Aprendendo a Amar
45 Vocabulário do Amor
Notas iniciais
— Meus pais quase me enxotaram de casa essa noite, tu percebeu?
Rodrigo e Lucas estavam voltando do aniversário do loiro. Os pais haviam dito que poderiam ficar aquela noite pelo apartamento do filho, e no outro dia, se o convite ainda estivesse valendo, poderiam ficar na casa de Lucas.
— Eu acho que eles apenas não quiseram atrapalhar, Rodrigo. – Lucas observava o namorado enquanto o mais novo sentava no sofá da sala.
— Sim, mas eu falei também que se eles se sentia mais à vontade lá, que a gente podia ficar na sala e eles lá no quarto. Ou então vir todo mundo pra cá. Mas não adiantou.
Lucas como sempre sorria ao ouvir a ingenuidade e a praticidade tão característica de alguém tão jovem como o namorado.
— Eu iria vir pra casa, não me sentiria confortável de dormir contigo podendo ser visto pelo teu pai a qualquer momento da madrugada.
— Deixa de bobagem, meu pai não iria se importar.
Claro que Carlos se importaria, pensou Luke.
— E também – o loiro seguiu falando – Claro que tu não iria dormir sozinho essa noite. Não depois de tudo que me falou mais cedo. Aliás, lembrei agora da minha horta. Amanhã vamos passar pelo Mercado Municipal que eu já quero comprar uns temperos!
— Não é bobagem… imagina o teu pai vendo a gente...– Lucas continuou, imaginando a cena.
— Claro que é bobagem – Rodrigo acabou cortando a fala do namorado – Vocês dois estão super amigos, pensa que eu não vi?
Lucas abriu um sorriso, daqueles bem raros, que fazia Rodrigo querer congelar por um momento apenas para poder registrar da melhor forma possível.
— Teus pais são boas pessoas. Quando eu fui lá na casa deles, a tua mãe tentou me acalmar a todo momento. Acho que percebeu que eu estava nervoso.
— Ela é a melhor mesmo. – Neste momento Rodrigo já estava bem pertinho de Lucas, que também tinha ido sentar no sofá. Às vezes o loiro era cometido por uma vontade incontrolável de ficar com ele e não soltar mais.
— E o seu pai… ele me lembrou meu avô em alguns momentos. Eu nem sei o motivo, mas acho que foi a verdade que ele me transmite. Eu sinto que ele não vai concordar com algo apenas porque eu pareço um pouco carente de tudo…
— Hey, não fala assim de si mesmo, por favor, Lucas. – Rodrigo estava sempre tentando fazer com que o moreno deixasse de acreditar que era a pior pessoa do mundo.
— Não, mas é sério. Ele me fala as coisas porque realmente está sentindo aquilo no momento. E eu sei disso, porque ele me olha nos olhos. Antes eu tinha muito medo do que ele estaria pensando ao me olhar assim. Mas hoje eu sei que é porque ele quer transmitir essa segurança, mesmo que não seja tão aberto como a Dona Marisa.
Rodrigo não resistiu ao ouvi-lo falar de forma tão carinhosa sobre seus pais e sentou no colo do moreno, começando a dar pequenos beijos nele, enquanto acariciava seus cabelos.
Quando o mais novo chegou ao pescoço de Luke sentiu o mais velho apertar mais forte sua cintura, para em seguida abraçá-lo de fato.
— Obrigado, amor. A noite de hoje foi ótima, eu fiquei tão feliz de ter todo mundo no meu aniversário.
— Teus pais falaram a mesma coisa… eu nem fiz nada.
— Bobo, claro que tu fez. Lá, e aqui. Estou tão feliz. Pra eu ficar completamente feliz falta apenas saber minha nota nesta última prova.
— Sério que você ainda está preocupado com isso? Tenho certeza que você se saiu super bem. Ao menos eu espero, já que eu precisei fazer hora extra te explicando tudo novamente.
Rodrigo acabou sorrindo, e fazendo cara de indignado.
— Como assim, eu tirei apenas umas dúvidas!
— Sim, no domingo, dia de não fazer nada.
— Que absurdo. – Rodrigo falou, mas em seguida não conseguiu deixar de sorrir mais uma vez. – Falando em absurdo, onde está o Marcos e as piadas de vocês internas? O ônibus dele não é apenas amanhã pela manhã na primeira hora?
