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Notas iniciais
Espero que gostem! ♥
Sasuke não dormiu naquela noite. Se sentia culpado, vulnerável, fraco. Tinha jurado a si mesmo que cuidaria de Hinata durante a missão e agora a trouxera para casa nos braços, machucada. Estava tão cego de raiva que não conseguiu defendê-la quando ela mais precisou. E as consequências foram drásticas: ela ainda não tinha se recuperado.
Não se sentiu melhor quando matou todos os ninjas que a machucaram. Não se sentiu melhor vendo as chamas negras do Amaterasu carbonificarem seus corpos. Não se sentiu melhor quando Sakura disse que ela ficaria bem.
Ela já tinha voltado para a casa, mas ainda estava machucada. E isso era o que matava o Uchiha por dentro. Sorvendo o último gole da garrafa de vodca se esparramou pelo sofá sentido, notando as lágrimas marejarem seus olhos ao começarem a se formar.
E ainda tinha Naruto. O olhar de raiva do loiro ao encarar o corpo de Hinata imóvel no colo de Sasuke nos portões da vila destruíra por completo todas os muros de autodefesa que o moreno construiu sobre si. De repente, com somente um olhar, Sasuke deixou de se tornar o herói vingador de Konoha, impenetrável e mordaz, para um homem agoniado, que sofria com a reafirmação de sua estupidez ao encontrar os olhos do melhor amigo.
Ele não tinha protegido Hinata. E Naruto sabia disso.
A força que ele a arrancou de seus braços e correu com sua pérola para o hospital fez com Sasuke despertasse em si um sentimento que desde a morte de Itachi tinha experienciado: remorso. Se seu maldito ódio controlava-o sempre quando suas emoções estão à flor da pele. Quando uma situação envolvia sentimentos conflituosos dentro de si, o moreno entrava em um estado de transe que somente era regido pelo ódio. A partir desse momento ele se tornava uma máquina mortífera e repugnante que não deixava ninguém ileso ao seu redor.
Infelizmente, Hinata sofreu as consequências.
Seus sentimentos por ela eram tão intensos e diretamente proporcionais que nuca sabia o que fazer quando estava perto dela. Tudo com ela é tão confuso e incerto que não conseguia evitar que o seu modo “ódio” viesse a tona lhe atormentar sempre que ela se aproximava.
Nem conseguia dizer ao certo o que sentia por ela: amor ou amargura pela rejeição.
De qualquer modo nem mesmo seu melhor amigo conseguiu lhe perdoar pelo vacilo de deixá-la vulnerável. Nem mesmo a Hokage lhe encarava com olhos misericordiosos.
Ele havia falhado. E justo com quem mais precisava dele.
Sasuke abriu mais uma garrafa. A noite estava longe de acabar.
Xxx
Eram por volta de seis da manhã quando ouviu batidas na porta de sua casa. Cambaleante fora atender. Normalmente Sasuke expulsaria quem quer fosse, gritando para ir embora, mas naquele momento, talvez por causa do álcool, não queria ficar sozinho.
Assim que abriu a porta, um belo par de olhos verdes o analisavam preocupados.
Sakura o olhava incrédula. Ele parecia tão frágil e exalava remorso. O corpo sempre arqueado em pose altiva se encontrava encolhido, como os ombros jogados e olhos aflitos. Instintivamente abraçou o amigo com força, sentindo-se na obrigação de lhe dar aconchego.
Sasuke se deixou abraçar pela rosada e não conseguiu segurar as lágrimas.
O grande e imponente Sasuke Uchiha estava chorando.
— Ela está bem Sasuke-kun.- repetia Sakura inutilmente tentando consolá-lo.
Sasuke repousou a cabeça sobre o ombro da menor chorou sofrego, enquando a mulher lhe afagava as costas, em sinal que estava lhe dando o apoio que precisava no momento. Por fim, suspirando e se esforçando ao máximo para manter a compostura, o moreno sussurrou:
— Eu… Eu estava com tanta raiva dela…
— Você a trouxe viva Sasuke! E ela está bem… não tem porque se preocupar… — dizia na sua voz mais doce, compreensiva.
O moreno se afastou do abraço de Sakura, e evitou olhar para a mesma, envergonhado por sua fraqueza. Não era digno de um Uchiha expor suas fraquezas daquele jeito.
Mal sabia ele que Sakura, mais do que ninguém o entendia naquele momento.
Ela tinha estudado os clãs de Konoha,e sabia o porquê dos Uchihas serem tão frios: era o amor. O amor despertava o sharingan, assim como criava um barreira de autodefesa que impedia qualquer um de chegar muito perto daqueles sentimentos. Eram criaturas tão amorosas que nem por um segundo não sentiam o mundo sobre suas costas e uma vontade imanente de ajudar a todos.
Sakura, com o Vingador em seus braços, sabia que o amor era a mais pura característica de um Uchiha.
Sasuke enxugou as lágrimas com o dorso das mãos e respirou fundo. Olhou para cima, como quem procura uma maneira de manter as lágrimas nos olhos. Mais calmo, sussurrou:
— A culpa não passou quando eu matei todos eles.- disse em tom de confissão.
— A honra não se lava com sangue. Tal como as feridas de Hinata não se cicatrizaram com a morte de seus algozes.
— Se eu estivesse lá, ela não teria nem se machucado. — começou frio.
— E se você não estivesse lá ela teria morrido. — retrucou a rosada.
— Eu só queria voltar no tempo e ter chegado antes deles a atacarem….
— Sasuke-kun, você fez o melhor que podia. — disse segurando o moreno pela cintura, de modo que fornecia o amparo físico que o emocional de Sasuke tanto precisava. Só naquele momento percebera que não saíra do batente da porta de entrada. Enquanto entrava na sala, sentiu o cheiro forte de álcool que exalava do ambiente, evidenciando como a rosada já suspeitava que o moreno tinha bebido umas durante a madrugada. Depositando o Uchiha no sofá, rumou para a cozinha decida que deveria curar a possível ressaca que não tardaria em chegar.
— Sente-se e me espere aí, você precisa de um café forte.- ordenou Sakura.
— Eu estou bem. — declarou. Maldito orgulho Uchiha que se manifestava nas horas mais inconvenientes.
— Está bêbado como um gambá! Largue de ser um Teme e me espere!
—Não sou teme!
—Então pare de agir como um e seja um bom menino.
— Argh!- reclamou Sasuke cruzando os braços e fazendo um bico. A cena era tão engraçada que Sakura não deixou de gargalhar enquanto caminhava para a cozinha.
Assim era relação dos dois: Sakura tinha a capacidade quase mediúnica de entender o que se passava com o Uchiha, mesmo que ele sequer tenha dito uma palavra sobre seus sentimentos. Com isso era irritantemente atenciosa nos momentos em que mais precisava.
E ele cuidava dela da maneira que sabia cuidar de alguém: com rudeza e distância, mas ainda sim com intensidade, o que trazia um conforto inexplicável a rosada, já que a mesma, por ser muito sentimental acabava por repelir expressões amorosas muito explícitas, por medo se sentir emocionada e consequentemente vulnerável.
Deu um raro sorriso. Não queria nunca mais tirar sua melhor amiga de sua vida. Sasuke apesar de ser solitário, nunca estaria sozinho… ainda mais se Sakura Haruno estivesse em seu dia de folga.
Notas finais
Espero que tenham gostado de ler tanto quanto eu gostei de escrever.
Beijoks
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