Notas iniciais
[Nota da NanamiUchiha] O prometido é o devido e eis que estamos de volta o/ :dancinha da vitória: Vamos tentar que, pelo menos de semana a semana, a Fic seja actualizada, consoante o tempo livre de cada uma (que é pouco, mas lá daremos um jeitinho). Desde já queria agradecer a todas as meninas que comentaram o Capítulo anterior, OnlyKiss e ChristieErin, muito obrigada por não terem desistido da "Apprentice" após tanto tempo, terem lido logo e ainda terem comentado, dando-nos o incentivo que precisávamos para continuar com esta história ^^. Agradeço também aos que favoritaram - um ENORME obrigada pelo apoio - AkaneChan, GLITCHLORDE e Eater Soul. Obrigada também, é claro, a quem passou a acompanhar a história, aguardamos os vossos comentários porque eles serão apreciados e muito agradecidos e bem-vindos ;) E, sem mais delongas, vamos a isto.

– Eu... Não me sinto plenamente à vontade a tê-los. É como se eu estivesse a... Pisar um terreno no qual não pertenço, de todo. É como se eu sentisse que... Estou a cometer um delito horrível por... Por me estar a sentir como sinto em relação a ti. Entendes isso?

– Mas não é delito nenhum... Ou eu sou assim tão perigoso? Consideras me assim um risco tao grande na tua vida? – Perguntei atrapalhando as palavras finais que se lhe escaparam dos lábios, ao mesmo tempo que pegava na mão dela, dado que ela se tinha recusado a estender-ma. Foquei novamente o verde dos olhos dela. – Eu estou a mudar. Por ti. Porque quero ser o melhor possível pra ti.

Ela abanou a cabeça, discordando de cada uma das minhas palavras. Eu não percebia a necessidade dela de me manter longe. Não percebia e não ia fingir que o fazia, pelo que não ia permitir que ela fugisse daquela maneira, que me tentasse afastar uma vez mais. Ela sabia que me havia custado a mudar, mesmo que mais ninguém o notasse para além de mim. Mas eu mudara. E continuaria a mudar. Até ser merecedor dela. Só ela é que não via isso? Despertei dos meus pensamentos a tempo de perceber as linhas do raciocínio seguinte dela.

– Nunca te ocorreu... Que eu posso pensar precisamente o contrário? Que sou eu que sou o grande risco na tua vida? Que sou eu que posso estragar tudo? Vá lá a sério... O que é que verias em mim? O que é que um rapaz rico, bonito e sempre rodeado de todas as mulheres que quiser iria ver em mim? Justamente em mim? – Senti a mão dela desviar a minha, ao mesmo tempo que aquele mar de algas verdes se afastava do meu olhar, recusando-se a aceitar a negação patente pelo abanar da minha cabeça a cada palavra que ela dizia. Parecia querer que eu olhasse para ela com os mesmos olhos que os outros a olhavam, que eu a visse da maneira que ela própria se via. Mas era impossível para mim. Eu já estava vendado à minha própria visão, eu já só a idealizava consoante aquilo que via. Jamais a conseguiria ver de outra maneira. – Já alguma vez te ocorreu que... Que sou eu que posso não prestar para ti? Que sou eu que posso estar mal na tua vida? Que posso estar a mais?

Kami-sama do céu, ela não percebia mesmo…

– Eu sinceramente não percebo de quem estas a falar, juro-te. Onde é que eu estou "rodeado de todas as mulheres que quiser" sem ter de pagar para elas me fazerem isso? Porque eu pago, tenho vergonha de dizer que pago. Eu não tenho um sexappeal tão grande como tu achas, Sah... Eu sou bastante evitado pelas mulheres. Eu sou frio com elas. Sou bruto com elas. Chego a ser bastante mau e até violento com elas às vezes. Ainda achas que és tu quem está mal aqui?

– O que é que me chamaste?

Parei também, meio alarmado, ainda a tentar recuperar o fôlego de tudo o que havia dito. Eu não era de falar muito. Logo quando o fazia, frequentemente dizia coisas sem pensar e acabava por meter os pés pelas mãos. E sinceramente eu não percebia o porquê daquela expressão no rosto dela. Eu havia dito alguma coisa de mal? Havia sido rude, mal criado, frio, bruto…? A expressão dela estava em suspenso, boquiaberta, como se eu lhe tivesse proporcionado a maior epifania do mundo.

– Eu… Aa... Não sei eu... Eu disse alguma coisa de mal? Insultei-te? Se o fiz foi sem intensão... – Ohh merda, merda, merda, não…! Porque é que ela estava com cara de choro? Porque é que ela estava novamente a desviar os olhos de mim, a mão na direcção deles, como se não quisesse deixar escapar nem uma lágrima?

