Notas iniciais
Feliz Natal! gostei muito da resposta de vocês a essa fic, e já voltei :) Boa Leitura ♥

Aprendendo a Amar

Capítulo 2

Nove anos atrás.

Edward

Eram tantas coisas na minha mente, que tomei duas cervejas e dormi em minha própria cama. Cobrindo o corpo de Bella antes.

Era impossível ser completamente indiferente ao seu corpo mesmo que fosse irmã do meu melhor amigo e eu a conhecesse durante toda a minha vida. Bella e eu tínhamos uma noite no passado. Uma louca e divertida noite. Que não deu em nada para o bem de todos.

Dormi por algum tempo, até ser acordado com brutalidade.

—Edward? Droga, acorde! Eu estou com fome! – abri os olhos para encontrar um par de olhos chocolates me olhando com impaciência.

—O que ainda faz aqui?- resmunguei me sentando.

—Fui até meu dormitório, bati a porta varias e varias vezes e nada de Jane, e ela não me atente. Vou sair para comprar algo para comer.

—Onde eu entro nisso?

Ela bufou cruzando os braços.

—Vamos sair para comer?

—Isso é um encontro? – sorri a provocando.

—Não mesmo Cullen. Só que você está sendo um ótimo anfitrião, e eu quero te recompensar. Vamos comer, eu pago.

Pulei da cama na hora. Eu não tinha um tostão furado, comer fora seria maravilhoso. Ela revirou os olhos perante minha animação repentina. Estava vestindo as calças com que havia chegado, porem agora tinha uma camisa de mangas minha.

—Essa blusa é minha.- observei.

—Que bom que notou. Isso quer dizer que ainda não confundi suas roupas com a de Jasper.

—As roupas dele são mais ‘’coladinhas’’ no corpo. – falei com uma careta. Jasper adorava andar com roupas coladas para enfatizar o corpo que agora era sarado.

Já passava das nove da noite, e fomos para a lanchonete que ficava no fim da rua.

Pedimos nossos lanches. Era bom passar um tempo com Bella nunca havia uma pressão para preencher os silêncios com tagarelices desnecessárias. Ela ficou olhando pela janela as poucas pessoas que passavam. Enquanto eu tentava bolar um plano para conseguir dinheiro. Será que Emmett me emprestaria?

—O que houve? – ela disse de repente.

—O que?

—Você está balançando a perna sem parar. Está com muita fome, ou só ansioso?

—Um pouco dos dois.

—Notas ruins?

O problema de Isabella Swan; era observadora de mais.

—Não mesmo.

—Dinheiro? Tem sido um grande problema para mim e Jasper. Imaginei que para você também.

—Tem haver. – falei uma meia verdade. Depois mudei de ideia. – se eu te perguntar algo, promete ser sincera na resposta?

—Alguma vez não fui?- ela sorriu

—Nós não conversamos muito. – Justifiquei. Por mais que eu chamasse a mãe dela de tia, e ela chamasse a minha, Bella e eu não eramos próximos.

—O que quer saber?

—Um amigo me perguntou o que acho do aborto. E... Não concordou com o que eu disse, usando como justificativa que eu não me colocava no lugar da mulher.

—E qual é o seu posicionamento? – a postura dela logo mudou para algo mais profissional. Bella adorava debates.

—Me diga o seu primeiro.

Ela respirou fundo, mexeu nos cabelos, o que sempre fazia quando começa a argumentar.

—Não acho certo. – disse simplesmente. –É uma vida. Uma criança indefesa e...

—Exatamente! – exclamei.

—Você também pensa dessa forma?

—Sim. E por isso eu e a... O meu amigo. Meu amigo e eu discordamos. Ele acha que se a mulher quiser ela deve abortar, por que o corpo é dela. Mas o filho também é meu!

Ela ficou me olhando.

—O filho...

—Não. Não vamos entrar nesse assunto. Foi apenas uma conversa que tive...

—Ok Edward. Sem pressão. –ela acariciou as costas da minha mão. Ficamos um tempo com o contato. Ter sua mão na minha era algo maravilhoso. Nosso lanche chegou e cortamos a ligação de nossas mãos. Conversamos algumas amenidades, falando o que queríamos fazer quando saíssemos da faculdade, e como sentíamos falta de Forks. Quando voltamos ao dormitório, a porta dela estava aberta.

