Aprendendo a Amar
28 Quase Encontro... II
Notas iniciais
Quando desceu do ônibus o loiro avistou de longe Lucas, parado, sentado em um dos bancos que tinha na rodoviária da cidade, o esperando. Claro que ele não estaria atrasado, ele odiava atrasos, Rodrigo pensou enquanto ia de encontro ao namorado.
— Oi? – A vontade que o mais novo tinha era abraçar o moreno e não mais soltar. Mas era preciso lembrar que ainda não haviam decidido se era bom ou ruim os colegas de faculdade do loiro saberem que ele namorava o professor. Além do mais, agora que estava com ele ali, em sua frente, Rodrigo começava a lembrar da provável conversa que teriam uma hora ou outra. Precisava contar a ele que seus pais já sabiam sobre o namoro.
— Oi... fez boa viagem? – Lucas perguntou enquanto pegava a mochila do mais novo. Ele sempre tentava ser o mais cordial possível, o que deixava Rodrigo encabulado às vezes. Mas aprendeu que o censurar por isto o fazia recuar, e não queria isto.
— Sim...
Ambos foram andando até o carro e assim que entraram trocaram um beijo cheio de amor e carinho.
— Como eu senti sua falta... – Lucas havia chegado meia hora antes na rodoviária, estava ansioso para encontrar o mais novo.
— Eu também, muita! – Rodrigo dizia isto enquanto olhava o moreno nos olhos, afagando seus cabelos. – Vamos? O sol já está indo embora e está ficando bem frio...
— Você quer meu casaco emprestado? Não estou precisando dele agora... – O mais velho fez feição de tirar, mas Rodrigo o deteve antes.
— Não precisa Luke, eu estou bem e aqui dentro está quentinho. – Rodrigo disse isto, percebendo que o olhar do moreno pareceu ficar triste por sua relutância em aceitar o casaco. “Sempre um bobo” pensou com um frio na barriga. Mas resolveu compensar. – Além do mais, assim que a gente chegar na tua casa ficarei muito bem aquecido já que tu tens sistema de aquecimento.
Como o esperado, Luke abriu um sorriso na mesma hora.
— Irás pra minha casa?
— Eu posso? – Rodrigo sabia que era uma pergunta boba, pois, por Lucas ele estaria morando com ele faz tempo. Tanto que Luke nem respondeu, apenas pegou sua mão enquanto dirigia.
O domingo estava acabando, logo ambos iriam deitar já que no outro dia a semana começaria novamente. Rodrigo estava apreensivo, não havia comentado com Lucas sobre a conversa com os pais. Na verdade havia deixado para mais tarde porque sabia que se Lucas ficasse muito bravo, mesmo assim, não teria coragem de mandá-lo embora. Jogo sujo, sabia, mas não queria sair de perto dele e sabia que o namorado iria ficar, no mínimo, chateado pelo loiro ter feito isto sem comunicá-lo.
— Lucas, preciso te contar uma coisa. – Eles estavam já deitados no quarto do moreno. Lucas estava aos pouco superando seus medos, mas a luz de seu abajur ainda permanecia acesa durante as noites.
— Sim, pode falar. – respondeu o moreno, enquanto fazia carinhos no loiro. Ele não conseguia desgrudar dele. E nem queria. Mas nem tudo pode ser como a gente quer, não é mesmo?
— Primeiro eu quero que tu saibas que eu fiz aquilo que achava correto e espero que tu me entendas.
Lucas levantou a cabeça observando os olhos de Rodrigo. Sentiu que ele estava tenso, mas estava esperando ele comentar com ele o que seria.
— Assim estou começando a ficar preocupado... fala.
Rodrigo sentou de frente para o namorado pensando na melhor forma de começar a falar. O cansaço tomava conta dele, ter outra conversa difícil em menos de dois dias estava sendo pesado até mesmo para ele. Esperava (e muito) que Lucas o entendesse.
— Então... como tu sabes, eu estive com meus pais este fim de semana – e olhando nos olhos do mais velho, como sempre, resolveu não enrolar muito, pois, ele não gostava disto – E eles começaram a me questionar e eu não tive escolha, e também não quis ter, acabei contanto pra eles sobre a gente.
