Aprendendo - Hiccstrid
1 Aprendendo
Tudo estava bem no Domínio, graças aos deuses o último ataque de Dagur e dos Caçadores tinha sido frustrado, mesmo que a muito custo, e Astrid pensava que devia muito dessa vitória a Cabeça Dura. Isso não mais a incomodava tanto como a princípio, mas algo ainda a inquietava nessa história toda, a maneira como tudo começou. Não conseguia esquecer as palavras de Cabeça Quente soltando em cima dela seu desabafo de que ela não respeitava ninguém ali e não conseguia tirar da cabeça que em parte, ou inteira, ela estava certa.
E ainda mais, se voltasse mais um pouco para o início real da história, tudo começara com Soluço a deixando no Domínio sozinha com os gêmeos. Não conseguia parar de pensar que era uma maneira dele a punir pela mentira em relação à Heather, mesmo com o pedido de desculpas* da noite anterior.
Já era noite, e Astrid estava sentada num dos penhascos do Domínio. O céu dali era lindo, e a lua encostando no mar ao horizonte era encantador. Ela nunca se cansaria daquela paisagem. Mas, infelizmente, naquele momento, não lhe trazia a paz costumeira, seu coração estava pesado. A culpa se fazia presente cada vez que ela pensava em suas ações dos últimos dias. Suspirou.
Tempestade sentindo a tristeza da companheira empurrou seu focinho no braço dela.
— Ah, menina! O que tem de errado comigo? — perguntou a dragão que recostou a cabeça em seu colo. Astrid passou a acarinhá-la.
Minutos depois ela sentiu o vento do bater das asas de Banguela soprar atrás de si. Indescritivelmente, por um segundo, um alívio lhe percorreu o coração. Tempestade levantou de pronto a cabeça e logo foi em direção ao amigo.
— Boa noite, milady! — ela virou a cabeça a tempo de ver Soluço descer do dragão e vir em sua direção. — O que faz aqui sozinha? Te esperamos para o jantar.
— Mesmo? — ela tornou a olhar para o horizonte. — Esperaram?
— Sim. — ele estreitou os olhos e sentou-se ao seu lado. — Por que a pergunta?
— Bom... nada!
— Hmhm! Nada?
Ela sentiu os olhos dele queimando em sua face, mas não se atrevia a encará-lo.
— Estou sem fome. Além do mais já está quase na hora da patrulha e...
— Que não é sua hoje. É do Melequento.
— Ah é. É verdade. — ela baixou os olhos.
— O que está havendo, Astrid? — ele tocou de leve a mecha de franja de seus cabelos que ela deixava solta.
Ela suspirou.
— Me responde uma coisa com sinceridade?
— Claro.
Suspirou novamente e virou-se para ele.
— Por que me deixou para trás com os gêmeos?
Soluço estreitou os olhos, confuso. Não esperava aquilo. Não esperava que ela tivesse ficado tão magoada. Já tinha explicado varias vezes.
— Astrid, eu... eu já te disse, a Tempestade não tinha armadura contra as flechas dos Caçadores. Não tinha outro jeito de protegê-la se fossemos atacados...
— Foi só por isso mesmo? — os olhos dela estavam intensos e brilhantes e aquilo o assustou um pouco.
— É claro. O que está passando nessa cabecinha, hein? — ele afastou de leve a franja de seus olhos.
— Você realmente me perdoou por causa daquela história com a Heather?
Soluço a viu engolir em seco, percebendo que aquilo realmente era um problema pra ela.
— Astrid, mas é claro! Eu te disse pra esquecer isso, não disse?
— Disse, mas... — ela se sentiu corar. — Quando você me deixou aqui no dia seguinte, eu não consegui deixar de pensar que era por isso. Por você ainda está magoado comigo. — ela baixou os olhos.
Soluço carinhosamente levantou seu queixo, a fazendo olhá-lo.
— Astrid, por favor, é por isso que está assim? — ela tentou baixar os olhos novamente, mas ele a impediu. — Se for, por favor, pare. Eu a deixei aqui para protegê-la, apenas isso. Não vamos voltar a essa história — ele a soltou. — Isso já passou.
— Eu te magoei, não foi?
— Isso já passou. — ele repetiu, começando a se por nervoso. — O que há com você? Você não é assim!
— Pois é Soluço, mas... — ela levantou-se. — Eu sinto que venho magoando todo mundo ultimamente.
— Do que está falando? — ele levantou-se também.
— O que aconteceu com a Cabeça Quente, as coisas que ela me falou e...
