Aprendendo Com A Vida!

9 Capítulo 9 - É tempo de Comemorar.


Notas iniciais
Fala galera.. Capítulo 9 aí pra vocês. Demorou menos pra sair do que o 8 hahahaaha. Bom espero que gostem. Preparem em muitas dúvidas começam a se formar. Não percam. Abraços e beijos ;D

"Tudo o que você sempre vai ser é uma memória desbotada de um valentão.

Faça outra piada enquanto eles penduram outra corda, tão solitário

Empurre-os para a sujeira até as palavras não machucarem. Você pode me ouvir?

Ninguém vai chorar no dia que você morrer, você é um valentão..." (Bully — Shinedown)

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Enquanto caminhavam de volta para casa, Virgil contou para Gus como havia sido sua noite anterior. Desde o momento em que saiu que chegou em casa após o parque, até o momento em que levou Emily na porta.


– Quer dizer que você não vai no baile e mesmo assim termina com a garota? — Indagou Gus com o ar brincalhão de sempre. — Não faz o menor sentido.


– Vai entender. Essas coisas acontecem. — Sorriu Virgil.


– É brincadeira cara, fico feliz que as coisas estejam começando a fluir pra você. Eu disse, as coisas acontecem na nossa vida no momento certo. As vezes não é como queremos, mas é como precisa ser. Quem poderia imaginar que justamente no dia do baile, do qual você não foi porque não tinha uma par, aparece uma garota, diferente de todas aquelas que você já tinha conhecido, e bem dentro da sua casa. Te concede uma dança, e quase te beija. É muito coisa do destino. Ou bruxaria depende do ponto de vista não é. — Finalizou Gus com uma piada.


– Você não consegue falar sério por muito tempo não é mesmo. — Riu Virgil, empurrando seu amigo. — Ela é incrível, não consigo parar de pensar nela cara. Ontem a noite foi... Mágico, não tem uma palavra que descreva melhor esse sentimento.


– E quando eu vou conhecer a garota que fez o mundo de Virgil West virar de cabeça para baixo?


–Se quiser pode vir comigo até a casa dela para buscar as cosias que minha mãe pediu.


– Com certeza. Essa eu não posso perder.


Os dois seguiram para seu bairro. Ao invés de irem direto para casa dos Evans, eles decidiram passar em suas casas para deixar a bola de basquete e para que Buddy pudesse descansar. Ao chegarem lá Gus correu pra casa e Virgil foi deixar o cachorro.


– Nos vemos aqui em cinco minutos ok? — Disse Virgil.

– Tranquilo. Eu não demoro.

Virgil entrou em casa, tirou a coleira de Buddy pendurando-a em no local específico. Ele foi até a cozinha procurando sua mãe para perguntar o que exatamente ele deveria buscar na casa de sua amiga, porém ela não estava lá. Ele subiu para os quartos para a sua procura. A porta do quarto de sua mãe estava entre aberta. Ele ia entrar sem bater como sempre fez, porém quando ele ia encostar na maçaneta ele ouviu a risada de sua mãe, olhou pela fresta e viu seu sorriso, lindo como a muito tempo não via. Ela estava falando ao celular, não parecia ser uma ligação de negócios, então Virgil não se incômodo tanto em interromper. Deu três batidas na porta e a empurrou adentrando no quarto. Christine enrubesceu, desconversou com a pessoa que estava na linha e por fim desligou.


– Virgil! Que surpresa, eu não ouvi você filho. — Disse Christine, ela agia de maneira muito estranha, como se escondesse alguma coisa.

– Desculpe mãe, eu não quis te assustar. Eu só vim saber o que exatamente eu tenho que pegar na casa da Emi... Quer dizer dos Evans.


– Nada em específico, só alguma comprinhas que eu pedi para Sarah, a essa altura ela já deve ter deixado separado, basta ir lá e pedir as minhas compras e ela saberá o que fazer. — Explicou sua mãe, parecendo ainda um pouco nervosa.


– Está tudo bem mãe? Você parece meio preocupada? — Perguntou Virgil desconfiado.


