ROMANCES MENSAIS

LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO

CAPÍTULO XV — OUSADIA

Quando eu era criança, eu assistia pela televisão um festival mágico que acontecia na Tailândia, onde pessoas ofereciam a Buda lanternas de papel, que mais se parece um balão japonês. Acredita-se que elas levam embora as doenças e infortúnios que passaram, deixando tudo de ruim para trás, ficando apenas os aprendizados. Também, no ato de soltar a luz, é feito um pedido, esse que se realizará caso a lanterna suma pelo céu.

Como a pessoa curiosa que eu sou, sempre quis participar desse festival de perto, mas nunca tive a oportunidade e nem a coragem de ir a Tailândia. E agora, parada de frente ao carro que pertenceu ao pai de Mon-El, vejo inúmeros casais segurando lanternas de papel ao longe, contrastando com a paisagem quase deserta e rochosa daquele lugar remoto da cidade.

Mon-El pega em minha mão e sorri docemente. Eu estava me sentindo péssima. Meu coração implorava para que eu ligasse para Lena e me desculpasse pela maneira dura com a qual eu havia a tratado por causa de um ciúmes infantil. Ela e Mon-El tiveram uma história intensa juntos, mas não era uma história de amor. Ouvir a versão mais completa de Mon-El me fez entender o motivo de haver tanta intimidade entre eles e o desejo de Lena de conversar com o rapaz pelo celular. Ela não o via há muito tempo. É claro que ela estava ansiosa para conversar com o amigo que tanto a ajudou e que foi forçado a se afastar por causa das maldades do pai.

Mais uma vez, eu sentia tanta admiração por aquele homem viciado em aventuras, mas de um enorme coração. Apesar de ter origem em uma família financeiramente muito bem, Mon-El viveu experiências muito dolorosas e traumáticas na infância e adolescência. Ainda assim, ele está sempre sorrindo, é carinhoso e cuidadoso. E isso o torna ainda mais bonito e atraente. Uma alma gentil com muitas cicatrizes, mas que usa o humor para esconder suas dores e receios.

— E então? Vamos lá? — Ele pergunta dando um bonito sorriso. Mon-El passa o polegar delicadamente sobre meu rosto, limpando as lágrimas teimosas que continuavam a cair.

— Talvez eu devesse ligar para Lena e...

— Ou você pode aproveitar o resto dessa noite e amanhã marcar um jantar com ela em sua casa para conversarem calmamente e de frente uma para outra. Vocês terão uma conversa sincera e esclarecedora, explicando o que aconteceu e poderá se desculpar pelo que quer que você tenha feito ou dito a Lena. — Mon-El me interrompe, tendo a audácia de usar a razão contra mim. Suspiro, frustrada. — Esse tipo de conversa não deve ser feita por telefone e hoje é dia dos namorados. Ela provavelmente está em um encontrando, aproveitando a noite para se divertir.

Isso é verdade. Lena sempre fugiu de relacionamentos sérios por nunca se apaixonar, mas ela nunca passava o dia dos namorados sozinha. Hoje não era diferente. Ela ia em um encontro com um empresário que ela conheceu em um desses jantares de negócio. Eu não podia atrapalhar a noite dela falando de um passado doloroso.

— Droga! Eu odeio o fato de você estar usando a razão para me deixar sem argumentos. — Resmungo e Mon-El ri, divertindo-se com o meu pseudo mau humor.

— Bom, eu acho melhor se acostumar. Eu sou o mestre da racionalidade e da sabedoria. Com os ensinamentos adquiridos em meus treinamentos com Kung Fu Panda, eu sou capaz de enfrentar qualquer desafio que a vida me reserva. — Brinca, mostrando seu lado convencido mais uma vez. Rio e o puxo pela mão para irmos ao festival. Eu precisava extravasar meus sentimentos negativos e sinto que isso só será possível com a presença de Mon-El.

— Cala a boquinha que só fala idiotices e vamos logo. — Resmungo e ele ri, entrelaçando nossos dedos.

