Apostas de Fevereiro

19 Responsabilidade


ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

CAPÍTULO XVIII RESPONSABILIDADE

Por mais que eu tentasse, a febre de Holly não abaixava. Eu já tinha dado remédio, banho, colocado um pano com água e álcool e nada fazia efeito. Minha garotinha continuava a chamar desesperadamente por Kara. Eu não fazia ideia do que tinha acontecido com a minha pirralha para ela ficar assim, mas estava sendo uma missão quase impossível manter a calma.

Não era uma febre qualquer. O termômetro em minhas mãos marcando os 39,5°C de febre era motivo suficiente para me deixar apavorado. E minha preocupação se tornava ainda pior por está sozinha com a garota e não conseguir fazer muita coisa por medo de deixá-la sozinha e algo pior acontecer.

Mike está em uma noite dos rapazes com os amigos e eu não queria deixar o garoto preocupado. Eleven estava viajando com o pai, então não poderia contar com ela para me ajudar com Holly. Imra está de plantão e provavelmente em sala de cirurgia, porque eu já havia ligado mais de vinte vezes para a pediatra e ela ainda não havia atendido e nem respondido as minhas mensagens. Joyce está trabalhando e também não atende o celular, então eu não tinha com quem contar naquele momento.

Eu odiava ver a doce menina de cabelos dourados sofrendo tanto com aquela febre maligna. Ela delirava e apertava a minha mão com força, chamando por Kara. Por isso, sem muita alternativa, eu tive que vencer meu orgulho e pedir por ajuda da professora de Literatura da Hawkins. Se ela não conseguir fazer com que a febre de Holly abaixe, eu não tenho escolha a não ser levá-la ao hospital.

E como se estivesse lendo meus pensamentos, Kara entra no quarto, completamente desesperada. Ela respirava com dificuldade e parecia ter corrido uma maratona por estar suando tanto e ainda estar descalça. Com os cheios de preocupação, ela se aproxima de mim e vejo lágrimas se formarem em seus olhos ao ver o estado de saúde da pequena Holly.

— Kara... — Holly chama fracamente, em tom choroso, enquanto parecia estar lutando contra o próprio corpo.

— Oh meu amor, eu estou aqui. — Sussurra Kara, pegando Holly no colo e a abraça apertado. A criança corresponde ao aperto, inspirando o cheiro de Kara como um bebê procurando pela mãe. — Eu estou aqui, pequena. Eu vou cuidar de você. Eu prometo.

— Kara... — Sussurra Holly de volta, parecendo muito mais confortável e aliviada com a presença da loira.

— Ela está queimando de febre. Qual foi a temperatura registrada na última vez que conferiu a febre? — Pergunta Kara, preocupada.

— 39,5°C. — Respondo e Kara arfa, assustada. — Eu não sei mais o que fazer. Eu já dei remédio, banho e compressas frias para abaixar a temperatura, mas nada surtiu efeito. Tudo que ela faz é chamar por você e não parece estar gripada ou com a garganta inflamada. Como ela já tem três anos, não acho que seja dente nascendo. Eu não sei mais o que fazer!

Sento-me na cama e levo minhas mãos a minha nuca, abaixando minha cabeça, completamente desesperado. Holly nunca ficou assim. Eu também não me lembro de Mike ou Nancy terem uma febre tão alta assim quando crianças, então não faço ideia do que mais eu posso fazer.

— A culpa é minha. Se eu cuidasse melhor dessa pirralha, ela jamais estaria assim. — Não consigo evitar me sentir culpado pelo estado de saúde da doce menina. — Eu sou um péssimo responsável. Se passasse mais tempo com ela, talvez ela nunca tivesse adoecido.

— Isso não é verdade! — Exclama Kara, pegando em uma das minhas mãos. Encaro a loira e ela força um sorriso. — Mon-El, toda criança fica doente não importa quem seja seu responsável. Você é cuidadoso e é sempre muito dedicado a Holly. Não é culpa sua que ela esteja assim. Acho inclusive que é apenas uma febre emocional.

— Febre emocional? — Pergunto, confuso. — E por que seria uma febre emocional?

— Minha mãe vivia me contando que quando eu era criança, eu tinha febre emocionais sempre que meus pais viajavam para realizar alguma pesquisa. Por ser muito apegada a eles, eu não suportava ficar longe, então eu ficava tão estressada que acabava dando febre. Talvez ficar longe dos pais esteja deixando-a estressada e isso ocasionou nessa febre tão alta. Já faz meses que ela não os vê e como está crescendo, ela está começando a entender o que está acontecendo. — Sugere Kara, balançando Holly em um ritmo que parece acalmar a pequena.

