Apreciação Perpétua
26 Capítulo 26
Notas iniciais
As estações pareceram voltar a voar, depois de tudo, repetindo-se algumas vezes. Algumas primaveras, alguns outonos. Invernos, verões. E Tate vinha agora vê-los com mais frequência, estabilizando-se, aos poucos, em Gravity Falls. E, novamente, quem diria? E a vida, tão igual, tão rotineira, os dois na Cabana do Mistério, sem mais visitas de Shermie, sem mais ligações da mãe, sem casamentos, sem todos aqueles outros ares. Pelo correr de um ano, dois ou mais, eram apenas eles novamente. E os “Mistérios” e pesquisas. E as visitas constantes de Tate. E os cafés da manhã e horas no porão. Os tours com o Senhor Mistério, os turistas, o Diário, o Portal. Eram apenas os dois, e o Portal.
Stan havia voltado a se esforçar no Portal com tudo que podia. Ele geralmente fazia isso, mas tinha algo, que Fiddleford sabia bem, que sempre fazia com que ele trabalhasse ainda mais do que já era de costume: O inverno. Porque o inverno realmente significava aquela perda para Stan. E não era só o seu empenho que aumentava em níveis alarmantes: Os pesadelos vinham também, quase todos de uma vez, o fazendo passar noites em claro, outras muito mal dormidas. Era difícil para Stan e Fidds sentia-se péssimo ao vê-lo assim. Ele fazia o possível, mas esse tipo de coisa era um pouco mais complicada.
Eles costumavam ter pesadelos, ele e Stan, desde que conseguiam lembrar-se, cada um com seus próprios traumas, mas a situação havia se estabilizado e os pesadelos tornado-se mais raros com o passar do tempo. Isso a partir do momento que começaram a dividir a cama. Quando estavam juntos. Porque era mais fácil quando estavam juntos. Enfrentar tudo, fosse o que fosse, e todos aqueles traumas do passado. Não que em algum momento eles tivessem deixado de existir, os traumas, pesadelos, memórias, mas haviam abandonado a rotina. Para Stan, eles sempre pioravam no inverno. E, na volta dessa estação, eles vieram, mais uma vez, todos de uma vez.
Nas primeiras semanas foi praticamente impossível para Stan ter uma noite tranquila. Alguns vezes eram como sonhos e só existiam na sua mente. Sobre Stanford e o portal, os horrores que ele estaria passando por culpa do seu egoísmo. Do egoísmo de quem? De como estaria sofrendo, as vezes a mente criativa ainda inventava, sem seu consentimento, alguma morte espetacular para o irmão. E então ele acordava tremendo. Outras, que compunham a maioria, eram com o próprio passado. Todas as lembranças e traumas, os medos e a solidão. Nessas acordava suando frio, tremulo, desesperado, as vezes pulando da cama, a respiração irregular. E algumas vezes simplesmente acordava, o coração acelerado. Respirava algumas vezes, se acomodava melhor na cama, virando para o lado em que Fidds não estava, e chorava em silencio, soluçando baixinho. Fiddleford também costumava acordar quando o marido tinha pesadelos, isso na maioria das vezes, e fazia o que podia para consolá-lo, mas, quando ele não acordava, raras as vezes, Stan fazia o possível para que ele continuasse dormindo, não querendo ser tão egoísta.
Stanley e Fiddleford sempre tiveram pesadelos. E eles estavam acostumados a isso, costumava ser assim. Quando Fidds tinha um sonho ruim, envolvendo Stanford, o Portal, o incidente, o fim do mundo, e acordava agitado no meio da noite, Stan também acordava. E fazia o possível para confortá-lo e acalmá-lo. Ele geralmente realizava essa proeza, de acalmá-lo, em cerca de uma hora. O envolvia com carinho, as vezes Fiddleford chorava um pouco, ainda meio perturbado. Mas logo as coisas pareciam estar simplesmente bem. Todas bem. E então estava realmente tudo bem. E eles voltavam a dormir, Fidds sendo abraçado com carinho, assim, em paz.
