Notas iniciais
Vocês não tem ideia do prazer que estou tendo em escrever isso ♥ E da felicidade por estarem acompanhando~ De qualquer forma, não é que as coisas estejam indo rápido demais. Alias, longe disso lol Essa relação já está meio -caminho andada tem tempos, levando em conta o grande intervalo entre os capítulos e, acreditem, ainda tem muita coisa pra acontecer. Enfim~

Tudo estava indo bem. E, dessa vez, de fato, bem mesmo. Trabalhar com Stanley não era tão complicado, no final das contas. E note o “Tão”. Mas era melhor que como costumava ser antes dele. Não que estivesse reclamando, ou que houvesse sido ruim. Mas o Stan era tão... Stan...

As semanas iam passando com naturalidade. E o beijo não ficou esquecido, mesmo que eles não tivessem voltado a tocar no assunto. Nenhum deles havia considerado aquilo como algo errado, mas era como se simplesmente não houvesse sido considerado “valido”. Estavam cheios de sentimentos e de chocolate quente. Demais. Aquilo não havia ficado na lista de prioridades daquela noite. A compreensão toda havia sido considerada mais importante. O jeito como Stan se abrira para ele não seria esquecido. Fiddleford guardaria aquilo com carinho e lembraria sempre. Todas as vezes que fosse cuidar de Stan, porque ele ia. Ele queria poder estar presente e lhe dar tudo que sempre lhe faltara. Carinho, atenção. E mais uma lista imensa em que não queria focar os pensamentos. Isso acabava o deprimindo demais. Mas não mudou seu comportamento em relação a ele. Sabia que o que ele mais queria era que as coisas continuassem normais e bem. E com certeza estariam.

— Faturamos bem hoje. – Stan comentou de cima da mesa, contando o dinheiro. Estavam no porão, fim do expediente de um dos dias do começo da primavera. As próximas estações estavam prometendo ser bem quentes. Fiddleford relia algumas anotações do Diário, fazendo as próprias. – O pessoal daqui não é muito inteligente.

— Você não devia iludi-los assim. – Comentou, mordendo a caneta, as sobrancelhas franzidas numa expressão de duvida. Stan engoliu em seco, olhando para ele, que não havia notado o olhar, e corou de leve. Fiddleford era lindo.

— Eh! – Pigarreou. – Não estou “iludindo”, Fidds, estou “enganando”. É o que eu sei fazer. – Explicou, como se aquilo fosse a coisa mais obvia do mundo, piscou e apontou para si mesmo. Saltou da mesa de onde estava sentado e foi para trás da cadeira do amigo, apoiando uma das mãos em seu ombro, enquanto a outra enfiava o dinheiro no bolso traseiro da calça. A aproximação fez com que Fidds corasse de leve, suspirando ao perder a concentração.

— Bem... – fechou o Diário, meio desesperançoso, deixando-o de lado. – Você pretende manter “Barraco Louco” como nome?

— Uh, eu estive pensando nisso. — Voltou a encostar-se na mesa de trabalho do outro. – Acho que está na hora de mudar para algo melhor. Estamos crescendo, algo grande! Você está me ajudando, não é? Podíamos colocar algo como: — Passou as mãos pelo ar, como que mostrando um banner gigante. – FiddleStan Mistérios! – Sem saber se corava ou ria, Fiddleford reagiu de ambas as maneiras, exageradamente. – O que foi?!

— Isso nem tem como ser o nome de uma cabana de entretenimento, Stan! – Argumentou, ainda entre risos. O outro ficou meio emburrado, fazendo bico e cruzando os braços.

— Ohh, talvez eu só quisesse vez os nossos nomes juntos em alguma coisa. – Ele disse, direcionando a Fidds aquele sorriso. Aquele sorriso que Fidds sempre o via usando com mulheres. Aquele sorriso de quando Stan está flertando e ele achava secretamente tão irresistível. Bem ali, direcionado para ele. Nunca chegou a cogitar essa hipótese. As cantadas que Stan usava eram sempre falhas, e às vezes ridículas, mas sempre sorria com elas a distancia, imaginando se... Mas agora, ter aquele sorriso direcionado para ele era demais. Não estava preparado, nem sabia como agir. Só conseguiu continuar com o sorriso largo no rosto, as bochechas rosadas, sem saber como prosseguir. – Mas você disse algo... – Aquela voz grave o tirou dos devaneios. – Interessante.