– Eu? Imagine meu filho, isso é impressão sua. Agora vá buscar as coisas e não se demore porque eu já vou preparar o almoço.


Virgil ainda desconfiava que algo estava diferente, sua mãe estava agindo de maneira muito estranha. Mas como ela sempre lhe dava o benefício da dúvida, resolveu fazer o mesmo.

– Tudo bem então, eu não me demoro mãe. — Disse ele descendo as escadas, e quando estava na porta pode ouvir sua mãe dizendo um “até já filho!”. Estranho. Ele deixou água fresca na vasilha de Buddy e abasteceu a outra com comida, em seguida saiu para encontrar com Gus, que já estava esperando por ele sentado na calçada.


– Por que demorou tanto? — Gus quis saber.


– Nada demais, só uma conversinha com a minha mãe. Ela parecia tão... Estranha.


– Estranha como?


– Não sei explicar. Parecia que ela estava escondendo alguma coisa, ou algo do tipo. — Virgil tentou pensar na cena novamente, mas por fim resolveu afastar aqueles pensamentos de sua cabeça. — Mas pode ter sido mesmo só impressão como ela disse, nada pra eu me preocupar.


– Assim eu espero. E ai, pronto pra me mostrar a futura senhora Virgil West? — Debochou Gus.


– Calado! — Disse Virgil empurrando o amigo.


Depois disso eles se dirigiram para a casa dos Evans. Ao chegarem lá Virgil havia começado a ficar meio nervoso. Um tanto quanto impaciente. Suas mãos começaram a suar, e quando ele ia tocar a campainha exitou.


– Você vai tocar a campainha ou quer que eu toque? — Disse Gus atrás dele.


– É claro que vou tocar, eu só estou um pouco... — Gus o interrompeu.


– Nervoso? Apreensivo, com medo de estragar tudo? Tenho mais algumas opções se você quiser.


– Obrigado Gus, é sempre bom poder contar com você. — Disse Virgil, abrindo um sorriso torto.


–Apenas toque a campainha cara.


Virgil bufou. Por fim, tomou coragem, respirou fundo e tocou a campainha. Após alguns minutos começou-se a perceber os movimentos de chave na porta. O coração dele disparou, ele não sabia exatamente o que esperar. E se não fosse Emily que abrisse a porta, ou pior, e se fosse? Ele tinha medo de estar tudo. Depois de apenas um dia com uma garota incrível ele tinha medo de que suas atitudes colocassem tudo a perder. O tempo parecia passar em câmera lenta. Aqueles cinco segundos que a porta demorou para se abrir pareciam uma eternidade. Quando a porta se abriu lá estava ela. Emily usava uma camiseta branca simples, porém justa realçando suas curvas, estava usando um jeans surrado e calçava duas pantufas de patas de tigre. Seu cabelo castanho levemente cacheado nas pontas estava preso em um rabo de cavalo. Quando ela viu Virgil seu sorriso lindo e largo apareceu. O que completava todo o pacote de qualidades eram seus olhos. Seus lindos olhos verdes, que pareciam duas esmeraldas cintilavam, deixando o garoto totalmente hipnotizado. Apesar de Emily estar usando um visual bastante despojado — como deve ser uma simples roupa de domingo — Virgil não conseguia evitar ter esse tipo de reação. Ele foi despertado de seu transe quando ouviu a voz meiga de Emily chamar seu nome.


– Oi Virgil, que surpresa! — Disse ela sorrindo


Virgil demorou um pouco pra poder assimilar o que ela havia dito, mas respondeu por fim. — Olá Emily. É bom te ver de novo. — Seu tom estava saindo um tanto quanto formal e quando percebeu, torceu para na estar enrubescendo.


–Obrigada, é bom te ver também. Quem é seu amigo?


–Ah claro! Me desculpe é Gustavo Detwiller. É meu vizinho da frente e também meu melhor amigo.


–É um prazer te conhecer. — Disse Gus, estendendo a mão para cumprimentá-la.


– Muito prazer Gustavo. — Respondeu ela apertando a mão do garoto.


