Aprendendo a Amar

16 A verdade por trás da máscara


Notas iniciais
Olá gente! Sei que demorei, mas espero que possam entender o meu lado, estava em semana de provas e tudo que eu fazia era estudar, e estudar muito. Então eu fiquei com a cabeça bastante ocupada, e não conseguia ter tempo para postar. Agora que estou mais livre, vou voltar a postar com mais regularidade. Espero que possam me perdoar por a demora e também desejo que não tenham desistido da fanfic. E sem mais delongas: aproveitem o capitulo! Um beijo, um brigadeiro!

—Mana agora você vai ser igual á Cinderela?-perguntava Juno animada, ela estava sentada na pequena cama, onde balançava as pernas curtas que não conseguiam chegar ao chão.

Hera balançou a cabeça afirmativamente, o coração dando giros e piruetas em puro êxtase.

—Então nos três vamos embora desse lugar. -ela abraçou fortemente a irmã que gargalhava enquanto recebia os carinhos da mais velha.

—Você está apaixonada, por aquele garoto bonito?- Juno perguntava fazendo a irmã corar fortemente.

—Isso não é assunto para você Juno!-repreendeu enrubescida, rapidamente se levantou envergonhada.

—Mas é claro que é! — discordou a pequena. — Você é meu assunto preferido sabia? Desde que aquele garoto veio você tá muito estranha, vive assim desse jeito, e olha que já faz três meses!

Ela balançava o dedinho acusatoriamente na direção de Hera.

—Ele prometeu que vai me tirar daqui, nós vamos nos casar e a mamãe, você e eu vamos finalmente nos ver livres desse inferno. -parafraseou as palavras que Cronos sempre repetia para ela. -Ele é um homem poderoso, e é sempre tão bom comigo! É tão diferente de todas as pessoas que já conheci nesse lugar, ele é de alguma forma especial!

Ela tinha um brilho único no olhar, ele havia prometido que eram só mais alguns dias e ela se veria livre daquele inferno.

—A Hera tá apaixonada, a Hera tá apaixonada!-ela cantarolava vendo o rosto da irmã enrubescer de vergonha e raiva.

—Cala a boca Juno!-repreendeu Hera irritada, a mais nova adquiriu um olhar indecifrável, parecia ter ficado triste, então Hera logo tratou de se concertar. -Me desculpa! Eu prometo não falar mais assim com você!

Juno ainda parecia chateada, pois se deitou, mesmo sendo muito cedo para dormir.

—Juno, eu juro que não tive intenção de ser grossa com você. -ela praticamente implorava.

—Você fica igualzinha a ela, quando fala desse jeito. -alfinetou a pequena magoada.

Hera engoliu em seco, Juno não olhou mais para ela pelo resto da noite. A última coisa que ela queria era se parecer com a mãe, mesmo que minimamente.

***

—Amanhã!- ele exclamou animado. — Amanhã mesmo você vai ficar livre desse lugar!

—Você fala sério?-perguntou um tanto incrédula.

—Eu juro pelo... Pelo... Pelo Estige! Isso eu juro pelo Estige!

Hera gargalhou, Cronos a olhou severamente o que a fez congelar na mesma hora, os olhos dourados tinha uma coisa intrigante demais.

—Por que ri?-perguntou ameno.

—É só que eu nunca ouvi falar em Estige. -disse meio envergonhada. — Deve ser um lugar bonito não é?

Essa foi à vez de Cronos rir, deixando uma Hera ainda mais envergonhada.

—Na verdade é mais como se fosse uma lenda. -coçou a cabeça meio desconfortável. -Uma lenda bem antiga.

A garota assentiu mais tranquila, apesar do constrangimento em alguns momentos, estar com Cronos é como chegar perto da luz depois de dias na escuridão. Com certeza ele era a pessoa mais especial que ela conhecia.

—A partir de amanhã as coisas serão diferentes para nós Hera!- ele balançava as mãos, como se aquilo deixasse a ideia mais incrível do que já era na mente ingênua da garota. -Você vai ser minha esposa, minha baronesa!

—Eu amo você!- ela falou meio trêmula, mas mesmo assim foi firme em suas palavras e ela o amava e como amava!

Ele se aproximou tocando as mãos geladas dela e as aquecendo junto as suas, quando seus lábios se tocaram foi como se o mundo desaparecesse, não existiam títulos, nobres ou classes sociais. Não se lembrava do próprio nome, e pela primeira vez depois de todos aqueles meses ela não temeu. Dentro dos braços do seu herói ela não temeu se entregar nas mãos de um homem pela primeira vez. Por isso ela se entregou de corpo... E alma ao seu primeiro e único amor.

