Notas iniciais
[Nota da NanamiUchiha] Antes de mais nada, agradeço à karinsaku por ter deixado um comentário no Capítulo anterior... Obrigada por continuares a acompanhar a história, acredita que ficamos muito felizes :) E, heis que o casalinho da Fic se volta a encontrar neste Capítulo muahahah :esfregando as mãos - claro sinal de que aprontei alguma: Não quero dar Spoilers a ninguém mas... Ri muito ao escrever isto, espero que vocês compartilhem do meu humor eheh ;) É só descerem a página, ler e encontrar a Sahh nos comentários finais ;) Boa leitura o/

– Aa… Doutor?

Levantei apenas um dedo, pedindo-lhe um minuto, enquanto acabava de falar com o juiz, com quem ia ter audiência no dia seguinte. Curvei-me mais para conseguir assentar umas últimas notas, desligando depois.

– Olá, Sakura. Que me querias?

Ela pestanejou por momentos, os olhos dela espelhando bem a pergunta “mas que raio de tratamento tão pessoal é esse?” antes de tirar o casaco.

– Aa… Bem… Vai ficar aí na minha mesa? Passou-se algo no seu gabinete?

– Não estava a abarrotar de papelada ao ponto de eu não conseguir entrar, fica descansada. Eu despachei tudo o que tinha pendente durante a tua folga.

– Isso é óptimo. – Sempre aquele tom de surpresa. Tenho a certeza que ela esperava chegar ali, encontrar-me enterrado em papéis e notas fiscais, com olhos de quem não dormia há semanas e com a desculpa “tentei dar o meu melhor, mas não foi o suficiente. Por favor, ajuda-me a sair daqui”. Consegui imaginar muito bem o cenário, pois já tinha acontecido uma vez.

Mas eu agora era um homem novo.

– Ainda organizei os arquivos todos e marquei as minhas próprias reuniões, que me dizes a isso? – Perguntei, levantando as sobrancelhas e inchando o peito, na brincadeira. Ela entrou na minha brincadeira e riu-se.

– Digo que qualquer dia as minhas funções aqui se tornam obsoletas e só irei servir para tirar cafés.

– Ahh, já sei funcionar com essa máquina também.

– Acabei de perder todas as funções que dominava para estar empregada aqui. Ai de mim. – Disse ela num falso tom derrotado, baixando a cabeça.

– Sem medos, sinceramente prefiro que sejas tu a marcar-me tudo, a organizar-me tudo e também a tirar café. Não o consigo por tão doce como o metes, e olha que eu tentei os níveis de açúcar todos.

– Ahh, isso não tem a ver com a máquina, tem a ver com a pessoa que manipula o copo.

– Eu logo vi que tinha de ser isso. – Disse com um sorriso, mantendo-me ainda sentado sobre a mesa dela. Os olhos dela espreitaram-me, por entre as mechas de cabelo rosado, confusos e ligeiramente desconfiados. Contornou a mesa e preparava-se para se sentar quando reparou na mudança na secretária dela. A cadeira nova que eu tinha mandado vir tinha chegado mesmo a tempo. Ela tornou a olhar-me e eu levantei as mãos, como que em minha defesa. – Estive lá sentado durante cinco minutos e tive uma séria lombalgia. Eu tinha de fazer algo.

– Esteve sentado à minha mesa?

– Sim, bem… Foi meio que necessário.

– Tem a ver com o porquê de estar sentado na minha mesa?

– Tem.

– E com o facto de ter estado a usar o meu telefone e… O meu bloco de apontamentos?

– Sim, também.

– Vai-me dizer que as saudades que sentiu de mim foram tão insuportáveis ao ponto de ter de vir para uma mesa que deve fazer um terço da sua?

Brindei-a com o meu melhor sorriso, enquanto saltava de cima do tampo da mesa.

– As saudades foram dolorosas e houve horas em que julguei que a minha sanidade mental estivesse por um fio.

– Não está sempre?

– Touché. Mas aparte disso, eu tive de usar o teu telefone hoje, porque eu puxei a linha para o meu gabinete nos outros dias, porque o meu… Enfrentou ligeiros problemas técnicos.

– Técnicos?

– Vá… Mecânicos.

– Mecânicos? Saltou uma tecla?

– Várias. O pobre coitado não aguentou a perda de tantos membros.

– O que aconteceu? Deixou-o cair ao chão?

– Deixei-o cair contra a parede.

O riso dela fez coro com o meu, quando ela percebeu o que eu queria dizer.

– Não lhe conhecia esse lado tão agressivo, doutor.

– Nem eu… Nunca mais bebo quinze cafés num dia. Tenho a certeza que foi um surto de adrenalina.