— Sim, é. Mas ele me disse que noivos merecem lua de mel também, e que não nos atrapalharia. Que voltaria apenas pra buscar as coisas dele. Eu não entendi a lógica, porque vou ter que acordar pra abrir a porta pra ele, vai me atrapalhar igual.
— Meu Deus, quando é que você ficou tão reclamão assim?
— Mas é verdade! Sorte dele que não estamos no frio, senão eu colocaria as coisas dele ali na porta, do lado de fora e não levantaria.
— Nossa, eu não tinha reparado no quanto teu lado canceriano era aflorado.
— Bom, eu não entendo nada de signo, mas depois da vergonha que ele me fez passar em frente aos teu pais essa noite, é o que ele merecia. – No fundo Luke se divertia, mas o amigo sem trava na língua tinha o dom de criar alguns climas – Mas eu estou brincando. Eu até falei pra ele que não tinha problemas dele ficar aqui, mas ele não acreditou. Eu sinto falta dele muitas vezes e não me importo em ter ele aqui.
Rodrigo sorriu ao ouvi-lo, gostava quando o namorado era mais aberto.
— Acho que ele quis ficar com a Clarissa.
— Provavelmente, eles não se desgrudam.
— Olha quem fala, a pessoa que está me segurando como se eu fosse fugir daqui a qualquer momento.
Lucas acabou diminuindo o aperto, não queria machucar Rodrigo.
— Hey, está tudo bem. Não estava me machucando.
— É que na verdade eu ainda acredito que em qualquer momento você poderá sair correndo daqui, e nunca mais voltar. Você parece um sonho que eu nunca tive coragem de sonhar pra não ter que perder depois, porque parece que as pessoas sempre foram embora…
— Mas eu já falei pra ti, eu não pretendo desgrudar de você tão cedo. Porque tu também és meu sonho. E dos mais lindos.
Então Rodrigo apenas ficou olhando o moreno nos olhos, e decidiu que estava na hora de retribuir todo o carinho que o moreno teve durante aquele dia.
— Eu já falei que te amo hoje? – Lucas derretia, como sempre, com cada carícia.
— Eu acho que não, já passou da meia-noite então… – Rodrigo amava a capacidade de Lucas fazê-lo sorrir com os gestos mais simples.
— Pois então direi agora, eu Te amo, Lucas Mattos. E eu sou muito feliz ao teu lado.
Luke não retribuiu em palavras, mas ao beijar novamente o loiro foi possível perceber em sua urgência que ele queria deixar claro que também amava o namorado.
Em poucos momentos os dois já estavam no quarto do moreno, como desejaram desde horas antes, quando estiveram por ali.
Rodrigo por vezes ainda se sentia intimidado pela visivel experiência do mais velho, pois ele por mais que fizesse de tudo para conseguir corresponder cada carícia, ainda era muito inexperiente. Ao menos era o que Rodrigo pensava
Já Lucas, reagia de uma forma muito intensa a cada toque de Rodrigo. Justamente por saber da pouca experiência que ele teve antes de encontrá-lo, sabia que cada toque era uma demonstração de amor a ele.
— Lucas, você me entendeu, não é verdade? – De repente o mas novo, mais uma vez, quis se certificar interrompendo aquele momento – Quer dizer, meus motivos de ainda não vir morar aqui com você. Fiquei pensando e acho que ficou meio confuso…
Lucas voltou seus olhos ao rosto de Rô.
— Sim, eu já falei que entendi. Está tudo bem. Desculpa mais uma vez por ter feito você passar por isso. Nem precisava também ter falado pra todo mundo, eu não fiquei chateado.
Rodrigo sabia que ele estava, pois o conhecia. Entretanto, não obrigaria ele a falar sobre isso. Talvez ele se sentisse mais à vontade em conversar com Marcos ou Félix. Ou qualquer outra pessoa sobre o assunto.
— Hey, eu não quero ver essa expressão de preocupação em você. Por favor, agora sou eu que peço, acredita um pouquinho em mim. Eu não vou negar, não foi tão fácil ter que entender que eu ainda não vou ter você oficialmente aqui comigo. Eu quero muito isso. Mas eu também entendo que você é jovem, e que talvez tenha ficado assustado com essa história toda. Na verdade eu acho que te assusto desde o nosso primeiro encontro. – Lucas percebia que o mais novo estava tentando se redimir de alguma forma, e tudo que não queria era isto. Até porque não haviam motivos.
