ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

CAPÍTULO XXII — VERDADES

Dois de agosto. Seis meses se passaram desde que a aposta para decidir quem se apaixonaria primeiro foi feita. Muita coisa mudou durante esse tempo e ao mesmo tempo, eu sinto que não saímos do lugar. Eu não conseguia parar de pensar em cada momento em que passamos. Foi divertido e único. Kara é a pessoa mais doce, divertida e louca que eu já conheci. Todos os dias que passei ao seu lado foi como um inesquecível sonho juvenil, onde pude experimentar mais uma vez a adrenalina da adolescência. E agora chegou ao fim.

No entanto, eu preciso ser forte. Eu estou determinado a tornar essa noite completamente inesquecível. Depois de hoje, independente de quais caminhos iremos seguir, eu planejo ao menos que possamos nos lembrar desse dia como o melhor encontro de nossas vidas. Por isso, respirando fundo, saio do elevador e sigo pelo caminho que fiz diversas vezes ao longo desses últimos meses, parando de frente a porta da loira.

Respiro fundo mais uma vez, tentando controlar minhas emoções, e aperto a campainha do apartamento de Kara. Após alguns instantes, não demora muito para que ela apareça, completamente deslumbrante. A loira usava um vestido de seda azul que ia até o joelho. Os cabelos estavam soltos e ondulados, enquanto ela usava uma maquiagem simples, mas muito bonita. Sem seus inseparáveis óculos, eu conseguia ver os lindos olhos cerúleos de Kara, brilhando em expectativas. Arfo surpreso e tento dizer alguma coisa, mas tudo que saem de minha boca são palavras desconexas.

— Uau. — Digo por fim e ela ri. — Uau. Você está... — Suspiro, encantado. — Incrivelmente linda.

— Obrigada. — Agradece, sorrindo. Ela parecia nervosa, mas ao mesmo tempo, sorria radiante. Provavelmente, assim como eu, Kara está disposta a tornar essa noite ainda mais especial. Ela então tranca a porta e guarda a chave em sua pequena bolsa. — Vamos? Eu estou curiosa para saber para onde nós vamos.

— Claro. — Concordo, correspondendo ao sorriso. — Mas primeiro...

— Hoje nós usaremos a Scarlett? — Pergunta surpresa, quando eu entrego o capacete para ela.

— Claro. A minha fiel companheira vai nos fazer ter uma noite inesquecível. — Respondo, estendendo a mão para conduzir a garota.

— Eu não tenho dúvidas de que será. — Concorda Kara, pegando em minha mão.

Seguimos para o elevador e eu não conseguia parar de olhar para ela. Eu sempre me surpreendo com a beleza de Kara, mas nessa noite, ela parecia excepcionalmente deslumbrante. Era como se eu estivesse diante de uma obra de arte esculpida por um artista renascentista. E como se soubesse exatamente o que eu desejava, Kara entrelaça nossas mãos e aperta mais seu capacete contra si, antes de me beija calmamente.

Quando as portas do elevador voltam a se abrir, nós nos separamos. Ela me puxa para fora e depois de cumprimentar o porteiro, seguimos para a moto que estava estacionada em frente ao prédio da loira. Ela coloca o capacete em sua cabeça e ajeita sua bolsa para que não corresse o risco de escapar de seu ombro durante o caminho. Kara levanta a viseira do capacete e em encara curiosa ao me ver retirar minha jaqueta de couro e entregar para ela. Um sorriso nostálgico se acentua em seu belo rosto.

— Isso me traz algumas recordações. — Comenta, pensativa. Ela veste a jaqueta e me encara com seus olhos brilhantes. — A primeira vez que eu concordei em andar em Scarlett. Era uma noite fria de inverno e você não pensou duas vezes antes de me entregar sua jaqueta para me manter aquecida. Eu fiquei tão surpresa por sua preocupação.

— Eu sempre fui um exímio cavalheiro. — Respondo e ela ri, revirando os olhos. Subo na moto e ajudo Kara a se sentar. Pego o capacete que estava no guidão de Scarlett e coloco em minha cabeça. Após garantir que estamos seguros, ligo a moto e me viro um pouco para encarar a loira. — Está pronta para o começo de nossa aventura da noite?

— Eu já nasci pronta. — Afirma a loira, confiante, enquanto aperta minha cintura.