Mas quando Stan tinha pesadelos, como estava tendo nessas ultimas semanas, fosse com Stanford, o Portal, os traumas do passado e acordava agitado, embora Fidds também acordasse e fizesse o possível para acalmá-lo e confortá-lo, ele geralmente levava de 2 a 3 horas para conseguir que o marido ficasse mais tranquilo e voltasse a pegar no sono, mesmo que o Fidds mesmo acabasse não dormindo mais. Não sabia porque era tão difícil acalmar Stan. Talvez porque os traumas dele fossem, definitivamente, maiores que os seus. E não foi diferente durante esse inverno, com Fidds sendo, como sempre, um poço de paciência e ternura.
— Stan, querido. – Ele chamou com carinho durante um dos cafés da manhã que seguiam aquelas longas noites mal-dormidas. Stan, que terminava as panquecas, virou-se para ele e ofereceu-lhe um sorriso brando, acompanhado de um “Uh?” murmurado. Mas seus olhos cansados, enfeitados com olheiras de noites e mais noites, certamente traíram a maneira com que ele sorriu. – Estou preocupado com você. – Stan gesticulou com a mão e negou com a cabeça, pousando a ultima panqueca no prato em que estavam as outras, desligando o fogo. Tomou o prato em mãos e serviu as panquecas ao amado e sentou-se ao seu lado.
— Eu estou bem, Fidds. São só pesadelos. – Ele deu uma garfada na sua panqueca e enfiou-a na boca. – Sempre tivemos pesadelos. – Completou.
— Eu sei, mas os seus estão tão frequentes, Stan... eu queria que tivesse algo que eu pudesse fazer para te ajudar e... – O outro murmurou um “Shh” e deu uma garfada de panqueca para o marido, que interrompeu a fala para mastigar.
— Eu vou ficar bem, Fidds. Você se preocupa demais por nada. – Mas isso era o que ele estava dizendo. Só de olhar para Stanley dava para perceber seu cansaço. Era quase palpável. O estresse que ele estava acumulando com isso nãop era bom, não o faria bem. Não era certo. Terminou de mastigar e respirou fundo. Devia ter algo que pudesse fazer por Stan. Precisava ajudá-lo de alguma forma. Sua mão atravessou a mesa e segurou a do marido com carinho.
— Nós podíamos... Eu não sei. Tirar uma folga? E ir pra algum lugar nas montanhas pra... – Stan interrompeu-lhe a narrativa com um riso divertido. Ele quase havia esquecido esse lado “hippie” de Fiddleford.
— Nós, tecnicamente, moramos nas montanhas, Fidds.
— Mas... – O outro arqueou a sobrancelha, com aquele sorriso que Fidds lia como “Não vale a pena argumentar”, então levantou as mãos em rendição, recebendo mais uma garfada de panqueca. – Lide com os seus problemas sozinho. – Resmungou e Stan riu mais um pouco.
— Eu estou bem, Fidds. Logo passa. – Apesar disso o menor suspirou. Confiava em Stan e ele sempre lhe contava quando havia problemas maiores, então, se ele dizia que ia ficar bem, era porque ia ficar bem, não é? Pensou mais um pouco enquanto mastigava. Porque não custava nada ele tentar arrumar uma solução para o marido ter noites melhores de sono. Continuar vivendo assim não era bem uma vida!
— Ah! – Entre os pensamentos todos embaralhados lhe surgiu uma ideia, que veio junto de uma memória quase esquecida.
— Uh?
— Eu conheço um naturalista que talvez ajude aliviar isso! Me odeio por não ter lembrado disso antes! – Stan fez uma careta, enfiando uma garfada na boca.
— Um o que?
— Naturalista, Stan, querido. Na verdade ele era... – Fidds riu. – Mais pra tipo um índio curandeiro. Fazia psicologia numa Universidade próxima à minha. – Contou, a ideia tendo o animado um pouco. Quando não se tem opções, você agarra o que parece servir, não é? E lembrando bem do antigo conhecido, talvez ele pudesse mesmo ajudar Stan de alguma forma.