– Ei não precisa de formalidades, pode me chamar de Gus.


– Ta legal, Gus. — Respondeu Emily. Os três deram uma breve risada devido aquela situação, e então ela continuou. — O que posso fazer por vocês meninos?


–Nós viemos buscar umas compras pra minha mãe. — Explicou Virgil.


– Ah sim, eu ouvi minha mãe dizendo algo a respeito. Eu vou lá dentro perguntar pra ela onde está a sacola de compras, gostariam de entrar pra esperar?


– Não tudo bem, não posso me demorar. Minha mãe começou a preparar o almoço e ela vai ficar uma fera se eu me atrasar. Depois do meu pequeno atraso ontem, acho melhor eu não irritar minha mãe por um bom tempo. — Disse Virgil, feliz por estar conseguindo se soltar um pouco.


– Você tem razão. — Emily sorriu. — Bom então esperem um pouco, eu não me demoro.- Disse ela por fim, entrando em casa e encostando a porta.


Virgil olhou para Gus atrás dele, que estava com a mão sobre a boca rindo um bucado


– Dá pra você parar!


– Parar com que? — Debochou Gus.


– Pare de dar risada. Afinal por que é que você esta rindo? — Indagou Virgil, sentindo seu rosto corar.


Gus ia responder, porém pigarreou avisando o retorno de Emily. Virgil virou-se de súbito, e abriu um sorriso um tanto quanto nervoso. — Prontinho, aqui está a sacola de compras da sua mãe. — Disse a garota, saindo pela porta com a sacola nas mãos.


– Obrigado mesmo, e desculpe pelo incomodo. — Virgil ainda parecia sem jeito. Aquela sensação estava sufocando ele.


– Imagine, não tem problema nenhum, afinal somos vizinhos, não tem o por que de não nos ajudarmos não é mesmo.


– É verdade. Bom nós já vamos indo, não quero ter mais problemas com a minha mãe. Mais uma vez obrigado, e agradeça sua mãe por mim. — Disse Virgil começando a se despedir.


–Não tem problema. Até logo Virgil, nos vemos mais tarde? — Disse ela com sua voz macia.


– Cl... Claro, eu vou adorar. — Mais uma vez ele temia ter parecido mais empolgado do que gostaria de demonstrar.


– Combinado. Até logo Gus, foi um prazer te conhecer. Espero que possamos ser bons amigos. — Emily tinha aquele dom de fazer qualquer pessoa sentir-se bem ao seu lado.


– O prazer foi todo meu. E com certeza nós seremos grandes amigos. — Gus olhou para Virgil e depois riu sozinho, voltou-se para Emily e despediu-se.


A garota entrou em casa e os dois começaram a retornar para a casa de Virgil. Gus ria até perder o fôlego.

– De novo, posso saber o que é tão engraçado?


– Cara! Você ta caidinho por ela. — Gus não conseguia conter a risada.


– Pare com isso. Não é tanto assim. — Virgil começou a corar novamente.


– Claro que é, você fala todo ‘manço’ quando esta perto dela, além do mais as duas vezes que ela saiu na porta, seus olhos se encheram de brilho.

– A qual é cara! — Dessa vez Virgil não conseguiu esconder a vergonha. Sentia as maçãs de seu rosto queimarem.


Gus se aproximou do amigo e passou o braço em torno de seus ombros. — Relaxa, isso não é ruim. Ela é realmente muito bonita, e parece ser uma garota legal, e não esquenta com as brincadeiras, afinal eu sou melhor amigo, e estou aqui pra te zoar. — Ele riu do próprio comentário, mas depois continuou. — Mas falando sério espero de verdade que tudo de certo, ao que parece vocês parecem estar em uma mesma sintonia. Mas só o tempo dirá não é.


– Obrigado Gus, significa muito vindo de você.


– Não tem problema. E então, já posso cantar a musiquinha?


– Qual musiquinha? Por favor não estrague esse momento — Sorriu Virgil.


– Essa musiquinha: “Virgil e Emily, sentados em uma árvore. Eles se beij...” — Virgil o interrompeu, empurrando pra longe de si.