E assim, seguimos pelas ruas da cidade, aproveitando o fim de tarde daquele dia quente de verão. Enquanto passávamos pela ponte do rio White, Kara solta suas mãos para segurar em meus ombros. Sorrio, sabendo exatamente o que ela faria. Diminuo a velocidade e ela abre os braços, sentindo a liberdade do vento batendo contra si. Kara ri e sinto a adrenalina daquela ação. Ela nem mesmo parecia a mesma mulher que conheci seis meses atrás e havia acabado de colocar um ponto final em seu relacionamento de dez anos.

Kara se tornou uma mulher confiante e decidida. Ela agora não tem mais medo de se arriscar e parece aproveitar muito mais as loucuras que eu a convenço a participar. É como se ela tivesse renascido como uma nova pessoa. Eu ainda conseguia ver um pouco de suas inseguranças, mas ela parece ter criado mais coragem para enfrentar seus medos e não se desesperar mais com os desafios que aparecem para ela.

Quando enfim chegamos ao nosso destino, estaciono a moto e ajudo Kara a descer. Ela retira o capacete e ao ver sobre o que se tratava nosso passeio, a loira me encara assustada. Aquele seria a nossa maior aventura desde que começamos a sair e eu sabia que precisaria de um certo poder de persuasão para convencê-la a aceitar a minha proposta da noite.

— Eu não vou andar nisso. Não importa o que você diga. — Afirma Kara, cruzando os braços. Tiro meu capacete e a encaro com meus olhos pidões. — Eu estou falando sério.

— Mas, Kara, eu tenho certeza de que você vai amar a vista lá de cima. — Argumento e ela nega, veemente. — Vai ser divertido.

— Não mesmo! Isso é um balão, Mon-El! E se a gente cair? Seres humanos não possuem asas por um motivo muito simples: nós não podemos voar! — Responde a loira e eu não consigo segurar o riso ao ver o quão apavorada ela estava só com a ideia de entrar em um balão. — Pode rir a vontade. Eu não vou mudar de opinião.

— ... E no que diz respeito à corda de segurança, esta é usada em apenas algumas situações de pouso difícil; o piloto lança a corda para a equipe de resgate para que esta puxe o balão para um local mais adequado. Vocês entenderam? — Pergunta Nick, o piloto que nos acompanharia durante o nosso passeio de balão e um dos meus amigos de longa data. — O balonismo é reconhecido pela Federação Aeronáutica Internacional como o desporto aéreo mais seguro, com índices de acidentes próximo à zero. Então não precisa se preocupar, Kara. Tudo é bastante seguro.

Depois de muito insistir e argumentar contra o medo de Kara, eu finalmente consegui a convencer a aproveitar aquela experiência única. Eu queria muito que ela testemunhasse a minha atividade favorita dentre as inúmeras que faço para esvaziar a mente e me conectar a natureza. O balonismo é a forma de voar que mais proporciona ao praticante a sensação de ficar mais próximo do céu. É como se nos tornássemos pássaros e experimentasse a pura liberdade.

— Ele já fez isso inúmeras vezes, Kara. Nick tem até mesmo uma licença para pilotar o balão e é por isso que ele vai conosco. — Explico e ela suspira, inconformada.

— Eu tenho que aprender a dizer não para você também. — Resmunga a loira, lançando-me um olhar mal-humorado.

— Eu tenho certeza de que você vai se apaixonar pela vista lá de cima. É de tirar o fôlego. — Respondo e ela bufa. — Bom, é melhor nós irmos ou iremos perder o espetáculo.

— Que espetáculo? — Pergunta, curiosa.

— Você verá. — Digo, sorrindo confiante. — Agora vamos.

Kara ainda resmunga e reclama bastante antes de subir no cesto do balão. Quando o maçarico é ligado e começamos a levantar voo, ela se agarra contra mim, fechando os olhos com força. Prendo meus lábios inferiores entre meus dentes, segurando o riso. Ela fica ainda mais linda quando está assustada. Abraço-a, tentando passar alguma confiança. Observo a paisagem, ansioso para pegar o melhor momento do dia.

— Você está perdendo todo o passeio. — Comento com a garota, que se aperta ainda mais contra mim. Ela estava tremendo de medo. — Vamos lá, Kara. Eu sei que você consegue superar o seu medo. Você não vai se arrepender.

