Aprendendo a Amar

44 Pessoas Únicas, Momentos Únicos


Notas iniciais
Feliz Natal! ♥ Meu Deus, consegui postar mais um capítulo, obrigadaaa a todos que sempre me apoiam por aqui! ♥

— Lucas... eu nem sei o que dizer, eu...

Os dois ficaram em silêncio por um momento, e Rodrigo estava tentando assimilar o que ouviu do mais velho. Realmente não esperava que Luke fizesse uma proposta dessas, por mais que o moreno já tivesse dado a entender que o queria mais perto. Rodrigo sabia que isto aconteceria de forma natural, talvez após um tempo... mas não agora, não de forma tão elaborada e premeditada, como parecia estar sendo.

Enquanto isto, Lucas olhava o mais novo observar mais uma vez as mudanças que ele havia apresentado até então. Não conseguia deixar de pensar que Rodrigo não era de ficar calado por muito tempo, portanto, imaginava que ele estaria pensando em um jeito de negar o convite.

Pensando nisto, resolveu se afastar, pra não pressioná-lo ainda mais.

Mas seu ato foi interrompido antes mesmo de acontecer, pois talvez percebendo sua hesitação, o loiro foi mais rápido e segurou firme a mão do namorado.

– Hei, vem aqui... – Rodrigo começou falando. Sabia que seu silêncio gerava no moreno ideias erradas.

— Não, eu já entendi. Tudo bem Rodrigo. Eu me precipitei, eu sei, fui dar ouvidos ao Marcos, como fui tolo...

— Lucas, para com isso. Calma. Não coloca palavras em minha boca. Eu apenas estou surpreso, confuso, não sei, mas isso não quer dizer que...

— Está tudo bem, eu entendo. Vamos indo, seus pais estão nos esperando.

E nisto, Lucas conseguiu se afastar, indo de um lado pro outro, como se quisesse desfazer tudo que tinha feito.

— Lucas, eu não vou embora. Vem aqui, por favor? – Rodrigo estava zonzo apenas em vê-lo ir de um lado pro outro.

Mas o moreno não queria se aproximar, não agora. Claro que Rodrigo ficaria assustado. Ao mesmo tempo, no fundo, sabia que não estava arrependido. Se não tivesse feito aquilo, não conseguiria deixar de ficar ansioso, como andava nos últimos dias.

Percebendo que não partiria do mais velho uma aproximação, Rodrigo foi se aproximando aos poucos, até abraçar o mais alto.

— Lucas, me escuta, eu adorei cada mudança feita aqui. De verdade. Eu senti cada cuidado teu em me fazer sentir confortável aqui neste lugar.

Luke aceitou aquele abraço, mas depois de um tempo acabou se afastando um pouco, para conseguir enxergar os olhos do outro.

— Mas... – Acabou falando, ao perceber que o namorado estava com o olhar apreensivo. Tudo que ele não queria que acontecesse.

Rodrigo afrouxou o abraço mais um pouco, mas sem deixar de segurar as mãos do moreno, e de fazer carinho onde sentia a aliança do outro. Queria ter cuidado com as palavras, pois era difícil presumir como o mais velho estava se sentindo. Essa atitude dele, para alguém que sempre tinha muito medo de propor algo, era muito surpreendente. Por isso, o mais novo queria ir devagar. Se colocassem fora todo o tratamento que ele andava fazendo, seria preciso começar tudo de novo. E ele queria evitar isso. Luke estava indo muito bem no tratamento, mas Rodrigo estava sempre atento a possíveis sinais de que alguma coisa estivesse errada.

Sem ainda saber o que dizer, o mais novo fez o caminho contrário, ainda de mãos dadas com Luke, passando por cada lugarzinho que o outro tinha mostrado pra ele, parando então na sacada, onde estava a futura horta.

— Eu adorei o que tu fez aqui. Ficou lindo e muito especial, não vejo a hora de começar a plantar, de verdade...

Lucas apenas decidiu ouvir o mais novo, estava com medo do que ele diria, mas tentava pensar no que o sogro e Marcos falaram mais cedo. E demonstrar que sentia confiança sobre o amor do namorado. Tentava pensar que não importava qual fosse a resposta. Era apenas uma proposta, um pedido. E como tal, poderia ser aceito ou não.