– É melhor você ser rápido, porque se eu te pegar, você será um cara morto. — Ele arrumou o saco de compras em um braço só e se preparou pra correr.


– Ops, já fui. — Gus correu pra casa sendo perseguido por Virgil. Pareciam duas crianças brincando de pega — pega, mas era esse tipo de situação que fazia dos dois melhores amigos.


O resto do dia passou com certa normalidade. Virgil chegou em casa com as compras de sua mãe, eles almoçaram e seguiram o dia. Mais tarde, os Evans foram até as casa dos West, dessa vez só Emily e Sarah foram até lá. Eles tomara um gostoso lanche por volta das cinco da tarde. Virgil e Emily conversaram bastante, trocaram telefone, assim puderam ir se conhecendo melhor. Cada momento junto com a garota era único. Virgil jamais tinha gostado de alguém. Na verdade quando ele estava no primário se interessou por uma garotinha, mas ambos eram muitos pequenos naquela época pra entender de verdade o que era aquele sentimento. Além do mais, com ele e sua mãe mudando de cidade tantas vezes não era possível formar relações mais íntimas com ninguém. Por volta das oito da noite as Evans foram para sua casa. Tinha sido um ótimo dia , e estava chegando a hora de encerrá-lo, afinal no dia seguinte seria o último dia de aula. Ele não podia acreditar que havia concluído aquele ano em um mesmo local. Pela primeira vez Virgil achava ter encontrado um lar, um lugar que ele sabia que se um dia fosse em bora, valeria a pena voltar e esse lugar era Bellevue.


No dia seguinte, ele se levantou esperançoso. Era um dia pra se comemorar. Virgil tinha certeza que havia passado em todas as matérias, e além disso tinha sido um ano incrível. Ele ainda estava na mesma escola, sua mãe não mencionara em nenhum momento planos de se mudar, tinha feito ótimos amigos, e se tudo desse certo, até conseguiria uma namorada, ele não poderia pedir uma vida melhor. Fazia muito frio naquele dia, então Virgil colocou uma calça de moletom preta, usava cerca umas duas meias e então seu tênis branco. Colocou seu casaco de neve vermelho e um gorro preto, pegou sua mala e então desceu. Na cozinha Christine já estava terminado de tomar seu café, estava com sua roupa de trabalho, até mais arrumada do que o normal.


– Bom dia meu filho, você dormiu bem? — Disse Christine, levantando da mesa e colocando sua xícara vazia na lava louça.


– Bom dia mãe, dormi sim e você? — Respondeu Virgil indo até a mãe e dando-lhe um beijo no rosto.


– Dormi maravilhosamente bem.


– Nossa! Por que toda essa alegria logo de manhã? — Estranhou o garoto.


– Nada em especial filho. Apesar que você deveria estar feliz, estamos quase a um ano aqui. — Novamente Christine desconversou o assunto.


– Pois é, eu cheguei a essa conclusão agora de manhã. — Virgil pegou uma torrada e passou manteiga, em seguida esquentou um copo de leite no microondas e sentou-se na mesa para tomar seu café da manhã. — Eu agradeço você por isso mãe. Foi muito importante pra mim, sabe, estabilizar em algum lugar, fazer amigos e tudo mais.


– Não precisa me agradecer querido, você merecia começar a construir sua vida, não era justo com você o que eu fazia. É claro que o fato de eu ter arranjado um ótimo investimento aqui na cidade influenciou bastante. — Christine riu e arrumou alguns talheres. — Bom eu vou indo para o trabalho, quer uma carona pra escola?


– Pode ir mãe, eu só vou terminar aqui e vou com o Gus depois.


– Tudo bem. — Christine dirigiu-se até o filho para lhe dar um abraço e um beijo. — Tenha um bom dia na escola meu filho, nos vemos a noite. Tchau Buddy! — Disse ela se indo em direção da porta.


Só então Virgil havia percebeu que não tinha visto Buddy até então. O cão foi até a porta segurando um osso na boca. Christine acariciou sua cabeça e depois saiu. Buddy foi até a cozinha carregando seu osso e o deixou nos pés de Virgil e depois latiu.