Mon-El passa o braço sobre o meu ombro sem soltar a minha mão e me leva para mais perto dele. Inspiro discretamente seu perfume viciante e me aconchego contra seu corpo. Quando vvvvvmos a entrada do festival eles nos dão uma bolsinha com uma lanterna de LED, com bateria, tipo um pequeno chaveiro, uma caneta pra escrever na lanterna de papel que nós iremos soltar e a lanterna de papel propriamente dita.

Os casais estavam espalhados pelo o lugar em uma espécie de piquenique. Por sorte, Mon-El havia pensado em tudo e havia trago uma caixa térmica com algumas guloseimas e bebidas. Fazia muito frio, como o rapaz havia me alertado antes de sair de casa, mas ele havia se prevenido e trago um pano onde pudéssemos nos sentar e uma cobertor felpuda branca para nos aquecer até a hora de soltar as lanternas que aconteceria a meia noite.

Escolhemos um lugar um pouco mais afastado do aglomerado de pessoas que estavam no centro do festival. Depois de arrumar o lugar para nos sentar, Mon-El abre uma garrafa de vinho e coloca um pouco da bebida nas taças que trouxe. Nós nos sentamos e nos cobrimos com o cobertor, ficando ainda mais próximos e passamos a beber tranquilamente, observando os casais se divertindo. Era realmente tudo muito bonito e... mágico. Eu me sentia como se estivesse no filme Enrolados, mas ao invés de estar em um barco, eu estava segura no calor dos braços de Mon-El.

— Isso é incrível. — Comento, completamente fascinada com o festival. — Como você descobriu esse evento?

— Imra. — Responde, sorrindo envergonhado. — Eu queria que esse dia fosse bastante especial e depois que eu consegui a reserva no The Capital Grille, pedi que Imra me ajudasse a encontrar um lugar onde pudéssemos finalizar a noite com chave de ouro. Ela pesquisou na internet e encontrou esse lugar incrível. Eu confesso que fiquei bastante frustrado quando você disse que não poderia sair comigo hoje. Mas ao ver a quase declaração de amor de meu sobrinho por Eleven usando fitas, walkman, bilhetes e um colar especial, eu resolvi me arriscar e ir ao baile da escola, mesmo que você decidisse me tirar de lá aos pontapés.

— Que bom que você resolveu se arriscar e agradeça a Imra pela excelente ideia. Ela está se saindo muito bem aconselhando e orientando você quanto ao que fazer nos encontros. Primeiro foi o Rage Room e agora o The Lights Festival. Agradeça a ela por mim. — Peço e ele ri, concordando. — E como foi que vocês se conheceram?

— Depois que fui embora de Hawkins, andei sem rumo algum até que me envolvi em um acidente com um carro próximo a Filadélfia. Como fiquei inconsciente, eles me levaram para o hospital da cidade, que era o mesmo lugar que a Imra fazia residência médica. Eu quebrei a perna esquerda em três lugares, então precisei fazer cirurgia. Também fraturei duas costelas e desloquei o ombro nesse acidente. Por causa disso, eu precisei ficar algum tempo no hospital. — Conta Mon-El, sorrindo nostálgico. — Eu ainda estava bastante revoltado pelo que tinha ocorrido em minha casa, então eu passava a maior parte do tempo tentando sair do hospital. Em uma dessas tentativas, eu acabei caindo da maca. Imra passava de frente ao meu quarto bem na hora e veio me socorrer, já que isso abriu os pontos da cirurgia. Levei uma bronca de horas dela sobre a importância de seguir o tratamento e ser responsável. Depois disso, ela passou a me visitar todos os dias para garantir que eu estava me comportando e assim nos tornamos amigos. Após dois meses de internação, eu recebi alta e eu a chamei para sair. Nós namoramos por uns cinco meses e vimos que nós não combinávamos como casal, então nos tornamos melhores amigos.