— Eu sei que tu estás tentando entender, mas eu não sei, fico inseguro, pensando se eu não estou sendo muito imaturo, ou apenas adiando algo que eu sei e quero muito que aconteça. É tão complicado ter que pensar no futuro, mas ao mesmo tempo querer fazer planos...
Luke em meio ao nervosismo do mais novo conseguiu abrir um sorriso, porque ainda ficava admirado com o coração que o loiro tinha e de como ele conseguia ser tão sincero sobre seus sentimentos.
Os dois estavam já deitados, Rodrigo de barriga pra cima com Lucas entre suas pernas enquanto conversavam. O mais novo fazia um carinho na nuca do moreno, como estava acostumado a fazer.
— Rodrigo, você não tem noção do quanto eu já sou tremendamente grato do tanto que eu já recebi desde que você apareceu na minha vida. São coisas bobas pra maioria das pessoas, mas pensar que eu tenho alguém pra assistir um filme sábado à noite, ou pra me escutar quando eu me sinto muito ansioso, ou então pra estar me esperando quando eu chego é tão bom. Aliás, essa é a melhor parte. Eu amo os barulhos que você faz quando está aqui ou na sua casa. Logo eu que sempre pensei gostar do silêncio que me recebia.
Rodrigo se deliciava ouvindo a voz do moreno.
— Eu também nunca pensei que na minha conta do Spotify teriam playlists de trilhas sonoras da Disney e eu acharia isso lindo.
O loiro sorriu lembrando de quando o moreno percebeu pela primeira vez que ele utilizava sua conta para ouvir músicas. Luke usava bem pouco o serviço de streaming, mas não deixou de perceber que o namorado utilizava. Rodrigo não vai esquecer do sorriso que ele deu enquanto o ouvia tentar convencê-lo que seria perda de tempo fazer uma conta apenas pra ele, pois nunca lembraria de usar.
— Também amo a sua entrega toda vez que a gente está assim, junto como agora. Eu amo o jeito que você me recebe. Acho que só perde para as sensações que eu sinto toda vez que eu me sinto recebido por você. Meu coração palpita tanto, de um jeito que eu fico com muita vergonha, pensando que não deveria ser assim, não mais. Afinal eu já passei por tanta coisa…
Ao ouvi-lo Rodrigo sentiu um frio na barriga, mas ergueu a sobrancelha em tom irônico.
— É sério que tu vai lembrar dos teus ex-amantes neste momento? – O loiro às vezes ainda pensava se o mais velho o comparava com outras pessoas quando estavam juntos.
Luke se ajeitou mais um pouco entre as pernas do outro antes de responder.
— Não, claro que não. E eu já falei pra você que não deve se preocupar com isso. Mas é que nunca foi como é com você, nunca. Eu anseio pelo seu corpo, mas também anseio em te satisfazer até o mindinho do dedo do seu pé. Eu quero ser o melhor que você pode ter, eu quero pensar que estou atento às suas necessidades, aquilo que muitas vezes você quer e não tem coragem de me dizer… – Mais uma vez o mais novo ficou envergonhado porque era verdade, ele ainda era muito reservado apesar de sempre se entregar de corpo e alma ao moreno.
— Eu sei amor, e eu agradeço pela total paciência que você teve desde o início comigo.
— Nem precisa agradecer. Faço isso não porque acho que eu tenho obrigação, mas porque eu sinto que aqui é o meu lugar. Desde a primeira vez que me permitiu estar contigo, naquele dia em que aceitou tentar, mas me pediu pra ir com calma, que eu sei que esperaria o tempo que fosse pra ter você aqui comigo. Eu te amo, muito. E não quero que você pense que a noite de hoje foi algo ruim. Eu vou lembrar dela pra sempre. E não porque minha oferta foi temporariamente dispensada, mas porque estar com você comemorando o seu primeiro aniversário junto comigo me faz perceber como eu quero que a gente realmente fique bem. E juntos.
Os olhos de Rodrigo começaram a lacrimejar, se juntando aos do moreno, que não conseguia resistir nunca e já chorava.