— Disse eu? – Confundiu as palavras, notando rápido pigarreou alto, voltando a si. – Eu disse? – Corrigiu-se e o outro assentiu.

— “Cabana de Entretenimento”. É uma Cabana, não é? Então por que não “Cabana do Mistério”?

— Ohh...! Isso é mesmo algo para se pensar! – Stan adorava aquele sotaque. – Muito bem, Senhor Mistério! – O outro fez pose, dando o sorriso largo.

Ficaram em silencio. Fiddleford puxou um pedaço de papel e anotou “Cabana do Mistério”. Não que aquilo fosse necessário ou que fossem acabar esquecendo. Tentou convencer a si mesmo que era só por que “É bom uma ideia ter bases”. A grande verdade era que estava tentando se distrair, uma vez que havia finalmente notado o olhar de Stan sobre ele. Não que fosse ruim, de longe isso. Ele só ficava... Sem ação.

— Ei, Fidds.

— Uh? – Respondeu prontamente, olhando diretamente para ele. Mas o outro demorou a proferir as próximas palavras. Era como se estivesse o avaliando. Stan mordeu os lábios, fazendo Fiddleford engolir em seco, molhando os seus com a língua. Deslizou para longe da mesa e virou a cadeira de Fidds para, curvando-se um pouco, apoiando nela.

— Posso... Posso te beijar?

Fiddleford ficou em choque. Um breve choque. Corado da testa à ponta do queixo, sem conseguir encarar Stanley. O coração batendo exageradamente descompassado, embora aquecido. Já havia percebido esse sentimento. Antes do beijo, antes de Stan se abrir pra ele, antes de se tornarem mais próximos. Não sabia quando havia começado. Se da primeira vez que o vira, se quando voltara, com as gentilezas e gracinhas diárias. Não sabia de onde vinha. A única coisa que tinha certeza em relação a isso era que não era só por Stanley ser irmão de Stanford. Haviam tido sua época e ela havia passado. Mas ali, agora, vivendo a vida como vivia, ao lado dele, dividindo as pequenas coisas, as companhias e os silêncios, não era como se tivesse tentado mentir para se mesmo como se sentia em relação a tudo. Apenas nunca quis precipitar nada. E para Stan, que estava um pouco tenso, era a mesma coisa.

Stan engoliu em seco, com medo de ter ido rápido demais e arruinado tudo. Mas o que ele podia fazer se não conseguia mais conter os sentimentos por Fiddleford? Era grato, e isso era mais que obvio. Grato por Fiddleford tê-lo acolhido daquela forma, o escutado e o amparado por todo esse tempo, por ter se prontificado, embora não de primeira, a ajudá-lo com tudo em que havia acabado se metendo. É claro que era grato, mas não estava confundindo gratidão com os sentimentos que agora nutria por ele. Bem mais fortes que uma grande amizade, bem menos inocentes que uma atração sexual. O beijo havia sido algo, algo que não conseguia conter quando os sentimentos transbordaram e sentira-se tão amado. Mas não queria que fosse assim, pegá-lo de surpresa, desprevenido, acabar chorando de novo e que ambos ficassem sem entender se aquilo tinha valido. Queria abraçá-lo e tê-lo por perto. Acordá-lo com selinhos delicados e preparar o café para os dois, com Fidds sorrindo para ele encostado-se à mesa. Queria estar com ele. De um jeito puro e terno, queria estar com ele. Não podia mais conter seus sentimentos e não era simplesmente pelo beijo que haviam compartilhado. Existia muito mais naquilo. Não era só pela incrível bondade e compaixão que o menor tivera com ele. Era por Fiddleford ser Fiddleford, diferente de tudo que ele conhecia.

Quando conseguiu levantar o olhar para Stan, engolindo em seco, cruzou com seu olhar que parecia imensamente preocupado. Entre “sim” e “não” ele só conseguiu assentir timidamente. Stan também engoliu em seco, sentindo o rubor tomar conta das suas bochechas mais uma vez. Curvou-se um pouco mais, aproximando o rosto do outro, moldou-o com ambas as mãos, segurando-o com carinho e, quando os lábios estavam a milímetros de distancia, perguntou mais uma vez:

— Tem certeza, Fidds? Digo, tudo bem mesmo...? – Fiddleford sorriu ainda timidamente, comovido.

— ‘Certeza, Stan. – As palavras saíram docemente.