Mas ao mesmo tempo, seu coração batia acelerado, porque queria muito que ele aceitasse. Por isso, ao ouvir o que o loiro disse em seguida, seu coração pulou uma batida.

— Lucas... quando eu decidi vir morar aqui na cidade, eu tracei uma meta. E claro, não é que as coisas não possam mudar, afinal elas mudaram, e muito, porque eu não imaginava nem em sonho que encontraria alguém tão especial assim como tu és pra mim. Alguém que eu amo muito... alguém que me completa tanto. – E nisto ele voltou a se aproximar, ficando com os olhos na altura do outro. – Mas eu não acho que seja o momento. Por mais que eu passe o meu tempo todo aqui, penso que é importante, ainda, que a gente tenha nosso próprio lugar pra voltar, pra ser nosso.

Lucas quis se afastar, mas mais uma vez o loiro não deixou, segurando firme suas mãos.

— Eu entendi Rodrigo. Sempre esses meus malditos medos estragando tudo, não é verdade? Se fosse outra pessoa, garanto que você...

– Ei, não conclui, nunca teria outra pessoa, porque eu sou assim apenas pra ti. – O mais novo colocou as mãos no rosto que tanto adorava de Lucas – Quem te falou que existiria outra pessoa? E que eu seria igual? Ou que eu passaria tanto tempo junto, dedicaria tantos sorrisos? Melhor, que eu enfrentaria meus pais pra defender este amor?

Luke acabou fechando os olhos com o carinho que recebia. Mais um pouco ele não duvidaria, algumas lágrimas iriam escorrer de seus olhos, como sempre acontecia quando tinha alguma conversa assim com Rodrigo ou recebia um mínimo de carinho dele.

— Lucas, eu sou assim com você! Pergunta para meus pais, eu era tão mais impaciente antes. A Mariana, coitada, sofria comigo eu acho. E até eles dois. Apesar de eu sempre ter sido muito paciente com ambos, tive meus momentos de urgências. Mas os dois já me disseram o quanto estou melhor, menos afoito, mais tranquilo. Não que antes eu fosse ruim, mas hoje eu aprendi a viver e estar em um ritmo diferente. Que me faz, muitas vezes, conseguir enxergar coisas que antes eu não enxergava pela pressa de resolver as coisas, ou na ânsia de que as coisas dessem certo. – Não resistindo, o loiro deu um beijo de leve nos lábios do outro – E você é tão responsável por isso. Você me faz perceber o quanto que é importante deixar que as coisas se resolvam com o tempo. QUERER ser paciente com você me ajudou a ser mais paciente na vida.

— Rodrigo, está tudo bem. Eu estendo você, juro que entendo. – Lucas falou, mas seu coração continuava tropeçando. Ele tentava, mas não conseguia se acalmar.

— Eu só quero que tu tenhas calma. Isso não é um não, apenas um vamos esperar mais um tempo. Eu não quero tomar uma decisão pelos motivos errados. Eu já sei que eu quero estar do teu lado a vida inteira, mas eu não quero que atropelando as coisas, algo possa mudar entre a gente.

— Eu já entendi, Rodrigo, vamos agora?

— Não, a gente não vai sair daqui enquanto eu não perceber que tu realmente entendeu. Sério, eu amei tudo isso e pretendo aproveitar muito ainda. Mas eu quero que a gente faça isso juntos, estando os dois preparados pra isso. Tu achas que realmente é o momento ideal pra dividir toda a tua vida com alguém?

Lucas não sabia responder aquela pergunta. Talvez não fosse o momento dos dois realmente assumirem este compromisso. Isto porque ele ainda tinha seus momentos recluso, onde o que mais queria era ficar sozinho, e Rodrigo entendia isto. Mas ao mesmo tempo, ele sentia uma necessidade em dividir certas coisas com alguém em sua vida. Ele sentia tanta falta disso. Sentia falta de compartilhar um lar, como já tinha sentido com os avós. Estava cansado da liberdade que teve este tempo todo em sua vida. Era confuso, nem ele entendia, mas era assim que se sentia. Após a morte dos avós ele se sentia como um pássaro, que possui sua liberdade, mas sempre está em busca de fugir de seu inverno particular.

Imaginava como seria caso o loiro fosse morar ali. Provavelmente difícil, porque não é como se ele pudesse sair pra deixá-lo com seus pensamentos por um tempo e pudesse voltar quando estivesse mais calmo...

