Notas iniciais
Sei que estou demorando, e desculpem por isso. Espero que esteja valendo a pena. Boa leitura =^.^=

- Acho que por hoje, deve bastar — disse Gaspar, avaliando, de longe, o trabalho do grupo.

As arvores tortas na beira do lago serviram bem de apoio para as bolsas e acabaram por se tornarem camas para o grupo nomade. Mesmo sem uma conversa decente sobre o assunto, era óbvio que Lucie, Andrew, Derick e Kath ficariam com eles. O grupo já havia, agilmente, se instalado nas árvores e por lá ficava, apenas conversando entre si. Na parte debaixo das árvores, alguns galhos e pedaços de madeira havia servido como apoio para as lonas que Cristina havia encontrado no meio de Atlanta enquanto fugia. Damien estava dentro de uma das barracas e ele a dividiria com Maryanne. Esta, estava perto do lago, afiando um pedaço aleatório de madeira com uma faca.

O pequeno Harry a viu e se aproximou da ruiva, seguido por sua mais nova companhia, Clear. Maryanne ouviu os passos, mas não se virou e nem mesmo fez questão de dizer algo. Clear, que ia logo atrás do loiro, arrumou seus óculos de armação em um movimento nervoso e parou a poucos passos da mulher. Harry, parou ao lado dela e se sentou.

- Não vou te dar colo, consolo nem quero chiclets. Não sou legal, não quero saber o que você pensa — disse Maryanne, sem desviar a atenção do pedaço de madeira.

Harry sorriu de canto

- Não quero colo, nem consolo, não tenho chiclets. Aliás, se você tiver, não seria uma má ideia. Não acho que você seja legal, mas relaxa, por que ninguém aqui é. E, por fim, não quero te dizer o que eu penso nem quero saber o que você pensa.

Clear sorriu de lado, juntamente com Maryanne. As duas apreciavam um bom jogo de palavras e Harry parecia saber como dominá-lo. Clear se sentou ao lado de Harry e Maryanne voltou seus olhos aos pequenos.

- Muito bem — ela disse — Sou toda a ouvidos.

Harry olhou para Clear, que fez que sim com a cabeça, como se desse permissão ao loiro. A ruiva sentia cada vez mais divertimento com aqueles dois.

- Você não quer um grupo — disse Harry, usando o mesmo tom que seu pai, Gaspar, usava. O de afirmação inegável — Você não quer criar afeições e não quer estar com outras pessoas, pra depois assistir a morte delas. Isso está claro. Você está, nesse exato momento, incomodada.

Harry olhava para a água a sua frente e Maryanne fazia o mesmo. Apenas Clear olhava diretamente para a ruiva, com uma incrivel curiosidade.

- Sim. Isso não é novidade pra ninguém por aqui, certo? — respondeu Maryanne.

- Não mesmo — respondeu Clear — Você tem uma história também, uma história pra não querer estar com ninguém. Só por isso, além do seu estranho nervosismo quando está com alguém, é possivel perceber o seu desconforto.

- Não é tão facil perceber — disse Maryanne — Já foi, não mais.

- Sim, sim... Claro — disse Harry — Então me de uma explicação plausível para você estar distante, afiando um pedaço de pau e, agora que nós dois chegamos aqui, você não para de chutar as folhas secas com o pé, e está mexendo nessa pedra com os dedos. Além do fato de não ter nos olhado diretamente até agora e ficar piscando e mexendo no cabelo freneticamente.

Maryanne bateu as duas mãos no chão em um movimento súbito que assustou os pequenos.

- O. Que. Vocês. Dois. Querem?

Clear se levantou, limpando os shorts e as mangas do moletom cinza. Então disse:

- Queremos apenas avisar que nada te prende aqui. Não fazemos questão da sua presença e nem a recusamos. Mas, na verdade, viemos expressar uma curiosidade...

- Ela veio — disse Harry, se levantando.

- Que seja, loirinho — disse Clear, revirando os olhos — Enfim, se você realmente não quer um grupo, por que ficou aqui até agora, nos ajudou a montar as barracas e ainda está aqui? Você poderia ter simplesmente ido embora.

Maryanne ficou em silencio por um tempo.

- Bom ponto — ela disse. A ruiva colocou a mão dentro do bolso, pegou algo e jogou na direção dos pequenos. Era um pacote cheio de tridents — Toma.

- Valeu — disse Harry, sorrindo de um jeito brincalhão.

- Mas, falamos sério — disse Clear, estendendo a mão e pedindo um chiclete ao loiro — Você poderia, sem problemas, levantar e ir embora.

Dizendo isso, Clear e Harry voltaram ao novo acampamento, conversando. O vento soprou no rosto de Maryanne, que murmurou para si mesma.

- Não, não podia...