— Droga, Mon-El! Eu te odeio tanto por me fazer passar por essas coisas. — Resmunga a loira, respirando fundo diversas vezes antes de começar a se afastar um pouco de mim e finalmente abrir seus olhos. — Uau.

O Sol se derramava sobre o horizonte, dando lugar a noite estrelada. As luzes de Hawkins começavam a se acender, uma a uma, brilhando timidamente. Kara parece perder seu medo e se aproxima da beirada do cesto do balão, encarando a tudo com fascínio. Um suspiro apaixonado deixa seus lábios e ela sorri. Eu entendia exatamente o que ela estava sentindo. A liberdade e o encanto por aquelas misturas de elementos únicos. Tudo era realmente encantador.

— Eu disse que você não se arrependeria. — Comento, aproximando-me dela.

— É tão lindo. — Afirma, com doçura.

— Sim. É sim. — Respondo, encarando a garota. Com o céu variando entre o alaranjado e o azul do anoitecer, Kara parecia brilhar. Ela desvia o olhar e me encara com um sorriso divertido.

— Bobo. — Sussurra, aproximando-se para me abraçar. Ela permanece observando a linda paisagem por um tempo, em completo silêncio.

O passeio transcorre calmo e emocionante. Kara comentava vez ou outra de algo que via e se encantava ainda mais a cada estrela que brilhava intensamente naquela noite de verão de céu estrelado. Quando o passeio chega ao fim, vejo a tristeza presente nos olhos de Kara. Ela realmente havia se apaixonado pela paisagem e pelo lindo pôr-do-sol que presenciamos.

Decido então que é hora de irmos para o nosso próximo destino. O restaurante que tentamos ir diversas vezes e nunca conseguimos: The Capital Grille. Depois de tantos incidentes, eu preferi deixar o nosso jantar no restaurante dos sonhos de Kara para ser o nosso último ponto turístico. Ao menos poderíamos finalizar a apostar em um lugar confortável e em ambiente aconchegante.

— Quem foi o seu primeiro amor? — Pergunta Kara, enquanto comíamos a comida deliciosa desse restaurante incrível. Levanto o rosto e a encaro, surpreso pela pergunta.

— O quê? — Balbucio, deixando os talheres em meus pratos.

— Depois de conhecer Imra e descobrir sobre seu passado com Lena, eu comecei a me perguntar quem foi a pessoa que conseguiu te fazer suspirar de amor pela primeira vez. — Responde Kara, afastando-se para me encarar. — É injusto que você saiba como foi o meu primeiro amor e eu não saiba nada sobre o seu.

— Eu não tenho muitas experiências positivas sobre o amor. — Conto, suspirando. Vejo os olhos curiosos de Kara brilhando intensamente. — Todas as pessoas com quem em me envolvi foram importantes para mim, mas nada me fez suspirar de amor, como você disse.

Kara me observa por um tempo e suspira. Ela estava estranha desde que chegamos ao The Capital Grille. Quieta e pensativa, ela quase não havia conversado durante o nosso jantar. E talvez, assim como eu, ela se sentisse incomodada pelo fim daquela noite. Nós ainda não havíamos conversado nada sobre nosso futuro ou sobre o encerramento da aposta. Mas parece que a hora havia chegado.

— Kara, sobre a aposta. Eu...

— Antes de falar sobre isso, poderíamos ir a um outro lugar? — Kara me interrompe, encarando-me com seriedade. Ela parecia um pouco nervosa.

— Algum lugar em mente? — Pergunto, curioso.

— Sim. — Responde, antes de terminar de beber o vinho em sua taça. Ela limpa a boca e vejo seus olhos brilharem em expectativa. — Hotel JW Marriott.

[...]

Não fazia muito tempo que havíamos chegado ao hotel mais luxuoso de Hawkins e eu me sentia curioso pela escolha de Kara. Eu não era tão ingênuo assim para não saber o que ela planejava, mas eu me perguntava se aquela era mesmo uma boa ideia. Por mais que eu queira ir até o final com Kara, isso não me parecia muito certo naquele momento.

