Apocalipse

5 Capítulo 5: A porta secreta.


Sasuke não pretendia incomodar Sakura. Sabia que ela estava abalada pelo que havia acontecido no hospital. A visita até lá não tinha valido tanto a pena assim. Enquanto terminava de arrumar sua mochila, Sasuke pensava se Sakura ficaria bem sozinha.

Ele havia decidido não levá-la junto daquela vez. Não que pensasse que Sakura fosse fraca, mas ele sabia que no momento ela estava ainda estava sensível.

Sasuke colocou a mochila nas costas e foi até a cozinha. Havia algumas verduras recém-colhidas sobre a mesa e uma jarra de água. Imaginou que Sakura estivesse no porão, entretanto quando desceu as escadas encontrou o lugar vazio. Estava de noite, Sakura não teria saído por aí sozinha.

Depois de olhar por todos os cômodos, Sasuke se dirigiu para parte externa da casa. Sakura estava próxima aos reservatórios de água, ao lado da fogueira que Sasuke havia acendido mais cedo. Ele caminhou até lá e se manteve em silêncio até ela notar sua presença.

— Sasuke-kun.

— O que você está olhando? – ele perguntou.

— Eu estava tentando imaginar onde aquele lago se torna oceano.

Sasuke olhou para a vasta quantidade de água que havia no horizonte.

— Naquele mapa tudo o que havia mais a sul de nós era água, e também tinha uma praia.

— De qualquer forma, não temos um barco.

Sakura riu e virou-se para ele. Ela pareceu notar a mochila em suas costas e sua expressão fechou.

— Onde você está indo?

— Vou descobrir o que tem a Oeste daqui, ficarei um tempo longe. – Sasuke respondeu.

— Por que não me avisou? Eu não me preparei...

— Eu vou sozinho dessa vez.

Sakura abriu a boca para contestar mas Sasuke a cortou.

— Se você for junto irá apenas me atrapalhar.

— Se está dizendo isso pelo que houve no hospital eu...

— Não é por causa disso. – Sasuke respondeu rispidamente e se virou, pronto para partir.

Sakura não disse nada, seus olhos queimavam e ela estava segurando para não chorar.

— Eu... Eu não quero ficar sozinha de novo! – as lágrimas rolaram. – Eu passei mais de dois anos assim e foi torturante. Não houve um dia que eu não pensasse nos nossos amigos de Konoha que estão presos naqueles casulos há tanto tempo.

Sasuke não disse nada. Sakura conseguia ser muito irritante às vezes e aquela reação já era esperada. Ela soluçou e continuou falando enquanto chorava:

— Sim, aquele cara no hospital me assustou tanto... Mas como eu posso julgá-lo? Ele enlouqueceu neste lugar e é totalmente compreensível! – Sakura deu um soluço e uma pausa. — Nós também não sabemos o que aconteceu com o Naruto e o Kakashi-sensei! Eu nem sei mesmo se eles estão –

Sasuke virou-se e puxou Sakura pela nuca, tomando seus lábios logo em seguida. A garota foi pega de surpresa e ficou paralisada. Sasuke se afastou milimetricamente dela e disse olhando em seus olhos verdes:

— Você fala demais.

— S-Sasuke...

Mas antes que Sakura pudesse continuar Sasuke a beijou novamente, dessa vez mais intensamente e mais demoradamente. Pela segunda vez, Sasuke se afastou. Sakura ainda tinha suas mãos no rosto do rapaz. Ele se soltou eu disse:

— Eu voltarei logo.

O Uchiha virou-se e deixou Sakura ali. Ela o viu atravessar a horta e passar e desaparecer pelo lado de fora da casa. Aquela noite seria tortuosa para ela.

*

Sasuke havia parado em cima dos galhos de uma árvore para descansar um pouco. O sol logo nasceria e como não tinha um mapa, Sasuke não podia perder muito tempo. Para lembrar-se do caminho de volta, estava fazendo marcações com a espada nos troncos das árvores. Um casal de pássaros voou do chão quando Sasuke pulou do galho em que estava.

Sasuke retomou seu caminho e quanto mais andava, mais a vegetação ia mudando. A grama começava a ficar mais espalhada, dando lugar a terra, e as árvores que antes eram muito próximas agora eram mais afastadas e com a distância provavelmente se tornariam mínimas.

Consequentemente todo o habitar parecia ter mudado. No final do dia Sasuke parecia estar caminhando em um deserto. Ele precisava descansar e se alimentar, mas tudo o que havia por ali eram árvores mortas isoladas e cactos. Além disso, o céu indicava que viria uma tempestade por aí.

