascarada, como o mais doce veneno, você não percebe até que ele faz seu coração parar.

-Eu sinto muito, mas preciso saber senhora. Já fiquei o escuro há muito tempo. -revelou calmo, Annabeth lançou um olhar carrancudo para avó que sorriu mostrando os dentes caninos perigosamente. — Mas muito obrigado mesmo assim, foi de grande ajuda.

Ambos se levantaram e Hera os guiou até a porta se despedindo gentilmente. Viu de relance a empregada com uma bandeja com os chás.

—Tarde demais, Miranda. Incompetente como sempre, não sei por que ainda de mantenho aqui, deveria estar no olho da rua há muito tempo. -a empregada abaixou a cabeça. — Eu tenho que limpar a sujeira de todos é o que parece.

Empurrou a bandeja no chão fazendo o chá fumegante respingar na serva que reprimiu um grito de dor.

Subiu as escadas de forma rápida, talvez tivesse que acabar o jogo antes do tempo previsto. Maldito Cronos! O inferno vai arder com seus novos integrantes. A descendência daquele maldito homem iria desaparecer, e sua vingança finalmente estaria completa. Cinco peões deveriam morrer. E a rainha não sentiria remorso ao fazer isso, afinal tudo era feito para atingir o rei, mesmo que ele já não estivesse mais no tabuleiro.

Notas finais
Então? Bom, mal, péssimo? Realmente aprecio muito a opinião de vocês. Então comentem, façam a Tia Moon muito feliz e até a próxima!