— Faz sentido. Quer dizer, não a parte dos pais, porque essa garota nem lembra que eles existem. Mike e Nancy dificilmente falavam dos pais e Holly parece realmente não se importar com a ausência deles. Por outro lado, ela começou ficar assim quando eu conversei com Imra no telefone e contei que você estava em um encontro com outra pessoa. A pirralha deve ter ouvido a parte que eu disse brincando para Imra que era capaz de você nem voltar mais a aparecer nessa casa e ter ficado triste. — Conto e ela me encara com repreensão.

— Isso explica o porquê dela chamar tanto o meu nome. — Responde Kara, aliviada. Ela suspira e encara a loira criança em seu colo que a observava com atenção. — Não se preocupe, pequena, eu prometo que nada vai me fazer ficar longe de você. E sabe, na minha família, nós levamos as promessas muito a sério. Quando nós damos nossa palavra, nós fazemos de tudo para cumprir.

— Você promete, Kara? — Sussurra Holly, um pouco mais animada e consciente.

— Sim, eu prometo. — Responde a professora de Literatura. Ela então se levanta com Holly em seu colo. — Agora vamos te dar um novo banho para tentar fazer essa febre abaixar. Enquanto isso, você se importa de fazer um mingau para ela se alimentar?

— Pode deixar comigo. — Afirmo, aliviado por ter Kara ao meu lado nesse momento. — A toalha de Holly está no banheiro e fique a vontade para escolher a roupa dela.

— Não se preocupe. Eu consigo me virar. — Garante Kara, sorrindo gentil.

— O tio Mike vai preparar um mingau bem gostoso para você ficar boa logo. — Digo, enquanto acaricio a cabeça de Holly.

— Mingau de chocolate, tio Mike? — Negocia a garotinha e eu a encaro, sem acreditar na cara de pau. Ela realmente não perde a chance de comer chocolate.

— Tudo bem. Hoje farei uma exceção e vou permitir que você coma mingau de chocolate. — Respondo e ela abre um largo sorriso.

— Mamãe Kara, eu vou comer mingau de chocolate! — Comemora Holly, mas isso não é suficiente para nos deixar menos surpresos pela forma como a criança havia chamado Kara.

— Sim, meu amor. Você conseguiu fazer seu tio dar o braço a torcer e vai comer um mingau bem gostoso de chocolate. — Concorda Kara, parecendo apenas ignorar o erro adorável de Holly. — Agora vamos lá.

Aceno para as duas garotas que seguem para o banheiro, enquanto eu vou para a cozinha no andar abaixo. Assim que começo a fazer o mingau de chocolate de minha sobrinha, a cena de instantes antes martela em minha cabeça. Holly não hesitou em chamar Kara de mamãe. Crianças têm tendência a chamar pessoas próximas de mamãe e papai, mas esse não é o caso das duas. Apesar de terem se aproximado bastante, não acho que seja o suficiente para Holly ver a loira como uma mãe. Então por que ainda assim ela a chamou dessa forma?

Talvez Kara estivesse certa sobre a teoria de que a febre de Holly também tem a ver com a ausência dos pais. Faltando um pouco mais de um mês para o aniversário de quatro anos de minha sobrinha, ela com certeza é bastante madura para a sua idade. Existe a possibilidade dela realmente estar começando a entender o que aconteceu entre seus pais e acabou enxergando em Kara a figura materna que tanto deseja. Ou no fim, tudo era a culpa da febre alta de Holly que está fazendo a garota delirar.

Desisto de continuar a pensar nesse assunto e termino o mingau. Espero esfriar um pouco antes de colocar o mingau no prato. Eu não queria admitir, mas estava muito mais contente e aliviado por ter Kara em casa, perto de nós e com minha adorável e sapeca sobrinha. Eu não havia planejado estragar o encontro da loira e jamais ficaria feliz por isso ter acontecido por causa da febre de Holly, mas confesso que me sentia muito mais calmo com a loira a minha frente, ajudando-me a cuidar de Holly.