– Sem mais cafés então, passo só a dar-lhe um de manhã e outro depois do almoço.

Fingi fazer um beicinho, ao que ela me mandou simplesmente ir trabalhar. Entrei de novo no meu gabinete, sentando-me na minha cadeira, contemplando só em redor. Desde que ali tinha chegado, penso que nunca tinha sentido o quão gratificante era eu trabalhar ali. Conseguira cobrir as minhas falhas, como o adulto responsável que era. Mantinha o nome Uchiha que o meu pai elevara desde que saíra dali e ainda tinha conseguido arranjar mais clientes no entretanto, entre eles muitos peixes graúdos. Afinal não era assim tão mau, apesar de não ser definitivamente aquilo que eu me veria a fazer. Mas tinha de ser feito.

Liguei de novo o ecrã do computador, enquanto confirmava na agenda o dia de hoje. Ainda nem cinco minutos depois, a Sakura entrou com os primeiros clientes, que me traziam um caso complicado de acusação de homicídio. Eu já os tinha recebido há uns dias, pelo que agora só tinha de analisar os relatórios que já tinha feito, bem como os que eles haviam trazido consigo, feitos pela polícia técnica. Ao que parecia o meu cliente estava a ser acusado de ter morto o sócio. Todas as amostras do local apontavam para ele ter estado em casa do sócio na altura do crime, tendo várias impressões sido deixadas no canivete de colecção. Com o pormenor de que o passaporte do meu cliente confirmava que o meu cliente estava fora do país nessa altura.

Passei toda a manhã com esse caso, sabendo já de antemão que ia ser algo que demoraria a processar. Mesmo na minha agenda não tinha marcado mais nada, para depois não ter de estar a adiar. Foram poucas as vezes que a Sakura entrou no meu gabinete, somente a meu pedido para me trazer um ou outro arquivo, enquanto juntava uma série de nomes que nos poderiam ajudar e para marcar uma “entrevista” com a polícia técnica, para discutir pessoalmente as provas.

Passava já da uma hora da tarde quando, finalmente, os clientes deixaram o meu gabinete, deixando um rasto meio sibilado aos meus ouvidos, como se numerosas línguas de serpente continuassem a bichanar. Mesmo fazendo tudo pela causa deles, algo não batia certo ali, algo que me estavam a esconder e daí o meu interesse em falar directamente com a polícia técnica. Mas isso ficaria para depois. Espreguicei-me na minha cadeira, sentindo os músculos do pescoço todos tensos. Tinha acabado de encostar a cabeça para trás, apoiando-a nas enormes costas da cadeira, quando uma voz familiar se fez ouvir, através da frincha da porta que tinha ficado entreaberta.

– A sério, não tem mal nenhum, é só um simples almoço. Eu falei com o Sasuke e tudo no outro dia, ele disse que não fazia mal nenhum, que por ele estava tudo óptimo. Deu-me o teu número e tudo.

– Eu… Lamento, mas isso não é politicamente aceitável e, por muitos defeitos que o Doutor tenha, sei que ele respeita bem a privacidade dos funcionários.

– Ahh vá lá, ele próprio admitiu que já tinha tentado convidar-te imensas vezes, e que sempre o tinhas negado. Ele somente escolheu… Deixar o caso em melhores mãos, entendes.

– Eu não entendo, podes-me explicar? – Inquiri, cruzando os braços, encostando-me contra a ombreira da porta.

– Aah… Estavas aí…

– Tanto quanto sei, este é o meu escritório. E essa é a minha secretária, que tem o trabalho dela, aqui, comigo. Que história é essa de eu ter dito “que não fazia mal nenhum”?

– Bem, tu deixaste de responder, quem cala consente.

– Eu desliguei-te o telefone na cara, para ser mais preciso. E parti-o a seguir, para não teres mais a amável ideia de me ligar. Portanto, tendo isso em conta, penso que a minha mensagem foi bastante clara.

– Tudo bem, tudo bem. Mas a verdade é que não podes falar por ela. Podes-te ter negado a dar-me o número dela, mas eu agora vim perguntar pessoalmente.

– E ela, pessoalmente, já te disse que não, certo, Sakura?

– Sim eu… Eu peço desculpa mas…

– Não tens de pedir desculpa, não estás a causar nenhum transtorno e a fazer mal a ninguém, estás simplesmente a declinar um convite.

– Deixa-a falar, Uchiha.

– Ela já falou, Sabaku.

– Ahh és impossível! – O ruivo levou as mãos à cabeça, tentando controlar as ganas de, certamente levá-las ao meu pescoço. – Desde criança que és possessivo com tudo e mais alguma coisa.