– Bom dia amigão, hoje é um grande dia. Falando nisso é melhor eu ir pra não me atrasar. — Virgil levantou da mesa e deixou seu prato e copo dentro da pia. Ele subiu novamente para poder escovar os dentes, e quando desceu um cachecol completava seu estilo. — Até mais tarde Buddy, devo voltar logo, só vou pegar o meu boletim, então poderemos dar um passeio.


O cão latiu, como se aprova-se a idéia, e então Virgil saiu pela porta. Ao sair encontrou Gus já esperando por ele.


– E então, pronto pro ultimo dia de aula? — Perguntou Virgil, cumprimentando seu amigo.


– Qual é, eu nasci pronto. — Gus riu e o cumprimentou de volta, e então eles partiram.

No caminho pra escola os garotos conversaram sobre coisas variadas. Virgil contará a Gus como havia sido sua tarde com Emily no dia anterior, por sua vez, Gus fazia piadinhas sobre casais, e como ele queria ser padrinho do casamento deles, o que fez Virgil gargalhar. O assunto depois variou para escola, eles comentavam das matérias que achavam que haviam passado. Virgil estava receoso, não queria ter de pegar recuperação e ficar o mês de janeiro todo fazendo provas e lições. Ao chegarem na escola, o portão principal estava fechado, então deram a volta no prédio para verificar por onde entrariam. A porta da secretaria estava aberta, e havia bastante movimento, alunos entravam e saíam, rindo, se abraçando, outros choravam, todos com algumas coisas em mãos. Os garotos se dirigiram para a recepção, ao entrarem encontraram com Cecile, a secretária do diretor Skull, estava dando informações para alguns alunos, eles esperaram sua vez chegar e então perguntaram.


– Bom dia Senhora Hale. — Disse Virgil.


– Bom dia senhor West, senhor Detwiller.


– O que está acontecendo? Por que os portões estão fechados? — Gus quis saber.


– O Diretor Skull não pode permanecer na cidade após o baile de inverno, ocorreu um problema familiar e ele teve de viajar para Seatle as pressas. Então ao invés dele fazer sua palestra anual de encerramento, ele só pediu que a secretaria emitisse os boletins e entregasse para os alunos. — Explicou Cecile.


– A sim, mas nós somos menores de idade, quer dizer e quanto aos alunos que pegaram recuperações, ou escola de verão, os pais não deveriam assinar seus boletins? — Perguntou Virgil, receoso por conta de suas notas.


– Você está absolutamente certo senhor West, porém, com a ausência do diretor nós ficamos sem tempo de fazer certas coisas, então resolvemos ligar para os pais dos alunos que ficaram de recuperação, assim eles sabem que tem de vir a escola pra pegar os boletins dos filhos. Os demais alunos estão podendo retirar os boletins eles mesmos. Acredito que o fato de ambos estarem aqui, é que seus pais não foram chamados. Só um momento que eu vou buscar os boletins de vocês. — Ela se dirigiu a um grande arquivo no final da sala e começou a procurar em algumas gavetas.


Virgil olhou para Gus e sorriu, ele estava aliviado, aquele dia estava ficando cada vez melhor. Ele havia completado o primeiro ano escolar em um mesmo colégio depois de muito tempo, e além disso tinha o concluído com louvor. Cecile se aproximou de volta com dois envelopes em mãos.


– Aqui está, senhor West e senhor Detwiller.


Os garotos pegaram seus envelopes e tiraram seus boletins de dentro. O de Gus estava cheio de dez, como já era de se esperar. Virgil não teve a mesma sorte, mas estava razoável. Os garotos se entreolharam e depois se cumprimentaram. Começaram a pular e fazer folia até que foram interrompidos por Cecile.

– Meus parabéns meninos. Há mais uma coisa que precisam saber. O diretor pediu para os alunos retirarem suas cosias dos armários. Vamos aumentar o espaço neles e redistribuí-los ano que vem.