—Parece que minha companheira voltou. – ela suspirou.

—Eu te pago depois...

—Não mesmo. Eu ofereci. Serio. Pode me levar para comer outra hora. E pagar. – ela sorriu depois ficou seria. – Olha se você estiver com algum problema com Tanya...

—Nós terminamos. Não tem problema alguma.

Ela não se convenceu.

—Ok. Só quero que saiba... Que somos amigos, certo? Nossas famílias são e se você precisar de qualquer coisa...

—Não hesitarei em te chamar. – bati continência. Ela riu e me deu um tapa de brincadeira no braço. Esses pequenos gestos de Isabella Swan sempre me encantavam. Ela acenou e seguiu pelo corredor para seu dormitório. Quando estava quase entrando resolvi dizer algo que me incomodava há anos.

—Bella? – ela olhou para mim.

—Por que você foi embora antes de eu acordar?- perguntei. Ela me olhou sem entender.

—Na manhã, depois da formatura do High School.

Apesar de longe, eu percebi que ela corava com a lembrança.

—Foi uma ótima noite aquela Edward. Bebemos rimos brincamos... Nos conhecemos de verdade. A manhã estragaria a noite perfeita que tivemos. Duvidas, perguntas... Eu nos poupei. É uma boa lembrança, certo?

Apenas assenti com a cabeça. A melhor de todas.

—Boa noite Edward. – ela disse, sorriu e entrou no dormitório fechando a porta. Logo segui para o meu próprio, minha mente voltando ao meu problema; dinheiro. Aborto.

...

—Cara você perdeu a festa do pessoal de engenharia! A melhor que essa faculdade já viu! – Tyler falava sem parar na manhã de segunda feira. Eu apenas acenava com a cabeça e dava meu melhor sorriso. Ele continuava.

—As meninas estavam louconas! E a Bella de R.I*? Ela deu um show de dança! Colocava qualquer uma no chinelo.

—Você fez o trabalho do senhor Eleazar? – mudei de assunto. Tyler ficou serio.

—Trabalho?

—Sim. Sobre criminalística. – expliquei e ele bateu na testa. Tyler era filho de petróleo, mimado, sempre teve alguém para fazer seus trabalhos. Na faculdade sempre comprava, mas nas ultimas semanas estava tão envolvido em festas que até esquecia de encomendar.

—Você não tem nenhum pronto? – tentou.

—Apenas o meu. – dei de ombros juntando meus livros para ir à aula.

—Como?! Cullen você tem noção do quanto perde por não vender trabalhos?

—Isso não é certo. – repeti o que sempre o dizia desde que nos conhecemos no primeiro semestre; eu não trapaceava.

—Ok, não vou discuti isso com você de novo. Vou falar com a Savanna, ela sempre tem um trabalho para vender. Te vejo na aula?

—Se você chegar a tempo. – falei irônico.

—Eu te amo cara. – ele gritou para atrair a atenção das meninas de ciências contábeis que passavam. Idiota.

Tyler e Jasper eram meus melhores amigos aqui. Eu era um tanto popular, jogava no time de futebol e tudo, tinha muitos colegas, porem aqueles dois eram os que eu podia contar, sempre.

Passei toda a aula do professor Eleazar pensando em Tanya e no bebê. Eu imaginava uma menina parecida comigo. E depois tentava afastar a imagem.

Eu não poderia me apegar à ideia de ter um filho, eu querendo ou não Tanya poria um fim nisso, com ou sem minha ajuda. Quando o sinal tocou eu estava louco para sair da sala, embora amasse as aulas daquele professor, hoje eu não tinha prestado a mínima atenção.

—Edward? – ele me chamou quando tentei correr para a porta. Esperou até a sala estar mais vazia e perguntou;

—Notei que estava disperso durante a aula. – seu olhar era bondoso. De muitas formas, Eleazar me lembrava meu próprio pai, Carlisle.

—Estou com alguns problemas. – respondi.

—Posso ajudar?