— Claro que eu também não vejo a hora de dividir contigo todo esse espaço. – Rodrigo resolveu seguir falando, já que o moreno parecia que continuaria calado – Eu quero sim ocupar as prateleiras com meus toys. Ou então, ter meus pais aqui com a gente. Mas Lucas, quando acontecer isto, eu não vou te soltar nunca mais. Vou ficar grudado em ti pro resto da vida. – Rodrigo atenuou a voz, ao mesmo tempo que usava um tom brincalhão.

— E quem disse que eu quero que você desgrude de mim em algum momento? – Luke sentia que o loiro não tinha ficado bravo com o que fez, apenas estava sendo sensato, como ele mesmo deveria ter sido. E isso começou a acalmá-lo.

— Eu sei que tu não queres que isso aconteça, e que se pudesse realmente estaríamos o tempo todo junto. Mas entende, eu acho que ainda precisamos de mais um tempo nesta fase de namoro. Não veja isso como um teste pra ter certeza de algo. Não mesmo. Pensa apenas que é um período pra gente fortalecer ainda mais a nossa relação, através da nossa própria individualidade.

Lucas pensou em rebater, dizendo que ele não tinha vida própria desde que conheceu o outro. Mas ele entendia Rodrigo, tanto que estava mais calmo. Ele tinha seus pais, e não poderia tomar uma atitude assim. Quando se tem uma família como a deles, as coisas devem ser conversadas.

— Eu no fundo entendo você. Eu sei que você tem sonhos também pra realizar, e mesmo eu não podando nenhum deles, entendo que você quer ter suas próprias conquistas na vida. Eu já tive a sua idade, sei como é. Me desculpe por te fazer pensar sobre isso nessa altura da vida, e logo hoje, no dia do teu aniversário. – Lucas estava mais calmo, mas não deixou de ficar envergonhado. Afinal, tinha se exposto muito ali. Mais do que normalmente fazia.

Rodrigo quis abraçar o mais velho e não soltar nunca mais ao ouvi-lo. Se não tivessem que ir até sua própria festa de aniversário, adoraria passar a noite ali, enchendo ele de carinhos. Sabia que Lucas deveria estar ansioso, pois ele realmente desejava que os dois ficassem juntos. Mas com esta última resposta, percebeu que o moreno estava começando a compreendê-lo de verdade.

— Deixa de ser bobo, você está por trás de cada conquista que eu tenho tido na vida. Até mesmo dessa aprovação na prova da hoje. – Rodrigo sorriu – Eu apenas quero... eu não sei explicar eu acho.

— Não precisa explicar mais nada. – Lucas beijou o pescoço do mais novo. Se sentia igual a ele, gostaria de ficar por ali, sendo mimado pelo outro.

Os dois acabaram se beijando, o que ajudou o moreno se acalmar ainda mais. Rodrigo sabia, o menor sinal de um contato seu fazia o mais velho se render. Isso ajudava quando sentia ele um pouco mais agitado. Ter este pensamento fez o mais novo lembrar de algo que andava pensando fazia uns dias.

— Lucas – Começou, interrompendo o beijo – Ultimamente eu ando percebendo que tu tens relembrado muito tua infância. Estou errado? Talvez seja efeito da terapia, onde você tem recordado esses momentos, ou seja apenas a saudade que sempre permanece, mas eu não sei, ando sentido ela mais forte nos últimos tempos em ti.

Não, claro que o loiro não estava errado. Lucas estava sim pensando sobre isto, ainda mais com o clima de Natal que se instaurava no mês de Dezembro. E sabia que o pedido também tinha relação com estes sentimentos. Mas resolveu não responder agora, continuando a fazer carinho no outro.

— Talvez, eu não sei. Mas também não quero falar sobre isso... ainda. – Lucas sempre se sentia mal quando negava pro namorado alguma coisa. Mas quando se tratava de confessar algo, era sempre muito difícil.

Mas Rodrigo, sabia que ele não falaria. Ainda mais que o moreno provavelmente estava lembrando não apenas dos avós, mas dos pais também. Lucas estava até mais aberto sobre as lembranças dos primeiros. Mas sobre os pais... era muito difícil ele demostrar lembrar de alguma coisa ainda.