Ao ouvir o que Rodrigo disse, Lucas ficou um tempo sem reação. Na verdade já desconfiava que isto poderia acontecer, a relação que o loiro tinha com os pais era próxima demais. Mas eles haviam combinado que decidiriam isto junto. Ele pensou sobre o assunto no tempo que esteve de viagem, como o loiro tinha pedido, e estava pensando em reconsiderar sua decisão por causa do namorado. Mas agora o tempo era outro, já que os mais velhos já sabiam sobre eles. Se sentiu pressionado.
— Mas Rodrigo, a gente tinha combinado de decidir isso junto, não era? – E não conseguindo ficar parado o moreno acabou levantando, indo olhar a noite escura e fria que estava lá fora. – Poxa... eu estava até pensando em reconsiderar, mas agora...
— Lucas, mas então! Você pensou sobre isto, aceita ir conhecer eles?
— Não, eu não disse isso. Eu estava pensando em reconsiderar, mas a gente conversar antes...
O mais novo não sabia o que fazer, será que havia se precipitado? Era pra ter esperado o mais velho lhe dar a resposta, ele mesmo havia pedido pra ele pensar...
— Hey, Lucas, onde tu estás indo? – Rodrigo perguntou assim que percebeu que ele estava indo em direção à porta.
— Eu perdi o sono, vou corrigir alguns trabalhos. – Claro, ele fugiria. Lucas não gostava de brigar com o loiro. E ele estava bastante nervoso.
— Luke, por favor. A gente precisa conversar. Vem aqui, por favor. – Rodrigo disse isto, mas ele já estava indo em direção à cozinha, o que faz o loiro levantar correndo pra ir atrás dele, mas parando assim que se sentiu um pouco fraco. “Ainda tem mais essa”, pensou, respirando fundo. Assim que melhorou um pouco seguiu atrás dele.
— Rodrigo, vai dormir. Daqui a pouco eu vou. Aliás, acho que vou ficar aqui pela sala mesmo.
— Ai sério que tu vais me deixar no quarto e ficar aqui? Lucas, não precisa de tudo isto, os meus pais...
— Não me diga o que pensar! Eu já falei, precisava de tempo até conhecê-los. Por que tu não respeitou este tempo, Rodrigo? A gente combinou de conversar...
O mais novo sentia o medo dele, de longe. Mas também estava chateado com isto. E cansado, muito cansado. Os pais o haviam perdoado, mas ainda não conseguiu esquecer o rosto de ambos na noite anterior, quando pareceram decepcionados por ele ter escondido o namoro. Ver que Lucas o olhava da mesma forma agora o fez mais uma vez ficar inseguro.
— Lucas, a gente pode terminar essa conversa amanhã, por favor. Agora vem, vamos dormir...
— Não, eu vou ficar por aqui... vai você.
Rodrigo acabou ficando um tempo olhando o mais velho sem saber o que dizer. Era pra ter ido pra sua casa mesmo, agora o moreno era obrigado a tê-lo ali em sua casa, quando na verdade queria ficar sozinho. “Droga”, ele pensou.
— Tá, desculpa... eu acho que vou ir pra minha casa, não tem lógica eu ficar na tua cama e tu aqui pela sala, o intruso sou eu.
— Rodrigo, eu não quero brigar contigo, deixa de bobagens! Você não vai a lugar algum. Vai dormir.
— Não sem você...
Lucas ficou olhando mais uma vez para ele, e sabendo que não o faria mudar de ideia, acabou cedendo. Ainda não tinha conseguido sanar a saudade que sentiu do namorado, mas agora estava bravo, chateado, não sabia dizer o que sentia. Não conseguiria agir normalmente. Mas acabou indo em direção ao seu quarto, percebendo que Rodrigo o seguiu. Ambos deitaram um longe do outro, diferente do que acontecia sempre. Pelo jeito, mesmo eles dividindo a cama, aquela seria uma noite solitária.
***
Na manhã seguinte, assim que acordou, Rodrigo percebeu que Lucas continuava deitado bem longe dele. Parecia estar dormindo ainda. Tentando não acordá-lo o loiro decidiu levantar, preparar alguma coisa para eles comerem e depois conversarem. Em metade de suas tarefas foi bem sucedido, de banho tomado estava indo em direção a cozinha quando, mais uma vez, ficou tonto, e acabou tendo que parar no meio do caminho. Desta vez, diferente das outras, parecia que não passaria tão cedo. Um pouco com medo, Rodrigo tentou manter a calma enquanto encostava-se na parede, pra ver se as coisas ficavam mais claras a sua volta, enquanto torcia para que Lucas acordasse e fosse procurá-lo, como sempre fazia.
