Apocalipse Semideus
2 Dimittry - Eu encontro o tal Acampamento
Notas iniciais
Pov. Dimittry Swayze
Fred me levou pra casa imediatamente, eu fiquei enchendo ele de perguntas o caminho inteiro, do tipo:
— O que aconteceu lá no beco?! Como eu fiz aquilo?? Mas como assim Semideus??
Fred devia estar explodindo por dentro de tanto ouvir perguntas, mas acho que sua preocupação era maior que sua raiva, ele só conseguia dizer:
— Ele vai ficar bem, eu consigo, eu consigo, é claro que eu consigo! – Fred estava falando sozinho há uns dez minutos, mas logo após esse encorajamento todo ele desfazia o pensamento e falava – eu não vou conseguir!!
— Claro que você vai conseguir cara! – eu dizia tentando dar energia positiva, mesmo sem saber do que ele estava falando, mas mesmo assim os olhos dele começavam a lacrimejar.
Chegando em casa, encontrei a minha mãe fazendo o almoço, e ela estava linda como sempre, ela é uma mulher calma, paciente e que adora qualquer um. Bem, meu pai... Eu não o conheço, ele nos deixou quando eu tinha um ano. Então Fred entrou apressado e disse:
— Boa Tarde Sra. Vanessa. – disse Fred com um olhar preocupante
— Boa Fred, o que houve? — perguntou minha mãe já ficando nervosa
— O encontraram – falou Fred com um tom de “já era” ou de “o que fazemos agora”.
Os dois se entreolharam e depois olharam pra mim com uma feição de preocupados, nunca os vira daquela forma, principalmente quando o assunto tratava-se de mim. Parecia ate que eles se conheciam há muito tempo, e que só pelos olhares já sabiam o que significava o “o encontraram”, minha mãe foi direto para o quarto fazer nossas malas, perguntei já perplexo a Fred:
— Para onde vamos?
— Para Long Island – disse ele com o pensamento longe.
— Fazer o que lá, não que eu não goste de tirar umas férias, mas não entendi isso de uma hora pra outra.
— Não vamos tirar férias Jim – disse Fred- vamos para o Acampamento
— Aaahhh, entendi, o Acampamento de Escoteiros, mas por que a pressa?
— Você não entendeu Jim, é um Acampamento para crianças como você.
— Lá vem você de novo com esse papo de crianças como eu.
— Não Jim, você entendeu errado, você é uma criança diferente.
Não entendi muito bem o que ele quis dizer, mas fiquei calado pra não gerar mais transtornos.
Estávamos indo para o Sul de Long Island, era um fim de tarde, parecia que nunca iríamos chegar, mas quando Fred disse “estamos quase lá”... O motor começou a estralar, até que ele parou de vez, a nossa sorte foi que estávamos bem em frente da floresta onde Fred e minha Mãe queriam me levar, então descemos do carro e fomos andando, até porque eram plantações, não daria para ir a carro, mas o campo até a floresta era imenso, tipo uns meio quilômetro, quando chegamos à metade, ouvimos um barulho estupidamente estranho, era como um “sssssttt”, pior que uma cobra, me arrepio todo só de lembrar daquela mulher com pele de cobra, acho que se chamava Eucídeles, ouh, o nome dela, ou melhor, o nome “daquilo” era Euríales. Os campos pareciam estar vivos, porque sussurravam algo como, “... vo... já er... ...deus”, bem estranho, continuei calado. Então pra quebrar o silêncio, Fred disse:
— Ah, que bom que, vamos chegar sãos e salvos! – disse ele já mais tranquilo.
— E o que poderia nos machucar?!
— Coisas como aquela lá no beco da avenida sul em NY.
— Ah, a Górg...
— Não diga o nome delas –Fred me cortou imediatamente- pode atraí-las.
Uma parte da plantação de trigo começou a sacudir, devia ser algum pássaro que se mexera, mas era muito grande para um pássaro, e não havia ursos naquela parte de Long Island, parecia mais a forma de uma pessoa. Após PENSAR nessa possibilidade, a coisa se levantou de vez e revelou sua forma.
— Olá Semideus... – disse a coisa se direcionando a mim
— Caramba! – já era a terceira vez que me chamaram daquilo no mesmo dia- já disse que não sou isso dai.