Então Stan, ainda segurando-lhe o rosto com uma delicadeza excessiva, que mal lhe pertencia, como se Fidds fosse quebrável (e talvez fosse), foi aproximando os lábios. Não queria estragar tudo. Não queria que estivesse indo rápido demais. Que, por Deus, estivesse dando uma dentro dessa vez. Só ele sabia do afeito e carinho que havia adquirido pelo outro e isso nem havia sido tão rápido. Levara seu tempo. Não queria afastá-lo. A ultima coisa que queria era afastá-lo.

Finalmente os lábios se tocaram. Muito de leve, no começo. Ambos fecharam os olhos, deixando-se apenas sentir. O toque era sutil, quente, macio. Bom. Estranhamente bom. Stan deslizou a mão pelo seu rosto, pousando-a em sua nuca e sentiu que poderia ficar assim para sempre. Então, para sua genuína surpresa, Fiddleford, timidamente, pediu continuidade ao beijo, pressionando os lábios com mais firmeza sobre os seus. Ele certamente não recusou o pedido, abrindo lentamente a boca, logo transformando o selinho casto em um beijo apaixonado, sua língua junto a dele, a troca de salivas, sua mão agora em seus cabelos, afagando-os gentilmente, puxando-o para mais perto.

Fiddleford estava completamente encantado. Perdido nas sensações do beijo, na delicadeza atípica, no toque suave. Ohh, sempre havia visto aquele sorriso e esperado que um dia fosse para ele. Como qualquer ser humano em sã consciência conseguiria rejeitar Stan Pines? Para ele essa hipótese era completamente impossível. O outro foi puxando-o para mais perto e ele simplesmente se deixou levar, sem cogitar se afastar.

Um pouco depois o beijo foi interrompido. Infelizmente não podiam ficar assim para sempre. Stan estava um pouco ofegante e mordeu o lábio inferior, enquanto Fiddleford ainda sentia as bochechas queimarem.

— I-isso foi...? – Tentou um dialogo. Eles sempre funcionavam, não é? Quase procurava um lugar para esconder o rosto. O outro sorriu e bagunçou-lhe os cabelos. – Stan...?

— Eu gosto de você, Fidds. – Comentou com casualidade, sendo direto. Era tudo que sabia fazer. E, como se fosse possível, o outro ficou mais vermelho. – E, não que isso tenha a ver, mas... Obrigado, sabe... Por tudo.

— Ohh, pare, Stan... – Com esse tipo de coisa não estava acostumando. Agradecimentos. Stanford nunca tivera o habito de agradecer. Por isso era diferente. Era Stanley.

— É sério, Fidds, obrigado. – Piscou para ele. – Já é bem tarde, né? Por que não vamos descansar um pouco? O dia também vai ser cheio amanhã. Temos que pensar na Cabana do Mistério.

— É... É, você está certo. – Empilhou as anotações, meio atrapalhado, e guardou o Diário. – É melhor descansarmos um pouco. – O outro assentiu e esperou Fidds se levantar para saírem juntos da sala, deixando-o ir à sua frente. Deu uma boa olhada no cômodo após o menor passar pela porta, suspirou fundo e negou com a cabeça, apagando as luzes antes de sair também.

Fizeram o percurso para fora do porão em silencio. Stan pensou em segurar-lhe a mão, mas cogitou a hipótese de estar indo rápido demais e, apesar de tudo, estava tentando não apressar as coisas. Talvez isso também acabasse indo pra sua lista de metas fracassadas, afinal.

— Ahh... Boa noite, Stan. – Fidds desejou, tirando o outro dos próprios devaneios.

— Uh? Aonde você vai?

— Pro meu quarto. – Com a coisa toda de Fiddleford ter ido e vindo, Stan percebendo seu estado, à beira da insanidade no começo, decidiu que seria bom mantê-lo por perto. Havia improvisado um quarto para ele, assim como para si mesmo. No começo Fiddleford só ficava quando ainda sentia-se perturbado demais. Com o passar do tempo, acabou ficando quando estava tarde demais para voltar para casa, frio demais para dirigir sozinho, solitário demais para se afogar em mais memórias. E, com o tempo, nem todas as noites Stan deixava-o ir para casa. As mesmas desculpas que ele mesmo usava. “Está escuro demais”, “Está frio demais”, “Hoje trabalhamos demais”. Então trocavam um “boa noite”, cada um ia para o seu quarto e tinha sua própria noite de sono perturbado. Mas ao menos eles sabiam que estavam ali, próximos, de um jeito ou de outro. Desta vez, ao invés do simples “Boa noite” trocado e cada um para o seu quarto, Stan se aproximou dele e segurou suas mãos com carinho.