— Eu vou também lembrar dessa noite. Pra sempre. Principalmente porque eu acho que foi o dia que tu mais falou desde que eu te conheci.
O moreno sorriu, subindo mais um pouco na cama, para que o rosto dos dois ficassem na mesma altura.
— Eu acho que foi o dia que eu mais falei na VIDA. Porque você me faz sentir que eu não estou incomodando quando estou me expressando pra você.
— Não sabe como eu me sinto honrado, por isso. E obrigado por cada palavra. Tu fala tão bem… eu não deveria esquecer disso, porque toda vez que eu escuto você falar essas coisas meu coração fica batendo como uma pessoa de 13 anos.
— Então eu vou ter que falar mais vezes pra você não esquecer… – Lucas já estava beijando o pescoço do loiro, e encostando sua testa na nuca dele, como adorava ficar por horas. E de forma inesperada seguiu falando
— Eu amo o fato de ter alguém pra estar comigo nestes dias em que eu tenho certeza que não vou conseguir dormir. Por mais que você seja uma pessoa que tem um sono descomunal, apenas em ter a sua presença me faz tão, tão, tão bem…
Os dois começaram mais um beijo, e quando menos puderam perceber, já estavam despidos, tendo uma batalha de carícias onde os dois eram vencedores. Rodrigo não cansava de admirar como o moreno parecia outra pessoa quando estavam assim, juntos.
Ele realmente fazia de tudo para satisfazê-lo, e parecia não se sentir inseguro para isso. Assim como neste momento, quando era tão altivo em seus movimentos, não deixando de permanecer com seus olhos permanentemente atentos aos seus, como se gostasse de conferir a cada momento se estava tudo certo, se o loiro estava gostando do que fazia.
Naquela noite, Rodrigo se entregou para Lucas, mais uma vez, que o recebendo do jeito que o mais velho tinha dito mais cedo, de corpo e alma.
***
— Lucas, acorda. A Solange vai te jogar da cama daqui a pouco.
O dia tinha amanhecido e Rodrigo acordou cedo, pois queria aproveitar bastante os pais. Na verdade ele iria com eles pra casa depois deste dia que eles ficariam ali na cidade, afinal de contas, era a semana do Natal. Pela manhã ele teve que ir trabalhar, afinal era quinta-feira, mas já era meio-dia e percebeu que Lucas continuava deitado ao chegar. Provavelmente ele deve ter tomado uma dose a mais de remédios no dia anterior, que sempre utilizava em dias que estivesse muito agitado. Mas depois o deixava sonolento.
—Eu acho que vou ficar mais um pouco aqui, diz pra ela que eu não quero comer nada.– Lucas respondeu, parecendo nem perceber que horas eram.
— Amor, levanta. Achas que ela está preocupada com isso? Claro que não, esqueceu que meu pais estão aqui e vamos sair todos hoje à tarde?
Neste momento Luke deu um pulo, como se tivesse alguma coisa ali na cama.
— Meu Deus, desculpa. Eu disse que estaria com eles pela manhã, porque não me acordou. Eu…
— Hey, está tudo bem. Meus pais conhecem um pouco a cidade, eles foram até mesmo fazer a feira mais cedo. Não sei os motivos, mas foram. E foram também ver umas lojas no centro, eles gostam de fazer isso. Foram comprar presentes de Natal, segundo eles disseram.
— Mas eles foram sozinhos, eu ia levá-los. –Lucas parecia bastante chateado, o que fez o loiro sorrir.
— Eu não quis te acordar muito cedo porque sei que é difícil pra ti. E também, tu não terias paciência eu acho.Sério, eles ficam entrando em várias lojas. Mas fica calmo, a Sol foi com eles. Parece que ela e minha mãe são amigas de infância, tens que ver.
Rodrigo se aproximou do moreno o abraçando em seguida. Ele sabia como o outro tinha dificuldades de dormir ainda, então tinha pedido pra Solange acompanhar os pais, ao perceber que o moreno estaria dormindo ao não ter entrado em contato como sempre.
— O pior é que eu sem pensar tomei aquele remédio que me faz ficar mais sonolento, que quando eu tomo acabo não dirigindo até depois de algumas horas. Desculpa, a gente ia levar eles pra sair, fui egoísta e acabei pensando apenas em mim.