"Quando eu sai do hospital, eu decidi que ficaria em Filadélfia e por sorte tinha um apartamento disponível no prédio onde Imra morava. Eu me mudei para lá, mas passava mais tempo no apartamento dela do que no meu mesmo depois de que terminamos. Eu morei na Filadélfia por sete anos e foram poucas as vezes que voltei em Hawkins." — Ele suspira e toma mais um gole de vinho. — Eu sinto falta de lá e principalmente de Imra. Ela vivia me enchendo o saco, mas foi graças a ela que eu nunca me senti sozinho mesmo longe dos meus amigos e da minha família.

— Ela parece mesmo ser uma boa pessoa. — Comento, pensativa.

— Ela é sim. — Responde Mon-El, sorrindo. — Bom, que tal escrevermos nossos desejos? Acho que não falta muito para que as lanternas sejam enviadas para o céu.

— Tudo bem. — Concordo, colocando a minha taça sobre a caixa térmica. Á contragosto, nós nos afastamos e eu pego a lanterna de papel e a caneta para escrever meu desejo.

Penso por um instante sobre o que eu deveria escrever. Não havia algo em específico que eu gostaria de ter e desde que conheci Mon-El, eu estou aprendendo a aproveitar o momento, sem me focar demais no futuro. Desde o término de meu namoro com James, o meu planejamento de vida já não fazia mais sentido. Quer dizer, eu já nem sei mais com quem irei casar. Voltar para a minha cidade natal também era uma opção, já que minha família inteira está por lá e a única coisa que me prende agora é o meu emprego.

No entanto, ao ver os olhos intensos de Mon-El, encarando a lanterna com tanta curiosidade e concentração, eu sinto como se quisesse parar o tempo apenas para que esse momento tão mágico pudesse durar para sempre. O rapaz pega a caneta e escreve o seu pedido.

EU DESEJO VIVER MINHA VIDA SEM ARREPENDIMENTOS.

Sorrio diante de seu pedido. Isso era mesmo a cara de Mon-El. Viver ao máximo, sem pensar no amanhã, como se só restasse poucos dias de vida. E de certeza forma, eu estava começando a entender o que ele queria dizer. Passei dez anos da minha vida planejando cada movimento do que eu iria fazer e no fim, nada saiu como eu planejava e agora eu me encontrava cheia de arrependimentos, me questionando o motivo de ter deixado essa história ter ido tão longe, quando estava claro de que jamais teria o meu "felizes para sempre" ao lado de James.

EU DESEJO ENCONTRAR A VERDADEIRA FELICIDADE, SEJA ELA ONDE FOR, COM QUEM FOR E AONDE FOR.

— Acho que fizemos excelentes pedidos. — Comenta Mon-El assim que eu termino de escrever. Sorrio, concordando.

— Sim, são excelentes desejos. — Concordo e suspiro, encarando as pessoas que estavam a nossa volta com suas lanternas acessas. Aquilo tudo era tão lindo e encantador.

Ajudo Mon-El a ligar a lanterna e assim que um sinal ecoa pelo local, as pessoas começam a empurrar suas lanternas de papel para o céu. Casais observavam a tudo, abraçados e compartilhavam algumas carícias em comemoração. Sinto a mão de Mon-El sobre a minha e damos as mãos. Ele me puxa para mais perto e me abraça de forma calorosa, ficando com o queixo apoiado sobre o topo de minha cabeça.

— Obrigado por ter aceitado o meu convite e estar aqui comigo. — Agradece Mon-El e posso sentir que ele sorria. — Você tornou esse festival ainda mais especial para mim.

Sorrio e encosto minha cabeça no ombro do rapaz. Haviam tantas coisas que eu queria dizer, mas ao mesmo tempo temia verbalizar os sentimentos que cresciam dentro de mim nesse momento. Então tudo que faço é permanecer em silêncio enquanto observo as lanternas se perderem no céu.

Mon-El e eu voltamos as nos sentar sobre a toalha de piquenique e a nos cobrir com o cobertor. Sem nos importarmos com o tempo, passamos o resto da noite comendo, bebendo e conversando. Eu nunca me cansava de ouvir as histórias divertidas de Mon-El sobre sua adolescência ou como estão sendo seus dias com as crianças. Eu também compartilhava sobre minhas histórias engraçadas envolvendo meus alunos. E foi assim que vimos o mais lindo nascer do sol sem nem ao menos percebermos.

