Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Essa é a minha primeira história Karamel e eu espero que gostem. Esse é o segundo livro de uma série de doze histórias mensais que estou escrevendo. São histórias independentes, apesar de todas estarem ligadas de alguma forma. Espero mesmo que gostem. Deixarei o link da história um nas notas finais. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

PRÓLOGO

Kara nunca teve muita sorte. Isso era um fato de que a jovem professora de literatura tinha consciência desde que era criança. Todos os dias, ela precisava lidar com a infelicidade de ter que lutar com todos os acontecimentos estranhos e problemas que podiam ocorrer no seu dia a dia. Mas naquela manhã de inverno intenso de primeiro de fevereiro, parecia que o nível de seu azar estava no limite.

Começando pelo celular que ela achou que tivesse colocado para carregar, mas a soma de sua personalidade distraída e a pressa para terminar o livro novo que havia comprado a fizeram esquecer de ligar o carregador na tomada. Por causa disso, seu despertador não tocou e ela acordou atrasada, com os óculos no rosto, o livro sobre o peito e em uma posição que fazia suas costas doerem intensamente.

Desesperada, Kara corre para o banheiro, mas não sem antes bater o mindinho do pé em seu guarda-roupa e xingar até a última geração da pessoa que havia fabricado o móvel. Para completar a sua adorável manhã, o chuveiro elétrico simplesmente queima e, por estar atrasada, ela não teve outra opção além de tomar banho na água gelada em pleno inverno.

Assim que consegue se arrumar o suficiente para parecer socialmente aceitável, Kara coloca seus óculos e arruma o quarto. Ela se odiava ainda mais por não conseguir deixar as coisas fora do lugar, por mais que estivesse atrasada. Então pega sua bolsa e os envelopes com exercícios que havia corrigido para entregar aos seus alunos, e corre para pegar o elevador. No entanto, para a sua irônica sorte, o elevador de seu prédio estava em manutenção.

Sem saída, a loira desce os oito andares de escadas às pressas, sentindo seu coração prestes a sair pela boca e a coluna reclamar pela posição em que dormiu. Kara sabia que definitivamente deveria fazer algum exercício físico, mas também sabia que não iria. Os maiores defeitos da loira eram a repudia às atividades físicas e o amor pela comida. Entre ficar horas correndo em uma esteira ou levantando pesos, ela preferia estar mastigando e curtindo seu sedentarismo em casa, assistindo as suas amadas novelas mexicanas ou lendo romances apaixonantes.

Quando finalmente chega ao estacionamento de seu prédio, Kara tenta ligar o carro, mas mesmo tentando incessantemente, o veículo não dava sinal algum de que iria funcionar. Provavelmente era algum problemas na bateria do carro velho que ela insistia em manter. A professora encara seu relógio, inconformada. Se corresse e tivesse um pouco de sorte, talvez conseguisse chegar a escola a tempo. Então, contando com o resto de esperanças que ainda tinha, Kara pegar seus materiais do carro e corre para a parada de ônibus.

Mas novamente, é preciso lembrar que aquele não era o seu dia de sorte e assim que ela chega no ponto de ônibus, o veículo vai embora sem nem mesmo esperar pela pobre mulher que gritava para que a esperassem. Frustrada, ela tenta pegar o celular para ligar para o namorado e bufa irritada ao ver que continuava sem bateria. Não daria nem mesmo para chamar um táxi ou um carro pelo aplicativo.

O próximo ônibus que a levaria direto para a escola só passaria em uma hora e ainda ia demorar mais quarenta minutos para chegar ao seu trabalho. A sua única saída era pegar um ônibus que passava a duas ruas de distância do local. Ela poderia correr e não chegaria tão atrasada assim. Talvez, o diretor Coleman não a repreendesse tão intensamente por causa de vinte minutos de atraso. Ela odiava se atrasar, mas em sua defesa, aquele dia não era um dos melhores.

Sendo assim, Kara não teve outra opção além de pegar o ônibus lotado que passava longe de seu trabalho. Obviamente, ela teve que pegar um enorme engarrafamento para completar o seu nada agradável dia. Quando milagrosamente consegue descer do transporte público, ela acaba pisando em uma poça de lama e suja seu sapato branco limpinho. Naquele momento, tudo o que ela queria fazer era sentar no chão e chorar de tanta frustração.