– Eu sei que você ainda não conseguiu superar muitos dos seus medos. E assim como Félix nos falou, talvez isso demore ainda muito para acontecer. Eu não quero que a gente comece uma vida junto em cima dos destroços que ainda estão aqui, no seu coração. – Disse fazendo carinho no peito do outro – Isso não seria justo nem com você, nem comigo. Te faria idealizar uma vida junto, fazendo com que eu me sinta mal caso não consiga alcançar este mundo ideal. Eu também quero ser capaz de me mudar pra cá e te ajudar com as contas, e também...

— Você sabe que eu nunca te pediria nada.

— Mas mesmo assim, eu quero isso. E também tem meus pais, como tu mesmo falou. Essa minha vinda pra cá não foi fácil. Eu não quero que eles sei lá, achem que eu estou deixando a nossa casa de lado, ou algo assim. E isso não tem nada a ver contigo, mas sim com aquilo que eu acredito e combinei com eles, tu me entende?

Lucas acabou lembrando, mais uma vez, no quanto Rodrigo era mais novo, e estava justamente na idade de se descobrir, mas também firmar seus laços com aqueles que foram sempre sua fortaleza.

— É claro que eu entendo você. E concordo... eu acho que apenas quis fazer o que você me pediu uma vez, que era dar vazão às minhas vontades. O seu pai já tinha me dito que talvez você não aceitasse vir pra cá agora, mas eu quis mesmo assim tentar. Não pra constranger você, mas porque eu sabia que a sua resposta, se fosse negativa, seria assim..., do jeito que foi. De um jeito que parece até que me disse sim.

— Meu Deus, como eu amo você! E não vejo a hora da gente dividir tudo. Eu não acredito que você conversou com meu pai sobre a gente.

— Com seus pais, na verdade. Eu fui até a casa deles aquele dia que eu sai pela manhã.

— Como assim! Me explica isso, e eles nem me disseram nada. – Rodrigo ficou realmente surpreso, não conseguia assimilar o quanto Luke avançou no tratamento de verdade. Meses atrás ele nunca iria até a casa dos pais para falar sobre os dois, nunca.

— Depois eu te explico, a gente precisa ir agora. – Lucas deu mais um beijo no namorado, indo em direção à porta.

— Sim, eu lembro. Afinal de contas, deve ter um banquete lá na minha casa. Incluindo aquele sorvete de maracujá, lembra?

***

— Gostei da resposta dele. Poderia ter sido bem pior, como por exemplo, ele fugir do teu apartamento falando que você não tem algum parafuso por propor isso com menos de um ano de relacionamento.

— Marcos, eu não sei quando você vai parar de usar todas as piadas possíveis sobre minhas atitudes quanto ao Rodrigo. Mas espero que algum dia isso aconteça.

Fazia mais ou menos uma meia hora que os namorados tinha chegado por ali. Rodrigo estava de fato muito feliz ao lado dos pais, que o mimavam a todo momento, ainda mais Marisa com suas comidas. Ela adorou conhecer Roberto, que juntamente com Clarissa, recebiam toda a atenção dos mais velhos. Lucas se divertia observando eles, ao mesmo tempo em que conversava em um canto mais afastado com o amigo.

—Talvez eu esteja morrendo de vontade de enfiar a cabeça na terra e nunca mais sair, já que você, os pais do meu namorado e a Solange sabiam da proposta que eu iria fazer e me olharam de um jeito cheio de expectativa quando cheguei.

— Lucas...

— Não, Marcos, eu estou bem. Eu entendi o que ele me disse. Eu só... queria...quero muito isso.

Ao ouvi-lo, Marcos não deixou de pensar que estava sendo algo muito bom. Claro que Lucas estava triste, mas essa convicção que ele tinha em relação a Rodrigo e o fato dele estar ali com eles e não escondido em sua toca, já era muito avanço.

— Mas é questão de tempo, você sabe disso.

— É, talvez...

— Como assim, talvez? Deixa de bobagem, o Rodrigo te ama.

— É, mas está fazendo 23 anos...

— Luke, não começa.

— Ele pode mudar de opinião daqui um tempo, isso não se pode negar, Marcos. Tem tantos relacionamentos que acabam assim, de um momento pro outro. Você mesmo já me apresentou algumas namoradas...

