Notas iniciais
[Nota da NanamiUchiha] E após uma visão da noite da Sakura, eis que vemos um pouco do que o Sasuke faz durante a noites. Porque será que ele tem tanta necessidade de esquecer os próprios pensamentos? Passem a página para baixo e descubram ;). Espero que gostem o/

Para ser honesto, a noite era a única coisa pelo que ansiava, desde o raiar do dia. Apesar de, durante as horas diurnas, andar com a cabeça pesada de tudo o que se tinha passado nas noites anteriores, era mesmo por elas que eu desejava. Desejava a liberdade, a falta de compromisso, o toque livre e o desejo. Ansiava pela bebida, pelo cheiro de várias peles, pelos múltiplos gemidos ao meu ouvido.

Ajudava-me a não pensar em montes de coisas que, com as horas diurnas, me vinham à cabeça e eu queria esquecer. Além de me pôr dormente o suficiente para eu não me importar com mais nada que não fosse o encher do copo seguinte. Não queria saber do meu trabalho. Não queria saber do sermão que me esperava em casa quando chegasse. Não queria saber, ponto final, parágrafo.

A ruiva de hoje era das frequentes. Gostava da loucura dela, ela dizia que eu era selvagem, e as coisas basicamente ficavam por aí até chegarmos ao quarto. Aí era tudo agitado, tudo não passava muitas vezes de um borrão aos meus olhos, mas quando o momento chegava eu estava perfeitamente lúcido.

– Qualquer dia, matas-me. – Ofegava ela, ainda a arfar, a olhar para o tecto, tal como eu.

– Por vezes, isso era tão bem pensado. – Murmurei, antes de me poder deter. Senti o corpo dela virar-se para mim, o fôlego a ser sustido, procurando uma explicação para o que eu tinha dito. Não tinha tempo para isso. Levantei-me da cama, ainda meio grogue, procurando pela minha roupa interior.

– Já vais?

– Ao contrário de ti, a minha vida não é esta. – Resmunguei baixinho, enquanto apertava a camisa.

– Pelo menos, parte dela é, dado que vens cá todos os dias, e cada vez mais sequioso. – Ela lançou-me o lençol em que estava embrulhada, fazendo-o passar em volta do meu pescoço, puxando-me para ela. – Mas também cada vez mais frustrado. O que se passa? Podes falar comigo sabes.

– Não tenho tempo para discutir a minha vida com uma puta, desculpa. – Disse logo, sem meias palavras, enquanto me calçava. – Não te pago para me ouvires. Na verdade, é mais o contrário. Pago-te para te ouvir. E ouvi. Tens o habitual em cima da mesa. Fui.

Assim que virei as costas e fechei a porta, ouvi algo quebrar contra ela, abafando as palavras “És um porco!!”. Quanto drama, eu não lhe pagava para isso. Suspirei enquanto descia as escadas, desta vez evitando os olhares de meio bar. Não tinha tempo para mais aventuras naquela noite. Tirei as chaves do carro, rastejando praticamente lá para dentro depois. Apoiei a cara no volante, enquanto tentava que a visão parasse de ficar turva. Talvez não devesse ter bebido tanto…

Conduzi o mais devagar que tinha conduzido em toda a minha vida até casa. Isso fez com que já passasse das 4h da manhã quando estacionei o carro na garagem, ainda esfolando a pintura do carro da companhia que estava estacionado ao lado. De manhã trataria disso. A luz acesa na sala dizia-me que eu iria ter mais com que me preocupar.

Como sempre não me enganei. A voz dele veio rápida como um trovão, assim que entrei na sala, tentando gatinhar até às escadas que davam acesso ao andar de cima da casa.

– Estás num lindo estado, para não variar. Foi para isto que te criei, Sasuke?!?

– Pai, agora não…

– Agora sim! É isto todos os dias! O que pensas que andas a fazer com a tua vida? – O meu pai aproximou-se, segurando-me por um dos colarinhos para me obrigar a olhar para ele. Até foi bom ele o ter feito, pois já não tinha muitas mais forças nas minhas pernas. – Eu criei uma empresa e entreguei-ta em mãos. E o que estás a fazer? A fazer com que ela desmorone completamente. Tens vários processos em atraso, há meses!