Como se ouvisse o pedido silencioso do namorado Lucas acordou neste instante, olhando pro lado e percebendo que o loiro não estava ao seu lado, imaginando que ele estaria quase saindo pra trabalhar. Lembrando da noite passada, seu coração voltou a bater forte novamente. Não gostava de brigar com o mais novo, odiava na verdade. E sempre acabava se sentindo um imbecil quando isto acontecia. Levantando, enquanto ligava o celular, indo em direção a sala, ouviu seu nome ser chamado.
– Lucas...
Ao perceber que era a voz de Rodrigo, Lucas foi direto em direção a cozinha, não estando preparado pra cena que viu. O mais novo estava ao chão, com os olhos fechados, e parecia que, por algum motivo, não conseguir levantar.
— Rodrigo, amor, olha pra mim, fala comigo, por favor...
Ao perceber que o namorado se aproximava, o loiro respirou mais aliviado. Mas ao ouvi-lo, pelo seu tom, Rodrigo fez o máximo de força para abrir seus olhos para conversar com ele. Sabia que ficaria muito preocupado consigo.
— Luke, me ajuda a chegar até a sala. Acho que está tudo rodando a minha volta. – tentava usar de um tom ameno para que o professor não ficasse tão alarmado, o que não adiantou, já que ele o pegou nos abraços, ido em direção a sala, quase correndo. Apesar de tê-lo colocado com cuidado no sofá, era perceptível seu nervosismo. Preocupado com o silêncio dele, Rodrigo forçou seus olhos, que pareciam mais estáveis, no rosto do moreno.
— Eu acho que minha pressão caiu, ou algo assim... mas já vai passar, não se preocupa.
Mas dizer isso foi a mesma coisa que nada. Era perceptível que ele estava nervoso, como há tempos não andava. A insegurança e a culpa pareceram voltar com tudo, mais uma vez. Com estas ações, Lucas demonstrava para Rodrigo que, mesmo eles tendo quase brigado na noite passada, era claro que o moreno não deixaria de se preocupar, como sempre, de forma extrema com o loiro. O loiro era sua vida.
— Rodrigo, fica aí. E vou chamar a Solange.
— Não precisa, Luke. Já estou melhorando. – Mas sabia que seria inútil. O moreno mesmo sem perceber, já a tinha elencado como uma quase mãe. Sempre chamava ela quando precisava de alguma ajuda neste sentindo, como por exemplo, ajudar a preparar um jantar para o loiro, ou comprar um presente.
Em seguida os dois entraram pela casa, Lucas ainda parecendo assustado enquanto era seguido por Solange.
— Mas então, querido. O que aconteceu que tua andas desmaiando por aí, heim?
Ouvir a voz dela também tornou-se quase um calmante para o loiro.
— Está tudo bem, Sol. É que eu acho que ando com anemia, como sempre fico quando não me alimento direito. Neste fim de semana eu também me senti assim na casa dos meus pais, mas depois passou. Eu já pretendia consultar hoje...
Ao ouvir aquilo Lucas se sentiu mais culpado ainda. Como não havia percebido que ele não estava bem? Rodrigo havia comentado por telefone quando estava na casa dos pais, tinha sido um imbecil completo brigando com ele ainda.
— Lucas, para de ficar assim apalermado aí. Quem sabe faz um suco pro teu namorado enquanto eu fico aqui vigiando ele?
Neste momento o moreno saiu de seu devaneio e voltou seus olhos para o loiro. Não queria sair de perto dele, aliás, não queria que isto acontecesse nunca mais. Era pra ter ido com ele na casa dos pais, não era pra ter ido nesta viagem. O loiro não estava se alimentando direito porque estava preocupado com sua relutância em conhecer seus pais, mais o provável nervosismo por não saber como os pais reagiriam. E noite passada ele, ao invés de ouvi-lo, ficou bravo com ele. Com era um idiota completo!
— Lucas? – o loiro estava preocupado já com o silêncio do mais velho. Ele era reservado, mas nem tanto.
— Sim, Rodrigo...
— Vem aqui? – Rodrigo não resistiu em fazer isso, sabendo que Lucas não se para ele. Tirando o fato de ir conhecer seus pais, de resto, o moreno sempre acatava seus desejos. Com um sorriso viu ele se aproximando. – O que foi, hum? Eu estou bem, olha – disse o loiro enquanto sentava no sofá.
— Rodrigo, fica quieto, eu vou ir fazer teu suco, me espera aqui
— Shiuu... fica sentado aqui comigo um pouquinho... por favor?