— Não ouse tocar nele – disse minha mãe enfrentando a coisa
— É isso ai – disse Fred apoiando minha mãe.
— Calado Sátiro!! – disse aquela coisa estranha.
Eu particularmente achava aquele bicho muito esquisito, mas de certa forma, a reconhecia. Já cansado de duvidas o dia inteiro, perguntei:
— Quem é você?
— Não me reconhece Semideus?
— Já disse pra não me chamar disso, coisa feia!!
— Coisa o quê? -a coisa já estava ficando furiosa- Ó, esqueça.
— Diga logo o que quer minhoca-humana.
— Meio Cobra, nunca estudou mitologia não? -disse o monstro já ficando irritado- Meio-Cobra, mas o que eu estou fazendo? Vou te matar logo!!
— Peraí, quem é você?
— Eu sou Esteno, irmã de Medusa e Euríales, e vim vingar a minha irmã decapitada.
— Aahh, bem que eu estava reconhecendo você!!
— Jim, o que você esta fazendo, conversando com a sua morte? — perguntou Fred sem entender nada, e de certa forma, eu também não entendia o que eu estava fazendo conversando tranquilamente com a coisa que pode me matar de um instante pro outro.
— Bem, agora que já passaram as apresentações, vou direto ao ponto. –disse a Górgona
— Opa, peraí, eu ainda não me apresentei, prazer, eu me chamo Dimittry e essa... É a minha Espada.
Não sei como aquela espada foi parar na minha mão, acho que foi Fred que me passou furtivamente entre as plantações. Minha mãe fora para o carro, tentar consertá-lo. A górgona foi para cima de Fred, ele está totalmente distraído, e então, ela o fez de brinquedo, o mordeu e arranhou suas pernas, imaginei que Fred podia ser um Jovem de 28 anos que nunca se depilava, porque quando ela rasgou as calças dele, suas pernas eram totalmente peludas, ela o jogou para o lado e ele desmaiou. Era só eu e ela agora, ela estava preparada, mas nem tanto, o meu ataque, que aprendi não sei aonde, arrancou parte do braço dela, ela gritou de dor e me ameaçou:
— Você é um menino morto!!!
Ela veio para cima de mim rápida como uma cobra e me mordeu com seus dentes afiados na batata da perna, doeu muito, muito mesmo, mas dava pra andar, e sobreviver. Começou a chover, me senti mais vivo não sei como ou porque, acho que estava ficando doido.
A monstrona veio pra mim de novo, eu estava sangrando muito, braço, cotovelo, joelhos e canela, me empurrou com tanta força que voei uns dois metros e meio de distancia, cai em uma poça d’água, quando minha espada tocou a água, ela encobriu minha espada e pude senti-la mais leve. A Górgona veio novamente, parecendo que seria seu ultimo ataque, o mais forte de todos, com um pulo desviei dela e a acertei pelas costas, a espada a atravessou o seu corpo de cobra e ela caiu no chão, como uma pedra, em menos de dois segundos, ela explodiu, reduzindo-se a pó amarelo.
Fui ao chão, derrotado pelo cansaço de um dia com duas lutas mortais, minha mãe veio até mim, e me disse:
— Jim, vá para a floresta, leve Fred, encontre o Acampamento Meio-Sangue, chegue até uma Casa enorme, lá você estará seguro.
— Mas e você??
— Eu não posso entrar Jim, só entram as crianças de sua espécie, você é especial Jim. Agora vá, não há mais tempo.
— Ok. Até logo mãe.
— Até — disse ela já quase chorando, e os olhos dela me diziam que não iríamos nos ver logo.
Fui em linha reta, acabei encontrando um Pinheiro enorme, senti que eu estava perto, continuei andando por mais quinze minutos e encontrei duas pilastras de Mármore Branco, que no topo dizia, Acampamento Meio-Sangue, devia ser a entrada. Era cerca de dez da noite, estava muito frio e nevoado, o lugar parecia uma aldeia, cheia de casas, acabei encontrando a tal casa grande, entrei na varanda extremamente enorme, um homem de roupa havaiana veio ate mim, eu já estava ajoelhado de tanto cansaço, minha visão ficou embaçada, mas mais um homem chegou, eu devia estar completamente cansado, porque achei que tinha visto o segundo homem estar da cintura pra baixo com corpo de cavalo, foi a ultima coisa de que me lembro, e então desmaiei...
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