Acordei com os raios solarem entrando no quarto de maneira nada delicada. Cobri a cabeça com o cobertor e tentei voltar a dormir, mas senti alguém cutucar meu braço.

– Mackenzie... — A voz de Michonne soou em algum lugar bem longe no meu cérebro. — Mackenzie, acorda moça. — Ela riu pelo nariz e eu tirei o cobertor do rosto enquanto esfregava os olhos.

– O que aconteceu...? — Eu disse com a voz sonolenta.

– Nada, mas Carl quer que você nos acompanhe quando a gente for procurar por suprimentos. — Ela sorriu.

– Ah, okay... — Eu disse me virando para o lado e me cobrindo.

– Agora. — Ela riu. — Vamos tomar um pouco de café e partimos. Vou deixar você se trocar, estaremos lá em baixo. — Ela sorriu e saiu do quarto fechando a porta.

Me sentei preguiçosamente na cama e me espreguicei. Levantei e tropecei no tapete, meti a perna na cama e bati a cabeça na parede. Eu parecia bêbada. Ignorando a dor na cabeça e na perna, fui até o banheiro e fiz minha higiene na medida do possível e escovei os dentes. Vesti um short jeans, uma regata branca, um cardigã preto e meus all-stars. Penteei aquele ninho de passarinhos que eu costumo chamar de cabelos e os deixei soltos mesmo já que eu não tinha tempo para fazer um penteado decente. Desci as escadas e parei na cozinha, Carl e Michonne conversavam e ele sorria enquanto comia cereal.

– ...eu preferia beber leite em pó, eu preferia tomar a fórmula da Judith.... — Quando ele disse isso sua expressão se modificou e ele limpou a boca. — Preciso terminar meu livro. — Ele se levantou e eu entrei na cozinha antes dele subir as escadas como um furação e se trancar no quarto pelo resto do dia.

– Ei, para aí. — Eu disse ficando a alguns — poucos — centímetros dele. — Eu acordei para a gente ir procurar suprimentos. Você não vai se trancar no quarto como fez ontem. — Ele bufou e se sentou outra vez. Michonne ria baixo.

– Tem cereal no armário. — Michonne disse.

– Okay. — Eu peguei um pouco de cereal e comi rápido enquanto Carl pegava algumas sacolas para colocarmos os suprimentos — SE achássemos suprimentos. Terminei de comer, limpei a boca e me levantei. — Prontinho. — Eu sorri. — Vamos?

– Aleluia. — Carl murmurou, eu ignorei.

– Cadê sua arma, Mackenzie? — Michonne perguntou.

– Essa aqui? — Carl disse, tirando um revólver do cinto e me entregando.

– É. — Eu peguei o revólver. — Obrigada... — Disse, desconfiada.

– Vamos, acho que vi algumas casas por aqui quando estava vindo para cá. — Michonne disse. Nos despedimos e saímos para enfrentar o mundo inseguro e perigoso.

Caminhamos alguns minutos em silêncio até acharmos pegadas humanas e ouvirmos gritos. Carl olhou para Michonne.

– Pode ser alguém da prisão. — Ele disse e Michonne assentiu, segurando a Katana.

– Fiquem atrás de mim, revólveres na mão, estejam prontos para atirar se for preciso. — Ela disse e assim fizemos.

Nos embrenhamos em uma pequena mata que havia ali até chegarmos na clareira. Os gritos vinham dali. Havia uma mulher de cabelos grisalhos e um homem negro com um martelo, eles estavam matando uma horda de uns 20 walkers. Michonne avançou contra eles com a Katana e eu e Carl começamos a atirar de longe. Logo já podíamos ver todos no chão e Michonne estava encostada em uma árvore, ofegando. Poucos segundos depois começamos a ouvir um choro... de bebê. Duas garotas — uma de 12 e uma de 7 — chegaram, a mais velha segurava uma bebê loira dos olhos claros. Carl estava boquiaberto, olhando fixamente para a bebê que chorava.

– Judith... — Ele sussurrou e eu fiquei no mesmo estado que ele, boquiaberta.