~#~#~

O silencio mórbido do acampamento foi quebrado por um barulho de um motor. Andrew e Derick viraram a cabeça até a origem do barulho, assim como todos do acampamento. Os dois se posicionaram nas arvores de forma que eles pudessem ter uma boa oportunidade de um tiro. Lucie ficou na frente de Katherine, com a pistola. Mais embaixo, Triz estava junto de Jason e Cristina. Maryanne e Damien estavam juntos de prontidão, na frente de Harry e Clear. Gaspar estava na frente.

O barulho ficou mais alto de todos levantaram as suas armas. Em menos de 5 segundos, uma caminhonete, grande o suficiante para todos do grupo, apareceu. Gaspar abaixou a arma, mas nem todos fizeram o mesmo. Assim que a caminhonete parou, Damien deu o primeiro tiro, pegando na lataria de raspão.

- Fora do carro! — ele gritou.

- Damien, pare — disse Gaspar.

- Eu disse fora do carro! — dizendo isso, deu um outro tiro.

- Damien, relaxa — disse Maryanne — Não gaste balas.

Parecia algo bobo, mas ninguém sabia ao certo a origem da caminhonete, logo, todos estavam tensos. Eles tinham medo do desconhecido. O vento soprou no rosto do grupo, como se para zombar deles. Damien havia perdido a paciencia e se pos a andar, na direção da caminhonete, com a arma estendida. Abriu a porta do motorista e tirou um homem conhecido de lá.

- Kaio? — perguntou Triz, atrás de Cristina. Esta, olhou para Jason e os dois deram de ombros como se não entendessem o que estava acontecendo — O que você estava fazendo? Por que sumiu?

Gaspar sorriu.

- Ele havia me prometido um carro, caso a gente precisasse fugir. Cá está ele.

Damien jogou Kaio no chão e andou em direção a Gaspar.

- Por que não me avisou? Por que não nos avisou disso? Eu poderia ter matado ele! Alguém poderia! Por que ele foi sozinho? Sabe o que poderia ter acontecido se...?

- Chega! — disse Triz — Ele teve seus motivos! Foi você quem agiu sem pensar. Não deveria ter...

- Ter tentado proteger o grupo? Foi o que eu fiz, eu não deveria ter feito isso?

- Chega, já basta! — interferiu Gaspar.

- Não! Eu só fiz o que achei ser o certo, tentei proteger todos de algo que desconhecíamos. Que desconhecíamos por sua causa. Eu estava tentando fazer algo! Eu estava tentando proteger o grupo. Peço desculpas ao Kaio pelo susto, mas admita que isso foi sua culpa Gaspar.

O major permaneceu em silêncio. Tinha errado de certa forma, mas não achava que seria nada demais não contar sobre o carro.

- Não diga nada Gaspar! — exclamou Triz — Foi brutal a atitude que ele tomou, ele não deveria ter atirado. Quase matou Kaio.

- Ah! — exclamou Damien — Então é só por que é seu namoradinho que você defende? E se não fosse ele? Não poderiamos parar pra debater sobre o assunto. Seu namoradinho foi precipitado. Fez merda.

Kaio estava no chão e não ousaria se meter na discussão. Ficou apenas olhando.

- Pelo menos o meu "namoradinho" fez alguma coisa além de ficar chorando a noite e se remoendo por ter perdido a namorada.

O silêncio pairou pelo acampamento. Damien estendeu a arma na direção de Triz, que arregalou os olhos.

- Sua vadia barata.

Antes que ele pudesse puxar o gatilho, alguém se jogou contra Damien, fazendo que a bala acertasse uma árvore e não a cabeça loira de Triz.

- Quem foi o infeliz que...?

Antes que ele pudesse terminar a frase, Cristina deu-lhe um tapa na cara. Ela havia se jogado contra Damien e empurrado-o no chão, impedindo que Triz fosse morta. Os obres azuis de Damien estavam arregalados e ele estava sem ação. O olhar de Cristina conseguira se tornar tão frio e cruel quanto o dele.

- Como você ousa? — ela murmurou — Não lembra do que eu te disse?

Ela tirou a pistola de Damien de suas mãos e a levou junto consigo para sua cabana. Triz correu até Kaio para ver se algo havia lhe acontecido e Maryanne correu até Damien para ajuda-lo a se levantar.

- Precipitado.

A ruiva apenas o levantou e foi andando. Gaspar colocou a mão no seu ombro e foi embora sem dizer nada. Triz o fuzilou com os olhos com a mesma intensidade que Cristina, porém, com olhos azuis ao invés de verdes. Todos o olharam com certa pena, mas ele não queria pena. Ele não queria a piedade e a misericórdia de ninguém.

Ele não era louco.

Notas finais
Espero que tenham gostado c:
Beijos e até o próximo =^.^=