— Não tem nada a ver com a idade. O sentimento que une vocês é diferente de tudo que eu já vivi, nem se compara. Confia mais nele.

— Eu confio nele... É em mim que eu não confio. – A verdade é que o moreno sabia que ainda era uma pessoa inconstante, e talvez fosse ser para o resto da vida. Rodrigo tinha razão, deveriam esperar mesmo para tomar aquela decisão.

Marcos ia responder, mas não sabia o que poderia fazer naquele momento, então apenas continuou do lado de Luke, conversando sobre outros assuntos que pudessem fazer o moreno esquecer aqueles sentimentos que tentavam tomar conta de seu coração. Sabia que logo passaria, era uma questão de tempo. Lucas andava tão mais leve, que chegava a esquecer que ele ainda era o Lucas Mattos, o mesmo tão reservado e inseguro sobre tudo e todos, mesmo com o tratamento que andava encarando.

— Hei vocês, não vão comer nada? Não é porque esses três aqui parecem não ter comido nada o dia inteiro que eu me esqueci de vocês dois. – Marisa decidiu voltar sua atenção para os dois amigos. Tinha simpatizado muito com o amigo do genro.

— A gente já vai, Dona Marisa. O Lucas que fica me alugando aqui. Ele não come nada e fica me privando desse prazer. – Marcos disse isso já indo em direção à Clarissa, dando um beijo em sua testa, enquanto provava mais um dos salgados que estavam ali.

— Ele tem razão, não te vi provar quase nada. Não gostou do que a gente fez? A Solange me disse que tu gostaria... – Marisa parecia realmente preocupada. Ela queria sempre agradar.

— Desculpa, está tudo ótimo... eu apenas não estou com apetite. – Ele na verdade nem tinha lembrado que precisava comer.

— Mas está tudo bem? O Rodrigo está muito feliz com o que a gente organizou aqui. Obrigada, Lucas, por cuidar tão bem dele.

— Sim, está tudo certo. Mas eu nem fiz muita coisa. O sucesso da festa estão sendo as comidas que a senhora e a Sol fizeram.

— Sim, talvez. Mas eu sei que tu ajudou muito ele nestes dias, e também a organizar nossa estada aqui na cidade. Imagina, eu nem acreditei quando o Rô disse agora pouco que ficaríamos no teu apartamento. Eu nem sei se vamos, seria abusar demais. Eu disse pra ele que podemos ficar por aqui, apesar de ser pequeno.

Luke ficou surpreso ao ouvir aquilo, pois eles não tinha conversado sobre isso. Mas sentiu seu coração aquecer ao perceber que era um jeito de Rodrigo demonstrar a ele que realmente sentia que aquele era também seu lugar, apesar de não ir morar ainda por lá.

— Claro que não seria abuso algum, está tudo organizado. O Marcos já vai embora, então não tem problema. A senhora sabe, eu fiz mudanças por lá... vocês vão ficar confortáveis.

— Sim, eu sei, ele nos falou que tem até uma horta... E claro, me censurou por não ter dito nada pra ele sobre a visita que tu fez pra gente. Mas eu disse que nunca deixaria de honrar a promessa que eu fiz a ti de não contar. Além disso, tu que deveria falar pra ele.

— Sim, quando estávamos vindo pra cá ele me disse que puxaria a orelha de vocês por não contarem.

Marisa apenas sorriu, observando que o mais novo estava em meio aos amigos, mas por vezes, lançava olhares para o namorado. Ele estava sempre muito atento ao outro, e ela achava lindo.

— Ele te ama, Lucas. Demais. Ele nos contou isso agora pouco, mais uma vez. E eu nem sei se deveria estar falando isso, mas eu acho que tu precisa saber que ele não tem vergonha alguma do relacionamento de vocês. – Marisa usava, como sempre, seu tom maternal. – E ele também não tem nenhum receio. Apenas aprendeu que o tempo é o Senhor de tudo, e não quer atropelar as coisas. Vê-lo assim em meio aos amigos... isso foi uma conquista e tanta, ele sempre foi muito sozinho nesse sentido. Tu sabes. Éramos sempre eu e o Carlos com ele. E agora saber que ele tem amigos que respeitam o jeitinho que ele é nos faz muito feliz. E sabemos que tu tens papel fundamental nisso.

