Notas iniciais
Uns breves momentos alegres pro Stan porque ele merece e porque depois de todo momento ternura sempre vem angst e finjam que eu não estou prometendo nada nwdefcvownjcklcq

Não podia acreditar que já era verão. As estações estavam passando rápido demais, assim como o próprio tempo. Ou talvez fosse coisa da sua cabeça. Só porque havia se olhado no espelho e descoberto que estava começando a ter cabelos brancos. Sabia que não era hora para começar com esse tipo de crises, mas era inevitável. O tempo estava passando rápido demais. Ontem mesmo ainda era uma criança. Cheio de esperanças e sonhos e... Talvez sua percepção de tempo só estivesse confusa demais. Perguntava-se se Fiddleford havia notado. De uma forma ou de outra, aquele elemento era inquestionável: O tempo estava passando e estava ficando velho.

Alongou-se na cama vazia. Estava sozinho. Se não fosse por ele Stan teria certeza que estava desperdiçando sua vida. Mas não estava.

Fiddleford havia ido buscar Tate, deixando-o sozinho com os próprios pensamentos. Talvez por isso todo o drama. Já era começo de verão, afinal.

Levantou e tomou o café sozinho. Caracterizou-se como Senhor Mistério e, antes de dar inicio ao resto das atividades diárias, desceu ao porão, sozinho. Haviam tido certo progresso. Mas a coisa toda não iria funcionar sem os outros Diários. Onde o cabeça dura do Stanford havia os enfiado. Era tão preocupado com a “sua pesquisa”, mas parece que estava tudo bem em enfiar ela nos confins do universo. Haviam revirado aquele lugar de cabeça para baixo mais de uma vez e nada. Logo mais deixaria Fiddleford cuidando da Cabana e iria procurá-los pelo resto daquela cidade inteira. Ford não podia ter ido tão longe. Mas isso teria que ficar para depois. “Espero que você esteja bem”, murmurou, a mão pousada sobre o portal, antes de sair de lá.

Os dois chegaram um pouco depois do almoço. Estava com um grupo de turistas e acenou para eles sorrindo, pedindo para que esperassem um pouco. Ao final da excursão, na loja de presentes, uma novidade, deixou os turistas se espalharem e fazerem barulho e foi cumprimentá-los.

— Fidds! – Abraçou-o, tentando não deixar nada obvio demais. – Tate! – Piscou para o garoto, dando um tapa carinhoso no seu ombro.

— Oi, S-Stanford. – Ele fez uma careta.

— Stan, garoto. – Ofereceu ele, sorrindo. – Sabe, você não é de falar muito, pelo que eu me lembro. – O menino negou com a cabeça. Sua franja já estava cobrindo-lhe os olhos. O que lembrou Stan que também tinha que cortar o cabelo. Parece que o mullet não estava mais tão em alta. Isso partia o seu coração. – Bom! Porque eu fiz planos e essa sua “habilidade” vai ser bem útil!

— Oh, o que está tramando, Stan? – Fiddleford cruzou os braços, fingindo estar irritado, mas não conseguindo conter o sorriso bobo.

— Eu, tramando? Fiddleford, você pensa muito pouco de mim! – Os dois riram, cúmplices, e Tate olhou de um para o outro, curioso.

— Só tente não levar meu filho para o mau caminho, do lado errado da lei, engraçadinho. – Brincou, dando um peteleco no Fez de Stan, entortando-o um pouco na sua cabeça. O maior o arrumou, ainda sorrindo. Ambos trocaram olhares levemente insinuadores e cúmplices. Quando Fiddleford percebeu a situação, corou forte e desviou o olhar.

— Eu jamais faria isso, não é, Tate? – O garoto sorriu. Fidds negou com a cabeça, revirando os olhos e colocou a mão no ombro do menino, ambos ainda sorrindo. – Bom, seu pai vai te mostrar seu quarto e depois eu te mostro alguns bons mistérios daqui!

{...}

Quando Stan acordou na manhã seguinte, um pouco mais tarde que o usual, resultado de uma boa noite mal dormida com Fiddleford (não se importava nem um pouco em dormir pouco se as horas que passava acordado eram na cama com o namorado e o mínimo de roupas possíveis), ele já não estava mais na cama. Perguntou-se sozinho de onde ele tirava essa disposição toda. Olhou para as roupas de pesca que havia deixado separadas na noite anterior e sorriu. Talvez não fosse ser só uma daquelas terças-feiras preguiçosas de pesquisa. Era um daqueles dias em que ele colocava um pouco mais de expectativas. Quando desceu para a cozinha Fidds já estava terminando o café, Tate já sentado à mesa, esperando-os.

