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1 Capítulo 1


Abri os olhos lentamente naquela manhã de sábado. Era véspera de natal. Não que eu me importasse muito com isso, nunca fui fã de datas festivas mesmo, ao contrário de Callie, minha melhor amiga que se tornou uma inquilina permanente em meu apartamento á quatro anos atrás.

E era a voz da mesma que eu ouvia berrar uma música na cozinha, juntamente com uma voz fininha que eu reconheci como sendo a de Sam, meu único filho, um status que eu não queria mudar tão cedo. Eu poderia lhe explicar o que fez com que eu tivesse um filho aos plenos dezoito anos, mais é uma época que eu não me permito relembrar.

Levantei-me ainda cambaleante e me dirigi a cozinha, fazia um frio imenso fora do meu quarto quentinho e eu cheguei a cogitar a ideia que meu pijama de moleton estava velho de mais para me proteger do tempo. Meu trageto até a cozinha foi curto e logo eu estava escorada no batente da cozinha adimirando as duas pessoas mais importantes para mim trabalharem em conjunto. S

am estava em pé em um banco médio de madeira amassando algo que eu não soube identificar, mas que se parecia com massa de pão. Callie estava escostada ao lado dele picando o queijo em pedaços pequenos e médios, enquanto sua panqueca queimava no fogo.

Todos os dias da minha vida me perguntei o que seria de mim sem ela. Quando todos me viraram as costas ela foi a única que me apoiou e apoia até hoje. Na época, Cáh teve um “caso” – como ela gosta de chamar – com Dougie, mais parece que ao contrário de mim, quem recebeu o pé da bunda foi ele.

Me aproximei do fogão e o apaguei na hora exata, fazendo Callie se assustar para depois sorrir.

- Lun! Já de pé? A gente ainda estava preparando o café da manhã. – Ela fez bico.

E Sam se jogou em meus braços concordando com a cabeça.

- Bom dia amiga. Não tem problemas, posso até ajudar, não?

- O garoto quem manda. – Brincou ela voltando a posição anterior.

Olhei para Sam, que negou com um sorriso sapeca.

- E porque não? – Entrei na brincadeira.Ele deu de ombros, voltando para o lado de Cáh que sorriu enquanto eu me jogava na cadeira de frente á eles.

- Como vai ser hoje? – Perguntou minha amiga.

Ela estava se referindo ao fato de eu ter que trabalhar em plena véspera de natal e também depois do natal. Eu não reclamava, Cáh cuidava de Sam, enquanto eu mantinha a casa, era um bom negócio. Estava trabalhando em um barzinho da cidade que era frequentado pelas classes média-alta portando o dinheiro que entrava era de bom tamanho.

- A mesma coisa de sempre. – Dei de ombros. – Mas, hoje Charlie disse que vai lotar. Alguns garotos chegaram de viagem e ao que parece decidiram “festejar” por lá. – Revirei os olhos. – E a de vocês?

- Vamos jogar video game a noite toda, mamãe. Igual ontem – Comentou Sam, ainda se atrapalhando nas palavras.

- Ele quer dizer, que vai roubar a noite inteira. De novo. – Callie rolou os olhos e Sammy lhe deu a língua.

- Não sei qual de vocês dois é mais infantil. – Comentei rindo da cena, enquanto Callie me mostrava o dedo médio as escuras de Sam.

O dia passou assim, entre brincadeiras, risos e besteiras e as seis em ponto Callie pois Sam na cama enquanto eu me aprontava para sair. Ela entrou no quarto.

- Gostei da roupa. – Comentou me assustando. Eu estava no básico, ok talvez um pouco mais chique por exigencia de Charlie, mas mesmo assim estava com o vestido de garçonete e uma meia calça preta, talvez a mudança estivessem em meus pés que pela primeira vez em muito tempo estavam cobertos por um scarpim vermelho. – Coloquei Sam na cama.

Sorri para ela em agradecimento, enquanto começava a falar.

- Não sei o que seria de mim sem você, Cáh.

A vi sorrir e se aproximar, me pegando em um abraço carinhoso, um abraço que me conforta á mais de quatro anos.

- Me pergunto o mesmo. – Respondeu brincalhona enquanto eu terminava minha maquiagem e pegava a bolsa. – Agora vá. Se chegar atrassada de novo Charlie come a sua orelha.

Contive minha risada enquanto caminhavámos até a porta, ela me abraçou de novo.

- Qualquer coisa me liga. – Disse.

- O mesmo vale pra você. E nada de jogos até tarde da madrugada, ok? – Brinquei me afastando.- Se cuida, Lun.