— Que isso, eu não fiz nada. Ele é um garoto muito especial. – Lucas sempre se sentia envergonhado quando elogiado.

— Sim, mas que nem sempre soube disso. Você fez ele ficar tão mais seguro de si. – Falou Carlos, que havia se aproximado sem chamar a atenção do genro e da esposa.

— Vocês realmente acham isso mesmo? Tem vezes que eu me sinto apenas forçando ele amadurecer de um jeito que talvez ele não precisaria se estivesse com outra pessoa. Hoje à noite mesmo, antes da gente vir pra cá, eu...

— Lucas – Carlos acabou interrompendo – O poderia não existe. Nosso filho te escolheu. E está muito feliz, o que nos deixa mais felizes ainda. Tu não sabes o quanto a gente fica tranquilo ao imaginar que caso ele precise de alguma coisa, qualquer coisa, tem alguém como você por perto. Foi muito difícil deixar ele vir pra cá. A gente não conseguia dormir direito até pouco tempo. Não é Marisa? Sossegamos mais ao perceber que agora ele tem tu, a Solange, e os amigos dele por perto.

Ouvir o sogro fez o moreno lembrar das coisas que Rodrigo disse a ele. O loiro tinha toda razão, por mais que os pais do namorado não tivessem sido contrários ao pedido quando foi falar com eles, no fundo eles deviam querer que o filho esperasse mais um pouco.

— Obrigado... eu...

Mas Lucas foi interrompido mais uma vez por Solange, que não se continha em estar na presença de tanta gente boa, que elogiavam os agrados que tinha preparado.

— Venham, vamos cantar parabéns pra esse moço. Acho que todos querem comer um pedaço desse bolo logo.

— Eu quero! Vim de tão longe apenas pra isso! – Marcos falou, enquanto recebia mais um sorriso de Clarissa. Ela adorava o bom humor do mais velho. E estava realmente apaixonada.

— Venham! Mãe, pai, Luke, quero vocês aqui do meu lado!

Lucas seguiu os sogros mais atrás, não queria atrapalhar de alguma forma o momento entre os três. Mas assim que se aproximou mais um pouco, sentiu a mão do namorado pegar a sua, enquanto os pais ficavam do seu lado esquerdo. Enquanto todos cantavam parabéns, Lucas não conseguiu desgrudar os olhos do loiro em nenhum momento, vendo que ao apagar as velas, o aniversariante fechou os olhos, como quem faz um pedido.

— Aposto que o pedido do Rodrigo foi para que o Lucas seja mais sociável nos momentos em família! Ele nem ao menos comeu a torta fria que a Dona Marisa fez. Que desfeita! – Marcos falou e piscou o olho pro moreno, ele seria sempre implicante.

Já Roberto ouvia aquilo sem saber se poderia rir ou não, afinal, Lucas era seu professor. E corrigiria uma prova sua em breve. Não queria parecer indelicado.

— Muito engraçado, Marcos. Ao menos eu não sou como você, que só falta levar as panelas da Solange pra casa sempre que vem pra cá.

Rodrigo apenas sorria, olhando Marcos e sabendo que ele falava essas coisas para fazer Luke ter alguma reação, já que ele era tão contido. E sempre dava certo.

— Saiba que não foi esse o meu pedido. E não vou contar. Mas tinha a ver com Lucas sim. – O loiro falou isso, e olhou nos olhos do namorado. – Contigo e com todo mundo que esteve aqui essa noite. Muito obrigado! Eu não imaginava que esse meu aniversário seria tão cheio de gente esse ano. – Algumas risadas foram ouvidas, já que o apartamento não estava nem perto de estar cheio. – É sério, sempre foi eu e meus pais. O que eu amava já! Mas ter vocês todos apenas somou ainda mais para que esse dia tenha sido tão especial, apesar da prova que eu tive hoje. Muito obrigado!

— Verdade, também acho! Tanto que vou até comer mais pra tirar a tensão daquela prova! – Roberto acabou dizendo, causando risos e piadas para Lucas.

— Eu não acredito que ele não facilitou na prova, nem por você querido. – Solange era muito simples, ela realmente acreditava quando eles falavam que Lucas era um professor carrasco.

