Notas iniciais
Tio Adrew não morreu, gente ♥ E olha que legal, tem o pai das crianças nessa bagaça~ Foi um bagulho trabalhar ele porque, sei lá, acho que mais mistério que quem é o autor devia ser quem são o resto dos membros dessa família porque né. E nem nome ele tem, desculpem, não achei nada e acho que não sou tão criativo assim. Mas, nha, eu ia cortar isso, mas achei que era importante de alguma forma. Criar laços. "Ou sei lá, eu 'to cansado" - Stan Pines Tio Adrew sentiu saudades ♥

A viajem foi longa e um pouco cansativa, os três revezaram o volante durante todo o caminho. Se Stan ignorasse toda a tensão que estava acumulando dentro de si era quase como tirar férias e fazer uma viajem em família. Coisa que ele concluiu que deviam fazer mais vezes. Foi só no dia seguinte da chegada à cidade destino e de terem se acomodado em um hotel que foram fazer uma visita a Shermie, que havia insistido que podiam ter ficado na sua casa. Mas Stan havia pensado nisso: Uma convivência prolongada certamente seria problemas. Shermie ia querer que eles fossem mais cedo e que só fossem embora tempos depois do casamento. Mesmo com as luvas tendo servido bem, passar muito tempo junto dele seria um problema. Não conseguia fingir por muito tempo que era Stanford para ele. Isso o desgastava. Mas não podia negar-lhe uma breve visita, como o irmão mesmo fizera a ele.

— Está tudo bem, Stan? – Fiddleford segurou-lhe a mão. Ainda faltavam alguns dias para o casamento, mas ali estavam eles, afinal, os três, na frente do endereço que Shermie os passara. E Stan estava hesitando em bater. A ultima visita que fizera a um dos irmãos havia acabado da forma mais dramática possível. Mesmo a visita de Shermie fora um pouco conturbada e agora, visitá-lo assim, depois de tantos anos sem aproveitar desse tipo de experiência era algo que o fazia hesitar. Mas também não era hora para ficar remoendo esse tipo de coisa. Respirou fundo e sorriu, estufando o peito, juntando coragem suficiente, assentiu para Fiddleford e bateu na porta, esperando, não mais que segundos, para ela ser aberta e ele receber um abraço entusiasmado, que não soube como responder de primeira.

— Tio Stanford! – Não havia sido Shermie a recebê-los, apesar de tudo. Stan quase foi ao chão, tentando segurar o sobrinho de volta, recebendo o abraço entusiasmado.

— Ei, garoto... – Tentou corresponder a altura, dando-lhe alguns tapinhas nas costas.

Ele havia crescido, é claro que havia crescido. Quem poderia culpá-lo, afinal? O tempo estava passando para todos. A ultima vez que o vira havia sido mesmo antes de ser colocado para fora de casa? Fazia mais de 20 anos, não é? Aquele bebê que havia segurado algumas vezes era um homem agora, e ia casar! Quando conseguiu se afastar um pouco e pode ver seu rosto teve certeza que o tempo realmente havia passado e que o sobrinho era um Pines legítimo em tudo, embora seu sorriso fosse mais bem entusiasmado que o usual.

— Faz anos que não nos vemos!

— É, anos. – Concordou, meio vago, mas devolveu o sorriso.

— Fiddleford Hadron Mcgucket... Pines, eu imagino. – Ele voltou-se para Fiddleford e estendeu-lhe a mão, Fidds correspondendo o aperto surpreso. – Meu pai falou do senhor, já que meu tio Stanford mesmo nunca veio me visitar.

— O que tem isso? Meu endereço também não é segredo, sabia? – Rebateu, fingindo-se ofendido, enquanto arrumava as luvas. O sobrinho gargalhou.

— Eu estava estudando, tio Ford. – Stan fez uma careta. – O que, não está orgulhoso?

— Mais um nerd pra família. – Ele resmungou e o rapaz sorriu, negando com a cabeça.