[...]

— Você tem certeza de que está bem? Se quiser marcar o nosso jantar para outro dia, eu não vou ficar chateada. Imagino que tenha voltado tarde do seu encontro com o Mike. — Afirma Lena, depois de me ver bocejando pela centésima vez naquela noite.

— Eu tenho. — Respondo, suspirando. — A verdade é que viramos a noite. Eu cheguei em casa era sete horas da manhã. Ele ainda me fez tomar café da manhã com ele antes de me deixar em casa e ir buscar a Holly na casa de uma conhecida dele.

— Espera um pouco. Você passou a noite toda com ele e ainda tomou café da manhã? — Pergunta Lena, sorrindo maliciosa. Vejo os olhos de minha melhor amiga brilharem intensamente. — Eu quero saber de tudo! Como foi? Ele foi gentil com você? Ai, mas que pergunta idiota! É claro que ele foi. É sobre Mon-El Mike Matthews que estamos falando.

— Não é nada disso que você está pensando! — Tento consertar o mal entendido. — Ele me levou ao The Lights Festival e ficamos a noite inteira conversando, bebendo e comendo. Nós ficamos tão entretidos que nem vimos a hora passar. Aproveitamos para ver o nascer do sol e tomamos café da manhã juntos. Foi apenas isso.

— Vocês são tão sem graça. — Resmunga Lena, entendiada. — Mas já que é assim, você deveria mesmo dormir. Você trabalhou muito no Baile dos Namorados e ainda virou a noite.

— Sim, mas... eu queria conversar com você. — Digo, envergonhada. — Na verdade, eu queria me desculpar com você pelo meu comportamento ontem.

— Sobre o que você está falado? — Pergunta minha melhor amiga, deitando-se em minha cama. Sento-me de frente para ela na cadeira que havia em meu quarto e suspiro.

— Eu não fui muito legal com você ontem depois da sua conversa pelo telefone com o Mon-El e eu sei que você percebeu isso. Não precisa agir como se nada tivesse acontecido. Você me ajudou na decoração do ginásio e foi paciente comigo, mas eu te tratei muito mal e eu peço desculpas por isso. Eu não deveria ter agido daquela forma. — Explico e Lena ri.

— Kara! Você não tem que se desculpar. Eu sei que você estava estressada pela correria do baile e eu também não deveria ter agido toda animada para conversar com o rapaz com quem você está saindo, mesmo que eu o conheça há anos. Eu só fiquei tão animada de finalmente conseguir ter contato com o Mike que acabei sendo insensível com você. Então, vamos apenas fingir que estamos quites e seguir em frente. — Responde Lena, sorrindo amável.

— Ele me contou sobre o que aconteceu. — Revelo e ela me encara com seriedade. — Sobre o passado de vocês e como se conheceram.

— Ah, eu... eu não estou surpresa. — Afirma, suspirando. — Na verdade, eu me sinto aliviada por ele ter te contado. Eu queria ter feito isso há muito tempo, mas eu... eu confesso que ainda é complicado lembrar daquela época. Tudo foi muito traumático. Foi com a ajuda de Mike que eu consegui superar muita coisa, mas... ainda precisei de muita terapia, acompanhamento com o psicólogo e medicamentos para controlar as crises de ansiedade. Quando ele foi embora, eu me senti muito perdida. Mike me dava muito apoio e foi quem mais me inspirou a superar aquele maldito que me destruiu completamente. Então quando eu descobri que você estava conversando com ele, eu não consegui me controlar. Eu sinto muito.

— Não. Eu entendo. Vocês perderam contato e passaram anos sem se falar. — Respondo, sentando-me na cama. — Está tudo bem, Lena.