***

Olhou no espelho vendo o reflexo daquelas mulheres pelo que ela acreditou ser a última vez, era a ultima vez que ouvia as risadas ácidas e as conversas frívolas. Era a ultima vez que sentia o cheiro do pecado, ela iria viver novamente. Era como a cinderela, o livro que lia na infância, finalmente aquele universo empoeirado estava se tornando realidade na sua vida, seu “felizes para sempre” estava tão perto que ela poderia até tocar.

—Hey garota!-chamou uma das mulheres risonhas. — Por que está tão feliz assim? Parece até que já se acostumou com a gente.

Hera não se lembrava do nome da mulher, também não havia importância, mas aquele sorriso provocante a deixava com náuseas.

—Perdeu a fala pirralha?-a mulher continuava a perguntar.

—Ela tá achando que aquele garoto vai conseguir tirar ela daqui. — anunciou uma das dançarinas enquanto tentava ajustar o batom vermelho que lhe tingia os lábios.

E nisso uma grande comoção se formou no vestiário, Hera se viu completamente perdida naquele mar turbulento.

—Ele vai me tirar daqui!-gaguejou mais para si mesma, mas a dançarina escutou mesmo assim.

—Olhem só meninas!-ela abria os braços de forma exagerada como se fizesse parte de um grande show de mágica, e no caso Hera era a apresentação principal. — Ele vai tirar ela daqui! Ele vai até casar com ela não é mesmo?

As mulheres riram, naquele momento Hera se sentiu pequena.

—Tosos dizem isso menina, mas veja só, esse lugar não estaria tão cheio se essas palavras realmente fossem verdade. -disse, apontando em direção as outras mulheres. — Homens são mentirosos, eles enganam, fazem com que você se apaixone e no final eles te destroem. Você é bonita e é jovem, um jogo fácil e ao que aparenta esse homem por quem esta apaixonada já conseguiu tudo o que desejava.

Hera balançou a cabeça em negação, se recusando a acreditar nas palavras daquela mulher.

—Não acredita?-perguntou calma. -Ele já dormiu com você, já conseguiu o que mais desejava, ele só queria ter o prazer de conquistar o animalzinho indomado e você já está domesticada querida. Saia lá para fora e me diga o que você vê.

A garota sentiu as pernas trêmulas, não podia ser verdade. Ele jurou, jurou pelo Estige. Juntou forças ao ouvir o aviso de que a noite havia começado, saiu e olhou ao redor procurando os olhos dourados, a decepção havia lhe cortando como uma faca bem afiada. Conferiu o lugar onde ele disse que estaria de novo e de novo e tudo que encontrou foi o vazio.

—Parece que ele ganhou o jogo. — constatou a dançarina, e ao contrário do que Hera achava a mulher não parecia feliz, tinha uma expressão amargurada ao subir no palco ao som de gritos indecentes.

***

Hera vasculhou lugar pela quinta vez naquela noite, se recusando a acreditar que ele realmente tinha a deixado ali, depois de todas as promessas. Depois de tudo que eles construíram.

—Não pode ser. -sussurrou sentido uma mão fria deixar seu coração em pedaços. — Você jurou...

As palavras pareciam se perder antes mesmo de serem proferidas, sentia uma dor dilacerante no peito, sua cabeça girava e girava em alucinações. Tudo que ela desejava era gritar, tudo que ela desejava eram os olhos dourados de Cronos.

Mas tudo que ela encontrou foram olhos acinzentados, olhos flamejantes, que ardiam cheios de malicia. Sentiu seu braço ser comprimido firmemente em um aperto, as mãos fortes daquele homem a afastavam da multidão.

Hera tentou se livrar da prisão imposta por seu algoz, mas não conseguiu, gritou e ninguém a ouviu.

A porta de um dos inúmeros quartos do segundo andar foi aberta com força, com uma fúria mal contida, seu corpo foi atirado brutalmente contra a cama. As primeiras lágrimas já começavam a escapar por seus olhos, sentia a pele gritar em protesto cada vez que ele a tocava. Sentiu-se morrer a cada instante, sentiu o ódio lhe corroer as entranhas enquanto aquelas mãos desconhecidas tentavam desvendar seu corpo, sentiu nojo dele, sentiu nojo de si mesma. Mas principalmente, sentiu ódio de Cronos e de seus juramentos que nunca se cumpriam.