— De qualquer forma, é um prazer conhecê-lo, Fiddleford. Posso te chamar de tio? – Agitou-lhe a mão, animado.

— Claro! É um prazer! – Devolveu, igualmente entusiasmado. O jovem era alto e tinha um sorriso tipicamente entusiasmado, que lembrava o dos Pines que Fiddleford conhecera, num geral, sendo eles Stanford, Stanley e Sherman. Eles respirou fundo. Os três também haviam causado-lhe algumas problemas, isso tecnicamente. Mas, com o ar sonhador que ele tinha no olhar Fidds não conseguiu se preocupar tanto. O rapaz voltou-se para Tate e o cumprimentou com um abraço caloroso, como se eles já se conhecessem, logo os convidando a entrar.

— Meu pai está fazendo café. Ele me avisou que viriam, então eu resolvi passar por aqui também, já que parece que me fazer uma visita não estava muito nos planos, não é, tio Ford? – Ele sentou em uma das poltronas da sala, gesticulando para que todos se acomodassem também.

— Viemos para o seu casamento, não é? Acabaríamos te vendo por lá, mais cedo ou mais tarde. – Stan comentou.

— Queria que pudéssemos nos falar antes. Nunca temos essa oportunidade, você se afastou tanto da família, tio Ford. Além do mais, no casamento, não vamos estar todos emotivos demais? – Justificou.

— Animado? – Fiddleford perguntou e sua resposta foi um sorriso ainda mais largo, o que foi mais que suficiente. Mesmo porque antes dele resolver usar palavras para se manifestar Shermie apareceu na sala.

— Stanford, Fiddleford! Tate! – Os cumprimentos foram também animados. Stan não estava acostumado. Isso tudo de família e de sentir-se bem-vindo e em casa. Então acabou ficando um pouco desconfortável e sem jeito no começo, mas não era como se não estivesse imensamente feliz com a coisa toda. – Eu fiz café. Tenho que retribuir o favor, não é? E eu certamente faria mais, com prazer, se tivessem aceitado meu convite e resolvido ficar por aqui. Não é, Stanford?

— Já deixamos as malas no hotel. – Respondeu, cruzando os braços. É claro que ele queria aceitar. Mas provavelmente a estadia se estenderia e, em família, não tinha certeza se conseguiria “ser o Stanford” por muito tempo.

— Vamos ter que voltar logo depois do casamento, Shermie. – Fidds interviu, gentilmente. – O Senhor Mistério não pode deixar a Cabana sozinha por muito tempo, não é? E o Stan está terminando algumas pesquisas importantes, não é, querido? – Stan assentiu. – Mas agradecemos a gentileza, Shermie. Prometemos vir uma próxima vez, com mais tempo.

— “Senhor Mistério”, não é? Eu preciso mesmo te fazer uma visita, tio Ford. – O rapaz comentou e Stan e Tate voltaram a sentar, Fiddleford oferecendo ajuda a Shermie na cozinha, que aceitou animado. – O senhor não mudou.

— Não? – Arqueou uma sobrancelha, tentando focar na decoração do ambiente. O outro negou com a cabeça.

— Eu era pequeno quando morávamos com os meus avos, mas lembro de algumas coisas e das histórias que me contava. – Mesmo? Imaginar Ford fazendo isso era algo a se pensar. Se bem que eles haviam ficado como babas do garoto algumas vezes, não seria surpresa se ele tivesse continuado passando por esse processo sozinho. Nenhum dos dois levava muito jeito com crianças, no final das contas. Terem deixado o recém-nascido no mercado uma vez, acidentalmente, não fora um fato esquecido tão cedo. – Os mistérios e tudo. Acho que ainda tenho alguns livros que você deixou em casa.