Por estar um tanto exposto e completamente em desvantagem caso algum perigo aparecesse, Sasuke decidiu caminhar mais um pouco, mesmo que isso significasse tomar um pouco de chuva. Por mais que não houvesse nenhum abrigo aparente, talvez durante esse tempo ele pensasse em algo.

Como uma ironia do destino, ao subir uma longa duna de areia, Sasuke viu algo que parecia um rochedo com uma caverna. Era difícil dizer se era mesmo uma entrada pois a chuva estava embaçando sua visão. Também era extremamente arriscado ir até lá, mas era o único lugar acessível para passar aquela noite.

À medida que se aproximava do local, Sasuke pode perceber que realmente se tratava de uma caverna. Havia uma subida por rochas inclinadas e Sasuke imaginou que provavelmente teria uma pouco de dificuldade de escalá-las molhadas.

Com a ajuda de sua espada, Sasuke teve sucesso. Ele acendeu a lanterna que havia trago e para sua sorte a caverna estava vazia e seca. Depois de juntar algumas rochas e pedaços de folhas secas, Sasuke conseguiu acender uma pequena fogueira. Aquilo seria suficiente para mantê-lo aquecido.

*

Era madrugada e Sakura estava com dificuldade de dormir. Deitada no sofá da sala enquanto a jukebox tocava uma música instrumental que Sakura já sabia de cor, ela pensava em Sasuke. Já fazia três dias desde sua partida. Ele havia dito que voltaria logo mas quanto tempo realmente iria levar? Era torturante ficar ali pensando que existia a possibilidade dele nem mesmo voltar.

Sakura pegou a xícara de chá quente que havia feito e desceu as escadas do porão. Ela acendeu as velas e olhou para toda aquela bagunça. Não que ela não soubesse que não iria encontrar nada diferente ali mas Sakura virou-se para o quadro de Hagoromo.

— Você poderia ter deixado alguma pista não é mesmo? – disse em voz alta.

Frustrada e sentindo falta de Sasuke, Sakura apoiou suas costas ao lado do quadro. De alguma forma, a parede atrás dela vacilou fazendo com que ela caísse no chão e derrubasse todo o chá quente sobre seu peito.

Antes que Sakura pudesse terminar seu vxingamento, ela virou-se para trás. Automaticamente sua boca se abriu e ela arregalou os olhos. Se não fosse pela ardência em sua pele, teria se esquecido totalmente de se curar. Uma passagem secreta havia se aberto pela parede, Sakura se apressou em pegar uma das velas e entrar na sala.

Na parede da frente havia uma pintura de um homem que lembrava Hagoromo, exibindo as palmas de suas mãos. Na palma direita havia um círculo e na esquerda uma lua. Havia uma mesa de pedra e um grande pergaminho sem nada escrito ali. Do lado esquerdo da sala, Sakura se deparou com uma estante. Na lombada dos três livros que estavam ali lia-se “Indra e Ashura”, “ A Sexta Dimensão” e por fim...

— Kaguya Otsutsuki! – Sakura cobriu a boca com as mãos.

Ao mesmo tempo em que estava empolgada pela descoberta, estava um pouco triste por não ter Sasuke ali para compartilhar com ele. Sakura pegou seu novo material de leitura e correu de volta para a sala.

— Sakura.

Sakura acordou assustada com a voz de Sasuke. Ela havia adormecido no sofá com o rosto enfiado no livro de Kaguya.

— Sasuke-kun, bem vindo de volta! – ela se levantou rapidamente e se jogou nos braços de Sasuke.

Ele a olhou envergonhado e se soltou.

— Eu preciso de ajuda.

Sasuke ergueu a mão e exibiu um pequeno falcão preso pelas pernas.

— Você encontrou um! – Sakura admirou o animal.

— Preciso descobrir se os olhos dele continuarão funcionando quando ele deixar a casa.

Sakura assentiu. Sasuke olhou fixamente para os olhosda ave, que espelhou o Sharingan. Em seguida, Sakura desamarrou suas perninhas. O falcão permaneceu parado onde estava e Sasuke estendeu seu braço. O animal voou até ele e continuou imóvel.

Sasuke e Sakura saíram na varando e o falcão voou para longe das redondezas.

— Funcionou? – Sakura perguntou ansiosamente.

— Sim, eu consigo ver.

Aquela era uma vitória. Com a visão do falcão, Sasuke e Sakura poderiam ter uma noção maior do que havia na região sem precisarem sair do lugar.

— Você encontrou mais alguma coisa? – Sakura questionou.

— Não. Eu fui parar em um deserto e achei melhorar voltar antes que eu me perdesse.

