Mas por que diabos idolatramos tanto o primeiro amor? Não faz sentido algum. O primeiro amor é uma das coisas mais desconfortáveis que o ser humano passa.

Para começar, ele quase sempre acontece na puberdade, o que por si só já é outra coisa horrível pela qual todos temos que passar. Temos que descobrir o que nos faz bem em nossa pele ao mesmo tempo que lidamos com esses novos sentimentos. E cá entre nós, alguém realmente gostou do seu primeiro beijo ou da sua primeira vez? O primeiro beijo é uma estranha sensação de uma batalha cheia de baba e eu não preciso nem comentar de como é perder a virgindade.

Sem falar, que é nessa fase em que todos se importam demais com a opinião dos outros. Então, ninguém vai querer namorar com alguém que não se encaixe nos padrões, por mais que o sentimento seja reciproco. E se o relacionamento não se encaixa na heteronormatividade, aí que tudo está perdido mesmo. Lidar com a descoberta da sua sexualidade torna a adolescência ainda mais conturbada do que ela já é.

O que importa mesmo é o que vem depois do primeiro amor. O segundo, o terceiro, o quarto... todos vão ser melhores que o primeiro. O último amor da sua vida é quem deveria ser a verdadeira estrela dos poemas e livros. Por que, ao menos na teoria, é com ele que você acabará. Ele será o mais vivo na sua memória, é de quem você realmente se lembrará.

Pode ser que o melhor amor da sua vida seja o seu terceiro. Ou o quinto. Ou o centésimo. Você não deve se prender aos desastres do primeiro. Porque posso te afirmar com certeza, a maior parte do mundo mal se lembra dele.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!