— Sim, eu soube que tiveram uma briga. Mas, também vi que se desculpou, então...
— É exatamente isso, Soluço! Sinto que tenho que ficar me desculpando o tempo todo, e não estou gostando disso.
— Ué? Não é você mesmo que diz que é melhor buscar perdão que pedir permissão?
— Mas...
— Essa é você, Astrid! — ele tocou seu ombro.
— Essa? — ela virou-se para ele. — Essa que vive machucando os amigos?! Não é essa que eu quero ser.
— Não! Não é isso. — ele aproximou-se novamente. — Astrid... — Soluço suspirou. — bem, eu gosto de você do exato jeito que você é — ele lhe segurou as mãos. — Mas, se tem algo te incomodando, por você e apenas por você, pode tentar mudar isso.
Ela deu um meio sorriso.
— Sério?
— O que?
— Gosta de mim desse jeito?
— É claro! — ele lhe acarinhou o rosto. — É a minha Astrid. É assim que eu reconheço você.
O sorriso dela se alargou e então se jogou em seus braços, sentindo o coração arremeter com força no peito. Ficou ali o quanto pôde sentindo o carinho dele em seus cabelos.
— Mas, eu mandei mal com os gêmeos. Tenho que entender que é o jeito deles. — sentiu a necessidade de dizer, pois só assim se sentia um pouco mais digna do carinho de alguém tão especial quanto Soluço.
— Já se desculpou? — ele afastou-se para olhá-la, ela fez que sim com a cabeça. — Então tenha certeza absoluta que eles já esqueceram. Como eu disse, estávamos te esperando pro jantar. Todos nós.
Ele prendeu uma das mechas dos cabelos dela atrás da orelha e ela não mais suportando está tão próxima dele com o coração aos pulou o beijou. Os beijos deles ficavam cada vez melhores. "A prática leva a perfeição" ela sorriu o fazendo sorrir também, se dependesse dela não deixariam de praticar nunca.
Apertou a mão em sua nuca se colando ainda mais a ele, e sentiu Soluço beijá-la com ainda mais afinco. As pernas delas tremeram. Enquanto borboletas dançavam em seu estômago.
— Como consegue me aturar? — ela perguntou, murmurando rentes os lábios dele, quando precisaram de ar. — Às vezes eu acho que só você consegue.
— Acredite, não é um sacrifício tão grande assim. — ele voltou a beijá-la dela com vontade, comprovando ainda mais a teoria de Astrid que ficava cada vez melhor. — Além do mais, não sou só eu... — continuou quando se afastou dos lábios dela e colou suas testas. — O Peixe adora você, os gêmeos, bem, são os gêmeos e o Melequento... — ele abriu os olhos e a mirou. — digamos que ele daria qualquer coisa pra está no meu lugar nesse momento.
Ela sorriu meio maliciosa, colando-se ainda mais a ele se é que era possível.
— Nem em sonho.
Ele sorriu e beijaram-se novamente. Estava ficando cada vez mais difícil controlar o que sentiam. Eram amigos. Amigos que se beijavam? Estava claro que sentiam algo mais do que simples amizade e precisavam esclarecer isso. Mas, pareciam que teriam que esperar. A guerra com os Caçadores era eminente demais para colocarem tudo em risco agora. Mas, Astrid sentia que muito do que precisava estava com ele e estaria sempre.
— Vem — Soluço afastou-se de repente. — Vôo noturno a luz da lua. — ele pigarreou — É refrescante!
Ela sorriu entendendo e o seguiu até os dragões.
E enquanto voava nas asas de Tempestade sentiu-se livre como sempre, com Soluço ao seu lado sentiu-se leve e entendeu que era simples. Astrid sabia que jamais mudaria sua essência, mas Soluço tinha razão ela podia tentar mudar o que a incomodava para se sentir leve. Leve como ele sempre a fazia sentir. Podia aprender com ele. Soluço carregava o peso de liderar o Domínio e fazia isso com uma maestria que parecia ser fácil, mas ela bem sabia e sentira o quanto era complicado, o admirava mais por isso. Cabeça Quente disse que ela não os respeitava, mas Soluço mesmo sendo o líder fazia isso. Então entendeu, precisava aprender. Apreenderia com ele e sabia que tudo ficaria bem.
Notas finais
Gente, eu estou conseguindo escrever mais ou menos os meus delírios com HIccstrid, não estou ficando totalmente satisfeita, mas amo muito esse casal e quero continuar escrevendo.
Quero opiniões, please...
Grande beijo e até a próxima!
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