Apocalipse

7 Capítulo 7: Trio reunido.


Naruto pulou em Sasuke ao vê-lo. Sasuke recuou fazendo com que o loiro batesse na parede.

— E-ei! – Naruto bravejou. – Nós não nos vemos há anos e é assim que você me trata?!

Sasuke suspirou impaciente e então disse:

— É bom te ver.

Naruto sorriu de orelha a orelha. Sasuke olhou em volta do local que estava e olhou para aquele banquete na mesa.

— Acredito que você esteja aqui há muito tempo.

— Eu apareci aqui com cem clones das sombras, não consegui desfazê-los.

— Não podemos usar chakra aqui.

— É verdade. – Naruto concordou. – Ainda sim eles continuaram aqui, foi bom porque eu tive um pouco de companhia. Por que não sentamos para comer?

Sasuke não recusaria provar de toda aquela comida. Estava faminto e queria guardar um pouco do que trouxera para sua viagem de volta. Ele se sentou em uma das dez cadeiras de madeira pesadas que haviam ali e se serviu, Naruto continuou:

— Quando acordei, mandei alguns clones para a cidade, mas estava repleto de monstros então eu me isolei aqui com um bom estoque. No fundo do castelo tem alguns animais, eles se reproduzem e eu aproveito do que eles podem oferecer.

— Bastante pelo visto. – Sasuke respondeu de boca cheia.

— Eu tenho outros para alimentar. – Naruto deu uma risada.

— Idiota, clones não se alimentam.

— Tudo o que eles comem vem pra mim, então eu fico bem cheio! – Naruto enfiou uma coxa gorda de peru na boca. – E quanto a você?

— Eu sobrevivi por esses anos até encontrar um lugar muito peculiar. Eu posso usar meu Sharingan então treinei um falcão pra observar a área. Ele encontrou um dos seus clones vagando por aí.

— Eu mandei alguns para procurar vocês, disse para não voltarem até acharem algo mas como pode ver...

— Eu vim buscar você.

— O-o que?! – Naruto parou de comer. – Por que eu iria querer deixar esse lugar?

— Porque você precisa ver o que eu encontrei. Talvez tenha uma saída dessa realidade paralela de zumbis que estamos vivendo, e mais do que isso, uma forma de derrotar Kaguya.

— Como assim realidade paralela? – o loiro curvou a cabeça. – Achei que o mundo ninja tivesse sido exilado e só eu tivesse sobrevivido.

Sasuke suspirou. Naruto era realmente burro.

— Kaguya nos teleportou pra uma sexta dimensão porque estava fraca e precisava se curar. Coma logo e faça suas malas.

— Mas o que tem de tão especial nesse seu lugar?

— Eu não sei explicar, mas você pode usar chakra.

Naruto pela primeira vez pareceu empolgado em deixar seu conforto no castelo.

— Eu vou ficar aqui esta noite para descansar, são sete dias de viagem até lá. Eu encontrei um cavalo no meio do caminho, mas ele não aguentaria levar nós dois juntos.

— Tudo bem, eu tenho um cavalo. – Naruto disse sorridente. – Eu nunca vi muita utilidade nele já que não saio daqui e dizem que carne de cavalo não é muito boa para comer.

No final da tarde, Naruto mostrou todo o castelo para Sasuke. Ao que parecia, pertencia a um senhor feudal que havia perdido toda sua família e morava ali com alguns empregados. As flores cresciam como mágica e nunca morriam, ainda sim Sasuke não conseguiu ver nenhum tipo de chakra nelas.

— Seus animais estão bem cuidados, seria desperdício deixá-los aqui. – Sasuke observou enquanto os dois olhavam a parte de trás do castelo.

— Tem um estoque de madeira no sótão, tem pregos e cordas também. Nós podemos construir algo para transportar os animais e alguns suprimentos.

— E quem carregaria todos esses animais por sete dias? – Sasuke indagou.

— Eu ainda tenho oitenta e cinco clones.

Sasuke ficou pensativo. Eles não sabiam quanto mais tempo ficariam ali naquele mundo, os animais que Sakura tinha na casa da montanha não eram lá os mais nutritivos, ainda mais para alimentar três pessoas.

— Nós vamos gastar quase o dobro de dias para chegar. – Sasuke concluiu. – Entretanto será vantajoso.

Naruto assentiu. A noite caiu e Sasuke se dirigiu até seu aposento para dormir. Depois de muito tempo ele dormiria sozinho em uma cama. Era solitário mas era confortável.

Sasuke acordou mais tarde do que planejara. Talvez fosse por finalmente ficar com o braço e o peito livre sem Sakura usando-o como travesseiro. Ele procurou por Naruto e o encontrou já com a mão na obra.

Havia uma pilha de madeiras cortadas uniformemente, e alguns clones estavam sentados em cima dela. Naruto analisava dois pedaços de madeira e parecia um tanto perdido.

— Ei Sasuke! – ele sorriu. – Você finalmente acordou.

— O que você está fazendo? – Sasuke se aproximou.

— Estou pensando em algo.