Eu quis rir. Se puder me emprestar dinheiro, claro.

—Não... É complicado.

—Algo com a faculdade? O time?

—Não mesmo. É pessoal.

Ele ajeitou algumas folhas em sua mesa, pegando na mão.

—Quero que saiba que se precisar de algo pode contar comigo. Como foi o estagio?

—Bom, muito bom mesmo. Meu superior gostou de mim, e me ofereceu uma vaga para quando me formar. Bom não uma vaga, e sim uma entrevista. Ele quase garantiu que a vaga será minha.

—Isso é maravilhoso! Onde seria? Aqui mesmo?

—Não, em uma filial em Nova York.

—Será uma mudança e tanto.

—Sim, continuarei longe da minha família. Mas é a vida, quero muito crescer como advogado. –expliquei.

—Ah isso sim é bom. De qualquer forma não quero tomar seu tempo, apenas fiquei preocupado com o seu silencio durante a aula, e já iria sair sem me entregar o trabalho.

—Ah sim! – retirei o trabalho da mochila. Ele pegou e misturou com os papeis em sua mão, mas se atrapalhou deixando todos caírem. Me abaixei para ajuda-lo. Tinha um fooder no meio que me chamou a atenção. O peguei amassando na mão para ler depois.

—É isso então. Dentro de dois dias lançarei a nota.

—Ok. Tenho que ir. – sai apressado. O fooder era de uma clínica de fertilização. Pediam por voluntários para o banco de esperma, poderia pagar até quinhentos dólares.

—Professor... O senhor é um gênio. – sussurrei já no corredor.

(...)

Bella.

—Nem pensar! – reclamei com Jane

—Bella!

—Jane não podemos!

—Vamos ajudar alguém e conseguir dinheiro! – ela me olhou com seus olhos azuis pidões.

—De onde veio essa ideia? – cruzei os braços.

—A ideia surgiu essa manhã. Ouvi uma conversa da professora Carmen, sabe aquela que você bajula?

—Eu não a bajulo! – a olhei chocada. Eu tinha respeito pela professora Carmen, era minha favorita!

—Que seja! Então, ela estava conversando com Sara a professora mal comida de literatura inglesa, sobre fazer um tratamento de fertilidade. Eu não queria prestar atenção, mas as duas estavam bem na minha frente!

Claro. Jane amava prestar atenção nas conversas dos professores, caso descobrisse algum podre para usar contra eles depois, caso não quisessem dar uma boa nota a ela.

Apesar de ter pais ricos, eles apenas pagavam a faculdade da filha e mandavam dinheiro para alimentação, no que se dizia respeito à vestimenta e festas, Jane estava tão pobre quando eu.

Os pais queriam que a filha aprendesse o valor do dinheiro e arrumasse um emprego, mas o dito emprego em geral era vender drogas em festas, trabalho esse que ela parou no ultima ano, quando quase foi presa.

— O que nós temos a ver com isso? – quis saber. – É ótimo que a professora Carmen consiga ter filhos!

—Sim eu sei. Lembra-se da minha irmã Heidi? – ela me olhou mais seria. No primeiro ano Jane me contou de sua irmã, que cometera suicídio após saber que nunca poderia ter filhos, e claro, logo após descobri que o marido havia engravidado uma amante.

—Sim. –sussurrei.

— Eu sempre esperei o momento certo, em que pudesse fazer algo por ela. Mesmo já tendo partido, eu queria fazer algo que a deixasse feliz onde quer que esteja.

—Se formando, não sendo presa, tendo uma boa e tranquila vida, sua irmã já ficará feliz por você. – falei juntando meus livros na mochila querendo sair o mais rápido o possível do pátio. Eu tinha aula em quinze minutos.

Jane segurou meu braço.

—Posso fazer uma mulher ser mãe. Essa clínica que as duas estavam falando precisa de óvulos, estão com pouca variedade de candidatas, e pagam bem.

—Jane se ouça! Você está falando que dar um filho a alguém!
—Não! Estou falando de dar meu código genético para que alguém possa ter um filho.

—Ok, isso é lindo. Pense bem, se for o que realmente quer...

—Quero que você também faça!