— Kara, eu sei que às vezes sou um pouco dura com você, mas eu realmente só quero te proteger. Eu conheço de longe quando uma pessoa está envolvida em um relacionamento abusivo, porque eu passei por isso ainda muito jovem. Eu era assim como você. Sonhadora e inocente. E então eu conheci aquele pedaço de merda. Ele me agredia fisicamente, mas pior do que a violência física é a agressão psicológica. Aquele maldito fazia eu me sentir culpada por coisas absurdas como um outro homem olhar para mim ou pelo modo como eu me sentava. Ele me convencia até mesmo que o ciúmes doentio dele era por minha culpa. Eu que não sabia me portar. Era eu que não sabia me vestir ou que sorria mais do que devia. E quando eu menos percebi, estava sendo completamente controlada por aquele monstro. — Vejo lágrimas se formarem nos olhos de Lena e ela parecia se esforçar para não chorar. — O fato é que toda vez que eu via James controlando o que você ia comer ou vestir, era como se eu voltasse ao passado. Ele pode nunca ter te agredido, mas ele te gritava com você, te sufocava e te controlava. Você é uma pessoa tão incrível, Kara. É doce, gentil, divertida e amável. Não merecia viver um relacionamento como aquele. Vocês nem mesmo se amavam, mas ainda assim, você não conseguia enxergar o quanto ele te fazia mal.

"Faz apenas duas semanas que você se livrou daquele traste e eu nunca te vi tão feliz, amiga. Você se diverte e se arrisca. Parece não ter mais medo de nada e demonstra muito mais o que você está sentindo. Eu não sei se você está apaixonada ou não, mas Mike te faz muito bem. É nítido como seus olhos brilham quando fala dele ou receber uma mensagem dele. Aposto que nem mesmo se lembra daquele babaca com quem você perdeu tanto tempo da sua vida." — Supõe Lena, encarando-me com curiosidade.

— Bom... — Sim. Aquilo era verdade. Aos poucos, James se tornava meu passado. Eu já não penso mais com tanta frequência nele e meu coração já não dói mais ao citar seu nome. — De qualquer forma, eu sinto muito por não ter te ouvido antes. Agora que paro para pensar em tudo o que ele me fez passar, eu acho que você tem razão. Eu tive sorte dele ter terminado comigo.

— Sim. Teve mesmo. — Concorda Lena, pensativa. — Foi um alívio saber que tudo terminou antes que você pudesse sofrer algo semelhante ao que eu passei.

— Obrigada por não desistir e por cuidar de mim. — Sussurro, abraçando Lena. Ela suspira e corresponde ao meu abraço. Eu estava tão grata a ela por se esforçar tanto por mim. Mesmo tendo que lidar sozinha com toda a dor de se lembrar de seu passado traumático quando me via sofrendo os abusos de James, ela nunca hesitou em o enfrentar para me proteger. Talvez tenha sido as interferências dela que impediram que meu relacionamento com James se tornasse ainda mais abusivo.

— Eu te amo, minha irmãzinha de coração. É claro que eu cuidaria de você. Ainda que não me ouvisse, eu jamais desistiria de tentar colocar um pouco de luz nessa sua cabecinha oca. — Responde Lena, apertando ainda mais o abraço, enquanto permite que as lágrimas que lutara tanto para segurar descessem intensamente.

— Eu também amo você, ogrinha. — Declaro, não consigo controlar o choro que eu prendia desde ontem. — E eu prometo te ouvir mais daqui em diante.

— Acho bom mesmo. — Retruca Lena, rindo. Ela se afasta e me encara divertida. — Agora, desembucha. Eu quero saber sobre tudo o que aconteceu na sua noite do dia dos namorados e eu não saio daqui até saber os mínimos detalhes.

E assim passamos a nossa noite de sábado. Eu contando mais sobre aquele dia mágico e ela dando risadas e olhares maliciosos a cada detalhe fofo de minha narração. Lena com certeza é uma pessoa intensa, mas eu sou muito grata por ela nunca hesitar em me corrigir quando estou errada ou me incentivar quando penso em arriscar. Eu não poderia ter mais orgulho de chamar uma mulher tão forte quanto ela de melhor amiga.

Notas finais
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