— Tu está vendo, Sol? Muito malvado esse meu namorado... – E chegando mais perto do moreno, se sentindo tão feliz, Rodrigo não conseguiu segurar as próximas palavras. Ainda mais que já tinha falado com os pais assim que chegou – Na verdade, é mais adequado dizer que ele é tipo, meu noivo? É que não vai ser agora, e talvez não seja tão cedo, mas eu e o Lucas estamos pensando em morar juntos em breve. E eu queria que todos soubessem disso. Em breve, seremos um casal mais sério ainda. E eu estou muito feliz em poder compartilhar com vocês isso.

Roberto, que estava comendo mais um salgado parou de dar mais uma mordida no mesmo momento. Marcos apenas seguiu analisando o casal, porque isso era sempre muito engraçado, e Clarissa, a mais afoita, se jogou nos braços do loiro, e depois nos de Luke, desejando muito amor.

— Que lindos vocês dois! Parabéns, parabéns! – Clarissa estava encantada, enquanto Rodrigo apenas sorria com o jeito espoleta da amiga, e sentia Lucas ficar surpreso com o que tinha dito.

— Verdade, parabéns. Agora a gente pode cortar o bolo? Amanhã pela manhã eu vou sair cedo, e já percebi que valeu a pena ter vindo até aqui presenciar todos estes grandes momentos. – Marcos não cabia em si de alegria. Ele olhava o amigo, como quem diz “Viu, que bobagem? Uma hora as coisas vão ser como você sonha. Basta esperar.”.

— Claro, querido! Coitado, dessa vez vai ficar tão pouco tempo. Nem vai conseguir comer mais uma de minhas lasanhas.

— Solange! Eu também, em breve vou ir pra casa. Sentirei saudades da tua comida. – Exclamou Clarissa.

— Eita, Lucas. Quando esses dois casarem, você já sabe. Eles vão ir morar perto da casa da Sol. Tu vai perder a preferência. – Rodrigo falou, enquanto abraçava apertado o namorado.

— Não é má ideia, viu Rodrigo. Você já cozinha super bem, o Luke não vai precisar mais dela quando vocês morarem juntos. A proposta está de pé! – Marcos falou.

Ao ouvi-lo, Lucas ergue uma de suas sobrancelhas, e Rodrigo percebeu que era sinal que ele daria alguma resposta a Marcos. O amigo sempre provocava ele com esse assunto, pois sabia o quanto Solange se dedicava ao moreno e o quanto, no fundo, ele sentia ciúmes dela.

— Qual proposta está de pé, Marcos? A que você vai fazer pra Solange ou pra Clarissa? – Lucas não conseguiu resistir, pois sabia que isso deixaria o amigo sem palavras. E também queria provocá-lo, já que ele fez isso consigo durante a noite inteira.

Marcos ficou um tempo olhando o amigo, com um sorriso no rosto. Rodrigo apenas sorria, percebendo que os dois já deviam ter falado sobre a relação de Marcos com Clarissa, e Luke estava provocando o outro.

— Para as duas, Luke. Mas a Clarissa eu já sei que está apaixonada por mim e não vai me dizer não. Mas já a Solange, talvez eu ainda tenha que convencê-la a vir comigo, mas não vai ser difícil também.

— Deixa de ser convencido, Marcos! Quem te falou que eu aceitaria? – Clarissa estava ficando envergonhada, porque estava acostumada com as brincadeiras de Marcos, e essa devia ser mais uma. Mas não conseguia deixar de ficar com um frio na barriga.

Ao ouvir a mais nova, Marcos acabou dando um sorriso comedido, como poucas vezes Rodrigo tinha visto, mas que Luke conhecia como sendo a prova de que o outro estava nervoso. Lucas acabou abrindo um pequeno sorriso também, sabia que isso acontecia porque Marcos estava gostando de verdade da mais nova, apesar deles não terem um relacionamento de fato.

— Te odeio, Lucas! Eu vou levar a Solange comigo, você vai ver! – Marcos disse após um tempo, ignorando a pergunta de Clarissa momentaneamente.

— Se odiasse não tinha vindo aqui hoje.

— Você sabe que eu vim por causa de Rodrigo. Ele é o meu preferido.

— Vocês estão deixando o Roberto constrangido. – Rodrigo no fundo se divertia em ver o namorado tão leve após a conversa que tiveram.