— Bom dia. – Cumprimentou preguiçoso, bocejando enquanto se alongava da porta. Ainda sonolento aproximou-se do namorado e beijou-lhe a bochecha, acordando de vez instantaneamente ao lembrar que o garoto estava na cozinha, notando o que havia acabado de fazer.

— ‘D-Dia, Stan. – Ele respondeu, afastando-se um pouco, tentando esconder o rubor do rosto. Stan negou com a cabeça, recompondo-se e voltou-se ao menino.

— Tate! – Piscou para ele, bagunçando-lhe os cabelos por cima do boné. Ele sorriu e Stan puxou uma cadeira, sentando ao seu lado. Fidds não demorou a juntar-se a eles para o café.

Iriam pescar. E Stan talvez fosse o mais entusiasmado com a ideia, embora os outros dois também estivessem. Os chapéus de pesca personalizados foram a parte favorita de Fiddleford e ele o colocou na cabeça sorrindo comovido, mesmo a costura estando fraca e o segundo d do seu nome estivesse meio pendurado.

Passaram o dia no pequeno barco. Fiddleford hesitou ao subir, engolindo em seco ao notar o “Stan O’ War” escrito sutilmente na lateral, a mão. Eram sentimentos demais para ele, não era? As lembranças começaram a vir, mas, Stan, já dentro do barco, percebendo a distração de Fidds, levantou e estendeu a mão, dando-lhe aquele sorriso. Fiddleford apenas prometeu a si mesmo dar os melhores momentos possíveis para ele, enquanto subia.

E lá estavam, apenas os três. Stan não tinha como estar mais feliz. De todos os sonhos que tinha de velejar com o irmão, sabia que em algum momento pescar faria parte. E estar ali compartilhando aquele momento com Fiddleford e Tate aquecia seu coração. Ford não estava ali e não estavam velejando, mas estavam juntos, passando alguns momentos “em família”. E, com certeza, essa era uma das partes mais importantes. As horas pareceram voar, mas Stan não conseguiu se importar. Sequer notou o tempo passar. Ensinou o menino a dar nós e tentou colocar linha na vara de olhos fechados. Certamente não foi a melhor das suas ideias, mas gerou algumas risadas, assim como as piadas que tentava contar. Tentava. Fidds havia levado seu banjo e começou a tocá-lo no final do dia, quando o sol estava se pondo. Os tons alaranjados que enfeitaram o cenário e a melodia que saia do instrumento só ajudaram a tornar a vista que Stan teve do namorado absolutamente encantadora. Era um momento... Único.

— Foi uma pesca bem produtiva! – Ele comentou animado, ajudando Fidds a descer do barco. A hora de voltar para casa chegaria, mais cedo ou mais tarde. Também ajudou Tate e eles pegaram o material de pesca e os peixes que haviam conseguido, levantando-os no ar, orgulhosamente. – Não vamos mais precisar fazer compras se você ficar por mais algum tempo, Tate! Você se saiu bem, garoto! – A garoto sorriu sem jeito, terminando de colocar as coisas no carro.

— Então, Stan... A pesca produtiva significa que alguém vai preparar o jantar hoje? – Fiddleford parou atrás dele, massageando-lhe os ombros delicadamente.

— É claro! – Quando o namorado parou a massagem, sob o olhar curioso do filho, Stan mexeu o pescoço e entrou no carro, sendo seguido pelos dois.

— E o que tem em mente? Alguma receita cigana, de família? – Foi a vez de Stan sorrir sem jeito. Fiddleford havia guardado aquilo com carinho, e isso o fazia tão feliz. Porque ele sempre sabia das pequenas coisas e de como fazê-lo sorrir. E principalmente de como fazê-lo sorrir.

— Não tenho certeza se me lembro de alguma coisa com peixes. – Arrumou o retrovisor, todos já em seus devidos lugares. – Piscou para ele. – Mas só se você tocar enquanto eu cozinho! – Com aquele riso adorável, Fidds concordou.

No final, o verão prometia mais que grandes expectativas.

E ele cumpriu todas elas.

Notas finais
Esse não foi o capítulo com que eu fiquei maaaaiiiis satisfeito, foi só uma coisinha pra descontrair mesmo, porque coisas grandes estão vindo em breve. Haha ;w;