Volto para o quarto com o mingau em mãos e me surpreendo ao ver a cena amável de Kara sentada na poltrona do quarto de Holly com a criança em sua perna, enquanto se preparava para ler a história. Fico em silêncio para notarem a minha presença e não consigo evitar o sorriso ao ver que o livro que Kara escolheu para ler para Holly havia sido um presente meu,

— Era uma vez, na época em que os animais falavam, três porquinhos que viviam felizes e despreocupados na casa da mamãe. A mamãe porquinha era ótima. Ela cozinhava, passava e fazia tudo pelos filhos. Porém, dois dos filhos não a ajudavam em nada e o terceiro sofria em ver sua mãe trabalhando sem parar. Certo dia, a mãe chamou os porquinhos e disse: "Queridos filhos, vocês já estão bem crescidos. Já é hora de terem mais responsabilidades para isso, é bom morarem sozinhos." — Kara imita a mamãe porquinha fazendo Holly morrer de rir. — A mamãe então preparou um lanche reforçado para seus filhos e dividiu entre os três suas economias para que pudessem comprar material e construírem uma casa.

Estava um bonito dia, ensolarado e brilhante. A mamãe porquinha despediu-se dos seus filhos: "Cuidem-se! Sejam sempre unidos!" desejou a mamãe. — Novamente a imitação engraçada de Kara com sua voz mais fina e as caras e bocas que fazia eram o suficiente para divertir a garotinha em seu colo. — Os três porquinhos, então, partiram pela floresta em busca de um bom lugar para construírem a casa. Porém, no caminho começaram a discordar com relação ao material que usariam para construir o novo lar. Cada porquinho queria usar um material diferente. O primeiro porquinho, um dos preguiçosos foi logo dizendo: "Não quero ter muito trabalho! Dá para construir uma boa casa com um monte de palha e ainda sobra dinheiro para comprar outras coisas." — Kara muda o tom de voz e faz cócegas em Holly que ri, encantada com a história. — E o que você acha, Holly? A casa de palha é uma boa ideia?

— Não! — Grita Holly, animada.

— Isso mesmo. O porquinho mais sábio advertiu: "Uma casa de palha não é nada segura".

Preciso me segurar para não ri também com a imitação de porquinho sábio de Kara. Holly gargalha daquela maneira doce e adorável que me fazia querer rir ainda mais. Colocando a bandeja com o prato de mingau no chão, pego meu celular e decido gravar aquele momento

— O outro porquinho preguiçoso, o irmão do meio, também deu seu palpite: "Prefiro uma casa de madeira, é mais resistente e muito prática. Quero ter muito tempo para descansar e brincar". — Dessa vez, faz uma outra voz que também é engraçada e faz Holly gargalhar novamente. — E agora, Holly? A casa de madeira é uma boa ideia?

— Sim! — Holly responde novamente gritando de animação.

— Não, não é uma boa ideia. — Corrige Kara, mas isso não desanima Holly, que grita ainda mais alto por estar confiante em sua resposta.

— Não! — E dessa vez é Kara que ri da esperteza da menina.

— Muito bem. — Elogia a loira, rindo levemente. Ela então volta a sua atenção para o livro. — "Uma casa toda de madeira também não é segura" comentou o mais velho "Como você vai se proteger do frio? E se um lobo aparecer, como vai se proteger?". E sabe o que o porquinho mais sábio disse, Holly?

A criança balança a cabeça, negando saber o que o porquinho mais sábio disse aos seus irmãos. Esse era aquele momento em que Kara tinha atenção total de Holly e era uma das poucas vezes que ela conseguia ficar quieta.

— "Eu nunca vi um lobo por essas bandas e, se fizer frio, acendo uma fogueira para me aquecer!", respondeu o irmão do meio. "E você, o que pretende fazer, vai brincar conosco depois da construção da casa?" Pergunta o irmão porquinho ao mais sábio "Já que cada um vai fazer uma casa, eu farei uma casa de tijolos, que é resistente. Só quando acabar é que poderei brincar." Respondeu o mais velho. E o porquinho mais velho, o trabalhador, pensava na segurança e no conforto do novo lar. Os irmãos mais novos preocupavam-se em não gastar tempo trabalhando. "Não vamos enfrentar nenhum perigo para ter a necessidade de construir uma casa resistente." disse um dos preguiçosos. Cada porquinho escolheu um canto da floresta para construir as respectivas casas. Contudo, as casas seriam próximas.