— Está tudo bem, estou achando muito engraçado. Enquanto isso, aproveito pra comer mais esses salgados. Não vejo a hora de voltar pra casa. Agora no Natal pretendo comer tudo que eu ver pela frente quando chegar.

— Verdade, Natal! Minha mãe já me disse que não vê a hora de eu voltar pra casa. Faz tanto tempo que eu não vou, as passagens aéreas estão sempre tão caras. – Clarissa já estava com as malas prontas pra passar esse tempo com a família. Daniel tinha dado a ela férias, ainda mais que Rodrigo não se importou de tirar as suas depois que ela voltasse, já que não estava pensando em viajar.

— Nosso combinado do Réveillon está de pé, não está? Lucas, convidei a Clá pra ir naquela praia que a gente foi aquela vez, lembra?

Marcos perguntou, mas Lucas já estava mais uma vez submerso nos olhos de Rodrigo, enquanto o namorado respondia alguma coisa com toda sua calma aos pais. Marcos sabia que nem adiantaria continuar a conversa.

— Esse é o efeito Rodrigo... – Clarissa também percebia a mágica entre os dois. E chegando mais perto do outro falou mais baixo. – Sim, está de pé. Lá em casa a gente se reúne mais é no Natal. Então meus pais não ficaram chateados que eu fosse passar em outro lugar. Até porque, já combinamos os três de viajar depois.

— Que bom, você vai gostar, de verdade! Que sorte morarmos em cidades próximas... – Marcos achava realmente que tinha sido muito bom. Estava gostando muito de conhecer Clá. – E sobre o que Lucas disse, desculpa. Ele quis ser engraçadinho.

— Tudo bem, você estava merecendo isso, você vive pegando no pé dele.

— Mas eu vou fazer o que, é muito engraçado fazer isso! – E então ele abraçou a menina mais um pouco. Já sentia saudades de estar perto dela. – E também você não sabe, mas ele é muito mais calado do que anda sendo. Então ter ele reagindo a alguma coisa é fantástico. Eu estou muito feliz por ele, preciso agradecer o Rodrigo mais uma vez.

Clarissa sabia um pouco sobre a história de Lucas, mas Rodrigo nunca se aprofundou muito, porque era bastante discreto também.

— Eu entendo. E também me divirto com a amizade de vocês. Nesse mundo onde parece que as pessoas quando ficam mais maduras não demonstram muito seus sentimentos, percebo que com vocês é diferente. Aliás, esse é um dos pontos que eu adoro em você...

— Aé, quero saber mais sobre isso. O que mais você gosta em mim?

— Seu senso de humor. Sua generosidade. Ter vindo aqui apenas pra estar no aniversário do Rodrigo e ao lado de Lucas foi muito legal. E também... – E os dois ficaram na bolha particular que andavam também, sem perceber, construindo.

— Eu acho que o Marcos vai acabar se mudando pro sul daqui a pouco. Por que eles não estão namorando ainda mesmo? – Rodrigo perguntou ao namorado, enquanto analisava os amigos.

— Marcos está com medo, por causa da distância. Ele fala de mim, mas também teme, pela idade da Clarissa.

— Você dois são uns bobos...

— Bobos apaixonados. – Lucas fazia carinho no mais novo, mas ainda de forma muito discreta. Marisa e Carlos olhavam de longe, admirando os mais novos.

— Amor... como eu espero o momento que esse sorriso aqui – E Rodrigo colocou a sua mão perto dos lábio do moreno – Chegue aqui – E fez carinho nos olhos dele, que acabou fechando por uns momentos, sem saber o que responder, apesar de saber que o namorado não esperava de fato uma resposta.

Rodrigo sempre achou o olhar de Lucas triste. E ele se mantinha assim sempre, mesmo que ele tivesse tendo mais momentos para sorrir. Almejava muito ver o dia que o olhar do moreno brilharia mais para o mundo. Para que todos conseguissem enxergar o quanto ele era especial.

A noite transcorreu de forma leve, com Rodrigo admirando e comemorando seu novo ano de vida. Já Lucas, pediu algumas milhões de vezes ao Universo, durante a noite, que Rodrigo tivesse muitos e muitos outros aniversários na vida. E que por um golpe do destino, todos ainda ao seu lado.

Notas finais
O que acharam da resposta do Rodrigo? Como estão? Espero que bem! bjinhos, e obrigada! Agridoce ♥