Apologize
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Eu estava correndo. O suor escorria sob minha pele machucada. Ele ainda estava atrás de mim. Gritava que me amava e que quando me alcança-se, alcançaria a felicidade — Mentiroso. Ele havia me batido a noite toda e abusado sexualmente de mim inúmeras vezes. Eu havia dito que não queria, eu havia dito que não estava pronta. Mas ele era um animal agressivo e perigoso. Senti um golpe acertar minha nuca, o que me fez ficar um pouco sem ar e arfar. Mas não perdi o compasso. Aquele casarão antigo parecia não ter fim. Comecei a subir as escadas. Eu não fazia noção do por quê esta indo em direção a parte mais alta da casa. Mas continuava correndo. Passei os dedos aonde havia recebido a pancada e senti molhado. Estava sangrando. Passei por duas portas de madeira e travei ela com um pedaço enorme de madeira. Era um grande saguão. No canto havia uma grande janela, que ia do teto ao chão. Tirei algumas cortinas que se faziam próximas amarrei uma nas outras, e em volta da minha cintura. Não estava plena em minhas faculdades mentais, só queria viver. A porta teve um solavanco. Ele queria entrar. Amarrei em uma coluna mais próxima ali e eu tinha que ter pressa. Abri a janela e sem pensar, me coloquei pro lado de fora da mesma.
Era dia, fazia tempo que eu não via a luz do dia, a mesma quase me cegou, e algumas lágrimas desceram — Felicidade. Eu via o dia, eu sentia o cheiro da liberdade. Ou pelo menos pensava assim. A porta se abriu. Eu estava pelo meio da parede quando o vi se aproximar da mesma e me pedi que segurasse em sua mão ou morreria. eu preferia a morte. Repetiu muitas vezes que me amava e que estava arrependido, dizia que quem ama perdoa. — Quem ama não faz o que ele me fez. Continuei descendo com certo desespero, enquanto ele puxava e me balançava batendo na parede com muita forte. A ultima vez foi tão forte e que senti minhas costelas doerem muito, foi tão insuportável que eu agourei a vida dele até a ultima geração vivente na terra. Ele dizia que me amava, mas estava me mutilando, arrancando o máximo de mim. Eu olhei pra ele.
Eu me redimia ao pó. Eu faria qualquer coisa, pelo monstro que hoje afugenta. Eu estava morrendo e em minha lapide estaria escrito "Estou me segurando em sua corda que me deixa à 10 metros do chão". Eu levantei meu olhar, e ele estava com uma tesoura em mãos. Eu estava presa ali, estava longe do chão. A dor já não se fazia mais presente, eu já sentia que a morte me beijava lentamente. Literalmente eu estava sem chão, e sem vida. Ele chorava e me pedia desculpas, dizia que se eu não viveria ao lado dele, eu morreria e passaria a eternidade ao lado dele, mesmo que em ossos ou em pó. Dizia desculpas como um anjo... Mas me matava como um demônio. O céu me fazia pensar que era você. Ou eu me fiz pensar... Eu temia. Eu o amei como labaredas de fogo, e ele me devolveu com tristeza. Ele cortou os panos que me prendiam. Do chão, engasgando com meu próprio sangue eu sentia, você me prendia a dez metros do chão. E agora é tarde demais pra pedir perdão...
Fale com o autor