– Eu não te pedi para me dares a empresa…

– Eu dei-ta para tu fazeres algo da tua vida que não seja beberes até caíres e deitares-te com prostitutas, Sasuke! Se a tua mãe te visse…

– A mãe já não me pode ver!! – Gritei, sobrepondo-me às palavras dele. Afastei-o pelos ombros, apoiando-me no corrimão das escadas para me manter de pé depois. – A mãe já não pode ver nada! Graças a ti. Tu é que a matas-te, a culpa foi toda tua! Não me venhas agora com merdas.

– Tento na língua, meu rapaz, eu ainda sou teu pai. Exijo…

– O quê? Exiges o quê? Respeito? Tu mesmo passaste anos e anos embrenhado em putas e vinho, tal como me acusas agora de estar. Tu mesmo fizeste a vida da mãe num inferno, tal como a minha. Achas que construir uma empresa foi o teu melhor feito? Então muitos parabéns… — Bati-lhe palmas, fazendo no fim uma vénia e tudo. – Parabéns por teres negligenciado a tua família por anos para construir algo de que mais ninguém quer saber!

– A tua mãe fez mesmo de ti um pirralho mimado…

– Pelo menos ela fez algo de mim! Pelo menos ela dava-me aquilo que tu nunca me deste. – Cerrei os punhos. Era sempre a mãe. Era só ela que estava presente nas minhas memórias, quando eu tinha coragem de me perder nelas. Ela tinha estado presente quando entrei para a escola primária. Ela tinha ido ver todas as minhas peças, no básico. Ela tinha ido aos meus concertos, quando eu formara uma banda, na secundária. Ela tinha ido à minha formatura, na universidade. Ela tinha-me apoiado durante todo o curso, por saber que o estava a tirar obrigado. Era ela quem sempre me recebia em casa, quando as saídas à noite começaram a ser as minhas melhores amigas.

Ela já não estava ali.

– Eu dei-te um futuro, seu ingrato. Dei-te algo já construído, algo em que, por uma vez na vida, podes ser bem-sucedido!

– Obrigado por tudo, mas para a merda mais o futuro que me deste. Prefiro o passado. Prefiro construir. Prefiro falhar mil vezes a ser “bem-sucedido” por algo que não fui eu que fiz. Queres que a empresa se mantenha? Volta de novo para lá, porque eu não meto lá mais os pés.

– Eu não posso voltar, todas as acções são tuas!

– Não seja por isso, eu dou-tas de volta! Engole a empresa! – Gritei antes de subir as escadas, ignorando todas as palavras que ele lançara para me perseguirem até ao meu quarto. Ouvi a porta bater com estrondo, fazendo os vidros da janela ressoarem. Tranquei-a para não me incomodarem.

Deitei-me pesadamente na cama, sem me dar ao trabalho de tirar as roupas. A minha mente rapidamente perdeu todas as cores, excepto o branco, mergulhando numa série de sonhos que somente reflectiam coisas que eu queria esquecer.

A luz do sol penetrava-me pelas pálpebras, parecendo querer-mas ferir até que eu acordasse. Escudei os olhos durante mais umas horas com a almofada, perdendo a luta quando o meu estômago se manifestou. Levantei a cabeça, vendo o sol bastante alto lá fora. Peguei no telemóvel, vendo que já passava da hora do almoço. Tinha várias chamadas não atendidas, maior parte da minha assistente, outra parte dos clientes que eu devia ter marcados para esse dia. Que se lixassem todos eles. O antigo dono voltaria e lidaria com eles com o tempo. O seu filho desajeitado, preguiçoso e de má vontade nunca mais voltaria a por os coutos naquela empresa do inferno.

Nunca mais.

Notas finais
[Nota da SahhChan] Wow, ela esmerou-se a valer, han? Juro-vos que adorei, a Nanami esteve bem com este Cap do nosso Sasuke. E então, que acham? Acham que ele desiste mesmo ou que acaba por voltar para a empresa do pai? Deixem-nos as vossas opiniões, minna, e até ao próximo Cap!