— ... Sério? – A expressão de Stan fazia parecer que a realidade o assustava mais que os pesadelos.
— Ahh, Stan! Ele pode te ajudar! Custa tentar? – O outro retomou a expressão incrédula, enquanto Fidds cruzava os braços, um pouco emburrado. Ele estava tentando ajudar!
— Eu não sei se é mais estranho quando você diz coisas nerds ou coisas hippies, Hadron. – Fidds bufou.
—Olha, Stan... – Voltou a segurar-lhe a mão com carinho, pacientemente. – Se quiser posso te levar e volto pra cuidar da Cabana, não seja tão negativo, ele pode te ajudar. Nem que seja um pouco! – Stan também suspirou, quase cedendo a ideia. No seu atual estado era como se qualquer ideia fosse bem vinda. – Uma vez ele me fez um filtro dos sonhos e me ajudou muito, e ele mal havia começado a faculdade. Hoje ele certamente sabe muito mais e... – Ele continuou falando, mas Stan já não escutava mais, encantado demais com o entusiasmo de Fidds. Ele sempre perdia-se o admirando quando o via assim. As expressões, o sotaque nítido, aquele jeito doce, esses pequenos detalhes faziam com que não conseguisse desviar a tensão do amado, mesmo que não estivesse absorvendo nada. Adorava quando ele começava falar assim. Era lindo. – A questão é... Eu só quero te ajudar, Stan, querido. – Stan sorriu assentindo, tocado. Era sempre bom sentir que alguém se preocupava assim. E a melhor parte é que não era simplesmente “alguém”. Era Fiddleford. Seu Fidds.
— Obrigado, Fidds... De verdade. – O menor sorriu e tocou-lhe o rosto com carinho, fazendo com que o marido fechasse os olhos, respirando fundo, abobado.
— Só me dê mais umas noites, ‘tá? Se os pesadelos não pararem então vamos ver esse seu amigo eu sei lá o que na terça, uh? – Fidds ponderou um pouco consigo, mas acabou assentindo com um sorriso gentil.
— Bom, e até lá eu posso... – Lançou aquele sorriso pervertido para Stan. – Tentar te cansar o suficiente para você apagar mesmo durante a noite. – O sorriso foi correspondido.
— Ohh, Fidds... Ainda temos um dia inteiro pela frente. – Fidds fez biquinho.
— Achei que ainda tivéssemos tempo... Mas eu guardo pra noite. Vou te deixar exausto, Stanley Pines~!
{...}
O dia pareceu demorar uma eternidade, mas compensaram isso logo que a noite começou a chegar, não desperdiçando um segundo sequer. Os amassos começaram logo que fecharam a porta da Cabana, Fidds pressionando Stan contra a parede mais próxima, tomando seus lábios com urgência e paixão, quase desesperado, o marido correspondendo a altura. Os amassos estenderam-se enquanto preparavam o jantar, acompanhados de provocações, olhares e investidas sob a mesa quando sentaram para apreciar a refeição, que acabou não sendo muito “apreciada” de fato, uma vez que o foco não era o sabor que tinha a comida. Até finalmente não conseguirem mais conterem-se, praticamente jogando a louça de qualquer jeito na pia, voltando aos amassos pela casa, concluindo que tomarem um banho juntos era, certamente, a melhor ideia. Os gemidos não foram poucos, de ambas as partes. Stan tentava ancorar-se como fosse, enquanto tinha seus cabelos puxados com força, Fidds mordendo a curva do seu pescoço, sem nenhuma delicadeza, investindo contra ele em um ritmo intenso, a água quente e o vapor não sendo os responsáveis por deixar seus corpos extremamente quentes.
