Notas iniciais
Primeira aparição dos outros personagens!! =^.^=
Espero que vocês gostem!
Boa leitura!

Já estava de noite. Dentro da floresta, era possível escutar algumas notas musicais suaves vindas de algum lugar. O som se misturava com o barulho dos animais e dava a sombria floresta uma áurea calma. Claro que era apenas na aparência.

- Que lindo! — disse uma garota sentada nos galhos de uma das árvores. Seus cabelos negors e lisos estavam jogados sobre os ombros, curtos demais e bagunçados demais para uma garota. Sua franja caia sobre o olho esquerdo deixando apenas o outro olho amendoado a mostra. Essa garota devia ter entre 14 e 15 anos, porém, segurava um ursinho de pelúcia em seu colo. Suas roupas estavam sujas e rasgadas, mas ela exibia um sorriso lindo — Você toca muito bem, Andrew! Toca outra música?

- Claro — disse o homem ao lado da jovem. Ele tinha cabelos pretos até os ombros, era alto e musculoso. Os dois estavam sentados lado a lado em uma das árvores, enquanto balançavam os pés, chutando o vento debaixo do galho. Andrew passou os dedos delicadamente sobre as cordas, dedilhando mais uma música linda e feliz.

- Ei Kath! Cuidado! — disse um garoto sentado em outra árvore, na frente dos dois primeiros — Se inclinar demais, pode acabar caindo!

- Ora, deixe disso Derick! — disse, a agora com nome, Kath — Não vou cair daqui tão fácil, prometo.

O então Derick bufou. Tinha praticamente a mesma idade de Kath, uma pele levemente castanha, como se pegasse bronzeado todos os dias, e olhos incrivelmente negros. Tinha um porte físico normal, porém, forte. Ele segurava uma pistola na mão esquerda e rodava uma faca de cozinha na mão nervosamente.

- Mas se você cair — continuou Derick — Vai ser perigoso, vamos ter que descer para te ajudar.

- Uma errante só não é problema — disse Andrew, interrompendo seu dedilhado — Todos aqui sabemos como nos virar.

- Mas se forem dois? — insistiu o garoto — E vieram um de cada lado! Kath não vai conseguir ver por causa do...

Derick parou de falar. Andrew e Kath o olharam, apreensivos. Derick tinha acabado de tocar num assunto considerado tabu.

- Kath consegue se virar sozinha, Derick — disse uma quarta pessoa, escondida nas sombras. Tudo ficou em silêncio de repente. Uma das árvores começou a tremer e, de um dos galhos mais altos da árvore, pulou uma garota. Ela aterrissou suavemente em um galho mais baixo, depois em outro, e mais outro... Até ficar no mesmo nível que os demais — É para isso que estamos juntos, Derick! Não pense que Kath é uma responsabilidade exclusivamente sua.

- Sim... Lucie...

Lucie era bonita. Tinha cabelos pretos e ondulados que caiam sob seus ombros e cobriam metade de suas costas. Tinha uma pele clara e olhos igualmente claros. Era magra mais tinha pernas torneadas e uma cintura fina. Assim como todos, suas roupas estavam rasgadas e sua pele, suja.

- Eu ainda consigo ver, Derick — disse Kath, com um sorriso amarelo — Não considere aquele acidente como se fosse apenas culpa sua. Foi minha também.

- Mas eu...

- Por favor Derick — começou Andrew — Está sendo bastante difícil para Katherine... Combinamos não tocar nesse assunto por um tempo, até que a situação se normalizasse... Só não... Não pensei nisso agora, tudo bem?

Derick abaixou a cabeça e suspirou, derrotado.

O silêncio tomou conta daquela parte da floresta. Kath sussurrou alguma coisa no ouvido de seu ursinho de pelúcia e Andrew voltou a dedilhar em seu violão. Kath voltou a chutar o ar, Lucie se sentou no galho, pensativa.

Derick não acreditava no quão idiota ele pode ser, tocando naquele assunto delicado. Fora egoísta e maldoso, não tinha nem esmo considerado os pensamentos de Katherine... Kath... Não queria ter deixado aquilo acontecer com ela...

Seus pensamentos foram interrompidos por um grito agudo e estridente. Feminino. Todos levantaram a cabeça e olharam na direção do grito.

- A Interestadual! — exclamou Andrew.