— O Porquinho da casa de palha, comprou a palha e em poucos minutos construiu sua morada. Já estava descansando quando o irmão do meio, que havia construído a casa de madeira chegou chamando-o para ir ver a sua casa. Ainda era manhã quando os dois porquinhos se dirigiram para a casa do porquinho mais velho, que construía com tijolos sua morada. "Nossa! Você ainda não acabou! Não está nem na metade! Nós agora vamos almoçar e depois brincar." disse irônico, o porquinho do meio. O porquinho mais velho porém não ligou para os comentários e nem para as risadinhas. Ele continuou a trabalhar, preparava o cimento e montava as paredes de tijolos. Após três dias de trabalho intenso, a casa de tijolos estava pronta, e era linda! — Conta Kara, enquanto Holly observava as figuras do livro infantil. — Os dias foram passando, até que um lobo percebeu que havia porquinhos morando naquela parte da floresta. O lobo sentiu sua barriga roncar de fome. Só pensava em comer os porquinhos.

— Foi então bater na porta do porquinho mais novo, o da casa de palha. O porquinho antes de abrir a porta olhou pela janela e avistando o lobo começou a tremer de medo. O lobo bateu mais uma vez, o porquinho então, resolveu tentar intimidar o lobo: "Vá embora! Só abrirei a porta para o meu pai, o grande leão!" mentiu o porquinho cheio de medo. — Kara faz cócegas em Holly que gargalha e a abraça para que parasse. — "Leão é? Não sabia que leão era pai de porquinho. Abra já essa porta!"disse o lobo com um grito assustador.

Holly encara Kara, completamente espantada. Provavelmente se sentia mal pelo porquinho que era ameaçado pelo lobo.

— O porquinho continuou quieto, tremendo de medo. "Se você não abrir por bem, abrirei à força. Eu ou soprar, vou soprar muito forte e sua casa irá voar." — A famosa frase do livro vem a tona e Kara a interpreta com tanta emoção, que Holly abre um grande sorriso encantado. — O porquinho ficou desesperado, mas continuou resistindo. Até que o lobo soprou um a vez e nada aconteceu, soprou novamente e da palha da casinha nada restou. A casa voou pelos ares. O porquinho desesperado correu em direção à casinha de madeira do seu irmão. O lobo correu atrás. Chagando lá, o irmão do meio estava sentado na varanda da casinha. "Corre, corre! Entra dentro da casa! O lobo vem vindo!" gritou desesperado, correndo o porquinho mais novo. Os dois porquinhos entraram bem a tempo na casa, o lobo chegou logo atrás batendo com força na porta. Os porquinhos tremiam de medo. O lobo então bateu na porta dizendo: "Porquinhos, deixem eu entrar só um pouquinho!". "De forma alguma Seu Lobo, vá embora e nos deixe em paz." disseram os porquinhos. Oinc, oinc.

Holly ri, quando Kara faz o barulho dos porquinhos. É tão divertido assistir o lado teatral de Kara, que eu me sentia como uma criança encantada.

— "Então eu vou soprar e soprar e farei a casinha voar". — Novamente, Kara imita o lobo e faz cócegas ou dá um beijo estalado na bochecha da pequena. — O lobo então furioso e esfomeado, encheu o peito de ar e soprou forte a casinha de madeira que não aguentou e caiu.
Os porquinhos aproveitaram a falta de fôlego do lobo e correram para a casinha do irmão mais velho. Chegando lá pediram ajuda ao mesmo.

— "Entrem, deixem esse lobo comigo!" disse confiante o porquinho mais velho. Logo o lobo chegou e tornou a atormentá-los: "Porquinhos, porquinhos, deixem-me entrar. É só um pouquinho!". "Pode esperar sentado seu lobo mentiroso." respondeu o porquinho mais velho. "Já que é assim, preparem-se para correr. Essa casa em poucos minutos irá voar!" alertou o lobo. O lobo encheu seus pulmões de ar e soprou a casinha de tijolos que nada sofreu. Soprou novamente mais forte e nada. Resolveu então se jogar contra a casa na tentativa de derrubá-la. Mas nada abalava a sólida casa. O lobo resolveu então voltar para a sua toca e descansar até o dia seguinte. — Narra Kara e Holly parece ficar animada.

— O lobo foi embora! — Comemora Holly, batendo palmas animada.

— Sim, mas agora é a hora que precisa prestar muita atenção na história. — Pede Kara e Holly assente. — Os porquinhos assistiram a tudo pela janela do andar superior da casa. Os dois mais novos comemoraram quando perceberam que o lobo foi embora. "Calma , não comemorem ainda! Esse lobo é muito esperto, ele não desistirá antes de aprende ruma lição."advertiu o porquinho mais velho. E no dia seguinte bem cedo, o lobo estava de volta à casa de tijolos, disfarçado de vendedor de frutas.