– Sem problemas. Ei você pode nos dizer se nossos amigos passaram? Ralph Jhonson e Godofredo Stivenson? — Perguntou Virgil.


– Tieme Hiro também, por favor. — Gus acrescentou.


– Claro, o senhor Jhonson já esteve aqui com uma garota baixinha da série de vocês, ambos já retiraram seus boletins. A senhorita Hiro e o senhor Stivenson estão ai dentro retirando as coisas de seus armários.


Já era algo de se esperar. Ralph sempre foi o primeiro a chegar e resolver as coisas bem rápido. O fato de estar acompanhado de Beatrice era novidade. Virgil depois ligaria pra ele pra saber como as coisas estão indo.- Obrigado senhora Hale, nós vamos tirar as coisas dos nossos armários também. — Eles começaram a se dirigir para os corredores.

– De nada meninos, um bom fim de ano para vocês e para suas famílias.


– Para senhora também. Disseram eles.


Gus e Virgil dirigiram-se ao corredor. Vários outros alunos de diversas idades retravam suas coisas dos armários. Muitos conversavam sobre o ano letivo, as férias que estavam por vir, dos acontecimentos do baile, entre outras coisas. Virgil reconhecia vários rostos pelos quais eles passavam, ele se sentiria bem, ao pensar que no ano que vem ele reconheceria a maioria daquelas pessoas, mesmo que fosse apenas de vista. Quando estava caminhando até seu armário avistou Gon arrumando suas coisas.


– Ei Gon! — Disse Virgil ao se aproximar do amigo. — Como você está cara? Passou direto também não é.


– Virgil, Gus. Bom ver vocês, pois é. Ainda bem, senão meus pais iam me matar. — Sorriu ele.


– Sei bem como é. Ei caras eu vou ali no outro corredor esvaziar meu armário, vou aproveitar e tentar encontrar a Tieme. Nos vemos lá fora depois. — Disse Gus começando a se afastar.


– Tudo bem nos vemos mais tarde. — Disse Virgil.


– Até já cara. — Gon disse em seguida.


Virgil começou a esvaziar seu armário, que era ao lado do de Gon. Tirou alguns livros que havia deixado, canetas, rabiscos, anotações, em fim, várias coisas. — E então como foi seu final de semana Gon?


– Foi meio parado. Viajei pra casa dos meus avós, eles moram em uma fazendinha no Texas. Odeio ar livre. — Ele Riu do próprio comentário. — E quanto ao seu Virgil?


– Uma coisa incrível aconteceu. — Virgil contou a ele sobre o dia em que conheceu Emily, e que desde então eles pareciam bastante ligados. Contou do jantar, da dança e do quase beijo. Gon deu uns tapinhas no ombro de seu amigo.


– Que legal cara, fico muito feliz por você. — Ele abriu um sorriso meio torto, demonstrando que talvez ele não estivesse tão feliz quanto demonstrava.


– Tem certeza? É que sua expressão diz ao contrário. O que houve?


– É que... Não me leve a mal, é realmente muito legal que você esteja se ajeitando cara. De verdade. Mas, parece que tudo da certo pra todo mundo. Menos pra mim. — Explicou Gon, arrumando a mala no ombro e se encostando em seu armário. Sua expressão agora era de tristeza.


– Como assim?


– Veja. Gus tem a Tieme. O Ralph está tentando começar algo com a Beatrice. E agora essa garota surge do nada e se interessa por você. Sem ofensas. Tudo isso é tão... Tão injusto. — Gon Bufou. — Eu só queria uma chance.


– Gon, essas coisas de relacionamento nunca foram fáceis pra mim também. Na verdade. — Virgil diminuiu seu tom de voz. — Eu nunca beijei nenhuma garota. Não sei o porque, mas as coisas só começaram a se encaminhar pra mim agora. A mesma coisa com o Ralph. Tenho certeza de que mais cedo ou mais tarde vai aparecer uma garota legal que vai se importar com você, e gostar de você da maneira como você é.