– Não foi isso, tu só… Disseste... Chamaste-me... Sah...

Parei de novo, sentindo os olhos prestes a saírem-me das órbitas. A sério que eu tinha cometido aquele erro? Era algo que eu só usava para me referir a ela quando… Bem, quando passava horas e horas a pensar nela, deitado no meu quarto e a fixar o tecto, antes de finalmente desistir de tal e acabar por lhe enviar uma mensagem, a que normalmente não obtinha qualquer resposta… E agora eu tinha deixado aquele momento escapar-me por entre os lábios com tanta facilidade…

– Aa... Pois, é... É como eu te chamo sempre que penso em ti e... Quero dizer... Tu não gostas?

– Eu gosto, só… E-eu… Eu vou-te fazer um café…

– Sah… – Chamei de novo só, impedindo-a de fugir novamente de mim ao agarrá-la pelo braço. O corpo dela cedeu facilmente ao meu, a cabeça a voltar-se novamente na minha direcção, os lábios ligeiramente entreabertos pela surpresa do meu movimento. Seria possível ela parecer-me ainda mais tentadora? – Explica-me só o que é que eu tenho de fazer pra me dares uma oportunidade na tua vida...

Um suspiro por parte dela elevou-se no ar.

– Porquê? Diz-me só porquê. O que é que eu tenho de especial? E não me digas que é por mais nenhuma te querer porque isso, desculpa, mas é mentira.

– Não, não é! Tu és a única que me quer assim... Por completo. Ou queres só o meu corpo? O meu nome? O meu dinheiro? É isso que queres?

O som ecoou pela cozinha. A mão dela ferveu contra a minha pele, o sítio onde ela me tinha esbofeteado a arder como eu nunca havia sentido. Olhei-a surpreso. De todas as coisas que eu esperava que ela me dissesse ou fizesse, aquela certamente não era uma delas. Ambos parecemos surpresos com tal desenrolar, ficando somente a fitar-nos durante momentos que pareceram eternizar-se, até a voz dela se soltar.

– Eu nunca, ouve-me bem, nunca!, Quis o dinheiro de ninguém. Nunca. Eu não sou esse género de mulher. Não sou, nunca fui e nunca serei. E não te atrevas… A voltar a dizer isso. Porque se o fizeres eu nunca mais voltarei a olhar na tua cara!

– Eu não... Eu não estava a afirmar que o querias… Estava a dizer precisamente o contrário. Que não era isso que eu pensava que procuravas em mim... – Arranjei de novo forças para levar a mão ao rosto, sentindo o local onde ela me tinha batido a latejar. Caramba, ela tinha força… – E se foi isso que percebeste eu… Peço desculpa se não me expressei bem, mas não foi de todo isso que eu quis dizer.

– Eu disse que não eras tu que estavas mal aqui… Eu avisei-te… – Consegui ainda distinguir os murmúrios dela, pelo meio de mais uma tentativa dela de me escapar na direcção da cozinha.

– Eu só quero perceber o que estou a fazer de mal e que te está a manter afastada de mim. É que ser somente teu superior não me esta a convencer mais…

– Já te expliquei! – A voz dela entrelaçou-se com a minha, reduzindo as minhas sílabas a meros murmúrios. – Sou eu que estrago isto, não tu. Eu não sirvo pra ti. Não estou ao teu "nível", a bem dizer. Nem me vejo a ser aceite pela tua família nem pelos teus amigos nem... Nem por ninguém que esteja relacionado a ti. Porque simplesmente... Eu não sou a mulher perfeita para o único herdeiro do nome Uchiha. Não sou. Aliás... – Os olhos dela voltaram a confrontar os meus, como se aquela fosse a pergunta mais importante de todas as que já me havia feito até agora. – Já experimentaste perguntar ao teu pai o que ele acharia disto? Porque eu sei perfeitamente que a ideia não lhe ia agradar nem um pouco. Ele já me disse uma vez que não queria qualquer uma metida com o único filho dele. Que não aceitaria qualquer uma na família dele. E é precisamente isso que eu sou. "Qualquer uma". Entendes isso?

O que quer que ela estava à espera que eu fizesse, não era certamente aquilo. Todo o corpo dela tremeu com a minha aproximação, os olhos encheram-se de um temor que fizeram as lágrimas que ela tanto se esforçava por conter transbordar, as mãos vacilantes contra o meu peito, tentando afastar-me o pouco que as forças dela ainda permitiam. Ainda assim, não impediu que as minhas mãos lhe rodeassem ambos os lados do rosto, nem que a minha testa se encostasse à dela, mantendo-nos juntos, quase um só naquele momento.