— Lobo malvado! Ele não podia ter voltado. — Reclama Holly, fazendo um bico super fofo. Kara ri e aperta o bico da pirralha antes de volta a história.

— "Quem quer comprar frutas fresquinhas?" gritava o lobo se aproximando da casa de tijolos. Os dois porquinhos mais novos ficaram com muita vontade de comer maçãs e iam abrir a porta quando o irmão mais velho entrou na frente deles e disse...

— Não! Eles não podem sair! O lobo vai comer eles! — Avisa Holly, preocupada com os porquinhos.

— Por isso o irmão velho disse "nunca passou ninguém vendendo nada por aqui antes, não é suspeito que na manhã seguinte do aparecimento do lobo, surja um vendedor?". Os irmãos acreditaram que era realmente um vendedor, mas resolveram esperar mais um pouco. O lobo disfarçado bateu novamente na porta e perguntou: "Frutas fresquinhas, quem vai querer?" — Kara faz uma pausa e olha curiosa para Holly. — E o que eles responderam, Holly?

— Não! Não podem comer a fruta do lobo mal. — Responde Holly, fazendo pose. Era como se ela estivesse brigando com os porquinhos.

— Isso mesmo, Holly. Os porquinhos responderam: "Não, obrigado." O lobo insistiu: "Tome peguem três sem pagar nada, é um presente". — Kara conta, fazendo Holly ficar preocupada. — "Muito obrigado, mas não queremos, temos muitas frutas aqui". O lobo furioso se revelou: "Abram logo, poupo um de vocês!"

— Não abre, porquinhos! — Alerta Holly, desesperada.

— Os porquinhos nada responderam e ficaram aliviados por não terem caído na mentira do falso vendedor. De repente ouviram um barulho no teto. O lobo havia encostado uma escada e estava subindo no telhado. Imediatamente o porquinho mais velho aumentou o fogo da lareira, na qual cozinhavam uma sopa de legumes. O lobo se jogou dentro da chaminé, na intenção de surpreender os porquinho entrando pela lareira. Foi quando ele caiu bem dentro do caldeirão de sopa fervendo. E sabe o que o lobo mal fez? — Pergunta Kara e Holly nega, curiosa. -"Auuu". O lobo uivou de dor, saiu correndo em disparada em direção à porta e nunca mais foi visto por aquelas terras. Os três porquinhos, pois, decidiram morar juntos daquele dia em diante. Os mais novos concordaram que precisavam trabalhar além de descansar e brincar. Pouco tempo depois, a mamãe dos porquinhos não aguentando as saudades, foi morar com os filhos. Todos viveram felizes e em harmonia na linda casinha de tijolos. Fim!

— Conta outra! Contra outra! — Pede a minha pequena sobrinha.

— Agora não, pequena. Vamos comer o mingau que o seu tio fez para você e depois eu conto outra história. — Responde Kara, encarando-me. Suspiro e paro de gravar, colocando o celular em meu bolso. Pego a bandeja e entro no quarto. — E então? Como eu me sai contando essa divertida história para Holly?

— Você é mesmo uma atriz excepcional. Eu tenho que tirar o meu chapéu para você nessa brilhante apresentação. — Respondo cheio de pompas, fazendo as garotas rirem. — Você é realmente muito boa com crianças. Seus olhos brilharam enquanto contava a história.

— Eu amo interpretar. Estar no palco ou na sala de aula com crianças é algo tão natural para mim quanto respirar. — Confessa Kara, sentando-se ao meu lado no sofá. Começo a alimentar Holly, enquanto divido minha atenção entre as duas garotas. — Não foi fácil tomar a decisão de deixar os palcos, mas foi a escolha certa.

— Por que pensa assim? — Questiono, curioso.

— Porque meu coração estava confuso. Não é justo com o teatro que eu tente interpretar tendo tantas dúvidas em meu coração. Eu jamais conseguiria sentir o papel, a essência do personagem. Então eu entrei na Hawkins e aceitei essa situação. Eu amo ser professora e é maravilhoso estar por perto de crianças como essa. — Responde a loira, apertando as bochechas de Holly. A garotinha parecia lutar contra o sono. Kara coloca a mão sobre a testa de Holly e suspira aliviada. — A febre dela está finalmente abaixando. Em poucos horas, não haverá mais nenhum sinal de que ela esteve presente no corpo de Holly.

