Aprendendo Amar ...
31 Deixando o inconsciente agir
Armando ficou a olhando até ela estar tão distante que seus olhos não mais podiam acompanha-la, sentiu suas bochechas molhadas e só então se deu conta que estava chorando, chorando como um menino, e esse pensamento o fez sorrir, sua Betty o fazia ser apenas um menino. De cabeça baixa ele foi andando até seu carro. Dirigir sempre o relaxou e só depois de horas ao volante é que ele se deu conta que a Ecomoda tardava muito a chegar, então ele olhou em volta e viu aonde estava indo, para o chalé.
Passou por aquela porta e entrou naquele lugar que tanto o acalentava do mundo, se jogou na cama, sentia-se sozinho, como sempre se sentiu antes de Betty entrar em sua vida, seus amigos eram apenas amigos de farra e doeu acrescentar Mário nesse grupo, sempre pensou em Mário como seu melhor amigo, porém agora ele via que não podia compartilhar seus sentimentos com ele. Seus pais tão pouco o entenderiam, ao contrário, diriam que ele tinha perdido completamente o juízo.
Olhando em seu relógio viu que faltava tantas horas para Betty chegar em Cartagena e durante todo esse tempo não poderia falar com ela, aquilo o fazia se sentir sem rumo. Mas então ele se deu conta do que estava fazendo, estava ali querendo se esconder do mundo, porém ele não podia fazer isso, tinha que ser forte e seguir com os planos, tinha que ir para a empresa e tocar sozinho os negócios, Betty confiava nele para isso e ele não estava disposto a decepciona-la, já tinha decepcionado tantas e tantas pessoas, mas jamais poderia fazer isso com a mulher que ele tanto amava. Seu pensamento se clareou e uma hora depois que ele entrou lá, saiu, e foi em direção a Ecomoda, seria triste ficar lá sem ela, entretanto seria apenas por uma semana, uma longa semana, mas que no final dela tudo voltaria ao normal e ele estaria completo novamente.
Armando chegou na Ecomoda pouco antes do almoço, o sorriso que tinha se tornado habitual permanecia em seu rosto, assim como seu bom humor, afinal para que mal humor se ele era um homem feliz? Entrou em sua sala e trancou a porta, recolheu os papeis importantes de sua mesa e foi trabalhar na salinha de Betty, assim ele se sentia mais perto dela.
Patricia foi correndo para a sala de Marcela, não podia perder a chance de envenenar sua amiga contra aquele homem.
- Marci o Armando acabou de chegar e com uma cara bem feliz –
- Mas ele só chegou agora ? – Marcela olhou seu relógio e viu que era cinco para o meio dia.
- Sim Marci e como eu disse, com uma cara bem feliz – O veneno já estava correndo pelo corpo de Marcela, que com ira se levantou e correu até a presidência, tentou abrir a porta, porém estava trancada, sem paciência alguma para esperar, bateu forte contra a porta, tão forte que Armando que estava na sala de Betty pode ouvir em alto e bom som.
Ele sabia que só poderia ser ela e estava sem a mínima vontade de começar mais uma briga, melhor, mais uma guerra, mas sem escolha acabou indo até a porta e a abrindo, uma Marcela histérica e raivosa entrou como um foguete dentro da presidência.
- Marcela, posso saber o porquê desse escândalo? – Armando fechou a porta, sabia que ainda assim todas as secretárias iriam ouvir a conversa, odiava a maneira como Marcela sem pudor e o mínimo de vergonha expunha o relacionamento deles assim, nessas horas via como sua Betty era sua outra metade, ela jamais faria algo assim, jamais gritaria e tornaria público algo que era só dos dois.
- Como porquê, Você acha pouco chegar a empresa a essa hora e com essa cara lavada de quem passou a manhã inteira com sua amante? – Essa história de amante já tinha o esgotado.
- Marcela, primeiro pare de gritar – Ele disse tão calmamente que irritou ela. Armando sabia que ele geralmente gritava, todos sempre diziam quanto ele era gritalhão, mas certamente ele sentia que não era nada histérico como Marcela, a voz aguda dela era insuportável, já tinha o enchido tanto que tão pouco ele sabia quanto mais iria suporta.
- Armando, se eu grito é porquê você me tira do sério, mas diga quem é essa vagabunda com quem você está me traindo? – Foi o estopim, odiava quando ela se referia a Betty como vagabunda e ainda mais agora que ele estava frágil com sua Betty tão longe dele por dias e dias.
- Quer saber de uma coisa Marcela? – A voz dele era imponente, grave e o olhar dele de puro ódio, Marcela tremeu, sabia que dali não sairia algo bom – Eu não te traio – Armando se aproximou mais dela, porém de uma maneira totalmente raivosa, sem carinho, ele apenas queria está próximo para ter certeza dela ter ouvido claramente o que ele tinha a dizer – E sabe o porque eu não te traio? Porque nós já não temos mais nada. A tempos já não somos mais nada um do outro – Marcela sentiu sua boca secar, não podia acreditar nas palavras dele.
- Não diga idiotices, nós estamos noivos e vamos nos casar em poucos meses – Armando riu sarcasticamente.
- Nem em sonho Marcela, ouviu bem? Nem em sonho. Eu me caso com você – Marcela sentiu o mundo em volta dela girar, ele não poderia estar rompendo a relação deles assim.
- Você não pense que vá terminar comigo Armando Mendoza, você não me roubou uma vida inteira para no fim me abandonar –
- Marcela e como pretende que nos casemos se a tempos nem beijos trocamos? Eu não tenho vontade nem de te tocar –
- Me diga quem é essa mulher Armando. Me diga quem é ela – Sua voz era exigente, seus olhos tinham lágrimas.
- Marcela pare de tentar arrumar outra, nossa relação é fracassada por culpa nossa e não de outra mulher ou de outro homem, nós dois somos o culpados, éramos imaturos e acabamos nos deixando levar – Armando tinha uma calma e uma paciência que a deixava mais irritada ainda, ele estava terminando uma relação como se tivesse apenas falando sobre as cores de uma parede.
- Eu te odeio Armando, te odeio com todas as minhas forças e vou descobrir quem é essa mulher e vocês nunca poderão ser felizes. Nunca! – Marcela saiu batendo a porta novamente, Armando se jogou no sofá de sua sala e refletiu no que tinha feito, não podia acreditar, enfim tinha terminado tudo com Marcela, enfim estava livre dessa relação.
E então ele se deu conta, se deu conta do que aquilo poderia gerar, de como isso poderia arruinar a empresa, afinal se os Valencia quisessem vender suas ações, seria impossível já que tecnicamente, nem existia mais empresa.
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