Apostas de Fevereiro
10 Intensidade
ROMANCES MENSAIS
LIVRO II – APOSTAS DE FEVEREIRO
CAPÍTULO IX — INTENSIDADE
"Eu a queria. Eu queria mais do que qualquer outra mulher. O grande problema era que eu também a odiava. E ela me odiava de volta. Quer dizer, ela realmente me odiava. Em todos os meus 31 anos, nunca conhecera alguém que me irritasse tanto quanto a Srta. Mills..."¹
— Kara! — Interrompendo minha releitura de Cretino Irresistível, Eleven aparece em meu local de descanso com um olhar extremamente curioso e um sorriso que não escondia seu desejo de descobrir alguma coisa. — Eu te procurei pela escola inteira. Por que não me contou como foi o seu encontro com o tio Mike?
— Bom dia para você também, El. — Respondo, colocando o marcador na página onde eu havia parado de ler. Coloco meu livro sobre o colo e encaro minha aluna com repreensão.
— Bom dia. Agora me conta. — Pede a garota com curiosidade. — Você me prometeu ligar quando chegasse do encontro e não fez isso. Eu passei a noite toda esperando para saber.
— Como você é curiosa. — Resmungo e ela ri, sentando-se ao meu lado.
— Eu apenas estou ansiosa para ver o desenrolar da história de amor de vocês dois. — Responde Eleven, sorrindo sonhadora.
— Primeiro que não existe história de amor entre nós. Estamos em uma aposta para saber quem tem a melhor estratégia de sedução. — Corrijo e a garota gargalha. — O quê?
— Melhor estratégia de sedução? — Repete Eleven, rindo ainda mais. — Isso é tão estranho vindo de uma romântica incurável. Nem mesmo parece a pessoa viciada em contos eróticos que é tímida demais para receber um elogio sem ficar extremamente vermelha e sem jeito.
— Eu não sou viciada em contos eróticos. — Minha resposta faz Eleven rir e me encarar com descrença.
— Você não tem muita moral para dizer isso, enquanto segura um livro como esse. — Afirma a garota de cabelos curtos. Ela sorri levemente e encara o livro em meu colo.
— Eu apenas gosto de ler livros clichês. Eu não tenho culpa se eles possuem cenas mais quentes. — Retruco e a garota apenas suspira e revira os olhos.
— Você tem a mente muito fértil, é sonhadora e viciada em livros. Quando você me contava sobre James, eu sempre ficava em dúvida se ele era uma boa pessoa para você e agora que você encontrou o tio Mike, eu só consigo imaginar vocês juntos. Quando eu vejo vocês interagindo, é quase como ver um dos nossos livros preferidos ao vivo. Há tanta química entre vocês. — Comenta Eleven de maneira sonhadora.
— Não diga bobagens. Eu terminei meu namoro de dez anos com James a menos de uma semana, então tudo o que eu menos desejo no momento é um relacionamento. Eu ainda não estou pronta para isso. — Respiro fundo, tentando controlar a dor que eu ainda sinto por falar no assunto. — Romances literários são incríveis. É tudo tão mágico e parece que o amor é o bastante para enfrentar qualquer dificuldade, mas na vida real, tudo é muito diferente. Se a minha vida fosse um conto de fadas, talvez Mon-El fosse mesmo o amor da minha vida, mas na realidade, ele é só um cara que ama um desafio e é extremamente gentil. Ele só aceitou minha proposta por estar com pena de mim. Se fosse em outra ocasião, ele jamais olharia para alguém como eu.
— Alguém como você? — Questiona Eleven, confusa.
— Você sabe. Mon-El é o tipo de cara descolado, divertido, bonito e popular. Ele exala confiança e sensualidade. Por outro lado, eu sou atrapalhada, azarenta e sem graça. A típica rata de biblioteca, que se pudesse passaria o dia inteiro lendo. — Explico e Eleven me encara com repreensão. — Todos me dizem isso, El. Eu sou previsível e chata. Acha mesmo que um cara como Mon-El olharia para mim?