***

Aquele homem parecia querer impor uma tortura, pois fazia questão de procurá-la todas as noites, não se importava com os gritos ou protestos, ele sempre coseguia o que queria, e ele a queria, desejava seu corpo e pagava por isso, não importava o quanto ela se contorcesse, o quanto ela implorasse, ele nunca parava.

Depois de algum tempo ela se sentia anestesiada, como se nada pudesse a atingir. As conversas no vestiário não a ofendiam, as zombarias não lhe atingiam como antes, ela estava condenada a morte enquanto ainda vivia. Seu coração ainda batia, mesmo que contra sua vontade, seus pulmões ainda se enchiam de ar mesmo que se sentisse sufocada, mas sua pele queimava sob as marcas das agressões. Sua mente gritava mesmo que sua boca já não se mexesse, ela ainda vivia, embora o seu desejo fosse morrer. E ela buscava o ódio, buscava vingança, queria ver aqueles olhos dourados tremerem enquanto ela tirava tudo que ele tinha de mais precioso.

***

O que era previsto não demorou a acontecer, depois de dias de violação, apareceram os primeiros sinais. A ânsia de vomito, as tonturas, o mal estar. Ela estava grávida.

Constatar isso era de longe a coisa mais assustadora que já havia vivido, mas também uma vantagem, uma vantagem que ela podia e iria usar.

Acariciou a barriga que já começava a tomar uma forma mais arredondada, aquela criança que agora crescia em se ventre era seu xeque-mate para sair daquele lugar.

***

—Sua esposa morreu. — constatou para o homem, enquanto tentava convencê-lo a jogar o seu jogo. — Você não tem herdeiros... Exceto por talvez uma criança bastarda que carrego em meu ventre.

—Eu nunca colocaria você dentro da minha casa. — o homem afirmou sem se alterar, era a primeira vez em meses que ele estava sóbrio, desejou não estar, aquela mulher podia ser bonita, mas não valia tanto quanto sua reputação. — E não fale da minha esposa.

—Mas é a verdade. -ela se controlava para não cuspir na cara daquele ser asqueroso. — Você pode me usar,ninguém me conhece, basta me tirar daqui e eu farei tudo que quiser que eu faça.

—Tudo que eu quiser?-perguntou inebriado pelo cheiro daquela garota.

—O jogo é seu, Sr.Olympus, você pode me usar o quanto quiser, basta que me tire daqui, e dê a minha mãe e minha irmã um lugar descente para morar. — ela cantarolava no seu ouvido, como uma sereia preste a levar um marinheiro ao afogamento. — Você sabe que me controla, assuma essa criança, você pode arranjar desculpas sobre minha origem, você só precisa de algumas notas e pronto, um problema de anos será resolvido.

—E se essa criança não for minha, se ela se parecer com outro homem qualquer, afinal você não é nem uma senhorita pura e virgem.

—Essa criança é sua, eu garanto. -seus olhos pareceram tão confiantes que ela poderia jurar que nunca tinha tido uma dúvida sobre o assunto. Essa criança poderia ter os mesmos olhos dourados daquele homem á quem tanto amou.

—O jogo é meu? -perguntou e Hera pode notar que ele já estava se convencendo da ideia.

—Todo seu. -ela afirmou, por que o melhor jeito de controlar alguém é convencer essa pessoa que está tudo sob o seu controle.

***

Ela observou com atenção cada detalhe de seu novo lar, para quem nunca tinha saído de um bordel, aquilo parecia um palácio. Afinal de contas, mesmo que não fosse um rei, o Sr.Olympus era um nobre. Só se sentiu tranquila ao constatar que ele cumprira sua promessa e agora sua mãe e irmã estavam fora daquele lugar, mesmo que nunca mais as houvesse visto, sabia que elas estavam bem.

Nos meses que antecederam o nascimento de seu filho, ela fora educada, lapidada até se tornar uma joia de esposa.

Mas seu pesadelo começava durante a noite, quando tinha que se humilhar perante os desejos do seu marido. Ela o odiava, precisava se livrar dele o quanto antes o seu coração implorava. Mas sua razão protestava, ainda não era a hora, ainda não...

***

—Força querida!-a parteira gritava incentivando a menina. -Vamos está quase lá!

Hera gritava, sentindo seu interior ser rasgado, as lágrimas que despontavam por seu rosto eram de dor. Ela tentou atender a parteira e fazia força que se consumia em gritos estrondosos que cortavam o ambiente, se estivesse em sã consciência perceberia que outra mulher limpava o suor de sua testa com um pano. Rangeu os dentes com força, sentia a dor explodir, sua cabeça gritava, seu coração gritava. Ela só queria que tudo acabasse. Juntou forças para um ultimo berro que foi presenteado com o choro de uma criança.