— Eu encontrei algo ontem a noite. Você precisa ver.

Sasuke a encarou, curioso. Os dois se dirigiram para a biblioteca do porão. Sasuke olhou em volta sem entender o que tinha de diferente. Sakura empurrou a parede em que o quadro de Hagoromo estava e Sasuke finalmente pode ver a sala.

— O que é esse lugar? – perguntou enquanto adentrava o local.

— Aparentemente é uma sala secreta. Eu encontrei esse pergaminho vazio e esses livros, um deles fala sobre Kaguya.

— Kaguya?

Sakura fez que sim com a cabeça.

— Eu ainda não terminei de lê-lo mas ele parece contar a história dela, sobe ela ter vindo do céu, o fruto proibido da árvore divina que a tornou progenitora do chakra...

— Nós já sabemos sobre tudo isso.

— É, mas tem algo que não sabemos e que pode estar nesse livro: como derrotá-la.

— Mesmo que encontremos uma forma de matá-la, nós não sabemos onde nós estamos ou como voltar.

Sakura suspirou tristemente.

— Tem razão.

— O que mais você descobriu?

—Mais dois livros. Indra e Ashura e A Sexta Dimensão. Eu não sei sobre o que eles se tratam porque ainda não comecei a ler.

— Eu posso ajudar com isso.

Sasuke virou-se para a pintura na parede e depois para a mesa de pedra.

— Você disse que o pergaminho estava vazio. – Sasuke passou os dedos pelo rolo de papel.

— E está. – Sakura olhou para ele confusa.

— Não está. – Sasuke cerrou os olhos. – Você não está vendo?

Sakura se aproximou de onde Sasuke estava e olhou para o pergaminho. Estava tudo branco, como se ele fosse novo.

— Eu não vejo nada. Talvez seja seu Sharingan.

— Eu não estou usando-o.

Sakura franziu o cenho.

— Isso é muito estranho. O que está escrito.

— São coisas desconexas, como se estivesse faltando alguma parte. Eu não consigo entender nada.

Sakura notou que Sasuke havia ativado seu Sharingan mas logo seus olhos se tornaram negros novamente.

— Não consegui decifrar. – ele disse. – Vamos ler esses livros, talvez possamos encontrar alguma resposta.

Sasuke pegou o primeiro livro que viu na frente e se dirigiu para o andar de cima. Ele se sentou na varanda e começou sua leitura. Sakura estava sentada no chão ao lado dele fazendo a mesma coisa.

Os dois passaram grande parte da manhã ali até que Sakura pareceu achar algo importante.

— Sasuke-kun, veja só.

Sasuke parou a leitura e olhou para Sakura de canto.

— Aqui diz que Hagoromo é filho de Kaguya e que ele e seu irmão Hamura a selaram. Ela os odiava porque também eram capazes de manipular o chakra.

— Como eles a selaram?

— Não está escrito.

— Indra e Ashura são filhos de Hagoromo. – Sasuke começou. – Ambos tinham personalidades completamente opostas. Hagoromo os enviou para uma missão para ajudar um vilarejo necessitado, no final ele escolheria quem seria o líder do clã Otsutsuki. Indra foi o primeiro a voltar, e com isso achou que seria o escolhido. Hagoromo esperou que Ashura voltasse, o que aconteceu dois anos e meio depois.

— E então?

— Hagoromo elegeu Ashura como seu sucessor.

— Por que? – Sakura indagou.

Sasuke havia parado naquela parte.

— Pelo que eu estou lendo, Ashura conseguiu ajudar a vila sem utilizar nenhum jutsu e ganhou a confiança das pessoas, enquanto Indra utilizou o que tinha herdado do pai e acabou assustando a população. – Sasuke arregalou os olhos. – Espera...

— O que foi?

Sakura fechou seu livro e andou até a mureta em que Sasuke estava sentado. Ele corria os olhos pelo livro boquiaberto.

— Depois de ver que Hagoromo não havia o escolhido como líder do clã, Indra despertou o Mangekyou Sharingan e criou um Susano’o perfeito...!

— Um Sharingan?! – Sakura estava tão surpresa quanto Sasuke.

— Os dois irmãos travaram uma batalha e acabaram morrendo juntos.

Sasuke fechou o livro. Por mais que não soubesse o que, aquela história deveria ter alguma relação com o clã Uchiha, afinal o Sharingan só era despertado por eles.

— Sasuke, isso é impossível. – Sakura disse. – Kaguya é um ser milenar, se ela deu a luz a Hagoromo que posteriormente teve Indra e Ashura, quer dizer que isso aconteceu há muito tempo antes do Clã Uchiha existir.