Mesmo? Stanford Pines fazendo esse tipo de coisa? Talvez cuidar do garoto sozinho depois fosse solitário. Stan chegou a se perguntar se talvez o irmão não tinha sentido sua falta. “Não”, completou sozinho, para si mesmo, prontamente, não querendo se iludir demais. Provavelmente ele só estivesse tentando arrumar um jeito de distrair o menino, na época, e querendo criar mais algum nerd na família, para quando fosse velho demais. O sobrinho curvou-se um pouco e alcançou, no chão, uma mochila aberta. Pegou-a, sem querer, de mal jeito, derrubando tudo que tinha dentro. Livros e mais livros e alguns Manuais de computadores espalharam-se pelo chão. Fiddleford, que, junto de Shermie, acabara de voltar para a sala, vendo a bagunça toda, entregou a bandeja de café que segurava ao marido e se ajoelhou, ajudando o sobrinho, que também estava no chão, a juntar tudo.

— Isso... – Fidds arrumou os óculos, tendo em mãos um dos manuais mais pesados e grossos, daquele tipo que o fascinava, antes de devolve-lo a mochila.

— Ele tem levado trabalho pra casa recentemente. – Shermie explicou, deixando a sua bandeja sobre a mesinha de centro, logo acomodando a que Stan segurava também.

— Eu estou estudando, pai. – Rebateu, pegando a mochila e a segurando propriamente, esfregando os olhos. – Obrigado, tio Fiddleford.

— Você trabalha com computadores?

— Uh? Ah, é. Engraçado como as coisas são simples no começo. – Tirou um dos livros da mochila e o entregou a Stan, que arqueou uma sobrancelha. O livro era velho e surrado e ele tinha certeza que já o havia visto nas mãos do irmão, em algum momento. Passou-o para Tate, que fitou-o já interessado. – Reconhece? É um dos meus favoritos. Com os mistérios e tudo.

— É... – Não tinha como ficar pensando em respostas para esse tipo de coisa. Estava cansado demais e simplesmente não sabia como continuar indo com isso. – Já faz um bom tempo.

— Qual a dificuldade ? – Fiddleford insistiu.

— Uh?

— Ah. – Stan suspirou, agora sorrindo mais descontraído. – Esse nerd montava computadores antes de... Ficarmos juntos.

— Mesmo? Talvez, se o senhor não se importar então... Possa me ajudar com algumas coisas!

— Claro! Vai ser um prazer! –E um assunto mais profundo sobre tudo começou entre os dois. Fiddleford não via a oportunidade de compartilhar esse tipo de conhecimento com alguém tinha um bom tempo. Stan não era a pessoa mais adequada para isso, Tate não estava em casa com frequência e o contato com quaisquer outras pessoas que não fossem turistas era raro, era bom voltar com esse velho entusiasmo.

— Olhe para eles, Ford. – Shermie sentou ao seu lado no sofá. – Parecem crianças quando se trata dessas coisas.

— Nah, o Fidds adora construir coisas. Já faz um tempo que ele... – Olhou para as luvas nas mãos, os braços cruzados e sorriu de leve. – Não faz essas coisas. É uma pena que quase tudo que ele faz seja meio destrutivo. – Comentou, lembrando algumas das ultimas experiências com os robôs que o marido tentara e encostou em Tate, que compartilhava algumas delas. – Não é, garoto? – Tate tirou os olhos do livro, que já lia, interessado, e olhou para Stan e para o ambiente, um pouco alheio a tudo.

— Uh? – Stan gargalhou.

— Eu amo esse garoto! – Voltou-se para Shermie, descruzando os braços, batendo as mãos nos joelhos.

— É claro que ama. Vocês são uma família de nerds perfeita, afinal, Stanford. – Shermie piscou para Tate e Stan deu de ombros, assistindo a cena.

Fiddleford e o sobrinho debatiam animados sobre computadores e o processo de montagem das máquinas ou coisas semelhantes, já puxando os manuais grossos de algum lugar. Fidds sempre tirava essas coisas de algum lugar. Tate, por sua vez, havia retomado a leitura, sorrindo meio abobado depois do “Eu amo esse garoto”. É, parece que sim, ele se pegou pensando, sozinho, enquanto suspirava alto. Talvez eles pudessem mesmo ter sido uma família de nerds perfeita. Fiddleford, Tate e o Stanford. Porque, talvez as coisas tivessem que ter sido desse jeito.