—O que?! – arregalei os olhos. Dei as costas para ela. Jane estava ficando louca. Ela correu para me acompanhar.

—Bella, eles pagam melhor a mulheres que a homens! Teríamos dinheiro para a festa de formatura, e para a viagem á Las Vegas com toda a turma de formandos desse ano! Eu sei que você quer ir, a despedida de toda uma vida!

E ela tinha razão; eu queria ir.

—De quanto estamos falando? – perguntei ela sorriu.

—Cinco mil. – sussurrou.

—Elas falaram no valor?

—Não. Eu liguei para lá a pouco para me informar.

—Jane, teríamos que tomar remédios, parar de beber... Seriam meses de tratamento. Pagam mais por óvulos do que por esperma, por que é mais complicada a coleta. – falei seria.

—Eu sei! Não fugi das aulas de biologia. Pense Bella; faríamos um bem a alguém, e ainda teríamos dinheiro.

—E se um dia cruzássemos com alguém na rua? E pensar; nossa talvez seja meu filho? Não seria legal.

—Podemos lidar com isso.

—Seus pais te matariam. – sacudi a cabeça.

—Eles me deixam sem dinheiro! E os seus também não ficariam satisfeitos, mas temos vinte dois anos, podemos fazer o que quisermos.

—Vou pensar nisso bem e depois te falo. Vou correr para aula.

—Ok. Pense com carinho.

—Tá. – resmunguei. Ela estava ficando louco só podia ser isso!

Sim, a ideia louca de Jane não me saiu da cabeça o resto da manhã. E durante a aula da professora Carmen fiquei pensando; eu era jovem, tinha toda uma vida pela frente, e tinha o poder de ajudar um casal, como a professora Carmen e o marido a serem pais. E ainda ganhar uma grana.

NÃO! Isso não era certo!

Mas enquanto ela conversava conosco durante a aula, seu jeito leve e simpático de explicar as crises politicas, seus sarcasmo na medida certa, como eu a admira, e não podia parar de desejar que o que talvez fosse a única coisa que faltava em sua vida ( um filho) ela tivesse. Para isso, alguma mulher havia doado, certo? Para mulheres como a professora Carmen serem mães, alguma mulher havia doado seu óvulo. Então não era errado, certo?

Mais cinco mil! Isso me fazia sentir uma vendedora de crianças!

—Isabella, tem um minuto? – a professora estava sentada ao meu lado na sala já vazia. Quando o sinal havia tocado?

—Sim. – sussurrei parando de rabiscar meu caderno.

—Está com algum problema? Ficou dispersa a aula toda. – seu sorriso era tão maternal! Mulheres como Carmen mereciam serem mães!

—Não é só... Falta pouco para o fim da faculdade. Isso está começando a pesar. – sorri sem graça.

—Ainda não sabe o que fazer? – tentou.

—Não exatamente... Mas recebi uma proposta em Los Angeles. Nada grandioso, mas eles tem um ótimo programa de estagio para recém formados. – sorri. Me formando em Relações internacionais para trabalhar em uma produtora de TV. Não acrescentei esse fato.

—Temos que começar por baixo você sabe. Mas não se contente com pouco, você merece e terá muito mais.

—Obrigado. –sussurrei meio emocionada, essa mulher sabe mexer comigo. – Eu vou indo. Tenho que terminar um artigo para o professor Mosby. – falei.

—Tudo bem. –ela se levantou. – E Bella, aproveite esses últimos seis meses. Faça planos para o futuro, mas aproveite o agora. Os últimos meses de faculdade são únicos.

—Irei aproveitar. – segui para a porta. Me detive. – Professora?

—Sim?

—A senhora merece tudo de melhor também. E sei que seu desejo mais profundo ainda será realizado.

Ela pareceu assustada primeiro, mas logo sorriu.

Sai da sala de aula certa do que faria. Ajudaria mulheres como ela a serem mães.

E conseguiria uma grana para a formatura.

Notas finais
* R.I = Relações Internacionais. E ai gente? Quem assisti HIMYM? teve uma pequena referencia kkkkk Então estou vendo que tem bastante gente já acompanhando *_* comentem, gente, isso me dar um gás a mais para postar :) bjs e até mais!