— Não vou deixar que fale assim de você mesma. — Repreende a adolescente, pegando em meus ombros. — Você é linda, inteligente e divertida. Foi a única pessoa que teve sensibilidade para se aproximar de mim quando eu entrei nessa escola, completamente abalada por ter saído recentemente da clínica de reabilitação. Kara, você é a melhor professora dessa escola e a pessoa que eu mais admiro nesse mundo. Você sempre sabe o que falar para animar as pessoas e nos incentiva a dar o nosso melhor em tudo que fazemos. Então, o tio Mike seria muito burro e cego se não olhasse e se encantasse por você. E quer saber? Eu acho que você é quem vai ganhar a aposta, de qualquer forma.
— Na verdade, acho que acabaremos terminando a aposta sem ninguém se apaixonar. Eu defini que temos seis meses para fazer o outro se apaixonar, caso ninguém confesse, a gente finge que nada aconteceu e cada um segue sua vida. Ao menos poderei dizer que um bonitão como Mon-El tentou me seduzir por seis meses e não conseguiu. — Brinco e ela ri, abraçando-me de lateral.
— E não pense que vai fugir da minha pergunta. Como foi o encontro? — Pergunta, afastando-se para me encarar com curiosidade. — Você se divertiu? Para onde ele te levou? Vocês se beijaram? Quando será o próximo encontro de vocês?
— Calma. Uma pergunta de cada vez. — Peço, rindo. Suspiro extasiada, relembrando do dia anterior. Ela me encara ainda mais interessada. — Foi incrível. Ele me levou em um Rage Rooms. Foi diferente de tudo que eu esperava, sabe? Achei que ele me levaria para algo mais comum como um restaurante, cinema ou algo assim. E nós não nos beijamos. Nós estamos nos conhecendo ainda e eu ainda não estou pronta. Acho que ele notou isso e por isso me levou para um lugar não romântico, mas que ainda assim foi muito divertido. E nosso próximo encontro será ainda hoje.
— Um Rage Rooms? Por acaso é um daqueles lugares que as pessoas vão para quebrar as coisas? Eu li sobre isso uma vez. — Comenta Eleven, pensativa.
— Sim. E foi uma das melhores experiências da minha vida. Eu nunca pensei que quebrar pratos e paredes pudesse ser tão relaxante. É como se a cada prato quebrado, eu estivesse me libertando de algum sentimento ruim. Acho que nunca me diverti tanto em um encontro como ontem. — Confesso, sorrindo. — Não teve aquela pressão de me sair bem, de me conter, de ser perfeita. Eu pude gritar e destruir tudo sem me importar em ser julgada.
— Eu fico feliz que tenha se divertido tanto. Parece mesmo ser algo incrível. Mas eu jamais imaginei que ele te levaria a um lugar como esse. — Eleven me encara pensativa. — Como ele conseguiu pensar em algo tão único e marcante quanto um Rage Rooms para te levar?
— Ele me contou que costumava frequentar aquele lugar na adolescência. Assim como Mike, ele teve que lidar com a fama de uma forma não muito agradável. Isso o tornou rebelde e impulsivo. Para descontar a raiva, ele vivia procurando alguém para brigar. Foi o chefe dele que o apresentou a esse lugar e desde então Mon-El passou a controlar mais as emoções dele. — Explico, suspirando ao imaginar como ele devia ter sofrido quando adolescente. — Confesso que saber disso me deixou muito mais comovida do que eu esperava. Eu não estava animada para um encontro romântico e ele teve o cuidado de escolher um lugar onde eu pudesse aliviar do estresse dessa semana e ainda fosse significativo para ele.
