Notas iniciais
Mais uma capítulo! Desculpem a demora e prováveis erros.

Ao chegar na sala dos professores, Lucas não conseguia acreditar no convite de Rodrigo. Após o último encontro dos dois, o moreno já estava conformado, não tinha a mínima chance de ter o loiro para si. Por isso, demorava pra acreditar.

Começando a guardar suas coisas, Lucas pensava que precisava ir com calma. Não podia começar novamente atacando o outro. O mais novo ter voltado a conversar com ele após terem se despedido daquela forma, já tinha sido um milagre e mostrava que talvez Rodrigo não odiasse ele tanto assim.

Quando chegou no estacionamento, Lucas encontrou o mais novo perto de seu carro. A grande maioria dos alunos já tinha ido embora, portanto, eles não corriam o risco de serem vistos, pensava o mais novo, enquanto via o professor se aproximar.

A verdade é que Rodrigo estava nervoso, não sabia o que conversar com o mais velho, mas sentia que precisa deste momento, assim como aconselhou Clarissa, pra perceber o que estava acontecendo entre os dois.

— Vamos? – falou Rodrigo, tentando ao máximo mostrar descontração.

— Sim, onde você pensou que podemos ir? Eu não conheço muitos lugares, se quiser a gente pode jantar lá em casa. – Lucas falou, mas se arrependeu no mesmo instante, ao perceber a expressão que o mais jovem fez.

A verdade era que Rodrigo queria sim descobrir o que estava se passando entre os dois, mas tinha medo de avançar demais. Ir na casa de Lucas poderia parecer que estava pensando nas diferentes possibilidades, e não estava.

— Acho melhor não… — acabou dizendo- Quer dizer, ouvi dizer que abriu um bar bem legal pelo centro, podemos ir lá, está aberto nesta hora eu acho.

— Você parecia tão escondido aqui neste estacionamento que por um momento imaginei que não queria ser visto comigo. Tem certeza que quer ir pra um bar? – Lucas falou isto com cara de desgosto.

O moreno havia percebido que o mais novo parecia estar escondido enquanto o esperava, e também olhava para os lados, parecendo querer ver se alguém estava prestando atenção nos dois. Isto o magoou de um jeito que não queria.

— Claro que não! Quanta bobagem. Se você não se importar, acho melhor a gente ir pra não ficar tarde. Eu vou te guiando pelo caminho.

Lucas após um tempo resolveu entrar e assumir a direção. Não estava mais tão empolgado assim para aquela noite.

***

Quando chegaram no bar, Rodrigo escolheu uma mesa de canto, no espaço superior, que era possível ter uma visão privilegiada da cidade. Enquanto esperavam seus pedidos, ele contava para Lucas sobre algumas coisas do município, e o outro parecia bem interessado.

Depois emplacaram em assuntos sobre jornalismo, a carreira de Lucas e o que Rodrigo pretendia quando se formasse. O mais velho ficou mais interessado ainda no loiro, que lhe pareceu um rapaz interessado e que sabia o que desejava

— Então o Daniel me disse que quando eu tiver mais experiência com a máquina ele vai deixar eu assumir um dos trabalhos externos, estou bastante ansioso. – terminou Rodrigo de contar um pouco de sua vida, deixando o lado mais pessoal de fora.

— Teu futuro em minhas mãos, que ironia... – disse Lucas com ar zombeteiro, olhando bem nos olhos de Rodrigo. O mais novo não teve tempo de responder, pois, os pratos chegaram bem nesta hora.

Enquanto começavam a comer, ele percebeu que Lucas estava bastante reservado, apesar de falar gracinhas como esta. Era alguém bem diferente do dia da festa e da noite que lhe deu a carona.

— Então, está gostando da cidade? Sua família conhece a cidade? — tentou conseguir uma informação qualquer do professor.

Rodrigo tinha sugerido o encontro justamente para que os dois se conhecessem mais, e também para que aquelas sensações que sentia quando estava perto do misterioso Lucas deixassem de existir. Mas pelo visto, não era o que iria acontecer.

— Sim, estou gostando da cidade, as pessoas têm sido bem agradável. — Lucas acabou respondendo, mesmo que um pouco impaciente.

O moreno era muito reservado, como se sua vida pessoal não fosse do interesse de ninguém. De fato, talvez não fosse, mas o olhar que ele tinha fazia o mais novo querer saber mais, mesmo não entendendo os motivos. Ansiava por ouvir o mais velho falar sobre algo que fosse além de sua vida profissional. Ele não tocou em nenhum momento no nome de alguma namorada… ou namorado. O loiro estava achando estranho.

— Mas...