— Por que não dorme comigo essa noite? – Propôs com naturalidade e o rosto do outro voltou a ter alteração na sua tonalidade.

— S-Stan, eu não sei se já... Eu não quero precipitar nada, sab... – Sem deixá-lo terminar a frase o castanho foi puxando-o com cuidado pela escada. Tudo que pode fazer foi acompanhá-lo, hesitante.

Quando chegaram ao quarto Stan voltou a sorrir para ele, daquele jeito animado e descontraído, tirando as peças superiores. Deu-lhe então as costas e foi mexer na cômoda. Fidds estava tenso, mas não pode deixar de admirar o corpo do outro e lambeu os lábios sem perceber. Passou os olhos pelas costas largas e notou as várias cicatrizes. A maioria não tão recente, outras ainda não haviam cicatrizado. A mais chamativa, Fiddleford não teve como evitar pousar os olhos nela, estava na parte de trás do seu ombro direito. Lembrou-se da história que Stan havia lhe contado, brevemente, da discussão que tivera com o irmão. A queimadura estava ainda nítida, ainda uma ferida visível, ainda exposta. Ainda doía. Stan não havia tido ninguém para ajudá-lo a cuidar dela. E isso também havia doído. Aproximou-se dele, que havia tirado uma regata da gaveta, e tocou-a com a delicadeza de uma borboleta que pousa em uma pétala de rosa. Stan deu um salto para frente, surpreso, ao sentir o toque. Virou-se um pouco hesitante, para então deparar-se com um Fiddleford tocado, o olhar choroso. Sorriu sem jeito, entendendo sua comoção, tentando tranquilizá-lo, mas tudo que o menor fez foi aproximar-se e abraçá-lo com uma ternura infinita, um conforto que Stanley só havia conhecido com ele. Abraçando- forte, teve vontade de prometer, em voz baixa “Vamos trazê-lo de volta, Stan” mais uma vez, mas, ao mesmo tempo, não sabia se essa era realmente sua vontade. Trazê-lo de volta. O quanto Stanford não havia ferido o irmão? E isso de tantas formas que não conseguia numerar. E mesmo assim a sua determinação era incomparável. Stanley se esforçava, tentava, tentava e como tentava. Tudo isso pelo irmão. No final, ele era como Stanford. Mas completamente diferente.

Stanley deixou-se ser abraçado, consolado, comovido. Fiddleford o completava de tantas maneiras que ele jamais poderia explicar. Havia vivido de tudo, viajado por todo o pais e até para fora dele, mas jamais havia encontrado alguém como ele. Com aquela bondade, aquela alma, aquele coração e... Ah... Ser abraçado assim era tão bom...

Quando sentiu que tinha o que precisava, embora nunca o suficiente, afastou-se e vestiu a regata, esquecendo-se que pretendia trocar o resto da roupa também. Mal tirou os sapatos e foi guiando-o par a cama. Deitou nela e esperou Fidds fazer o mesmo. Quando ambos já havia se acomodado, aproximou-se dele o Maximo que pode. Os corpos colados, tão juntos, tão bem. Escondeu seu rosto no peito do menor. Envolvendo-o e sendo envolvido. Se “paz” existia, aquele momento era sua representação perfeita. Pudesse ser essa a forma do mundo inteiro.

Mais nada foi dito. Porque não precisava ser dito. A única exceção teria sido um baixo agradecimento. Mas Stan nunca soube se chegou ou não a realmente proferir aquelas palavras. Não que ele não quisesse. É que, pela primeira vez nos últimos anos, em quase uma vida, ambos conseguiram, enfim e em paz, pegar no sono. Um sono profundo e tranquilo, por uma noite inteira, enquanto abraçavam-se forte, sem um único pesadelo. Assim, em paz.

Notas finais
Stan chegou tirando as roupas e ficamos tipo " 'Tá indo rápido demais, sim! Você mentiu, tio Adrew!" Tio Adrew não mente, queridos~ ♥ Não pra vocês~ A questão é que esses dois são ternura demais e aodjewnofjkcsdkcnqwiopao Precisávamos disso~ Obrigado por ter lido até aqui~ A propósito: Não. Eu não consegui resistir e fazer o Stan querer colocar "Fiddlestan Mistérios". As vez eu faço coisas boas. As vezes Trocadilhos assim. Por favor, não me julguem por isso lol