— Tio Mike é tão incrível. — Comenta Eleven, sorrindo docemente. — Mike me contou que apesar de se fazer pose de quem não se importa com nada e nem com ninguém, ele é muito cuidadoso e atencioso. Nancy falou muito bem do tio e a Solzinho é apaixonada por ele. Você precisa ver como ela se anima só em falar do tio Mike. Mike também é orgulhoso, mas eu sei que ele o adora. Pelo pouco que eu convivi com ele, é impossível não gostar dele.
— Ele é mesmo um cara legal. Talvez muito mulherengo e cínico em alguns momentos, mas acho que ele foi único essa semana que não me tratou como se eu fosse uma pobre coitada e me incentivou a mudar. — Encosto minha cabeça no ombro de Eleven e encaro o céu nublado. — Eu nunca conheci alguém como ele.
— E para onde vocês irão hoje? Pelo que você me disse, vocês irão alternar quem fica responsável por cada encontro, certo? — Pergunta a adolescente com curiosidade.
— Sim. Por causa do trabalho dele como bartender, nós saímos somente nos dias que ele tem folga. Às vezes ele troca de turno com o pessoal com quem ele trabalha, como é o caso de hoje, então vamos sair hoje mesmo. Mas ele sempre trabalha no fim de semana. — Explico. — E como o primeiro encontro organizado por mim, nós iremos ao meu lugar favorito da cidade.
— Não me diga que vocês irão a biblioteca. — Eleven parece não acreditar em minha escolha. — Kara! Não!
— O quê? — Pergunto, sem entender o motivo de tanta alarde.
— Uma biblioteca? É sério? Onde está o romantismo nisso? — Questiona a garota, como se eu estivesse praticando um crime. — Como você esperar o conquistar assim?
— E qual o problema? Ele me levou para um Rage Rooms. Por que eu não posso levá-lo a uma biblioteca? — Indago, sem me importar. — Nós temos um acordo que diz que devemos mostrar quem nós realmente somos nesses encontros. Ele me mostrou um pouco do mundo dele. É a minha vez de trazê-lo para o meu mundo. Mon-El está ciente de que eu não estou buscando nada romântico.
— Tudo bem. — Concorda Eleven, suspirando. — Se ele não pude aceitar quem você é realmente, então ele jamais conseguirá se apaixonar por você. Então, enquanto você continuar sendo você, acho que tudo ficará bem.
[...]
Eu estava nervosa. Estaciono meu carro de frente a residência provisória dos irmãos Wheeler, sentindo meu coração prestes a sair pela boca. Respiro fundo, tentando me acalmar e desço do carro. Hesitante, aproximo-me da entrada da casa e toco a campainha. Olho em meu relógio e percebo que estou dez minutos adiantada.
— Professora Danvers! — Mike é quem atende a porta. Ele sorri e se afasta da entrada para que eu entrasse. — Entre, por favor. Meu tio teve um pequeno acidente e está apenas trocando de roupa.
— O que aconteceu? — Pergunto preocupada, enquanto entro na residência. — Ele está bem?
— Está sim. Não se preocupe. — Responde Mike, rindo. — Holly resolveu fazer birra e disse que só comeria se tio Mike desse comida para ela. Vamos dizer que ele perdeu a batalha contra uma macarronada.
— Entendi. — Digo, rindo.
— Sente-se. A senhorita aceita algo para beber? — Oferece, educadamente.
— Não se preocupe. Eu estou bem, obrigada. — Agradeço, sorrindo. Mike é mesmo como um príncipe. Fico feliz que alguém tão amável e gentil quanto o garoto corresponda aos sentimentos de minha adorável Eleven. Eu não tenho dúvidas de que eles não devem demorar muito para se confessar.
— Não! Eu não quero vestir essa roupa! — Grita uma garotinha de cabelos loiros descendo as escada, correndo só de calcinha.
— Pirralha, colabora com o tio Mike. Eu preciso sair. Venha logo se vestir. — Pede Mon-El, vindo logo atrás, usando apenas uma calça jeans preta. Ao notar minha presença, ele para e sorri sem-graça. — Ah, oi. Você já chegou. Eu... eu sinto muito pela bagunça e pelo atraso.