— Rodrigo... acho que você não me convidou pra vir aqui pra ficar me perguntando o que estou achando do clima, não é? Muito menos pra colocar conversa fora, já que no dia que eu tentei levar você pra casa, mal conversou direito comigo – Lucas já estava ficando irritado com aquilo tudo. Precisava manter a paciência, havia prometido a si mesmo, mas era difícil porque seu coração estava batendo muito forte apenas em ver o mais novo respirar, ao mesmo tempo em que sentia ele distante.

— Não, não foi pra isto, você está certo. Na verdade eu queria apenas deixar as coisas bem claras entre nós. No dia da festa quando você... quando nós nos beijamos... Enfim, quero entender o que aconteceu. – Rodrigo não sabia o que falar, pois sentia o mais velho incomodado.

E ele realmente estava. Lucas esperava que o assunto não fosse agradar, mas a fala de Rodrigo o deixou muito irritado. Mas no fundo, sabia que era muito mais que isso. Na verdade, ele estava triste. Se sentia renegado… sentimentos que sempre estiveram presentes em sua vida.

Dobrando o guardanapo umas três vezes, o moreno olhou para os lados, tomou um pouco de água e resolveu falar tudo que estava sentindo, já que sentia que poderia explodir em qualquer momento.

— O que aconteceu? Aconteceu Rodrigo que eu sou gay, vi você perdido no meio da festa, fiquei interessado e resolvi beijar você, é assim que normalmente as pessoas agem nas festas. Desculpa se eu te ofendi de alguma forma, desculpa ter feito você passar vergonha, desculpa estar aqui com você agora neste lugar, falando com esse tom e chamando a atenção. – parou um tempo para respirar, tentava se acalmar – acho melhor a gente ir embora. – falou isto e fez menção de chamar o garçom, porém, Rodrigo o deteve, segurando seu braço.

O loiro estava em choque com aquilo que tinha escutado o mais velho dizer. Ele normalmente era muito comedido com o que dizia, e ouvi-lo fez sentir algo diferente, por mais que percebesse que ele estava irritado.

O mais novo já tinha dito para si mesmo que não estava agindo assim por ter preconceito, mas será que não era mesmo? No fundo, tinha percebido que a presença do moreno causava nele emoções diferentes. Além disso, não achava que os dois deveriam ficar juntos, mas eles tinham conseguido estabelecer um diálogo aquela noite.

Fazia tempo que não tinha alguém pra conversar sobre certos assuntos, sobre sua carreira, sonhos profissionais, os aprendizados que estava tendo. Seus colegas não pareciam entendê-lo, às vezes pensava que por terem tido uma criação diferente, já que crescer no interior não era a mesma coisa que estar acostumado com a cidade.

Pensando sobre estas coisas o loiro nem percebeu que sua mão ainda estava no braço de Lucas, que olhava pra ele de um jeito questionador. O moreno queria sair logo dali, aquele garoto estava brincando com ele. Sempre foi tão experiente, porque estava se sujeitando aquilo?

Rodrigo ao perceber que mantinha o contato puxou o braço ligeiro

— Professor, olha, desculpa se eu te fiz sentir assim, é que poxa, você me deixa confuso. – admitiu Rodrigo.

— Eu já disse pra você me chamar de Lucas. E se eu te faço sentir assim, por que me chamou pra conversar?

— Não sei, acho que pra tentar entender isto tudo. Olha, eu não tenho preconceito nenhum em relação a você. Eu não sou gay – disse isto um pouco relutante, com medo de alguma forma ofender o outro – Mas eu acho que a gente pode ser amigo. O que você acha?

Lucas ficou sem saber o que responder. O loiro sempre mantinha uma postura distante, apesar deles conversarem sobre diversos assuntos. Não esperava que depois das coisas que tinha dito nesta noite ele fosse propôr algo como aquilo.

Por mais que já tivesse percebido que queria muito mais, já que desejava ter ele pra si.

— Ontem eu vi você junto com uma garota... ela é sua namorada? – fez a pergunta, pois não sabia o que responder. E também estava curioso, o loiro não tinha citado ela em nenhum momento.

—Não, eu não tenho namorada. – Rodrigo parecia confuso ao ouvir a pergunta. – Ah sim, ontem eu estava com a Clarissa, somos amigos, trabalhamos juntos na agência.

O coração de Lucas mais uma vez acelerou naquele momento, mas ele não respondeu ao que o loiro tinha dito. Permanecia calado, nem mesmo tocando na comida quase intacta em sua frente.

— Mas então, podemos ser amigos? – perguntou novamente Rodrigo, sem demonstrar muita urgência na voz.