Solange observava a cena com um sorriso. Como gostava daqueles dois, como verdadeiros filhos pra ela. Levantou indo em direção a cozinha preparar um café para os ambos, aproveitando para deixá-los a sós.
Rodrigo sentiu-se abraçado pelo moreno, de um jeito carinhoso e firme, como ele sempre fazia.
— Senti tanta falta disso esta noite. Me desculpa? Eu fiz errado, era pra ter te perguntado mesmo, deixado pra contar quando tu estivesses preparado. Eu juro, minha intenção foi a melhor, eu apenas não estava mais conseguindo esconder e...
— Por favor, para Rodrigo! Eu que fui errado, se eu soubesse o quanto isto estava te fazendo mal...
— Luke...
— Deixa eu terminar, por favor. Tu sempre és tão regrado com a tua alimentação. E .. pra você ter deixado de fazer isto tem apenas um motivo, preocupação, tensão. E eu sei que sou responsável por boa parte disso... desculpa, desculpa. Eu não vou mais fazer isto, fui um idiota não querendo te ouvir, nem confiando naquilo que estás me dizendo sobre teus pais. Eu prometo que a partir de agora não farei mais isso, mas por favor, não me deixa, por favor...
Rodrigo ouvia o moreno falar enquanto tentava assimilar tudo que ele dizia. De onde Lucas tirou que o deixaria. Não deixou de pensar no quanto ele era bobo, mesmo! Com um pequeno sorriso se aproximou do rosto do moreno e o beijou nos olhos, nas bochechas, até encontrar seus lábios, depositando uma carícia doce.
— Promete que nunca mais vai me deixar dormindo num cantinho sozinho da cama? Ainda mais quando eu estiver doente? Isso dói muito...
Rodrigo tentou usar de um tom ameno, mas na verdade falou sério. Tinha sido uma péssima noite, onde as inconstâncias do moreno o afetaram de uma maneira bastante incomoda. Como resposta o mais novo foi abraçado de forma possessiva, com beijos, pedidos de desculpas, promessas e declarações.
— Desculpa atrapalhar, mas tem alguém nesse sofá precisando de uma vitamina pra ficar forte. – Solange se aproximava com um sorriso – E como a segunda pessoa do sofá precisa da primeira pra viver, acho que não vai se importar que eu atrapalhe, não é mesmo?
Rodrigo se afastou um pouquinho de Lucas para poder pegar a vitamina, mas claro, não muito, já que o mais velho o segurava pela cintura.
— Está ótima! Muito obrigado, tenho certeza que vou ficar bem melhor já, já. – Enquanto tomava a vitamina e conversava com a senhora, Rodrigo tinha plena consciência do moreno ao seu lado, já que ele tinha seus lábios junto aos seus cabelos, fazendo carinhos leves na região de sua cintura, como se quisesse deixar claro pra ele que estava ali.
— Mas então, que horas tu vais ir consultar, Rodrigo? Acho que o quanto antes melhor, né?
— Claro, eu ia primeiro ir fazer o exame e ligar pra minha médica, mas acho que vou ver se consigo marcar com ela agora. Como isso já aconteceu, acho que ela consegue me encaixar num horário. – pensando um pouco, o mais novo virou-se pra mais velho – tu vai comigo? Eu acho que não gosto muito de consultar sozinho... Mas se não puder, tudo bem, a Sol pode ir, não é? – virou para a mais velha que lhe sorria cúmplice. Os dois sabiam que o moreno não suportava hospitais, fugia de consultórios como quem foge de um fogo.
— Claro que eu vou contigo. Deixa eu me arrumar, tá? Prometo não demorar. Fica com ele aqui, Sol? – Rodrigo revirou os olhos ao ver a preocupação exagerada do mais velho. Mas resolveu não ironizá-la.
Como o esperado, era a anemia de Rodrigo se manifestando mais uma vez. Mas como ele já imaginava, não era nada grave. Bastava apenas que ele voltasse a se alimentar de forma saudável e tomasse umas vitaminas até o próximo mês. Assim que chegou em casa, com os cuidados em demasia do moreno, o loiro ligou para os pais, que já haviam telefonado mais cedo perguntando se a consulta já havia acontecido. Assim que desligou o telefonema percebeu Solange entrando com o almoço para os dois.
— Ai vocês dois, não precisava! Eu poderia muito bem ter cozinhado pra gente.