—É uma menina. — anunciou á parteira. — Ela nasceu saudável embora tão pequena.

Ela mostrou o pequeno embrulho para Hera que avistou os ralos cabelos castanhos da filha. Os olhos da menina estavam surpreendentemente abertos, eram grandes, duas pérolas acinzentadas. Ela não era filha de Cronos, era filha daquele homem, do seu agressor.

Desejou do fundo do seu coração sentir amor por aquela criança, mas não conseguiu, só conseguiu vê-la como seu xeque. Ela era seu passaporte, passaporte para uma vingança.

***

Você já ficou sabendo?-perguntou uma empregada à cozinheira que preparava o café da manhã da família Olympus.

—Sobre o quê? -perguntou a cozinheira ávida por uma notícia

—O senhor Cronos teve o seu primeiro herdeiro, é um lindo menino. -ela sussurrou, mas a conversa foi ouvida por Hera que acabava de entrar na cozinha a fim de apressar os preparativos do desejum.

—O quê?-ela se perguntou em voz alta, as empregadas olharam para ela assustadas.

—O filho mais velho do senhor Jackson, Cronos, acaba de ter seu herdeiro. Ouvi dizer que o nome da criança é Poseidon ele só é algumas semanas mais novo que a menina Atena.-ela repetiu o que sabia para a patroa.

Hera se retirou rapidamente, pálida como se tivesse visto um fantasma. E de fato ela vira, a única diferença é que seu fantasma estava vivo e feliz, enquanto ela estava condenada.

***

—O que você acha de formarmos laços com os Jackson’s?-perguntou tentando seduzir a mente do marido. -Uma aliança com essa família tão poderosa nos renderia muitas vantagens não acha?

—Por que seu súbito interesse nisso?-questionava desconfiado. -Não parece muito interessada na sua filha, por que esta pensando nela agora.

—O jogo é seu! Ter os Jackson’s como nossos aliados não seria maravilhoso?-ela era assim, sempre interceptava qualquer coisa que levantasse alguma suspeita sob si mesmo. -Agora tome o vinho, querido.

Ela o observou sorver as ultimas gotas com prazer inestimável. Finalmente estava chegando a hora, o momento que ele já não se fazia mais necessário.

***

Ela observou com prazer os olhos de Cronos se arregalarem ao fitarem os seus, fantasiou o rosto com uma máscara de alegria. A esposa dele era irritantemente bonita, mas seu interesse estava no pequeno embrulho azul que ela tinha nos braços.

A pequena Atena se mexia em seus braços, ela a ninava enquanto encarava profundamente os olhos dourados.

Ele estava engajado em uma conversa com seu marido, enquanto ela mesma fingia ter uma conversa amigável com a nova senhora Jackson, mas seus olhos insistiam em se cruzar diante das duas extremidades da sala.

Ele surpreso e ela satisfeita, sua filha seria perfeita, perfeita para destruir o império dos Jackson. Atena se casaria com Poseidon e seria dona de todas as riquezas da família, depois disso mataria seu marido e seria uma viúva muito rica, ela roubaria tudo que Cronos tinha: riquezas, títulos e por que não a vida? Ele não tirara a sua? Com promessas vazias.

***

—Mamãe o que esta acontecendo com o papai?-uma Atena de cinco anos questionava curiosa.

Hera quase não consegue esconder a risada de felicidade ao saborear essas palavras:

—Querida o seu papai está morrendo. -ela mantinha uma falsa expressão de tristeza. — Você sabe que ele está doente há muitos anos.

—O papai da Sally também morreu e ela disse que ele estava no céu, o papai também vai para o céu mamãe?

Hera acariciou os cabelos da filha e se forçou a dizer essas palavras.

—Claro, minha querida. — disse carinhosa.

Enquanto tudo que ela mais desejava é que aquele homem ardesse no fogo dos infernos, que implorasse por perdão e não fosse atendido, queria que ele sentisse a dor que ele teve que sentir sob as mãos dele.

***

—Hera... -ela escutava ele tossir sem mal conseguir falar. — O remédio.

—Mas ele está tão longe... -ela murmurou manhosa. — Por que você não se levanta e pega sozinho?

Ela riu da própria piada.

—Ahhh é mesmo, você não consegue. -ela concluiu para ele. Ele a olhava estupefato.

—Mas o jogo é meu?-ele questionava delirante.