– Quando é que tu entendes... Que eu estou me absolutamente nas tintas pros outros? Não quero saber da opinião do meu pai. Não quero saber da opinião do Naruto... Que sim, é o meu único amigo. Não quero saber do meu nome. Percebes? O que é que eu posso fazer para perceberes?

– Tu já perdeste a tua mãe. – A voz dela surgiu como uma súplica. Se para mim se para ela, isso eu não sabia dizer. Se para me manter afastado, se para lhe dar a ilusão de que podia continuar a afastar-me, eu não conseguia saber… – Não me faças ser cruel ao ponto de te fazer perder o teu pai também, Sasuke. Eu não quero... Que o percas por minha causa. Eu não valho isso. Entendes?

– Estás então a dizer-me o quê? Que não me queres, é isso? – Perguntei no tom mais sério que possuía, tentando segurar-lhe o queixo de modo a que ela pudesse voltar a fitar-me. – Se não me queres diz... Eu luto por ti enquanto achar que tenho uma oportunidade... Não vou andar atras de ti para te fazer sentir mal com a minha presença, nem te vou obrigar a fazer nada que não queiras. Por isso... Se não me queres... Diz-me agora, com todas as letras.

– Se... Se for para não estragar a tua vida, eu... Eu...

Cerrei bem os dentes tentando segurar-me, enquanto mantinha a minha testa encostada à dela, tentando dizer a mim mesmo para não me deixar ir abaixo. Não era muito difícil. Era só mais uma pessoa que não me queria. Só isso... Mais uma a afastar-me. Certo? Então... Porque é que a minha garganta me ardia tanto? Porque é que as minhas pernas ameaçavam ceder? Eu já devia estar habituado a levar daquelas tacadas. Mas dela… Dela parecia doer tão mais…

– Diz. Com todas as palavras...

– Eu não consigo…

Ela desabou. Não sabia se havia de ficar preocupado com isso ou aliviado pelo facto de ela ter sucumbido primeiro que eu. Naquele momento só a consegui estreitar mais contra o meu peito, meio que lhe afastando as mãos que ela insistia em ter apoiadas nele para me manter longe. Não daquela vez. Não quando a voz dela só me pedia para que eu fizesse o contrário. Para que não fosse. Para que compreendesse aquilo que ela me estava a dizer nas entrelinhas. E eu com ela tinha de começar a aprender que seria assim. Não era o que ela dizia ou deixava de dizer. Era o que estava nas entrelinhas, era o modo como dizia que realmente importava. E nenhuma palavra seria bastante para descrever a forma como ela me abraçou, as mãos a crispar o tecido da minha camisa como que a tentar impedir-me de me afastar, quando antes só me queria manter longe. A testa dela a embater contra o meu peito, para o fazer ser sacudido pelos suaves soluços. Os cabelos dela, suaves madeixas nas minhas mãos, à medida que eu lhos acariciava para a tentar acalmar, repetindo sempre o mesmo mantra de “eu estou aqui sossega, eu não vou embora”.

Não sei quanto tempo passou até os soluços dela virarem leves suspiros de quem tentava arranjar palavras, para revidar o momento que passara. Mas ela não ia conseguir. Não iria conseguir afastar-me. Porque ela mesma dissera que não conseguia obrigar-se a si mesma a fazê-lo. E isso queria dizer que, mesmo que sentisse que não era o melhor para mim, algures naquela cabecinha tonta dela, ela ainda me queria por perto. E isso para mim era o que bastava.

– Enquanto não me afastares eu vou lutar por ti, Sah.

– Eu só… Não quero estragar a tua vida…

– Eu já fiz isso por ti. Ajuda-me apenas a recuperá-la.

– Amo-te. – O sussurro apenas me tocou no ombro, dado os meus lábios ainda estarem perto do ouvido dela, onde lhe segredara as últimas palavras. Sorri contra a pele dela, fazendo as minhas mãos lhe rodearem novamente ambas as faces, o meu olhar perdido no dela.

E eu a ti.

Notas finais
[Nota da SahhChan] Que grande Capítulo que a Nanami nos deixou para nos deliciar, não acham? Bem, finalmente a Sakura confessou que amava o Uchiha mas... Como estarão, ainda assim, as minhoquinhas da cabeça dela a fervilhar depois desta conversa tão séria que tiveram os dois? Continuem a acompanhar para saber mais e até ao próximo Capítulo o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.