— Mas claro que não! Nesta semana deixa que eu faço isso. Vocês nunca deixam eu cuidar destes detalhes... eu ficarei feliz em ajudar.
Rodrigo, ao perceber o sorriso que ela lhe lançou, tão semelhante o de sua mãe, apenas conseguiu agradecer e não teimar mais. Cheia de recomendação Sol saiu, prometendo voltar mais tarde.
— Se eu pudesse não iria lecionar a aula de hoje. Queria ficar aqui, de olho em você.
— Não precisa, Luke. Por mim eu até iria pra aula hoje...
— Nem pense nisso, Rodrigo. A doutora te deu atestado para três dias. Então, é isto que irás fazer.
— Exagero, não preciso deste tempo todo... – mas percebendo o olhar que o moreno lhe lançou, resolveu, mais uma vez, não teimar – mas como você está pedindo assim, com jeitinho, vou fazer isto sim.
— Hunf! E são três dias aqui, na minha casa. Nada de ficar sozinho.
— Mas...
— Nada de mas, por favor...
— Tá, ok! E Luke? Obrigada por ter me acompanhado nos exames e na consulta. Mesmo.
— Eu quero que você saiba que eu estou aqui, por e pra você. Prometo tentar continuar melhorando. Acho que recaídas acontecerão, mas uma hora as coisas melhoram, tem que melhorar...
— Olha, apenas pra você saber, minha mãe ficou muito feliz, e agradecida, por tu teres me acompanhado hoje. Ela estava preocupada, disse que sem ninguém pra me monitorar eu nunca faço as coisas direito.
Luke, de forma boba, sorriu ao ouvir que ao menos a sogra tinha uma visão positiva em relação a ele. Dando um suspiro, aconchegou o mais novo mais um pouco em seu peito.
— Já falou pra ela que iremos no sábado?
Rodrigo ao ouvi-lo não conseguiu conter o sorriso.
— Posso confirmar?
— Claro... eu quero muito conhecê-los. Sempre quis, na verdade. Ainda estou com muito medo, só em pensar que poderão não me aprovar eu fico com vontade de fugir. Mas sei que é importante pra você. Então é mil vezes mais importante pra mim também.
— Obrigado, obrigado, obrigado! – O mais novo beijava ele com seu folego jovial! O coração de Luke aqueceu neste momento e teve certeza, apenas se fosse doido deixaria, outra vez, o loiro ficar triste com ele por um motivo tão simples. Esperava apenas que fosse simples de verdade.
***
— Tem certeza que ela vai gostar desse presente? Não sei, eu acho que era pra ter comprado mais alguma coisa, esse parece tão simples...
Faltavam alguns minutos pra eles chegarem à casa de Rodrigo. O loiro tinha avisado os pais que conseguira convencer o namorado a visitá-los. Lucas, desde que ouviu o loiro fazer isto pelo celular, passou a ficar nervoso, pensando no que falaria, perguntando coisas sobre seus pais, e querendo saber que presente levaria para a mãe de Rodrigo.
— Luke, calma! Ela vai adorar! Ela ama aquele lugar. E eu estando também na foto, nem se fale. Vai te agradecer a vida inteira, aposto! – O moreno decidiu que daria um quadro com uma de suas fotografias para a mãe do loiro. E escolheu uma que tinha feito quando ambos foram passear pela Lagoa/praia da cidade.
— Desculpa, eu apenas não sei como agir. Me sinto ridículo, com a idade que eu tenho estar assim. Mas não consigo evitar.
— Shiuuu, para de ser tão duro consigo. Eu também estou nervoso, nunca passei por isso de fato já que a... Mariana meus pais conheciam desde sempre, não precisei fazer apresentações. – Hesitou um pouco em falar, já que o moreno se incomodava quando mencionava ela.
Em seguida os dois paravam em frente a casa de Rodrigo. Lucas pode perceber que a casa era simples, muito bonita e aconchegante. Antes de abrir a porta do carro Rodrigo o olhou bem nos olhos e sussurrou, como se mais alguém pudesse ouvir, aquilo que sempre acalmava o moreno, fosse a situação em que estivessem.
— Eu te amo, muito. Não esquece disto. – e foi ao encontro dos pais. Antes de abrir a porta do carro Lucas pensou apenas que faria sempre, tudo que Rodrigo lhe pedisse. Ele tinha o dom de saber e entender seus medos, receios e amor. E por ele, como não cansava de dizer, iria até o fim.
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