Apocalipse Zumbi (interativa)

25 Nunca olhe para trás... Lembranças são fraquezas


Os casais tiveram seus casamentos naquela mesma noite, tendo a benção de todos do grupo (inclusive do pequeno Kevin) e usando lenços ou colheres enroladas como alianças. Então, como era tradição, antes de tudo acontecer, houve a noite de núpcias. Para alguns, como Cristina e Damien, não era a "primeira vez", enquanto que para outros, como Harry e Clear, era. Todos dormiam.

As respirações dos sobreviventes eram o único som que se podia ouvir no antigo chalé. Triz e Jason dormiam no sofá, com Kevin no colo. Os dois haviam ficado muito próximos nos últimos tempos, desde o nascimento do pequenino. O menor dois loiros se mexia demais enquanto dormia e acabou caindo no chão e acordando. Não chorou. Era uma habilidade que havia desenvolvido desde que nasceu, não chorar com frequência e sempre fazer silencio.

O pequeno se levantou e olhou ao seu redor, curioso. Os olhos azuis dançavam pela grande sala, procurando algo que pudesse fazer. Geralmente, acordava sua mãe, mas não o faz dessa vez. Quem dera tivesse feito. Andou em passos alegres e desajeitados pela sala em busca de uma nova aventura, quando avistou Marryanne... E sua besta. O pequeno sorriu.

Cambaleou em direção a ruiva favorita e, em um silencio total, cutucou a arma da "tia". Maryanne, mesmo tendo um sono leve, não acordou. O pequeno cutucou novamente, mas, dessa vez, o chão rangeu e ele se assustou com o próprio barulho, caindo no colo da ruiva. Maryanne acordou num pulo e, devido ao espasmo de sua mão por causa do susto, atirou. A flecha não atingiu Kevin, digo desde já. Ele caiu longe da mira da besta, mas algo que estava na mira da flecha que voava era inanimado e fazia muito barulho quando quebrado: o vidro da janela.

Ele se espatifou em mil pedaços como cristais e acordou Triz e Jason, que se jogaram no chão devido ao susto.

– Marryane! — gritaram, num sussurro, Jason e Triz.

– Kevin! — disse a ruiva para o pequeno em seu colo.

Kevin se levantou, abaixou a cabeça a coçou seus joelhos.

– Foi sem "queler"...

As luzes do chalé não se acenderam, mas os que acordaram com o barulho (Cristina, Damien, Harry, Clear, Gaspar e Lucie) se levantaram e foram ver o que havia acontecido. A cena que os sonolentos sobreviventes encontraram não ajudou em nada na compreensão.

– Mas o que... — começou Gaspar.

A frase do ex-major foi interrompida por gemidos altos, indicando proximidade. Kevin arregalou os olhos e correu, cambaleante até sua mãe e Jason, murmurando "Monstos, mosntos, mosntos...".

Os sobreviventes correram até a cozinha e se armaram com o que puderam achar por lá. Poucos eram os recursos que haviam sobrado desde o incidente do acampamento e balas eram preciosas. Ficaram em formação, ao redor de Triz (que também estava armada) e Kevin.

– Puta merda... — murmurou Harry — Quem visita os recém-casados a essa hora da madrugada? Porra...

Os passos mórbidos dos errantes se aproximaram até que cinco deles bateram de uma vez só na porta de vidro que dava para o lago. O vidro era muito fino, não aguentou muito tempo. Rachou e se quebrou em mil pedaços, cortando a carne mórbida dos errantes.

Lucie acertou o primeiro na cabeça com uma faca de cozinha e chutou-o para longe. Clear golpeou outro com uma panela que havia encontrado estocada nos armários do chalé e levou-o ao chão, onde Harry esmagou sua cabeça.

Cristina e Damien também lutavam como um par perfeitamente sincronizado, assim como Jason e Maryanne. "Inferno!", pensou Triz. "Kevin não vai dormir novamente por mais uma semana...".

No meio de tantos golpes, a janela também se quebrou e os errantes entraram aos montes, rastejando por lá. O pequeno Kevin teve a infelicidade de quebrar o vidro da janela quando uma horda dos mortos-vivos passava por perto.

Depois que a segunda vidraça foi quebrada, uma Katrina e um Andrew cambaleantes aparecem na porta, entorpecidos pelo sono. Os dois usam um roupão, numa tentativa de cobrir sua nudez.

– Mas que barulho é... — começa Katrina.

Mas ela nunca teve a chance de terminar a frase.

Um errante veio pelo seu lado direito e mordeu seu braço, puxando-a para si. Outro, rapidamente, mordeu seu pescoço enquanto a recém-casada Katrina gritava de dor. Triz não deixou Kevin olhar.

– NÃO! — gritou Andrew, acordando o resto da casa e se jogando contra os errantes, completamente desarmado.

Socou o rosto de vários deles, mas poucos foram ao chão.

– Andrew! Pare! — gritou um Damien desesperado, incapaz de sair de sua atual posição e ir ajudar o amigo.

Andrew socava e chutava os errantes enquanto Katrina gritava e chorava no chão. O recém-casado tentava alcançar a esposa, mas haviam muitos e Katrina chorava. Se contorcia de dor a medida que sua carne era puxada e que seu sangue jorrava. Rasgaram sua garganta e ela já não conseguia respirar, apenas se engasgavam em seu próprio sangue.

Os outros lutavam bravamente, protegendo os seus.

– Katrina! Aguenta Katrina! Por favor! — implorava um Andrew choroso e desesperado. Socava o ar aleatoriamente e seu coração doía.

Katrina também sentia dor. Não só uma óbvia dor física, mas uma dor em seu coração. Sabia que morreria, percebeu quando a poça de seu próprio sangue chegou até a ponta de seus dedos, que estavam sendo puxados junto com seu braço até o limite por outro errante. Mas não era morrer que lhe deixava agoniada, mas morrer tendo como última imagem, seu marido lutando contra errantes, chorando, atrás de um caso perdido.

Tentou dizer seu nome, mas não tinha mais ar em seus pulmões. Chorou e se contorceu de dor. "Não...", pensou. Um dos errantes matou Andrew em sua frente. Depois, ouviu gritos de Katherine. Derick havia sido mordido, mas havia sido apenas a perna, conseguiriam recupera-lo.

Fechou os olhos, morrendo engasgada em seu proprio sangue.