A disposição para qualquer coisa depois da sessão de gemidos era quase inexistente. Fiddleford podia sentir-se orgulhoso e vangloriar-se o quanto quisesse, porque, assim como ele mesmo, Stan parecia exausto e possivelmente cairia na cama e apagaria, dormindo horas de sono profundo, sem pesadelos. Mas Stan tinha uma determinação invejável e, como de costume, apesar de exaurido, pediu para que fossem ao porão verificar o portal e as pesquisas, prometendo que seriam só alguns minutos. Fiddleford, um pouco a contragosto, concordou, tentando não deixar isso transparecer demais. A questão é que, mais uma vez, era inverno, e ele sabia o quanto seu amado ficava fragilizado nessa época do ano. E ficar se preocupando com o portal assim certamente acabava contribuindo para pesadelos. Dê algo para o cérebro com que se preocupar e ele com certeza pensará nisso. Ainda mais quando se está assim, cheio de sentimentos. Mas foram breves, como Stan havia prometido. Dar uma verificada em tudo, alguns tentativas falhas e olhares tristes do castanho para o portal e então, em bem menos que uma hora já estavam subindo de volta.
Então mais alguns amassos aconteceram, nada prolongados dessa vez, apenas beijos e caricias e gemidos sutis do contato que os corpos tinham e Stan finalmente pegou no sono, descansando a cabeça no peito de Fidds, a expressão relaxada, babando um pouco, o que o tranquilizava e o fez sorrir, que, resolvendo ficar acordado por mais um tempo, afagou-lhe os cabelos com aquele carinho típico que tinha com ele. Aquele carinho incondicional, enquanto via-o dormir, em paz, assim, como podia. E o sono logo veio para ele também, que o envolveu com carinho antes de finalmente deixar-se adormecer.
Algumas horas passaram em silencio e tranquilidade, fazendo-os acreditar, em seus subconscientes, que seria uma noite sem sonhos, antes de Stan ter um pesadelo. Talvez, pelo breve momento de calmaria que tivera antes, o pesadelo fez-se um dos intensos. Fiddleford acordou com Stan se debatendo na cama antes mesmo dele acordar. As vezes Stan murmurava coisas enquanto estava dentro do sonho ruim, o que permitia a Fidds identificar a natureza do pesadelo, se era relacionado ao portal, Ford ou ao passado conturbado de Stan. Incontáveis vezes Fidds acordara com o marido murmurando “Ford” e suas variações, talvez sonhos, talvez lembranças de um passado. Porque a infância fora feliz, não fora? Bom, outras vezes, como essa, ele não falava, apenas gemia.
— Stan. – Chamou, tentando acordá-lo. – Stan. – Tentou novamente, a respiração do outro suficientemente irregular para preocupá-lo. – Stan, por favor!
Quando Stan sentiu-se ser puxado de volta a realidade, agarrou-se a Fiddleford antes de abrir os olhos, respirando com certa dificuldade, tentando acostumar-se às sensações depois de ter sido tirado abruptamente do reino dos sonhos. Respirou fundo algumas vezes, sentindo o suor escorrer pela sua testa, os olhos percorrendo todo o ambiente antes de finalmente encontrarem os de Fidds, que segurava-lhe o rosto com carinho, fitando-o de perto, preocupado. Continuou tentando estabilizar a respiração, piscando algumas vezes, alguns flashs ainda bem mais reais do que gostaria.
— Pronto, Stan, aqui, tudo bem. Tudo bem. – Fidds afirmava, os olhos presos nos seus. E agora Stan sentia o coração bater no peito, como se quisesse fugir, desesperado. A respiração foi estabilizando com a voz suave fazendo-se presente, aquele sotaque que ele achava tão adorável e pousou a mão sobre a do amado, fitando-o com aquele olhar fragilizado. Finalmente sentiu seu toque direto e era real. Isso era real. Fiddleford, com toda a ternura do mundo era real. Os dois ali. Isso era real. – Tudo bem, querido. – Foi envolvido com carinho e correspondeu o abraçando forte, com tudo que podia. Isso é real. Isso é real. – Pesadelo? – Assentiu. – Quer falar sobre isso? – O marido acomodou-se melhor na cama, encostando na cabeceira, trazendo-o para o seu peito e começou a afagar-lhe os cabelos brandamente. Stan negou com a cabeça, as imagens ainda vindo em flashbacks para assombrá-lo nos minutos seguintes. O menor apertou-o contra si, murmurando incontáveis “Está tudo bem, Stan”, “Eu estou aqui, querido”, até Stan conseguir respirar com normalidade e parar de apertá-lo com tanta força.