Negou com a cabeça. Era egoísmo pensar assim. Porque eles eram uma família feliz, apesar de tudo, apesar dos apesares, apesar de Stanford. E eles eram felizes, gostava de pensar assim. Mesmo sem o Stanford.

A visita durou mais algumas horas, o suficiente para fingirem colocar alguns assuntos em dia, para Fiddleford e o sobrinho conversarem muito sobre projetos e coisas da espécie e Tate terminar o livro. Stan e Shermie também conversaram um pouco. Algo como jogar conversa fora. Nada profundo, nada espetacular, sem menções e nada, sem maiores preocupações, rindo um do outro vez ou outra, como irmãos costumavam fazer. Foi uma tarde mais que agradável, uma daquelas únicas, uma vez que Stan não se conseguia imaginar abrindo mais uma exceção como essa. Era um momento raro e especial em família, que queria guardar, com carinho.

— Obrigado por ter vindo, tio Stanford. De verdade. – O sobrinho agradeceu, quando todos estavam deixando a casa de Shermie, que já reclamava do quão solitária seria a noite. – Na verdade você não veio, mas... Veio pro meu casamento. – O rapaz deu de ombros. – Obrigado. – Stan sorriu de volta e o puxou para si. – O que...?!

— Cascudo afetuoso! – Eles riram.

— Bom, nos vemos no casamento?

— É, se você não decidir fugir antes. Eu tenho umas piadas sobre casamento, mas é melhor eu não usar agora. – Piscou para Fiddleford, que negou com a cabeça, sorrindo. – Quer uma carona?

— Não, tudo bem. Tio Fiddleford, Tate. – Acenou para eles e jogou a mochila nas costas, começando a caminhada pela rua já escura.

— O garoto cresceu, Shermie. Você deve estar orgulhoso. – O mais velho assentiu, encostando no batente da porta, os braços cruzados.

— Espero receber o convite de casamento do Tate logo. Uh, vocês podiam deixar ele aqui essa noite. Eu tenho alguns jogos de tabuleiro.

— Nah. – Stan resmungou. – Por que isso?

— Porque eu estou sozinho, ele gosta de jogos e, depois do que eu vi quando cheguei na cada de vocês, ah, acredite, acho que eu não dividiria o mesmo quarto com vocês. – Ele riu. – Então, garoto, que tal passar um tempo com o seu tio? Acho que seus pais não vão voltar pra esses lados tão cedo mesmo. – Tate deu de ombros, assentindo com um sorriso leve. Novos ares eram algo bom. – Acho que está na hora de você lembrar o que família quer dizer, Stanford. São coisinhas assim. – Revirou os olhos e deu de ombros. Fiddleford foi quem agradeceu e se despediram de Shermie e de Tate. E a despedida foi breve, o casamento seria em dois dias, não era uma despedida longa, não precisava durar para sempre.

— Viu? Não foi tão ruim. – Quando já haviam entrado no carro Fidds massageou-lhe um dos ombros com carinho. – E fico feliz do Shermie estar... Tentando interação familiar.

— Acho que essa está sendo a parte fácil.

— Ainda preocupado, querido? Eu vou estar com você, uh? – Ligou o carro e, olhando para Fiddleford, aquela gentileza, a mesma gentileza que conhecia desde sempre estampada em seu sorriso, permitiu-se deixar a coisa toda para depois.

— Eu vou ter tempo pra isso depois. Obrigado, Fidds.

Notas finais
Vocês sabem do que eu gosto? Tretas! Vocês sabem o que vai ter no próximo capítulo? Então, ah. Obrigado por te lido até aqui o> E pela paciência /o/