— Você não pensa? – Sasuke franziu o cenho. – Esse transporte tem que ser bem pensado, se algo der errado como vamos carregar os animais? Quantos você tem?

Naruto contou nos dedos.

— Um casal de porcos, três vacas, um cavalo, uma cabra e uma ovelha.

— Vamos precisar de algo que suporte praticamente dois mil e quinhentos quilos.

Naruto ficou boquiaberto.

— Você tem alguma ideia de como vamos fazer isso Sasuke?

— Um pouco. Quando cheguei aqui, tive que usar uma besta gigante que encontrei na cidade, podemos usar as rodas.

— Vou mandar alguns clones irem buscar.

— É melhor trazerem tudo, talvez tenha algo que possamos aproveitar. – Sasuke concluiu.

Os dois entraram de volta no castelo e após abrirem os portões e abaixarem a ponte, cerca de dez clones correram pela passagem até a cidade.

A besta ainda estava no lugar que Sasuke havia a deixado. Os clones das sombras foram rápidos para trazer o instrumento para dentro do castelo, logo Naruto e Sasuke estavam desmontando suas partes.

Os dois pararam seu serviço quando começou a escurecer.

— Vamos parar por agora, terminamos isso amanhã Sasuke. – Naruto disse.

— Sim.

Sasuke se levantou do chão e jogou o pedaço de ferro em suas mãos no chão.

— Eu preciso de um banho.

— Eu vou te mostrar o chuveiro.

Naruto adentrou o castelo e Sasuke o seguiu. Havia uma grande sauna e algumas toalhas e roupões.

Enquanto ambos se despiam, Naruto se demonstrou apreensivo.

— O que foi? – Sasuke perguntou reparando.

— Eu vi uma coisa estranha certo dia que cheguei aqui.

— Estranha?

Naruto assentiu.

— Há algumas semanas atrás, eu estava lá fora. Vi uma luz roxa atravessar o céu em direção vertical. Os animais ficaram paralisados e eu senti meu corpo vibrar.

— Como assim?

Naruto mexeu a espuma sobre seu corpo.

— Eu não sei explicar, foi como se eu tivesse sido eletrocutado. Durou apenas alguns segundos mas eu senti algo... Como se estivesse fora do meu corpo.

Sasuke não tinha ideia do que poderia ser aquilo então deixou pra lá. Ele mencionou sobre o que havia descoberto sobre como derrotar Kaguya.

— Então precisamos de Indra e Ashura para selá-la? – Naruto pousou a mão sobre o queixo. – E como vamos encontrar esses caras?

— Eu não sei. Meu falcão continua rondando mas só encontrei você.

Naruto suspirou. Os dois rapazes ficaram ali mais alguns minutos especulando teorias e cada um foi para seu quarto, no dia seguinte ainda teriam muito trabalho para fazer.

Levou mais um dia para que a carroça que iria transportar os animais estivesse totalmente pronta. Naruto havia separado alguns alimentos que levaria na viagem até a casa na montanha e os embalava em caixas.

Em seu terceiro e último dia ali, Sasuke colocava os animais dentro da carroça. Naruto organizava seus clones para que eles conseguissem puxar mais de dois mil e quinhentos quilos, afinal eles não sentiriam dor ou cansaço.

— Tudo pronto? – Naruto perguntou empolgado em cima de seu cavalo preto.

Sasuke assentiu. Ele foi andando e acompanhando Naruto e os animais até fora da cidade. Eles tentaram o máximo possível ser cautelosos para não atraírem zumbis.

Por mais que não tivesse certeza de que o encontraria ali, o cavalo branco de Sasuke pastavam tranquilamente próximo aos portões e pareceu contente ao ver Sasuke. Ele caminhou até o animal e acariciou seu pelo.

Depois de montar, Sasuke partiu juntamente de Naruto. Seria uma longa viagem.

*

Logo iria fazer um mês que Sasuke estava fora. Sakura não tinha certeza se ele deveria demorar tanto tempo para retornar e estava se sentindo pra baixo por estar tão sozinha e pelos pensamentos de que algo poderia ter acontecido com Sasuke. Ela tentava se reconfortar com o pensamento de que Sasuke sobrevivera por três anos sozinho então provavelmente estava bem.

Durante seu tempo sozinha, Sakura havia lido os livros que encontrara na sala secreta mais algumas vezes, para ter certeza de que não estava perdendo nenhum detalhe.

Ela estava regando as verduras da horta ao entardecer quando escutou uma voz familiar. Não podia ser, ela devia ter passado muito tempo sozinha e agora estava escutando coisas. Mesmo assim, Sakura largou o regador no chão e correu até a frente da casa.

Passando pelo portão, Sakura pode ver dezenas de clones da sombra de Naruto e Sasuke. Ela ficou boquiaberta e correu até os meninos, com os olhos cheios de lágrimas.

— Sakura-chan?! – Naruto pareceu muito surpreso ao vê-la.

O loiro agarrou Sakura em seus braços e quando a soltou, disse:

— Sasuke não me disse que você também estava aqui! É tão bom saber que está viva!