— Lucas, eu já falei que está tudo bem. Agora vem aqui e me dá um beijo de bom dia antes que a….
— Vocês dois, vamos dar um jeito? Rodrigo, teus pais estão subindo. – Solange falou e saiu em seguida do quarto, provavelmente indo abrir a porta.
— Quem consegue conter uma Solange empolgada? – Rodrigo acabou sorrindo, seguindo beijando o pescoço do mais velho.
— Acho que ninguém. – Lucas estava de fato sonolento ainda, e ao receber os carinhos de Rodrigo, parecia mais ainda prestes a voltar a dormir.
— Eu vou lá ver como eles estão e mostrar pra mãe as mudanças que tu fez aqui. Ela me disse que já comprou umas sementes pra eu plantar.
Lucas concordou, mas antes do mais novo sair do quarto, voltou a segurá-lo perto de seu corpo.
— Bom dia. Com foi hoje no trabalho?
Rodrigo abriu um sorriso, porque sabia que o moreno fez isto ao lembrar de suas reclamações ao dizer que nunca era correspondido.
— Foi tudo OK. A gente vai ganhar uma semana entre o Natal e o Ano Novo de folga, acredita?
— Verdade?
— Sim, o que vai ser ótimo. Vou conseguir acordar com você todos esses dias. Porque tu sabe, nós vamos passar o Natal na casa dos meus pais e…
— Rodrigo, calma. Eu não sei…
Neste momento o loiro parou de falar e olhou o moreno.
— Como assim não sabe?
— Eu não sei… Natal é uma data pra passar apenas com a família e eu não sei se teus pais…
— Amor, mas é claro que eles querem você lá, junto com a gente. Onde tu pensou que passaria o Natal?
Lucas se soltou dele e abriu um sorriso envergonhado.
— Você acha que eles não se importam mesmo? Eu até pensei que seria uma boa, porque eu não quero ficar longe de você. Mas também se for o melhor, eu vou entender. Pensei que talvez eu fosse mais uma vez ficar sozinho, ou ir até o Marcos...
— Nunca que eu deixaria de passar o Natal longe de ti. Que ideia foi essa, hum? Claro, se tu quiser ir até o Marcos, talvez vocês tenham algum trato já de passar todos os anos juntos, eu vou entender também. Mas esqueceu que agora temos um quarto lá em casa? Minha mãe fala realmente sério quando diz que já te adotou como um filho. Nunca que ela deixaria você ficar longe nessa data.
— Não, eu não combinei nada com ele… Mas é que… eu não sei, me conta, o que vocês costumam fazer? Vai outras pessoas da sua família, vocês ficam em casa? Eu não quero ter que criar uma situação complicada para teus pais.
— Lucas, eu já te expliquei, quanto a isso não precisa se preocupar. Meus pais a partir do momento que passaram a nos apoiar, estão dispostos a tudo para ficar do nosso lado. Às vezes aparece sim alguns vizinhos, mas normalmente passa apenas nós três.
Luke concordou apenas com a cabeça, como se estivesse considerando o convite.
— Agora eu vou ir lá pra sala. A gente pode almoçar todos juntos no mercado, o que tu achas? Meus pais vão gostar daquele restaurante que estamos acostumados a ir. E a Sol também.
— Ok, me espera apenas tomar um banho? Juro que vai ser rápido. Desculpa o atraso, já éramos pra estar almoçando.
Rodrigo apenas revirou os olhos e foi de encontro aos pais, indo mostrar as modificações feitas por Lucas à mãe.
Em 30min.o moreno chegou na sala, e Marisa abriu um sorriso por perceber que ele parecia mais uma vez constrangido em estar na presença deles. E também por não ter acompanhando eles pela mais cedo, como tinha dito que faria.
— Bom dia a todos. Desculpa meu atraso.
— Tudo bem, Lucas. Foi bom, porque fomos aproveitar e fazer as compras de Natal. Tu não conseguiria aguentar nosso pique, não é Carlos? – Marisa falou com seu sorriso sempre amável.
— Verdade, entramos em tantas lojas que eu fiquei até zonzo. Não para de abrir loja por aqui, filho. E fiquei também surpreso por existir algumas que eu vinha com meu pai anos atrás.