No entanto, assim que chegamos no quarto e sou surpreendido por um beijo selvagem de Kara, minha mente não parece raciocinar muito bem. Tudo o que faço é me deixar levar por meus instintos. Jogo seu corpo contra a porta do quarto e inspiro seu perfume. Essa noite havia sido incrível. Finalizá-la com uma noite de amor parecia perfeito, mas seria ainda mais doloroso dizer adeus.

Meu coração batia intenso, ansioso. Cada célula do meu corpo implorava por mais um toque, por mais um sorriso, por mais dela. Minha mão percorre a delicada e macia macia pele, apreciando o calor que emanava. Seus olhos brilhavam e se mantinham presos em mim. Eram quase como um buraco negro, sugando-me para dentro da imensidão de sentimentos que nos consumiam como chamas ardentes e perigosas.

— Kara, eu...

— Não. — Ela coloca o dedo sobre meus lábios e balança a cabeça, negando. — Ainda não.

Eu finalmente entendia os comichões em meu peito. Meus sentimentos por Kara são confusos e perigosos. Ao lado dela, eu me exponho por completo e fico completamente vulnerável. Eu precisava aceitar a verdade como um remédio amargo necessário para curar uma ferida e encarar a tudo com sensatez. Eu me apaixonei por ela. Nós nos divertimos e vivemos algo que jamais experimentei antes.

— Você tem certeza que...

Antes que eu dissesse mais alguma coisa, a loira me beija mais uma vez, silenciando-me. Não havia hesitação. Ela acaricia meu rosto e me deita na cama. Havia tanto que eu gostaria de dizer, mas seus olhos me imploravam para que eu não o fizesse. Ela deitada seu corpo sobre o meu e seus dedos se prendem aos meus cabelos. Meus lábios buscam os dela, seu gosto. Meu olfato inala seu aroma único, entorpecendo-me como uma droga.

Sem conseguir controlar mais aquele desejo intenso, puxo o zíper do vestido dela. Ouço a respiração de Kara se tornar pesada. Seu rosto estava vermelho e seus olhos brilhavam em puro desejo. Meu coração batia tão forte que eu não tinha dúvidas que ela poderia ouvir. A tensão ardia entre nós. A expectativa mexia com a minha cabeça. Eu a desejava como nunca desejei nenhuma outra mulher antes.

Inverto nossas posições e passo meus indicadores pelas alças finas do vestido, puxando-o para baixo. Observo as reações de seu corpo. A pele quente e arrepiada, a boca entreaberta em busca de ar, seus seios revelando a excitação que sentia, mostrando estar completamente entregue a mim. Kara arqueia as costas, permitindo que eu retirasse por completo o seu vestido. Estudo cada detalhe de seu corpo e preciso fazer um grande esforço para não arfar com a visão. Ela sorri, enquanto marcava em minha mente detalhe daquele visão fascinante.

Deixo um beijo em seu pescoço e isso a faz arrepiar e arfar, apreciando aquele toque delicado. Deslizo minhas mãos pela pele quente, enquanto distribuo beijos até chegar aos seus seios. Com delicadeza, retiro as últimas peças de roupa de Kara. A loira suspira e me puxa para mais um beijo. Em meio ao beijo afoito e a troca de carícias, ela me ajuda a tirar minha camisa e eu chuto meus tênis para longe.

Empurro nossos corpos para mais perto da cabeceira da cama. Ansiosa, Kara desfivela meu cinto e faz força para que eu tirasse minha calça. Nossas bocas se perdiam em arfares e suspiros de luxuria. Eu planejava ir devagar, aproveitando o momento, mas era difícil ter auto controle quando Kara Danvers usava suas mãos para me provocar.

— Se continuarmos, eu não sei se serei capaz de parar. — Aviso, encarando-a intensamente. — Essa é a última chance de desistir dessa ideia.

— E quem disse que eu pretendo desistir? Eu sei o que eu quero, Mon-El. — Sussurra de volta, incrivelmente decidida. Meu coração erra alguns compassos e eu prendo a respiração ao ver o sorriso carregado de luxuria presente em seus lábios. — Me faça sentir o que nenhum outro homem foi capaz.

Notas finais
Bom, meus amores, o próximo capítulo será cheio de momentos incríveis de Mon-El e Kara. Eu realmente espero que gostem. Obrigada pelo carinho. Beijocas e até amanhã ♥! Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646