Gon abaixou a cabeça, respirou fundo e começou a dizer. — Por falar nisso, tenho algo pra te contar. Você disse que mais cedo ou mais tarde uma garota se interessaria por mim, mas não sei se é bem isso que eu quero.


– Certo, eu oficialmente não entendi. — Virgil levantou uma sobrancelha e se apoiou em seu armário.


– O que eu estou querendo dizer é que.... — Gon foi interrompido. Jason passou e empurrou o garoto com seu ombro com tanta força que ele se chocou contra o armário e depois caiu no chão.


– Desculpa manézão, eu não vi você ai. — Disse Jason, com aquele sorriso maldoso em seu rosto.


– O que pensa que está fazendo idiota? — Virgil tomou a frente.


– Você ainda não entendeu West? Veja por esse lado. Hoje é o último dia de aula. O quer dizer que é o final do semestre, o que quer dizer que eu já posso voltar a importunar vocês.


Virgil não podia acreditar no que estava ouvindo. Jason realmente esperou até o final do semestre pra poder voltar a atormentá-los, começando pelo ultimo dia de aula.


– Por que você é tão idiota ? — Perguntou Gon ainda sentado no chão.


– É um estilo de vida. Isso é só uma amostra. Ano que vem é meu ultimo ano nessa droga de escola. Se preparem porque farei da vida de vocês um inferno, assim posso compensar todo o tempo perdido nesse semestre. . Boas festas meninas.- Debochou Jason, virou as costas e saiu andando.


– Aí Tenyson. — Gritou Virgil. Jason se virou. — Da próxima vez que quiser arranjar uma briga, venha sozinho. E então veremos se você é tão durão sem seus amiguinhos.


– Não se preocupe pirralho. Teremos muito tempo pra discutir isso no ano que vem. Se me dão licença, estou indo para uma festa enorme, da qual vocês não foram convidados. Nos vemos otários. — Disse ele por fim e foi embora.


Virgil ajudou Gon a se levantar. — Você está bem?


– Eu to legal. Não sei por que ele gosta tanto de nos incomodar assim.


Virgil cerrou o punho, e com toda força desferiu um soco no armário. — Não sei, mas uma coisa eu te garanto, dá próxima vez que nos envolvermos em uma briga, eu estarei preparado.


Gon se assustou com as expressões de Virgil. Ele estava furioso, suas feições até haviam mudado. — Ei não esquenta com isso cara. Vamos lá pra fora encontrar com o Gus. — Gon começou a direcioná-lo para a saída. Lá fora os garotos sentaram-se na escada. O silencio permaneceu por alguns instantes, até que por fim Virgil disse.


– Desculpe pelo meu comportamento.


– Não esquenta, afinal você só queria me proteger.


– É que... Jason me irrita de uma tal forma. As vezes tenho a impressão que o simples fato de ele respirar me incomoda. — Virgil bufou.


– Não acha que está exagerando um pouco?


– Claro que estou. Mas, os valentões sempre me irritaram. Em todas as escolas que já estive haviam vários deles, só que eles não tinham tempo de implicar comigo, eu não ficava tempo o bastante para que eles pudessem me notar. Mas quando os via importunando as outras pessoas ficava incrivelmente chateado. Só que dessa vez é diferente. Jason nunca implicou diretamente comigo, e sim com meus amigos. Demorei tanto tempo pra poder me enturmar, não vou deixar que um valentão idiota estrague tudo.


– É muito legal da sua parte cara.


– E quem foi que disse que alguém pode estragar nossa amizade? — Gus surgiu da porta da escola bem atrás deles.


– Há quanto tempo você está aí? — Perguntou Gon assustado.


– Há um tempinho. Ouçam, Jason é só um cara. Independente do que ele faça ou fale, ele nunca vai poder abalar nossa amizade. Nós quatro somos bons amigos e nada vai mudar isso.


– Concordo com ele. Além do mais Virgil, as férias estão bem ai. Vai ter dois longos meses pra poder esquecer as idiotices do Jason e organizar sua vida. Se preocupe com a família, em se divertir com seus amigos, e na sua menina. Deixe pra se preocupar com ele quando as aulas voltarem. — Disse Gon por fim, abrindo um amistoso sorriso.