Termino de alimentar Holly e ela fecha os olhos, dormindo no colo de Kara. Pego o termômetro para aferir a temperatura e me surpreendo ao ver que realmente a febre de Holly era apenas emocional. Suspiro aliviado e coloco a badeja no chão novamente. Observo a loira pelo canto do olho, cantando uma música de ninar para a garotinha em seus braços com uma doçura encantadora. Sorrio por vê-la tão feliz por estar cuidando de minha sobrinha.

— Desculpa ter estragado o seu encontro com o Sr. Perfeição. — Lamento com sinceridade e ela ri, encarando-me com desconfiança.

— Sr. Perfeição? — Questiona, curiosa.

— Mike me contou que o treinador dele é bastante popular na escola. Ele é bonito, gentil, educado e muito dedicado. Ele é simplesmente o sonho de consumo das garotas da sua escola. — Comento como quem não quer nada.

— Está com ciúmes, Sr. Bad Boy? — Indaga Kara com um sorriso presunçoso.

— Não viaja. Não é nada disso. — Resmungo, irritado.

— Mas não se preocupe. Eu não voltarei a sair com ele. — Responde Kara, soando um pouco cansada.

— E por que não? — Pergunto, mesmo estando animado com isso.

— Eu rejeitei a declaração de amor dele quando eu atendi sua ligação e decidi ver como Holly está. — Confessa a professora, suspirando. — Tenho que admitir que estou grata pela ligação. Acho que eu não conseguiria rejeitá-lo. Parece que na mente dele, eu escolhi você.

— Bom, isso nem mesmo é novidade. Poucas conseguem resistir aos meus encantos. — Brinco e ela ri, revirando os olhos. — Acho inclusive que você já poderia fazer a sua declaração de amor e confessar que é o seu sonho se casar comigo e ter vários filhinhos e gatinhos.

— Vocês vão se casar e vão virar meus papais? — Pergunta Holly, abrindo lentamente os olhos.

— O quê? Não, meu amor. É claro que não. — Kara tenta consertar o mal entendido. — O seu tio Mike está apenas brincando. Nós somos apenas amigos.

— Mas eu quero que você seja a mamãe Kara e o tio Mike o papai Mike! — Resmunga Holly, desanimada.

— Outro dia brincamos de casinha e nós seremos seus pais, pirralha. — Respondo, bagunçando os cabelos de Holly.

— Não! Eu quero que vocês sejam meus papais de verdade! — Explica a garotinha, surpreendendo-me. Então não foi apenas um delírio ocasionado pela febre.

— Meu amor, nós não podemos ser seus pais, porque...

— Por que não? — Interrompo Kara, sorrindo divertido.

— Por que não? Mon-El! Não podemos fazer isso. Ela já tem pai e mãe. — Repreende Kara, como era de se esperar.

— Que não dão a mínima para essas crianças e não fazem questão de ligar para pelo menos saber como elas estão. Minha pirralha já sofreu demais, Kara, e eu quero que ela volte a sorrir belamente como a adorável garotinha que ela é.

— Mamãe Kara... — Chama Holly com uma vozinha doce, difícil de resistir. Kara a observa mordendo os lábios carnudos para fugir do nervosismo.

— Tudo bem. — Resmunga Kara, dando-se por vencida. — Mas não vai ser por muito tempo. Apenas até a justiça determinar com quem cada filho deve ficar. Ouviu bem, mocinha?

— Sim, mamãe Kara! — Responde Holly, animada, sem realmente entender sobre o que Kara estava falando.

— Está bem, querida. Hora de dormir.

Kara coloca a pequena na cama e eu a cubro. A loira deixa um beijo demorado na testa de Holly e sorri em despedida. Faço o mesmo aconchegando melhor a pirralha e apagando as luzes, deixando apenas um pequeno abajur para não deixar o quarto em um completo breu.

— Boa noite, meu amor. — Despede-se Kara, acenando lentamente.

— Boa noite, pirralha. — Digo, sorrindo para minha sobrinha.

— Boa noite, mamãe Kara. Boa noite, papai Mon-El. — Responde Holly, voltando a dormir.

Suspiro feliz, vendo que a febre da menina havia desaparecido por completo e que finalmente teremos uma relaxante noite sono. Encaro Kara, que estava pensativa, mas acabo conseguindo arrancar um sorriso doce de seus lábios. Como Sr. Perfeição fora do caminho, eu não podia estar mais do que feliz. Eu recuperei meu lugar no pódio e não pretendo perder. O coração de Kara Danvers ainda será meu.

Notas finais
O que acharam do capítulo? E que tal fazer parte do nosso grupo no Facebook e no WhatsApp? Os links estão logo abaixo: Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646