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A água da banheira estava quente e o ambiente repleto de vapor. Como de costuma, uma hora passara e então outra e Stan ainda estava irrequieto. Mais calmo, de fato, mas sem chances de conseguir pegar no sono novamente. Fidds havia beijado todo o seu rosto e o afastado para levantar da cama, o marido havia protestado, mas ele simplesmente sorriu com carinho e beijou-lhe a testa, sussurrando que ia preparar um banho quente. Stan estava suado e gelado e seria difícil pegar no sono assim com o frio que fazia.
Agora, sentindo a água quente o envolver, relaxando-lhe os músculos que estavam antes tão tensos, os olhos fechados, respirou fundo mais uma vez, sentindo Fidds esfregando seus cabelos com carinho e agradeceu em silencio pelo marido maravilhoso que tinha.
— Melhor, querido? – Fidds perguntou, ainda mexendo em seus cabelos com delicadeza, sentando na beira da banheira. O castanho abriu os olhos para poder admirá-lo com carinho. “Uhun”, murmurou sorrindo. – Quer conversar, meu bem?
— Uh... – Suspirou, arrumando-se melhor na banheira. As vezes era bom falar sobre esse tipo de coisa. Fidds sempre estava disposto a escutá-lo, ampará-lo e dizer, no final, que estava tudo bem. Ele adorava essa parte. – Foi com... Sabe, antigamente. Quando eu estava sozinho e não tinha onde ficar e... Tinha que, sabe... – Fiddleford ficou subitamente sério demais e levantou, secando as mãos em uma toalha.
— As vezes eu odeio o Stanford, sabia? – Stan piscou algumas vezes. Essa não era necessariamente a pauta, mas assentiu, compreensivo., conhecendo bem esse sentimento, de “as vezes odiar o Stanford”, embora não sentisse isso há tempos, não podia julgar Fidds. E o que mais podia fazer se ainda achava o sotaque dele, que ficava em evidencia quando havia algum sentimento forte envolvido, completamente adorável?
— É. – De uma forma ou de outra, foi a única resposta que conseguiu formular. – O outro suspirou.
— Olha, Stan, desculpa dizer isso, mas, as vezes... – “Eu penso que devíamos desistir. Deixar o Stanford no portal, que se dane! Não foi justo o que ele fez com você, ele nunca se importou! Eu não o odeio por mim, Stan. Não tinha nada absurdo contra ele, apesar de tudo, até saber como foram as coisas para você por ele ser tão egoísta! Eu sei que ele é o seu irmão, mas não entendo como você ainda não desistiu. Talvez ele não fizesse nem metade disso por você e...”
— Fidds? – O loiro piscou algumas vezes. Ah, ainda bem, Fidds pensou consigo. Algumas verdades não deviam ser ditas a seco assim.
— As vezes eu tenho vontade de socar a cara do Stanford. – Simplificou e Stan riu.
— Bom, pelo menos eu já sei o que vai ser caso você acorde no meio da madrugada e dê na minha cara! – O menor negou com a cabeça, sorrindo, mas ponderou um pouco sobre a situação, prometendo a si mesmo ser cauteloso nessa parte. Caso tivesse um pesadelo com Stanford e quando acordasse a primeira pessoa que visse fosse, obviamente, Stan, não seria saudável cometer esse erro. – Por favor, não me bata, Fidds. – Pediu ainda rindo. – Não desse jeito. – continuou, agora com aquele olhar insinuador, mas então suspirou, ficando neutro, fitando a água da banheira. – Não pensando no Ford.