— Está tudo bem. Eu entendo perfeitamente. Esqueceu que eu lido com inúmeras crianças ao longo do dia? — Respondo com sinceridade. Eu realmente não me importava.
— É verdade. — Comenta o outro, rindo. Ele suspira e encara o vestido em suas mãos, antes de desviar o olhar para o sobrinho mais velho. — Acha que consegue lidar com ela?
— Eu até consigo, mas acho que o grande problema é que ela está com ciúmes de você com a professora Danvers. — Supõe Mike, apontando para a irmã que me encarava nada feliz. — Vocês saíram ontem e sairão hoje novamente.
Holly corre até o tio e abraça a perna dele com força. Era adorável como ela realmente não conseguia esconder o ciúmes que ela estava sentindo de Mon-El. O homem suspira e pega a sobrinha no colo. Holly abraça o pescoço do homem e encosta a cabeça no ombro dele.
— Vamos lá, pirralha número três. Vai para o seu irmão. Eu prometo que não demoro a voltar e ainda vou trazer um presente para você. — Oferece Mon-El, mas a criança balança a cabeça, negando.
— Não. Não vai, tio Mike. — Pede Holly, apertando o tio com ainda mais intensidade.
— Vem, Holly. Seja uma boa menina e deixa o tio Mike ir. Eu vou pedir para a El vir aqui em casa para a gente brincar. Nós podemos até mesmo dançar as suas músicas preferidas e fazer biscoitos. O que você acha? — Mike tenta negociar com a caçula, enquanto tenta pegar a garota do colo do tio sem sucesso.
— Não! Eu não quero! — Resmunga Holly, determinada a ficar com Mon-El.
Rio e me aproximo da família. De certa forma, eu conseguia entender perfeitamente o que se passava na cabeça daquela linda garotinha. Com as constantes mudanças na família, ela só está com medo de perder o tio para uma desconhecida.
— Oi Holly. Eu me chamo Kara e sou amiga do seu tio Mike. — Apresento-me, ma sou ignorada pela garota. — El me contou que você ama o aquário. O que acha de ir comigo e o tio Mike no sábado de manhã? Podemos ver o ursinho que você tanto ama. Ai depois podemos visitar os filhotes no abrigo que eu ajudo sempre que posso. Você vai poder brincar com os cachorrinhos e gatinhos do local. Eu prometo que será muito divertido.
— Eu vou brincar com os cachorrinhos e com os gatinhos, tio Mike? — Pergunta Holly, parecendo ponderar sobre a minha oferta.
— Se você ficar com o seu irmão e se comportar, vai sim. — Responde Mon-El dando um sorriso gentil para a garota. — E isso vai deixar o tio Mike muito feliz.
— Você vai ficar feliz, tio Mike? — Questiona a garotinha parecendo a ponto de chorar. Ela realmente não queria deixar Mon-El sair.
— Muito. Tio Mike fica muito triste quando você não obedece. Acha que pode ser uma pirralha grande e ficar em casa cuidando do seu irmão?
— Sim... — Afirma Holly, encarando-me desconfiada. Ela então se vira para o irmão mais velho e estende os braços para ele.
— Então vem, Holly. Vamos deixar o tio Mike terminar de se arrumar, enquanto eu termino de te vestir. — Mike pega a irmã no colo e Mon-El entrega o vestido de Holly ao sobrinho, antes de subir as escadas correndo. — Eu sinto muito por isso. Ela apenas gosta muito do tio Mike.
— Eu entendo. — Digo, observando Mike colocar um vestido amarelo em Holly. — Eu não sabia que ele levava tanto jeito com criança.