Eu trabalhava á cinco quadras de casa, no “bar” Jocks, o nome era rídiculo para qualquer coisa com um bom circulamento como esse lugar. Mas eu não me importava, não era dona mesmo. Do lado de fora Paul, um dos seguranças grandalhões barrava algumas pessoas enquanto me cumprimentava com um aceno de cabeça, eram seis e meia e a fila do lado de fora estava imensa, imagine quando fosse aberto?!

Charlie com certeza estava certo, hoje á noite seria longa.

Suspirei pendurando meu casaco na salinha dos funcionários. Parei na frente do espelho retocando minha maquiagem soltando meus cabelos negros – agora cortados na altura de meus ombros – penteando minha franja para o lado. Arrumei minha meia calça e meu vestido e logo depois parti de volta para o salão um pouco mais cheio.

Mal apareci e Marie já me trouxe um pedido, básico pelo menos.

- Três vodkas para a mesa quatro, Lun.

Quem começa a noite já com vodkas? Eu preferia coisas leves. Mas vai saber.

Assenti sorrindo para Marie, enquanto Josh me entregava os pedidos apontando para a mesa.

A mesa quatro era um tanto distânte do lugar em que eu estava portanto meus passos até lá foram rápidos. Quero dizer até eu me aproximar o bastante para reconhecer aqueles olhos azuis que me encaravam curiosos.

- Lunna?

- Dougie?

Falamos ao mesmo tempo, os outros dois se viraram, Danny e Harry, ambos estavam diferentes, mais maduros talvez, mas Dougie continuava com a mesma cara de adolescente, o máximo de mudança que eu consegui ver em meu ex amigo foi em seu rosto que se tornou mais fino e mais firme.

Ele se levantou sorrindo. Eu provavelmente estava com uma cara de ótaria. Danny e Harry fizeram o mesmo sorrindentes. Dougie se aproximou me pegando em um abraço. Danny fez o mesmo e depois Judd imitou seu ato.

- Por Deus, quanto tempo garota! – Harry exclamou.

- É mesmo Lun, nunca mais tivemos noticias suas. – Danny completou.

- Ér… — Murmurei, ainda em choque ao vê-los ali. Um, dois, três… Faltava um. O que eu mais tinha medo de ver. – Faz muito tempo mesmo.– Consegui soltar uma frase.

- Não sabíamos que você trabalhava aqui. Como vai a vida? – Ele pausou, e depois continuou envergonhado. — E a… Callie?

Pela primeira vez naquele breve momento de choque eu consegui sorrir, fiquei feliz em saber que Cáh não era a única que ainda se importava com Dougie, ele também se importava com ela.

Uma certa noite cheguei em casa mais tarde do que o normal e Callie estava jogada no sofá com o notbook no colo aberto em uma página que contava as novidades do Mcfly, na verdade especialmente no link que levava á notícias sobre Dougie Poynter. Mas ela não gostava de falar sobre ele, então não toquei no assunto.

- Ela está bem, na verdade, bem demais. E vocês, ér, como vão? – Sorri para eles.

- Cansados. – Começou Danny. – Estamos fazendo muitos shows nos últimos tempos.

- É, mais agora tem o natal e só começamos ano que vem. – Concluiu Harry.

- Ainda bem, não é? – Sorri. – Mas, agora tenho que voltar ao trabalho, garotos. Até logo. – Encerrei o assunto pronta para me afastar quando ouvi a voz de Dougie perguntar uma das coisas que eu mais temia que fossem ditas nesse momento.

- Podemos manter contato?

- É Lun, você foram importantes pra gente. – Concluiu Harry.

- Ér tudo bem… Me liguem. – Passei o telefone para Dougie e me afastei sorrindo tensamente.

Eu não esperava encontra-los ali, assim do nada. Na verdade, eu não esperava que fosse encontrá-los agora.

A noite se arrastou lentamente e eu fiz o possivel para não voltar á mesa dos meninos, Marie disse que os atendia para mim, afinal era fã deles, eu agradeci mentalmente por esse fato existir. As onze e meia Carly, me deu uma carona até a esquina de casa e em cinco minutos eu já estava abrindo a porta do apartamento. Como de costume Callie ainda estava acordada assistindo pela centéssima vez “diário de uma paixão”, me joguei á seu lado, retirando aqueles malditos sapatos que estavam me matando desde a hora que eu os pus nos pés, Cáh mal notou minha precensa, estava se borrando em lágrimas com o final do filme. Quando ele finalmente acabou, ela limpou os olhos e me olhou sorrindo.

- Como foi?- Razoável. – Menti.

A batalha interna era: Contar ou não que eu tinha visto os garotos? Pior que eu tinha falado com eles! E Dougie? Devia dizer que ele tinha perguntado dela?