- Sobreviventes! — exclamou Lucie.

- Errantes... — murmurou Kath, cabisbaixa.

Derick se levantou e desceu a árvore em que se encontrava bem devagar. Quando caiu no chão, olhou para Lucie, que o encarava de olhos arregalados.

- Derick, o que você...

- Manter os vivos vivos e os mortos longe, se bem me lembro — disse Derick, sorrindo.

Andrew bufou e Lucie revirou os olhos.

- Tudo bem — disse ela — Vamos!

~#~#~

Com algumas pisadas rápidas, apagou o fogo de sua fogueira rapidamente. Maryanne se sentou e jogou dois peixes sobre a brasa. A pouca luz que emanava da Interestadual a permitia enxergar pouco, mas o suficiente.

Fechou seus olhos azuis e respirou fundo. Maryanne estava, definitivamente, sozinha.

- Melhor assim — murmurou consigo mesma — Quanto mais gente, mais preocupações e problemas.

Maryanne bagunçou seus cabelos ruivos e curtos, eu um movimento inconsciente e virou seus peixes na brasa. Eles estavam emanando um cheiro horrível, mas, ainda assim, eram comida. Enquanto os peixes assavam, a ruiva começou a limpar suas flechas. Estava começando a ficar difícil de se manter em pé, então, ela precisava dormir.

Quando os peixes ficaram prontos, ela embrulhou um e jogou-o na mochila (junto a duas Glocks que ela tinha) e comeu metade de outro. Precisava economizar comida, afinal, não sabia quando iria conseguir alimento novamente.

Depois que terminou de comer, Maryanne se levantou, chutou mais um pouco a brasa no chão, apagando-a por completo e tirou de sua mochila uma corda. Iria dormir em uma árvore, afinal, não seria louca o suficiente para dormir lado a lado com errantes.

Começou a escalar a árvore, quando ouviu uma estranha movimentação vinda da Interestadual. Ouviu passos de pessoas correndo e vozes. Sobreviventes.

A ruiva escalou a árvore ainda mais, visando observar melhor o grupo. Eles tinham um trator! Maryanee soltou uma risadinha. Tratores fazem muito barulho, se fosse ela, já teria descartado-o.

Então, percebeu o motivo da movimentação. Errantes. Mais ou menos uns 20 deles seguindo o grupo. A ruiva sentiu um aperto no coração. Eles, com certeza, iriam morrer e ela presenciaria tudo. Sim, presenciar, pois estava muito fraca para descer e lutar, sem contar que não queria que eles a oferecessem ajuda. Não, ela não queria mesmo entrar para um grupo. Iria mesmo acabar vendo-os morrer.

Mas talvez não.

Ela poderia ajudar sem ser vista, certo? Não precisava se juntar ao grupo, então os ajudaria a distância, sem se cansar. Nem mesmo seria percebida. Sorriu.

- Agora sim o circo vai pegar fogo — ela murmurou consigo, enquanto se preparava para pular para a próxima árvore.

~#~#~

Gaspar levantou a pá carregadora, suspendendo ainda mais Clear e Avery. Damien se posicionou logo abaixo da namorada. Katrina escalou o trator, visando uma posição próxima de Christian, não deixaria aquela peste morrer, não deixaria que ele a deixasse com aquele peso horrível na consciência.

- Vinte e dois! — gritou Harry.

- Eu contei vinte e cinco! — rebateu Cristina.

- Não interessa! São muitos de qualquer jeito! — disse Kaio — Temos poucos para lutar!

- Vamos tentar! Temos que lutar! Não temos como correr! — gritou Gaspar.

Cristina levantou seu pé-de-cabra e Jason levantou a espada medieval que Damien havia lhe emprestado. Este, por sua vez, carregava um taco de baseball. Beatriz estava escondida no trator, junto a Christian, que havia acabado de acordar.

- O que...? — começou ele.

- Shhhhh! — pediu Triz — Fique quieto se não quiser morrer hoje.

Clear e Avery se encolheram na pá carregadora e se olharam. O medo havia invadido os corações das duas.

Harry ergueu sua arma junto a seu pai. Os dois na frente. Todos atrás. E então, pouco a pouco, os errantes saíram da floresta.

Notas finais
E aí? Gostaram?
Desculpem a demora, estou tentando postar desde sexta :/
Mandem Reviews! =^.^=