Infelizmente, ela era uma adulta responsável que ainda precisava chegar em seu trabalho para não correr o risco de ser demitida. Pela primeira vez em três anos que ela trabalha na Hawkins High School, Kara chegaria atrasada. Ela conhecia o diretor muito bem para saber que ele não tolerava atrasos e que levaria a pior bronca de todas. Por isso, a professora começa a correr como jamais antes em sua vida. A sua saúde financeira dependia daquilo.

E provando que não existe nada ruim o bastante que não possa piorar, os envelopes de Kara se rasgam e os exercícios que ela havia corrigido com tanto carinho caem no chão molhado da cidade. As lágrimas chegam aos seus olhos. Ela não entendia o que havia feito de tão errado para sofrer tanta má sorte em um único dia. Era como se o universo estivesse descontando toda a sua raiva na pobre professora.

Esgotada emocional e fisicamente, Kara recolhe as folhas molhadas e sujas uma a uma — não sem gritar algumas vezes com as pessoas que passavam pelo local e pisavam nos trabalhos de seus alunos. Assim que se recupera, ela coloca as folhas dentro de uma pasta que havia em sua bolsa e completamente atordoada, tenta atravessar a rua sem olhar para os lados. Ela apenas queria chegar de uma vez por todas em seu trabalho.

Mais uma vez, a falta de atenção de Kara quase custava a sua vida. Para não atropelar a garota, o motociclista que, por sorte, pilotava devagar, desvia da loira e cai com a moto na calçada. Atordoada, Kara arfa e encara o homem caído no chão sem qualquer reação. Para completar seu dia, ela havia causado um acidente. E tudo o que ela faz é chorar.

— Alguém poderia me ajudar? — Ela escuta a voz abafada do motociclista, que tentava tirar a moto de cima de si e se levantar.

— Ai meu Deus! Você está bem? — Pergunta Kara, obrigando-se a tomar alguma atitude. A loira joga a bolsa no chão e levanta a moto com dificuldade. As pessoas pareciam muito mais preocupadas em tirar foto, filmar e falar da vida dos outros do que em ajudar a jovem. — Eu sinto muito, muito mesmo.

O homem se arrasta para trás e Kara finalmente solta a moto de uma vez, para o desespero do homem que arfa como se estivesse acabado de destruir a sua vida. Aquela moto era mais do que um veículo de locomoção para homem. Era o seu bem mais precioso.

— Scarlett! — Exclama o homem, esquecendo-se completamente de si para verificar o estado da moto. Assim que confirma que o veículo tinha sofrido apenas alguns arranhões, ele tira o capacete que usava e encara a mulher com frustração. — O que você pensa que estava fazendo ao atravessar a rua com o sinal fechado para pedestre?

— Eu sinto muito mesmo. Você está bem? Quer que eu chame um médico? Ai meu Deus! Onde eu estou com a cabeça? — Kara continuava a chorar desesperada e aquilo comove o coração do homem, que até mesmo esquece da raiva que sentia por ter sacrificado Scarlett para salvar aquela maluca que tentou atravessar a sua sem olhar para os lados, algo que somente um pirralho sem noção faria.

Ele suspira e levanta a moto. Depois de garantir que ela estava em segurança, o homem coloca seu capacete na garupa e se aproxima da loira, sentindo suas costelas latejarem. Com certeza ficaria com dores nada agradáveis em seu corpo quando o sangue esfriasse. Por fim, ele coloca a mão sobre o ombro de Kara, que olha desesperada para ele, ainda chorando intensamente.

— No seu lugar, eu teria pulado do prédio mais alto da cidade. — Fala, surpreendendo a mulher, que o encara confusa.

— O quê? — Balbucia Kara sem entender o que estava acontecendo.

— Apesar que ainda existiria a chance de não obter sucesso em sua missão, — O homem continua a meditar, deixando a mulher ainda mais confusa. — Talvez se jogar em frente a um trem em movimento fosse mais eficaz.

