Aprendendo Amar ...

5 A descoberta de uma nova vida


- Se é menino ou menina eu não sei, ainda é cedo para isso, porém a senhora está realmente grávida – O médico disse, Betty se sentiu petrificar, já Armando de tão feliz que estava se levantou e segurou o rosto de Betty com as mãos e selou seus lábios com os dela, ela apenas continuou imóvel, ele em seguida foi até o médico e o abraçou.

- Eu vou ter um filho – Ele disse ainda abraçado ao médico que ria da felicidade daquele homem e achava graça daquele casal tão exótico.

- Vamos Betty, vamos – Armando soltou o médico e foi logo pegando Betty pela mão e a puxando para fora do consultório, ela apenas se deixou ser guiada. Eles já estavam no estacionamento quando enfim ela se deu conta de toda a situação e puxou sua mão que estava entrelaçada na de Armando.

- Eu já disse para não me tocar – Ela disse irritada.

- Espere. – Armando se assustou da irritabilidade de Betty, ele estava tão feliz que tinha esquecido de tudo - Calma Betty, relaxe você não pode ficar estressada –

- Você não tem o direito de me dizer o que eu posso ou não fazer, entenda de uma vez Armando, você não tem nenhum direito sobre mim –

- Ai você se engana, você está grávida e de um filho meu, eu tenho todo o direito sobre você –

- Não, não tem. –

- Sim, eu tenho –

- Não, não tem – Ela repetiu mais alterada.

- Sim, eu tenho – Ele tornou a repetir e ela bufou irritada.

- Abre logo essa porta e vamos para a empresa, tenho que terminar muitas coisas ainda hoje –

- Mas você esta grávida e desmaiou, tem que descansar –

- Eu não tenho tempo para isso, vamos logo, quanto mais rápido a gente for, mais rápido eu termino – Armando ia rebater novamente, mas desistiu, o melhor agora era fazer o que sua Betty mandava.

No caminho Betty ficou calada, Armando diversa foi as vezes que pensou em falar coisas, porém em todas calou, chegaram a empresa e logo Aura Maria se empolgou na recepção.

- Betty, você sumiu amiga, pensamos que tinha ido embora – Aura Maria pulando abraçou Betty, de longe se via que o abraço era apertado e saudoso demais.

- A solte Aura Maria, pode acabar a machucando, solte ela – Armando empurrou Aura Maria para longe de sua Betty, seu medo irracional de que ela esmagasse seu filho fez Betty lhe dar um olhar mortal e Aura Maria um de susto.

- Desculpe amiga, eu te machuquei? Você está doente? Se quebrou ou coisa assim? Por isso ficou esse tempo todo fora? –

- Claro que não Aura Maria, eu estou bem e inteira – Betty deu um de seus famosos risos.

- Vamos Beatriz, vamos! - Armando saiu puxando Betty, ela subiu com ele no elevador, lá em cima o resto do quartel a cercou e mais uma vez Armando teve um colapso nervoso mandando todas se afastarem de Betty.

- Mas que coisa, estávamos com saudade, um abraço não machuca ninguém – Berta disse – Acho que engordei dez quilos de aflição com seu sumiço –

- Sim, todas ficamos preocupadíssimas com seu sumiço – Foi a vez de Sandra falar.

- Veja só, até pensamos que tinha sido demitida – Sofia revelou.

- Mas minha filha, está tudo bem com você né? — Inesita perguntou com toda sua calma, ela podia ver no olhar de Betty que algo a afligia.

- Sim Inesita — Betty sorriu para a velha senhora - Bom meninas, eu precisei me ausentar, fui visitar minha vó no interior, mas agora já estou de volta –

- Exatamente. Ela foi visitar a avó e está ótima, nunca esteve melhor e agora todo mundo trabalhando, andem, andem – Todas cumpriram a ordem estressada de seu patrão e Armando e Betty foram caminhando para a presidência, Patricia que assistia a toda a cena de longe, apenas esperou que eles se aproximassem para destilar seu veneno.