— Ele cuidou por muito tempo de Nancy e de mim quando ainda morava aqui em Hawkins. Apesar da falta de habilidades na cozinha e de sempre procurar uma forma de escapar do trabalho pesado, acho que não podemos reclamar dos cuidados dele. E desde que ele voltou para a cidade, ele tem sido muito mais ativo nos cuidados com Holly. A El basicamente só vem para ensinar tio Mike a cozinhar e brincar com a Holly. Por causa disso, ela se apegou ainda mais a ele. Ontem não foi nada fácil fazê-la dormir, porque ela sabia que ele não estava no trabalho. — Conta Mike, liberando a irmã, que vai atrás de um coelhinho de pelúcia que estava no sofá. Ela sobre as escadas, provavelmente indo procurar o tio.
— Eu sinto muito pelo que você e sua família está passando. É compreensível que Holly tenha se apegado tanto ao Mon-El. Vocês não possuem uma figura paterna há muito tempo por causa da separação dos pais de vocês. Se ela tem passado tanto tempo com ele, é claro que ela acabaria o vendo como um pai. — Explico e Mike assente, suspirando.
— Mas não se preocupe com a gente, professora Danvers. Nós estamos bem. Agora se concentre em ganhar essa aposta. Estou na torcida por você. Eu quero ver tio Mike completamente apaixonado por você. Isso com certeza será interessante de ver. — Fala o garoto com um sorriso cúmplice. Rio e assinto, concordando.
— Então ele te contou? — Pergunto mais como uma afirmação. Eu sabia que Eleven jamais diria nada sobre isso com alguém que não fosse comigo.
— Sim. Ele é igual uma criança. Não consegue manter a boca fechada por muito tempo. — Reclama Mike, balançando a cabeça em negação. — Mas não se preocupe. Apenas Eleven e eu sabemos da aposta.
— Não é exatamente um segredo, então não precisa ficar tão sério com isso. — Revelo, acalmando o garoto. — E não se preocupe. Eu vou ganhar essa aposta.
— Eu não teria tanta certeza disso, meus caros. — Responde Mon-El, descendo as escadas com Holly no colo. Ele estava incrivelmente bonito com um suéter preto, calça da mesma cor e coturnos. A inseparável jaqueta de couro estava no braço e eu quase sentia vontade de bater nele por estar tão bonito. — Eu não entro em uma aposta se eu não tiver certeza de que irei ganhar. Sinto muito, querida Kara Danvers, mas seu coração será meu.
— Vai sonhando. — Brinco e ele ri. — Pelo visto, você já está pronto para ir.
— Sim. — Responde Mon-El. Ele encara Holly com seriedade. — Comporte-se, pirralha. Nada de dormir tarde, porque amanhã cedo você tem escolinha e não conseguir levantar. E você trate de me ligar se acontecer qualquer coisa. A mãe de Max deve passar aqui para deixar uma torta para vocês, então comportem-se.
— Pode deixar. — Responde Mike, estendendo os braços para pegar Holly no colo. Mon-El deixa um beijo estalado na bochecha da garotinha e a entrega a Mike. — Divirtam-se e juízo.
— Você também trate de dormir cedo. — Recomenda Mon-El a Mike, antes de dá um peteleco na testa do garoto. — Boa noite.
— Tchau, tio Mike! — Despede-se Holly, acenando para o tio, enquanto deixamos a residência.
— Tchau, pirralhos. — Responde Mon-El, fechando a porta em seguida. Um suspiro de alívio deixa os lábios do homem e ele me encara com um sorriso malicioso. — Enfim, sós.
— Vamos lá. A noite está apenas começando. — Aviso, seguindo para o carro que está de frente a residência. Respiro fundo e o encaro com determinação. — É a minha vez de te mostrar quem eu sou e te levar a um lugar que marcou a minha vinda a Hawkins.
— E que lugar é esse? — Pergunta Mon-El, assim que entramos no carro.
— A Biblioteca Nacional de Hawkins. — Respondo e ele me encara curioso. — Será uma noite interessante.
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