- Lunna, você nunca diz a palavra “razoável”. – Ela me imitou rolando os olhos. – O que houve? Me conte tudo.

Sorri tristemente: — Eu vi os garotos no “bar”.

Ela arregalou os olhos confusa.

- Que garotos?

- Danny, Harry… E Dougie. – Falei de uma vez.

- Só? – Eu sabia ao que ela estava se referindo, queria saber se eu tinha visto Tom.

Assenti.

- Ele… Perguntou de você. – Murmurei, com medo de sua resposta.

- Dougie? – Assenti. – Dougie Poynter se lembra de mim?

Ela estava histérica.

Nunca cogitei á ideia que minha amiga reagiria assim á uma notícia dessas. No minimo achei que ela saíria em uma caçada atrás dele.

- Sim. Eles disseram que fomos importantes para eles. Pediram até para mantermos contato. – Dei de ombros.

- E você passou o telefone, né?!

Assenti.

- Claro.

- Aaaah que felicidade! – Ela saiu apressada para o banheiro. E a única coisa que dominou minha mente naquele instante era que minha amiga tinha transtornos de personalidade. Ri baixo.

Estava feliz em revê-los, mas ao mesmo tempo minha mente se confundia. Era bom relembrar tudo o que vivemos naqueles longos seis messes em que passamos juntos, entre risadas, músicas e comida, mas consequentimente eu me lembrava dele e toda dor que seu despresso me causou.

Seria uma completa mentirosa se lhe disse que nunca pensei nele, eu sempre pensava, mas gostava de me lembrar daquele garoto que apesar da vida corrida tinha um coração bom e que eu acreditava que nunca seria capaz de magoar alguém. Estava tão errada.

Nós os conhecemos em Janeiro de 2007 e em Junho do mesmo ano eles partiram. Callie disse que não aguentaria manter um namoro assim, afinal morávamos em Bolton, portanto com algumas lágrimas contidas se despediu de Dougie alegando que algum dia voltassem a se ver eles seriam apenas bons amigos que sorririam ao se lembrar do quão bom forão aqueles seis messes.

Já eu, uma completa ótaria que acreditou nas palavras odiosamente lindas de um garoto que fingia se importar, disse que iria esperá-lo pelo tempo que fosse necessário, já que ele tinha uma namorada em Londres.

Consegui levar isso á frente e consegui, até descobrir que estava grávida e que ele tinha “revelado” ao público que iria se casar o mais breve possivel. Isso não aconteceu.

Na verdade, nada aconteceu. Ele não noivou e nem voltamos á nos ver.

Mas eu sentia que esse status estava prestes a mudar com a volta dos garotos.

Callie voltou a sala agora mais controlada se sentando ao meu lado, eu que permaneci ali parada por longos dez minutos segundo ela. Cáh sabia como eu me sentia com a volta deles, porque eu sabia que na classificação “eles” Tom também estava envolvido.

- Ai amiga, desculpa a minha reação. – Começou ela. – Mas, sei lá, eu achei que nunca mais ia vê-lo, até estava me acustumando com esse fato…

A interrompi sorrindo.

- Você ainda sente algo por ele?

Ela assentiu corando levemente, enquanto eu a abraçava de lado.

- Então tem todo o direito de estar feliz, amiga. Eu estou feliz por você!

Ela me olhou com receio.

- Sério?

- Claro. Por isso somos melhores amigas, certo?

- Certo! – Dessa vez Cáh sorriu retribuindo meu abraço.Eu realmente estava feliz por ela. Muito feliz.


Mais tarde naquela noite, eu ouvi meu telefone vibrar ao meu lado, eram pouco mais das quatro da madrugada e a mensagem que havia chegado era de um número desconhecido. Sam se remexeu inquieto ao meu lado. Peguei o telefone lendo a mensagem de letras minúsculas ainda sonolenta.

”Hey Lun, Desculpe a mensagem á essa hora, mas o Dougie não parava de me encher.

Ele pediu – na verdade ambos gostaríamos – que você e Callie fossem almoçar conosco.

Como nos velhos tempos, sabe?

Harry xx. “

Meu coração falhou uma batida. “Conosco” “Velhos tempos”. Isso significava que todos estariam lá. Todos?

Não respondi a mensagem, na verdade o que eu poderia responder: “Aaah que ótima ideia. O Tom vai?” séria uma atitude infantil demais para alguém da minha idade.

Eu não ia, teria que cuidade de Sam, aliás, mas Callie provavelmente iria, falaria para ela se desculpar por mim.

Eles não sabiam da existência de Sam, na verdade não poderiam nem ao menos sonhar com a existencia dele.

Iria resaltar bastante isso para Cáh.

Apenas... Por segurança.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.