— É pai, as coisas pouco mudaram e mudam por aqui. Mas então, vamos? Sol, já está pronta? Nós vamos ir andando, porque é pertinho. Hoje vamos ficar aqui pelo centro mesmo.
—Eu? Mas guri, deixa disso. Esse passeio é pra ser um convite para teus pais. Eu vou ficar por aqui mesmo e farei umas guloseimas para mais tarde.
Rodrigo arregalou os olhos ao ouvir a vizinha do namorado falando.
— De jeito nenhum! Eu e o Luke planejamos todos os passeios contando com a tua presença. Deixa de bobagem. Apenas se você quiser tirar uma folga da gente, o que eu vou entender perfeitamente.
Lucas olhava a cena em sua frente sem conseguir falar. Não tinha percebido que talvez Solange se sentisse um pouco deslocada por ali.
— É verdade, vamos com a gente, por favor? – O moreno reforçou o convite.
— Mas eu nem tenho uma roupa adequada pra sair com vocês eu acho. Não, deixa que eu fico aqui, sem problemas. Não precisa me convidar apenas porque…
— Eu quero que você vá, por favor? – Lucas falou, ao mesmo tempo que foi dar um abraço na mais velha. Nem ele sabia quando tinha ficado tão apegado a ela, mas não se via mais sem sua presença. Muitas vezes se pegava questionando ela sobre coisas bobas, como se ela fosse sua… mãe.
Ter este pensamento o fez apertar a mais velha mais forte em seus braços, mas ainda assim com muito carinho. Ele não conseguiria falar mais nada, mas sabia que ela compreendia a importância daquele abraço, pois sabia que até mesmo um gesto de carinho seria muito difícil pra ele há um tempo atrás.
— Eles estão certos, Solange. Vamos lá, você está linda! Vamos lá que estou ansiosa pra conhecer estes lugares que o Rodrigo quer apresentar pra nós. Mesmo morando tão perto, eu conheço tão pouco da cidade. Agora que temos um quarto aqui na casa do Lucas, acho que vou querer vir todo fim de semana pra cá e passear no Shopping. Ouvi falar que é lindo.
Luke se separou de Solange,se afastando em direção à cozinha, mas foi interceptado pelo loiro, que segurou sua mão, querendo demonstrar o quanto tinha amado o que tinha acontecido ali.
A tarde foi de muitas descobertas. Rodrigo se sentiu vigiado pela mãe a todo instante, e quando ela era pega em flagrante, abria apenas um sorriso. Ela nunca tinha estado com os dois fora de sua casa, ou do filho, então estava curiosa pra saber como os dois agiam em público. Gostava muito de Lucas, mas não desejava saber que o filho namorava alguém que não se importasse com suas necessidades ou então fosse adepto desses relacionamentos estranhos, onde os casais parecem mais dois estranhos quando estão longe de seus casulos.
Mas o que viu a fez ficar mais feliz ainda. Sabia que o filho, e Lucas mais ainda, eram bastante discretos, mas pode comprovar que isto não fazia com que eles não demonstrassem amor em pequenos gestos, como no restaurante, onde Rodrigo fez um malabarismo para pedir algo para todos e que ao mesmo tempo Lucas, que tinha um paladar mais “exigente” fosse de fato gostar e não concordar apenas por educação.
Ou então em como Lucas esperou o mais novo decidir onde queria sentar, como se achasse que talvez ele fosse preferir estar entre os pais e não ao seu lado.
Mais uma vez se coração teve certeza que o filho havia encontrado uma pessoa muito especial, que o acompanharia seja onde for.
***
— Então, acho que deu certo a nossa programação. A Solange foi a mais alegre. A cara que ela fez quando a mãe convidou ela pra também ir lá pra casa no Natal, foi tão linda! – Os dois estavam se preparando pra deitar, após o dia de muitos passeio.
— Verdade, eu… era pra ter perguntado pra ela o que faria no feriado. Eu acho que os filhos não se importam muito com ela. Eu não entendo como…
— Eu também não, ela é tão maravilhosa. – Rodrigo terminou de se arrumar pra dormir e sentou na cama ao lado do moreno – Ainda bem que ela tem você agora.