— Como? — Questiona a loira, parando de chorar.

— Você sabe. A forma mais eficaz de suicídio. — Responde o homem, dando um sorriso divertido.

E pela primeira vez desde o acidente, Kara presta atenção no homem que ela havia feito cair da moto. Ele era incrivelmente bonito. O sorriso cafajeste com certeza era o maior charme daquele motociclista. Por alguns instantes, tudo o que ela consegue fazer é encarar embasbacada aquele pedaço de mau caminho, que ao ver o efeito que tinha sobre a garota, abre um sorriso malicioso. Ele também havia gostado bastante da aparência da loira, ainda que ela aparentasse não estar tendo um bom dia.

Nesse instante, Kara desperta de seus devaneios. O galã parecia estar muito bem e sua moto, por sorte, só havia sofrido alguns arranhões. Ela agradecia mentalmente pelo motociclista está em uma velocidade baixa e sua moto ser grande o bastante para não ser destruída por uma queda. Chorar também não ajudaria em nada a situação e ela ainda estava atrasada. Precisava urgente chegar em seu trabalho ou definitivamente seu chefe a mataria por chegar atrasada e ainda não avisar a ninguém sobre isso.

— Eu não estava tentando me matar. — Esclarece Kara, recompondo-se. Ela analisa o homem de cima a baixo procurando algum ferimento, mas parecia que a sua grossa jaqueta de couro e as roupas de frio que usava havia protegido o homem de algo além de concussões. Ele retira a mão do ombro da garota e se afasta quando ela encara o local onde ele segurava. — Eu lamento muito pelo que aconteceu. Você precisa ir ao hospital ou algo assim?

— Eu não sei. Talvez você devesse me levar para um jantar. O que acha? — Responde o homem, tirando os óculos de sol. As palavras do desconhecido surpreende Kara, que apenas cora e tosse, envergonhada. — Creio que meu pobre coração precisa ser tratado e ele adoraria te ter como enfermeira particular.

— O único lugar que posso te levar é ao hospital. — Retruca a garota com seriedade. Ele ri e Kara não gosta de como seu corpo reage ao agradável som de sua risada. — Mas pelo visto você está bem o bastante para dar em cima de uma desconhecida.

— Nós podemos mudar o status de desconhecida para algo mais interessante, você não acha? — Sugere o homem, sorrindo ladino. Ele estende a mão para cumprimentá-la e a encara com malícia. — Eu me chamo...

— Eu não quero saber. Eu tenho namorado. — Corta a garota, ignorando a mão estendida. Isso faz o sorriso do homem se tornar ainda maior.

— Ai. Que gatinha selvagem. — Comenta o motociclista, colocando a mão no peito.

— Já que você e sua moto parecem estar bem, eu vou embora. Estou atrasada para o trabalho. — Responde Kara, ignorando o comentário do homem.

— Eu posso te levar, se você quiser. — Oferece o outro, recebendo um olhar duro de Kara.

— Não precisa. Eu tenho duas pernas perfeitamente saudáveis. Posso muito bem ir caminhando. — Retruca a loira, pegando a bolsa que ainda estava no chão. Ela pega um bloco de notas e uma caneta e anota seu número. — Esse é o meu número de telefone. Entre em contato comigo apenas se precisar ir ao hospital por causa da queda ou se sua moto precisar de conserto. Nada além disso.

— Certo. — Concorda o outro, pegando o papel. Ao conferir o número ele nota que não sabia o nome da loira de personalidade arisca. — Você não vai me dizer o seu...

— Adeus.

Sem esperar que o homem terminasse de falar, Kara ajeita sua bolsa no ombro e, depois de conferir que não vinha nenhum veiculo, dá as costas para o motociclista e vai embora, deixando um sorriso divertido nos lábios do homem. Apesar do comportamento confuso da loira, ele havia se interessado por ela. Era uma pena ela ter namorado, mas com certeza parecia ser o tipo de garota que ele adoraria provocar. Ele não sabia a identidade daquela mulher, mas se tivesse a chance de esbarrar com ela mais uma vez, não perderia a chance de descobrir o nome da gatinha selvagem.

Notas finais
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