– Talvez tenha escapado à tua percepção por entre essas olheiras, mas a Sakura não é uma coisa.

Ele riu-se, certamente mastigando um ou dois podres que tinha para atirar à minha cara, sobre o que eu acabara de dizer. Em vez disso, virou-se simplesmente para a Sakura de novo.

– Última chance…

– Lamento, mas vou ter de recusar.

– Ainda a história de firmas diferentes?

– É a verdade. Não posso, de limpa consciência, ser vista a almoçar com o sucessor da firma que não aquela em que trabalho.

– Está bem, está bem, já percebi. – Vi-o pegar no casaco e chamar de novo o elevador. – Ganhaste esta, Uchiha, mas acredita, aquele teu cliente que saiu daqui agora… Não lhe vais conseguir livrar a goela assim tão bem.

– Ficaste como advogado de acusação?

– Fiquei. Vemo-nos em tribunal, emo.

– Eu não sou emo!

O riso dele misturou-se com o barulho metálico do elevador a fechar. Cerrei os dentes, que mania a dele de me chamar aquilo desde o secundário. Tinha sido somente uma fase da minha vida. Eu também já não passava o tempo todo a chamá-lo de dred. Rangi os dentes, eu devia era ter sido rápido e ter-lhe atirado o pisa papéis da Sakura à cabeça.

A Sakura que olhava para mim, ainda com a boca ligeiramente entreaberta e parecendo muito pouco à vontade.

– Eu… Devia ter aceitado?

– Diz-me tu… Querias ter aceitado?

– Eu não podia, eu…

– Se não trabalhasses aqui… Aceitavas?

Ela ponderou muito bem a resposta, enquanto olhava fixamente nos meus olhos.

– Eu… Acho que não.

– Achas?

– Sim… Não… Eu não sei.

– E se eu te perguntar se queres ir almoçar comigo?

A boca dela abriu-se mais, fitando-me incrédula.

– Eu… Eu não posso, não cairia nada bem eu ser vista a almoçar com o meu chefe.

– Porque é que não cairia bem?

– As pessoas iam falar… Iam pensar que… Que haveria algo mais entre nós dois, e que seria por isso que eu tinha conseguido o meu lugar.

– E qual seria o mal nisso? – Perguntei, aproximando-me mais dela, apoiando as mãos sob o tampo da mesa dela, fitando os olhos verdes lindos dela. Não foi a habitual muralha segura que me respondeu. Vi falhas em toda a segurança dela, enquanto continuava a forçar maneira de penetrar nas defesas dela. – Qual seria o mal de eu ter, de facto, conseguido conquistar-te e ainda querer que continuasses a trabalhar comigo?

– Eu…

– É assim algo tão mau de se imaginar?

– Não, é claro que não, não foi isso que eu quis dizer…

– Então o que foi?

– Aa… – Forcei mais o espaço pessoal dela, ponto praticamente o meu rosto ao nível do dela. – Eu… Eu não consigo pensar assim…

– Pensar sobre pressão é algo absolutamente necessário, neste tipo de trabalho. Faz assim… Na minha agenda, quais os dias em que tenho os meios-dias livres?

– Aa… – Atrapalhada, ela buscou a minha agenda, com as mãos a tremer de nervosismos e um matiz ruborizado nas bochechas. – Se-Segunda e Quinta. Da semana que vem.

– Hm… Marca para Segunda então, quanto mais depressa melhor.

– O… O que é que devo marcar?

– O teu almoço comigo.

– M-Mas…

– Não tem problema se me trouxeres uma das tuas sanduíches, pois não? Eu depois vou ao bar lá de baixo e trago-nos bebidas.

– Vamos… Comer aqui?

Encolhi os ombros, abrindo os braços para açambarcar o espaço em geral.

– A menos que tenhas instalado câmaras… Aqui ninguém te vai ver a comer com o teu chefe. O teu grande medo foi contornado.

– Mas…

– Não aceito um não. – Disse, entrando de novo na minha sala, mas depois espreitei com a cabeça para ela de novo. – E quero maionese na minha sanduíche – Fui para entrar de novo, mas depois lembrei-me. – Sem alface, só tomate. – Parei-me a mim mesmo antes de entrar, olhando a de novo. – E estás linda hoje.

Bati com a zona da têmpora, ao virar-me para entrar de novo. O riso tímido dela acompanhou o bater da minha porta.

Notas finais
[Nota da SahhChan] Bem e parece que o regresso da nossa rosada foi marcado em beleza por um novo convite do príncipe dos Uchiha's para almoçar kkk' Que acham? Acham que ela ficou nervosa com isso? Hummm não sei kkk' Vamos ver no próximo Capítulo o que pensa ela do assunto, ok? Sayonara minna o/