Lucas abriu um pequeno sorriso, pegando a mão do loiro, sem olhar ele nos olhos, o que fez o mais novo perceber que ele estava tendo alguma luta interna. Acabou esperando pra ver o que e se ele falaria, e foi de forma surpreendente que o escutou falar.
— Eu adorei o dia de hoje. Mas ao mesmo tempo eu fico com tanto medo… é muito nova essa sensação de ter pessoas com quem eu quero estar. Desculpa, eu não era pra estar falando isso.
Rodrigo entendia o pensamento do mais velho. Ele sempre se afastou das pessoas por medo de perdê-las depois. E agora a vida o estava presenteando com tantas presenças.
— Luke, não pede desculpa. Eu entendo isso. Mas olha só, todos nós temos esse tipo de medo. – Ao ouvir o namorado, o moreno voltou seus olhos ao loiro, que seguiu – É verdade. Amar é ter uma ligação com alguém, que a gente quer manter. Mas olha só, ao mesmo tempo, precisamos aproveitar estes momentos como os de hoje e tê-los aqui, no coração.
Rodrigo acabou de falar depositando um beijo no peito do namorado.
Lucas sabia que isso ainda seria tema de muitas consultas com Félix, mas naquele momento conseguiu se acalmar, ainda mais com a certeza de que, naquele momento, tinha Rodrigo para si.
— Obrigado, e eu te amo. Obrigado pelo dia de hoje.
— Obrigado você por receber meus pais. É tão bom estar aqui contigo sabendo que eles estão pertinhos.
Luke apenas deu um meio sorriso, como sempre.
— A mãe adorou o quarto. Claro que na tua frente ela foi bem comportada, mas depois foi apenas elogio. Disse que tu tens um ótimo bom gosto.
— A Sol me ajudou um pouco, e o Marcos também. Não fui apenas eu o responsável. Agora vamos dormir, amanhã você precisa trabalhar e eu fazer companhia para teus pais. Dessa vez eu não vou deixar passar.
— Shiuuu, não tem problema, eles disseram que não pretendem sair pela manhã. Mas seria bom levantar cedo mesmo, principalmente porque a Sol com certeza vai vir pra cá organizar o café da manhã, que tu sempre foge.
Lucas não respondeu e o dois permaneceram em silêncio, apenas curtindo a presença um do outro. Rodrigo estava realmente cansado, e estava quase pegando no sono quando ouviu o moreno perguntar.
— A gente pode sair pra comprar umas coisas antes de ir pra casa dos teus pais? Digo, eles falaram que fizeram isso e eu acho que seria bom... pro Natal...
Na verdade, apesar do medo, Lucas imaginava e ansiava por isto. Por estes momentos. Mas se achava muito imaturo ao colocar em palavras.
Rodrigo demorou a responder, o que fez Luke, que o abraçava por trás, acreditar que houvesse dormido.
— Só se tu me prometer que vão ser presentes de Natal de verdade, não algo muito caro. A gente presenteia com lembrancinhas apenas. Aliás, pra mim não precisa comprar nada, acho que tu já gastou demais comigo, viu?
O loiro acabou virando para o mais velho, pois queria ver sua reação. Sabia que não adiantaria falar, Lucas gostava de comprar coisas para as pessoas, ainda mas pra ele.
— Você acha que teu pai se sentiria incomodado se eu comprasse pra ele aquele relógio que vimos mais cedo?
Rodrigo abriu os olhos pra enxergá-lo melhor. O relógio era muito caro. Mas imaginou que se falasse isso, o moreno poderia ficar retraído, e acabaria como a fotografia que tinha dado a Marisa, que ele até hoje não acreditava que ela tinha gostado.
— Eu acho que ele ia adorar. – O loiro respondeu, aproximando os lábios do mais velho, como uma carícia.
Luke o abraçou mais apertado, sonhando com os momentos que passaria com o pais do namorado e com ele. Em um momento sentia que tudo daria errado, mas no próximo já acreditava e fazia planos. E no fundo estava achando isso bom, essas reações.
Ele conseguiu dormir naquela noite? Claro que não. Mas mais uma vez isso não foi ruim, porque tinha o seu bem mais precioso do seu lado, porque era assim que ele via Rodrigo, alguém que merecia ser cuidado com todo o amor e carinho. Hoje e sempre.
Fale com o autor