- Vejo que já chegou de suas férias– Patricia mexeu os cabelos e desdenhou do sumiço de Betty.

- Sim Patricia, Betty já chegou de suas férias, afinal sem ela essa empresa não anda, por isso infelizmente ela não se pode dar ao luxo de se ausentar por muito tempo, diferente de você que se nunca mais viesse, não faria diferença alguma –

- Ai Armando, não precisa ser tão grosseiro também –

O casal entrou na presidência e Armando logo puxou sua cadeira para Betty sentar, o almoço deles ainda estava sobre a mesa.

- Sente aqui Betty, vou mandar que nos tragam comidas novas e frescas –

- Eu não vou me sentar na sua cadeira doutor e tão pouco tenho fome –

- Betty – Armando olhou sério para ela, sua voz era firme, ele não gritava, falava moderadamente e com uma serenidade que ela nunca tinha visto – Você sabe que precisa comer, tanto pela gravidez quanto por você mesma. Mas se não quer fazer isso por você, faça por esse bebê, coma e se cuide, tem uma vida dentro de você, um pequeno milagre e no momento ela depende unicamente e exclusivamente dos seus atos para ficar bem. Então coma e descanse, marque um médico obstetra e cuide da nossa filha – Betty respirou fundo, pela primeira vez na vida Armando estava se mostrando um adulto.

- Tudo bem, mas peça algo leve. – Ele sorriu, enfim tinha conseguido dar um passo e a convencer de algo.

- Eu amo você e já amo essa criança – Ele disse calmamente e ela sentiu seu coração se apertar.

- Eu já disse que não confio no senhor, nem no seu amor –

- Sei disso e sei que a culpa disso é toda minha, toda noite perco o sono pensando no monstro que fui e se estou aqui em pé, na sua frente, é unicamente porque tenho fé que você vai me perdoar e me deixar seguir ao seu lado – Betty ficou calada, ela não tinha resposta para esse Armando maduro que se ergueu a sua frente, ela tinha mil e uma resposta para o Armando doido que só fazia gritar e ser incoerente, mas esse não era um menino e sim um homem que a deixou muda, ela simplesmente entrou em sua sala e fechou a porta, se escorou na porta e se sentou no chão, com a mão repousando em sua barriga e sua cabeça girando a mil. Armando por sua vez fez o mesmo, se escorou na porta e se sentou no chão, ele se sentia leve e feliz como nunca.

Já fazia pouco mais de meia hora que Betty tinha entrado na sua sala, Armando foi até a porta e bateu antes de abrir.

- Chegou o almoço –

- Eu realmente não tenho fome – Betty olhou por cima dos papeis e viu o rosto de Armando endurecer e o pior, com razão, ela que estava sendo a menina mimada naquele momento – Mas vou fazer um esforço e comer ao menos a metade – Armando então sorriu. Ele tinha arrumado a mesa para eles na sala de reuniões.

- Eu não aguento mais comer nada – Betty empurrou a sua cadeira a afastando da mesa.

- Só mais dois garfos e juro que não insisto mais –

- Só mais dois? – Betty perguntou descrente.

- Eu juro –

- Ok – Ela pegou o garfo e colocou quase nada de comida.

- Aaah sua espertinha, um pouco significa mais do que quatro grãos – Ele pegou o garfo da mão dela e colocou uma quantidade normal de comida – Abra a boca – Ela sorriu, mas não fez o que ele mandou – Toma o aviãozinho – Ela riu e acabou aceitando que ele lhe desse a comida na boca, ele repetiu o gesto e já ia enchendo outro garfo quando ela o impediu.

- O combinado era dois e eu já cumpri –

- Está certo – Ele largou o garfo e sorriu para ela.

Betty voltou para sua sala, passou a tarde toda lá e não conseguiu ler nem uma folha inteira de nada que estava em sua mesa, sua cabeça estava a mil. Em todo momento ela pensava em sua gravidez, em Armando, nela, em seu pai que iria a matar. Sua mente girava mais que carrossel.