“Por que não?” Lucas se perguntava, ao fixar seus olhos no mais novo. Ele sentia que talvez não fosse uma boa ideia, mas também sabia que não seria capaz de negar a chance de ter o menor contato que fosse com o mais novo.

— Rodrigo, deixo claro aqui que eu tenho interesse em você. Mas eu sei respeitar isso. Eu prometo não reagir da forma que eu agi agora pouco, até porque eu nem tenho esse direito. Desculpa… – Ele realmente sentia pelas coisas que tinha falado. Não queria assustar o loiro – . Também acho que nós dois temos muito o que aprender um com o outro, então sim, podemos ser amigos – Lucas concluiu, ao mesmo tempo em que tentava não demonstrar que se sentia impaciente, já que estava acostumado com relações mais maduras, não com estas, que as coisas precisavam ser estabelecidas ou combinadas.

Mas não adiantava, queria ser o melhor pra Rodrigo, mesmo que não pudesse ter ele pra si.

Além disso, o sorriso do loiro bastou para que Lucas tivesse certeza de sua escolha. Esperava apenas não sofrer mais tarde com aquilo, sua vida já era tão vazia, tinha medo do buraco que ficaria caso não tivesse mais contato com Rodrigo.

Após algum tempo, onde o mais novo terminou de comer e Lucas apenas fingiu ter se alimentado um pouco, já que estava muito ansioso e não conseguiria comer nada, os dois foram embora, afinal era quarta-feira e no outro dia Rodrigo tinha que acordar cedo.

Desta vez ele permitiu que Lucas o levasse até em casa. Ao chegar em frente ao prédio de Rodrigo, o moreno esperou que o loiro saísse do carro, após um tempo dos dois em silêncio. Rodrigo pensava em como era estranho lidar com alguém tão quieto e reservado assim. Ele imaginou que depois dessa noite Lucas ficasse talvez mais comunicativo.

— Então é isto, boa noite. A gente se vê amanhã lá no campus?

— Aham, acho que sim... – Lucas respondeu no automático, mas em seguida decidiu colocar pra fora algo que lhe ocorreu – Rodrigo, a gente pode marcar alguma coisa no fim de semana? – Ao acabar de falar, o moreno já se arrependeu. Tinha medo que ele entendesse que estava com segundas intenções

Rodrigo ficou surpreso ao ouvir a pergunta, ainda mais que o mais velho parecia estar querendo ficar sozinho do que ter companhia com aquele silêncio todo.

— É claro, podemos combinar. – Rodrigo se ouviu dizendo. Ele tinha proposto que eles fossem amigos, mas imaginou que seria uma relação que aconteceria na Universidade mesmo, apenas um jantar ou algo assim.

Por mais que Lucas tivesse dito que não forçaria ele a nada, não saberia lidar caso alguma coisa nesse sentido acontecesse.

— Me disseram que a praia daqui, apesar de não ser muito própria para o banho, e estar muito frio, é linda. – Lucas ficou tão empolgado com a afirmação que decidiu seguir falando. – Fiquei com vontade de conhecer, o que você acha?

— Posso confirmar na sexta- feira?

— Sim – Lucas se sentiu como um balão esvaziando assim que ouviu aqui. Era claro que ele tinha confirmado apenas para não parecer indelicado. Ele não aceitaria, tinha certeza disto. Por que não ficou quieto na sua?!

— Ok. Boa noite então, tchau. – E saiu do carro.

Lucas esperou que Rodrigo entrasse no prédio e saiu. Estava sentindo muitas emoções, como se tivesse algo nas mãos, mas não pudesse utilizar aquilo. Quando chegou em casa, enquanto se arrumava pra dormir, percebeu o quanto estava cansado.

Mas mesmo assim acabou dando uma olhada nas redes sociais de Rodrigo e acabou adicionando. Em menos de 10min. o mais novo o aceitou, e Lucas constatou que ele realmente era um garoto reservado, não tinha fotos em festas como a maioria dos jovens hoje em dia, mas parecia ter um carinho enorme com a família.

As fotos com os pais ocupavam a maioria das postagens, e ao perceber isto, Lucas mais uma vez lembrou do vazio existencial que carregava. Ficava feliz que Rodrigo tivesse este tipo de relação em sua vida.

De um jeito meio bobo, sua noite foi assim, olhando as fotos do mais novo e pensando no quanto estava feliz por aquela noite e pelo tempo que passaram juntos. Não queria enganar seu coração, e também não queria ficar pensando em possibilidades que nunca aconteceria.

Mas esperava apenas que Rodrigo não se arrependesse de ter proposto a amizade.

Notas finais
Quem estiver lendo e quiser dar dicas, fique a vontade! Até o próximo!