Notas iniciais
Eu sou Ateu.

Ligue o rádios.

Aumente o volume da televisão.

Abra o jornal.

Leia o livro.

Ouça as palavras.

Entenda o texto.

Se prepare.

A hora é agora.

“Chega de pensar. Chega de ouvir. Chega de ver. Está na hora de agir. Nós estamos aqui para lutar, nada mais do que isso. A guerra está declarado. Quem for corajoso, lute. Quem tiver medo, se esconda. Quem for fraco, morra. Quem for forte, sobreviva.”

Estas palavras tomaram o país. O dia era 28 de junho de 2012. O Sol não nasceu naquele dia.

O chão se manchou de vermelho. Metralhadoras guspiam suas balas, furando guerrilheiros e inocentes, soldados e civis. Bombas explodiam edificações e muralhas. Crianças morriam, enquanto adultos choravam. Granadas eram lançadas em todas as direções, sem se preocupar com quem estivesse no caminho. Mísseis eram lançados contra multidões, destruindo cidades inteiras. O país estava em crise.

E no meio de tudo isso, uma criança gritava.

Seu nome era Gabriel. Sua idade estava em torno dos 3 anos. Seus cabelos loiros cacheados eram despenteados pelo vento, enquanto o mundo se desfazia a sua volta. Mas seus olhos azuis pareciam não notar a calamidade ao seu redor. Seus gritos eram abafados pelas explosões, e suas lagrimas se perdiam no chão manchado de sangue. Um pequeno corte em seu braço tingia sua roupa de vermelho. Ninguem parava para ajudar a pobre criança. Ninguem se importava. A própria vida valia mais do que a de um estranho.

E então, tudo parou. As balas acabaram, os misseis se esgotaram, as granadas desapareceram. O sangue se estancou, as lagrimas secaram e a dor foi aliviada. Todos os olhos se voltaram para Gabriel, todos os ouvidos escutavam sua lamúria. Ele não era mais apenas uma criança inocente. Asas esplendorosas nasciam de suas costas, enquanto a mais divina luz saia de seu corpo. Ele cantava, enquanto seu corpo era lentamente levado para os céus, sua voz tomando as ruas.

Todos os joelhos se dobraram. Todas as linguas confessaram. A sofridão terminara. Mas, apenas para poucos.

Junto com Gabriel, mais Cento e Quarenta e Quatro mil pessoas se elevaram aos céus, ante ao olhar maravilhado de todos os demais. A calmaria durou Sete dias e Sete noites, até que todos os escolhidos fossem levados. Então, o fim do julgamento foi declarado. A hora da punição chegara.

A Terra pegou fogo. Os Oceanos sumiram, enquanto todos os vulcões entravam em erupção. Tempestades de raios combriram toda a superficie do planeta, castigando todos os remanecentes. A dor era infinita. O sofrimento, insuportavel. O castigo, eterno.

Criaturas terriveis surgiram na superficie da terra, destruindo tudo que encontravam. Casas, prédios, monumentos, praças – Tudo era destruido. Desde o menor vilarejo, até a maior metropole.

Pessoas eram jogadas dentro de poços de lava, sentindo todo seu corpo ser queimado pela magma incandescente. Membros eram arrancados como galhos de uma arvore, enquanto os novos deficientes urravam. Ácido era derramado, enquanto as vítimas eram devoradas vivas por monstros horriveis. Veneno era injetado nas arterias, enquanto pedaços do corpo eram destruidos por lanças afiadas.

No meio de todo o infortunio, o Demonio sorriu. Suas asas negras cercaram a Terra, fazendo trevas. Sua risada incessante machucava os ouvidos, enquanto seu olhar criava feridas e pestes.

A tormenta havia começado. A luz os havia abandonado. Não havia mais um Deus para implorar, para adorar, para pedir. Não existia amor, felicidade, amizade. Havia apenas o ódio. O mais profundo Ódio.

Notas finais
Obrigado por ler.
Tenha uma boa morte, e ótimos pesadelos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!