— Eu estou aqui ha muito tempo, é seguro, os zumbis não podem entrar.

— Eu contei a ele.

Sakura virou-se para Sasuke e corou.

— Bem vindo de volta Sasuke-kun.

Naruto correu o olhar entre Sasuke e Sakura, havia algo acontecendo entre eles pelo modo em que as bochechas de Sasuke haviam ficado vermelhas.

— O-o que é tudo isso?! – Sasuke apontou assustada para a carreta.

— Ah! – Naruto começou empolgado. – São animais que eu trouxe do castelo!

Toda a atenção se virou para o nada quando os clones de Naruto desapareceram todos de uma vez.

— O que houve? – Sasuke indagou.

— Meu chakra voltou... E todos os meus clones foram desfeitos! – Naruto caiu cansado no chão. – Acho que gastei toda minha energia com eles, he he.

Sakura ajudou Naruto a se levantar.

— Vocês devem estar exaustos! – começou, preocupada. – Vou soltar os animais e depois preparar algo para vocês comerem. Além disso, vocês dois precisam de um banho!

Sakura cobriu o nariz e Naruto e Sasuke se olharam.

Durante a noite, enquanto comiam, Naruto contava a Sakura sobre o castelo e ela contava mais detalhes sobre a casa à ele. Sasuke havia aceso uma fogueira e espetava alguns peixes e pedaços de carne em um palito para grelhá-los no fogo.

A garota saiu para buscar mais comida, deixando os rapazes sozinhos. Naruto engolia um pedaço de frango e falou com a boca cheia:

— Por que não me disse que Sakura estava aqui?

— Porque não era relevante.

— Como pode dizer isso? É claro que é relevante! – Naruto retrucou. – E quanto ao Kakashi-sensei?

— Nenhum sinal dele.

Naruto suspirou. Mesmo que encontrassem uma forma de sair dali, não poderiam deixar Kakashi para trás. Eles tinham que encontrá-lo de alguma forma.

— Ei Sasuke...

Pelo tom de voz, Sasuke sabia que Naruto iria dizer alguma besteira.

— O que foi?

— Tem alguma rolando entre você e a Sakura-chan? – ele fez uma cara maliciosa.

— É claro que não. – Sasuke respondeu tentando não corar.

— Não é o que parece! – Naruto insistiu.

— Por que você pensaria algo assim idiota?

— Porque você está corando neste momento! – Naruto riu.

Sasuke queria bater em Naruto, mas foi impedido quando Sakura gritou por eles.

— Olhem só o que eu encontrei na velharia do senhor Hagoromo!

Sakura saltitava com uma garrafa de saquê nas mãos.

— O que você pretende fazer com isso? – Naruto perguntou.

— Beber? – Sakura e Sasuke responderam em coro.

Naruto teve a impressão de que eles já haviam feito aquilo antes.

— Qual o problema? – Sakura começou. – Nós estamos aqui sozinhos, ninguém vai se importar se nós temos idade o suficiente ou não para beber álcool.

Naruto ainda parecia meio contrariado.

— Além do mais, nós devíamos comemorar! Finalmente estamos juntos depois de três anos!

— Agora você me pegou. – Naruto respondeu.

Sakura se sentou com os rapazes e foi a primeira a tomar um gole quente do saquê. Em seguida, passou a garrafa para Sasuke, que bebeu, e passou para Naruto.

O trio ficou ali por um bom tempo, até que a garrafa ficou vazia. Sasuke e Sakura riam de algo que Naruto não havia entendido. Ele sentia que estava atrapalhando algo ali então disse:

— Eu estou cansado. – se espreguiçou. – Acho que vou dormir.

Naruto se levantou e deixou os dois ali. Sakura virou-se para Sasuke, sentindo seu corpo quente e tonteado. Ela se aconchegou mais para perto de Sasuke no pedaço de tronco em que eles estavam sentados.

— Eu fiquei preocupada com você.

— Por que? – Sasuke repondeu tentando ficar sério mas também estava alterado pelo saquê.

— Bom, você ficou longe por tantos dias... – ela olhou fixamente para ele.

— E? – ele retribuiu o olhar.

Sakura piscou.

— Está tão calor aqui. – ela disse abandando o rosto.

— Deve ser por causa dos animais. – Sasuke respondeu.

Sakura curvou a cabeça, meio risonha.

— O que isso tem a ver?

— Eu não sei.

No mesmo instante Sasuke puxou o rosto de Sakura a beijou. Ele não tinha certeza do motivo de ter feito aquilo mas parecia que seu corpo pedia. Sakura correspondeu e sentiu seu corpo formigar.

Ainda sim parecia que ambos queriam mais. Sasuke se levanto e puxou Sakura junta. Ele a pegou pelas coxas e a carregou até dentro da casa, parando em algumas paredes e sobre alguns móveis para beijá-la.

Os dois não pareciam se importar muito se Naruto poderia ouví-los. No quarto de Hagoromo, ele a jogou na cama. Os dois se encararam e se beijaram mais uma vez.