Virgil desconheceu aquele jeito de Gon. Ele costumava ser tão... Pessimista e tristonho, mas dessa vez havia dado um ótimo conselho, e tinha conseguido sorrir apesar de toda aquela situação. — Vocês tem razão. Obrigado pessoal, vocês realmente são ótimos amigos.


– De nada. Bom eu vou indo, o ônibus já está saindo e eu não posso perde-lo. — Gon levantou e ajudou Virgil a se levantar. Os garotos se abraçaram para se despedir. — Até mais Virgil, boas férias pra você, um feliz natal e um prospero ano novo.


– Pra você e toda sua família também cara, se cuida.


– Pode deixar eu vou me cuidar. — Ele se dirigiu pra Gus. — Você acha que vai escapar dessa? Venha aqui anão. — Gon deu um forte abraço no amigo. — Boas férias carinha, nos vemos em março.


– Com certeza Gon. Tudo de bom pra você e pra sua família.


– Valeu. Bom até pessoal. — Ele se virou e começou a correr em direção do ônibus.


– Ei Gon. — O rapaz se virou de súbito. — Lá na escola você estava me falando uma coisa mas não terminou, o que é que você estava tentando me dizer?


– Ah! Deixa pra lá. Não é importante. Até mais. — Disse por fim e continuou se dirigindo para o ônibus.


Virgil e Gus se entreolharam, deram de ombros e começaram a caminhada de volta pra casa. No caminho Virgil contou como tinha sido toda a história com Jason . Gus ouvia tudo e assentia, debochava de algumas partes como não poderia deixar de ser. Depois ele falou sobre ele e Tieme. Ele ajudou-a a tirar as coisas de seu armário e mais tarde passaria na casa dela para conhecer os pais. Virgil fez uma piada com o pai dela, e espadas samurais. Ambos riram. No caminho pra casa o telefone de Virgil tocou.


– Alô?


– “Oi filho, tudo bem?”

– Oi mãe. Tudo sim e você? Aí mãe, passei em todas as matérias. Já estou com o boletim em mãos e estou indo pra casa. — Disse Virgil, todo orgulhoso de si.


– “Parabéns meu filho. Isso me faz uma mãe muito orgulhosa. Isso pede uma comemoração. E falando em comemoração eu acabei de desligar com a Denise.”


– A mãe do Gus. — Os garotos se entreolharam.


– “Isso mesmo. Nós vamos fazer a ceia de natal em casa, junto com os Detwiller, os Evans, e.... Possivelmente um amigo meu aqui do trabalho.” — Explicou Christine.


– Que legal mãe, mas por que está me avisando isso agora? Não poderia me avisar de noite?


– “Na verdade não. A noite você e Gus vem comigo e Denise e Sarah para fazermos compras. Teremos muitos convidados em nossa casa e preciso começar a comprar as coisas o quanto antes.”


– A mãe, precisamos mesmos? — Choramingou Virgil.


– “Virgil West não banque o preguiçoso comigo mocinho. Vocês vão nos ajudar e ponto final. Nos vemos em casa, esteja pronto as sete em ponto. Em ponto, você me entendeu Virgil?”


– Eu entendi mãe pode deixar, estarei pronto as sete em ponto.


– “Muito bem. Nos vemos então. Beijinhos,até mais.” — Disse ela por fim desligando o telefone.


Virgil bufou e olhou para Gus, que por sua vez perguntou. — O que tem as sete em ponto?


– Nós vamos fazer compras com nossas mães, porque a ceia de natal vai ser em casa e elas vão começar a comprar as cosias a partir de hoje.


– Ótimo, eu adoro fazer compras. — Respondeu Gus com um tom sarcástico.


– Somos dois, mas talvez tenha um lado bom nisso tudo.


– Mesmo? E qual seria?


– Emily talvez vá conosco.


Notas finais
Bom ta ai pessoal.. Saído do forno. Espero que gostem de tudo. Se possível mandem Reviews ok? Até a próxima pessoas da terra ;D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.