Fidds olhou para ele e também suspirou. O que Stan precisava agora era de consolo, não que o marido tivesse uma crise e explicasse o quanto, definitivamente, Ford era um babaca. Voltou a aproximar-se dele na banheira, massageando-lhe os ombros com firmeza, embora com o carinho costumeiro, fazendo-o soltar um gemido baixo, estralando o pescoço.
— Você acabou comigo, Fidds. – Comentou, amenizando as expressões aos poucos até sorrir tranquilo. O outro passou a mão pelas varias marcas roxas nos ombros e pescoço do amado e devolveu o sorrindo, distribuindo beijinhos pela região, por todas elas.
— É sempre um prazer te amar, meu querido. E agora, vamos, hora de sair da banheira. O banho quente era pra você relaxar e se aquecer, não pegar um resfriado. A água já está fria.
— Stan Pines não fica resfriado! – Levantou da banheira, colocando as mãos na cintura, fazendo Fidds rir antes de envolvê-lo com a toalha.
— Não abuse da sorte. Vou pegar seu pijama de inverno.
— Você sabe que eu não tenho um, não é? –Questionou com aquele sorriso provocativo e o marido revirou os olhos, emburrado.
— Então nós vamos sair amanhã e arrumar um! – Stan riu, vendo-o pousar a mão na maçaneta. Limpou a garganta:
— Ei, Fidds.
— Uh?
— Obrigado. – Ele sempre dizia isso com aquele carinho sincero, aquele amor transcendental. Fiddleford não sabia se algum dia conseguiria acostumar-se a isso, mas, da mesma forma dos “Eu te amo”s de Stan, era uma coisa que jamais cansaria de escutar, respondendo sempre com aquele sorrido verdadeiramente grato.
— Não é nada, querido.
E, depois de Stan já estar vestido, com algumas roupas quentes a muito custo, os cabelos, teimosamente, ainda um pouco úmidos, eles voltaram apara a cama e Fidds o envolveu com carinho. Até, mais calmo, ele, finalmente, pegar no sono. E, antes de tirar os óculos, Fiddleford olhou para o relógio: Como de costume, mais de duas horas haviam passado. Mas, se seu amado estava, enfim, tranquilo, era o que importava. E sempre valia a pena.
{...}
— Bom, que maravilha que o frio está praticamente tornando a Cabana inacessível! – Fidds fingiu dar a bronca. – Como eu ia explicar para os turistas que o Senhor Mistério está refriado por pura teimosia?
— Quantos ênfases. – Stan provocou da poltrona, envolto em um grosso cobertor, o termômetro na boca e uma toalha úmida na testa, um espirro veio em seguida. O marido negou com a cabeça, sentando-se no braço da poltrona.
— O que eu faço com você, Stan Pines? – Mais um espirro foi a primeira resposta.
— Podemos aproveitar a “folga” e... – Mais um espirro.
— Ah, claro. Você ter conseguido descer a escada já foi um grande feito. Conseguir sair dessa poltrona vai ser outro e não consigo imaginar nada além disso. – Fidds riu e depositou um beijinho terno na sua bochecha. – Você está bem indisposto. Repouso, Stan. Eu vou preparar alguma coisa quente pra você comer, querido.
— Ei, Fidds.
— Uh? – Stan desviou o olhar, pigarreando.
— Se quiser tentar ligar pro seu colega índio curandeiro ou sei lá o que... Um filtro dos sonhos não parece a pior coisa do mundo. – E, mais uma vez, tudo que o loiro pode fazer foi sorrir comovido, assentindo.
No final, com Stan resfriado e a neve não cooperando muito, deixaram para visitar o antigo colega de Fiddleford alguns dias depois, quando o inverno pareceu dar uma pequena trégua. No final, os pesadelos foram diminuindo a frequência, Stan não sabia dizer se pelo filtro dos sonhos que trouxeram da breve visita, pelo começo do término do inverno ou a própria paz, acompanhada daquele carinho todo, que Fidds insistia em transmitir para ele em cada segundo, todos os dias, com amor.
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