—O jogo nunca foi seu. — ela sussurrou. -Precisa que eu arrume seu travesseiro?

Ela não esperou respostas, pegou um dos inúmeros travesseiros da cama e posicionou sob o rosto do marido que a olhava com medo.

Ela pressionou com força, esperando calmamente até que o corpo dele parasse de se contorcer, esperou com paciência até que ele morresse.

—Xeque-mate. -ela comemorou com alegria.

***

—Atena isso não pode estar acontecendo?-Hera gritou com a filha adolescente. -Você tinha que ter conquistado o garoto, ele era seu noivo.

—Mas ele é apaixonado pela Sally, e eu não quero me casar, a Sally esta grávida e é minha melhor amiga e eu não o amo, o caminho esta livre para ela. -ela despejava as informações nas costas da mãe.

—Você esta arruinando tudo não é?-ela sibilava nervosa. — Você não sabe o quanto me esforcei para que esse plano desse certo. Para nós duas.

— O papai entenderia. -ela exclamou irritada, e Hera se sentiu irada.

— O seu pai foi um porco imundo!-ela gritou.

—Não fale assim do meu pai!-Atena rebateu pronta para enfrentar a mãe. — Foi você que nunca se interessou por nada que me envolvesse se não esse maldito casamento.

—Você vai se casar Atena!- ela rebateu mais calma.

—Você não pode enfrentar o filho do barão!

—Você nunca esteve tão enganada. — ele concluiu, saindo pela porta. -Eu tenho controle sob todas as peças do meu jogo.

—Nos somos reais mamãe. -afirmou Atena. -Pessoas reais.

Hera não respondeu, Atena era o seu passaporte, mas parece que já estava prestes a se expirar. Como uma boa jogadora ela precisava arrumar um novo.

***

Eu não poso fazer nada sobre o assunto Hera, meu filho já está decidido. -ele afirmou tomando um gole da bebida e enchendo a taça com uma garrafa de seu melhor vinho. Havia liberado todos os funcionários e quando já estava de saída ele é convocado para uma conversa que insistia em lhe trazer dores de cabeça.

—Mas nós tínhamos um acordo. -lembrou com um sorriso brilhante.

—Você sabe como essas coisas funcionam, acordos são quebrados.

—Vindo de você isso não me surpreende.

—Sinto saudades da antiga Hera, tão burra e fácil de conquistar. -ele desdenhou.

—Cale a boca. -pediu irritada.

—Tão meiga e doce, um animalzinho indomado, cheia de esperanças. — ele a bombardeou com zombarias. — Mas você até que foi bem domesticada.

—Cala essa porcaria de boca. -gritou furiosa.

—Falando assim... Nem parece a senhora recatada que todos falam. -ele continuou. — Mas a verdade é que só eu te conheço, e você não passa de uma rata de bordel. Uma vaga...

Ele mal conseguiu terminar de falar, pois a garrafa de vinho se estilhaçou ao entrar em contato com sua cabeça. Ele perdeu os sentidos e Hera se desesperou, havia um corte que sangrava profundamente. Será que ele estava morto? Não podia correr o risco, procurou pela mesa do escritório um objeto afiado, suas mãos tremiam por antecipação, ao segurar a tesoura ela se desesperou. Afinal o que iria fazer? Matar o único homem que já amou? Ela não podia... Era errado...

Mas isso não impediu que ela enterrasse a tesoura com força na garganta de Cronos.

—Só por precaução. -garantiu a si mesma, enquanto corria para casa.

***

O casamento de Poseidon e Atena não aconteceu, mas Hera ainda assim ganhou um novo passaporte.

Alisou a cabeça da menina, os cabelos loiros e os mesmos olhos cinzentos da mãe, o mais incrível de tudo é que ela nem ao menos teve que se esforçar para reestabelecer a aliança com os Jackson’s. Atena e Sally pareciam tão empolgadas em unir as famílias que nem precisou mover nem uma peça. Percy e Annabeth eram os seus mais novos peões, e dessa vez ela se certificaria para que o jogo desse certo.

Por que essa era a verdade por trás da máscara dela. Hera não foi à garota que desejou ser, mas sim, a mulher que precisou se tornar.

Ela controlava todas as peças do tabuleiro, e ela daria um xeque-mate quando a hora chegasse.

Notas finais
E aí? O que acharam? Eu queria deixar bem claro o plano da Hera, espero ter conseguido. Senti dificuldades em escrever algumas partes, mas espero que elas não atrapalhem a leitura. Preciso muito da opinião de vocês nos comentários. Obrigada por lerem. Até a próxima!