Apocalipse Zumbi - Viver Ou Morrer?

3 Capítulo 3 - O Acampamento


– Merda! Zumbiiiis!!!

– Cuidado!!!

– Corre corre corre!

– Atarás de você!!

– Aaaaaah!

– Nãããããooo!

...

A frota havia nos seguido até o acampamento. Nem conhecia aquelas pessoas e acabara de colocá-las em risco! Que tipo de ser humano eu era?! Merda!

Eu estava à dias sem comer e acho que pelo susto ao ver aqueles animais famintos se aproximando e as pessoas correndo desesperadas, sem contar o calor que fazia, acabei desmaiando e não me lembro de mais nada. Absolutamente nada. A não ser alguém me carregando para algum lugar.

Acordei com a luz forte do sol sob meu rosto, em uma barraca verde musgo. Estava zonza. Minha cabeça estava explodindo. E meu estômago parecia estar enfrentando a terceira guerra mundial!

Vesti meu par de coturnos marrom escuros, todo ralado e embarreado, e sai da barraca. A luz pareceu cegar me. Não conseguia ver nada, até parecia que eu estava a dias no escuro e meus olhos haviam desacostumado. Alguns segundos apertando-os na esperança de enxergar, vi um balde com água perto de uma árvore. Corri até ele. Estava sedenta. Bebi, depois lavei meu rosto. O calor era infernal. Sentei ao lado do balde apoiando minhas costas no tronco largo da árvore. Estava desorientada. Foi quando ouvi alguém aproximar-se. Olhei para cima, meus olhos já estavam, novamente, acostumados a luz solar, e lá estava ele!

– Bom dia dorminhoca! — disse Steve dando um sorriso de canto.

– Bom dia! — respondi retribuindo o sorriso — Onde estamos?

– Naquele acampamento que você encontrou... Não se lembra?

– Ah sim! Eu lembro que chegamos e...os zumbis estavam atrás de nós e ai...

– Você desmaiou e eu te carreguei para longe da confusão! — completou.

– Óh! Que bela forma de me apresentar à eles! — eu disse, fazendo Steve rir.

– Bom, você precisa se trocar, se alimentar e conhecer os outros. Afinal, estão te esperando faz um bom tempo!

– Um bom tempo? — questionei.

– É gata, você dormiu por uns três dias! — respondeu Steve.

– Mas o que? Três dias? — exaltei-me, indignada — E você não me acordou? Aaah seu idiota!

– M-m-mas eu...

– Argh! — exclamei irritada — Vamos, estou faminta!

– Não vai se trocar primeiro? — perguntou Steve.

– Puff — blefei — Onde estão as roupas?

– Coloquei-as na barraca pra você!

– Tá, tá. Vai pra lá que eu vou me vestir, depois eu te chamo — ordenei enquanto entrava na barraca e procurava as roupas.

Steve dirigiu-se ao centro do acampamento e por lá ficou.

Uma regata azul anil, uma calça jeans preta e uma blusa com mangas verde-oliva, a qual amarrei em minha cintura. Vesti-me e prendi meu cabelo num rabo de cavalo com um pedaço da regata branca rasgada que eu vestia antes.

Ao sair da barraca deparei-me com uma mulher magra de cabelos muito curtos e brancos com o rosto tapado por uma das mãos indo para o centro do acampamento. Ela não me viu. Segui-a.

Haviam muitas pessoas ali. Crianças, jovens, adultos, idosos. Algumas delas me encararam, outras nem me viram. Dali avistei Steve do outro lado, conversando com um rapaz de chapéu bege, parecia ser de um xerife. Fui até eles.

– Oi! — eu disse ao me aproximar dos rapazes, e então vi que havia mais um ali com eles. Cabelos castanhos claros, barba a fazer, musculoso, alto, forte, um tanto quanto charmoso, mas tinha uma expressão séria, nada simpatizante à primeira vista. Carregava nas costas flechas e um tipo de arco. Evitei encara-lo.

– Olá! — respondeu o homem de chapéu — Como está?

– Bem, eu acho! — respondi desconfortável pelo fato do rapaz das flechas estar me encarando.

– Meu nome é Rick, seu namorado Steve já nos contou sobre vocês, o que os trouxe aqui.

– Sou Amy! Ah não, não, não! Não somos namorados! — respondi a Rick meio sem graça, olhando brava para Steve.

Rick sorriu para nós e disse:

– Bom, espero que fique bem! Steve irá te orientar! Até breve! — e foi em direção ao outro lado do acampamento seguido pelo cara das flechas.

– Então...vamos comer alguma coisa! — disse Steve me puxando para perto da fogueira.

Ali, estavam assando quatro peixes. Meu estômago foi a loucura quando senti o cheirinho delicioso da comida. Sentamos em volta da fogueira. Comemos. Eu comi todos os quatro peixes. Não era exagero quando disse que estava rolando uma guerra aqui dentro!

Steve me explicou sobre o acampamento, sobre as funções que cada membro tem, e me contou o pouco que sabia sobre alguns moradores.

– Humm... Estava ótimo! — elogiei a comida.

– Eu os pesquei e preparei pra você. — disse Steve.

Olhei para ele sem saber o que dizer, e por fim me saiu:

– Valeu!

Steve sorriu e me acariciou no rosto, me fazendo ficar corada. Então interrompeu-se, levantamos e ele disse:

– Eu preciso ajudá-los. A noite nos vemos. Tome cuidado em tudo que fizer, tá? — deu-me um beijo na testa e saiu.

Eu já sabia o que me cabia fazer. Como ainda estava frágil, Rick deu-me a responsabilidade de vigiar o acampamento, juntamente com Dale, um simpático senhor de barba grisalha que usava um chapéu de pescador na cor creme.

Durante a tarde todos passaram fazendo o que sempre faziam desde que chegaram ali, e ao cair da noite reuniram-se na fogueira para comer e conversar. Lembrar da vida antes do caos. Lembrar de como eram antes do terror, e então quem sabe sonhar com o dia em que tudo voltasse a ser como era.