— Eu sei, alguma coisa está faltando. – Sasuke bateu o punho na própria coxa. – Eu tenho certeza que a resposta está naquele pergaminho.

— Você acha que há algum jutsu ocultando seu conteúdo?

— Se tivesse eu saberia. Mas não, só parece que foi escrito em partes.

— Talvez exista um segundo pergaminho que o complemente.

Sasuke ficou pensativo. Toda a história estava desconexa. Se Hagoromo tinha existido há tanto tempo, como era possível que sua casa estivesse em pé ali parecendo tão recente?

Era frustrante. Sasuke se levantou, irritado. Ele passou por Sakura sem dizer nada. Ela o seguiu até a sala e lá pousou a mão em seu ombro, fazendo-o virar e a encarar com seus olhos vermelhos e assustadores.

— E-eu... – Sakura estremeceu.

— Eu preciso ficar sozinho.

Sasuke se virou e desceu as escadas do porão. Sakura pode ouvir a porta do quadro rangindo.

Como não tinha outra opção se não ficar sozinha, Sakura foi até a cozinha e preparou o almoço. Fez um prato para Sasuke e deixou do lado de fora da porta do quadro. Ela gritou para avisar que estava deixando a comida ali mas não obteve resposta.

Sakura estendeu uma toalha na grama e se sentou ali enquanto observava a água em baixo da montanha. Ela deu uma mordida no pato assado e um pequeno esquilo passou ao seu lado. Após terminar sua reifeição, Sakura pegou o livro A Sexta Dimensão a abriu a primeira página.

Havia uma anotação que se lia: “Se você encontrou este livro, eu sinto muito. Traga Ashura e Indra.”. Sakura não perdeu tempo pensando no que aquilo poderia significar, afinal era impossível trazer aquelas duas pessoas para lá, elas já estavam mortas.

Aquele livro era o menor dos três, ele falava sobre Kaguya, a viagem por dimensões, sobre os jutsus visuais do Sharingan e do Rinnegan e sobre aquele lugar em que estavam presos. Aquilo era uma sexta dimensão que Kaguya havia criado. Seus inimigos eram teletransportados para lá quando a princesa estava fraca, e assim ela poderia se recuperar.

O tempo e o espaço naquela dimensão passavam de uma forma diferente, mas era imperceptível por quem estivesse nela. Também não havia nada que dissesse como sair dali.

Já havia começado a entardecer, Sakura resolveu ir até a biblioteca para checar se Sasuke estava bem. Ela se deparou com ele saindo do porão.

— Eu terminei de ler o último livro. – Sakura disse gentilmente. – Ele explica onde estamos mas não como sair.

— Conte mais.

Sakura se dirigiu até uma poltrona e se sentou ali.

— Basicamente estamos em uma sexta dimensão criada por Kaguya porque ela estava fraca e precisava se curar. O tempo aqui passa de forma diferente do que estamos acostumados, mas não somos capaz de perceber.

— E como saímos?

— Não dizia. Tinha uma anotação dizendo para trazer Indra e Ashura, mas eles estão mortos. Tinha uma parte que falava sobre o Sharingan e o Rinnegan.

— Deixe-me ver.

Sakura estendeu o livro para Sasuke e ele o folheou. Leu algumas páginas e depois o devolveu a Sakura.

— Isso tudo só comprova nossa teoria de que estamos em outra dimensão. Entretanto nada disso me interessa se não soubermos como sair.

— Eu sei... Pelo menos descobrimos como derrotar a Kaguya.

— Parcialmente. – Sasuke sentou-se no sofá. – Ainda não sabemos o que é necessário para selá-la.

— Você está muito pessimista.

— Como eu deveria estar?

Sakura não respondeu. Já havia percebido que Sasuke estava em um mal dia e nada do que ela falasse iria mudar aquilo.

— Eu vou sair amanhã. – Sasuke se levantou.

— O que?! – Sakura indagou espantada. – Mas você acabou de chegar!

— Eu vi algo pelos olhos do falcão, preciso checar.

— Eu achei que a intenção do falcão fosse não precisar sair daqui.

Sasuke encarou Sakura extremamente sério.

— Eu tenho a impressão de que você não quer tanto assim sair daqui.

Sakura foi pega de surpresa e corou.

— N-não é nada disso! – ela retrucou e se levantou, cruzando os braços. – Eu não sou uma gênia como você Sasuke, eu não tenho um Sharingan, eu não sei o que eu posso fazer além de ler livros para descobrir como nós sairemos daqui!

Sasuke se aproximou dela a ponto de suas respirações se misturarem, ele continuava com o mesmo olhar intimidador.

— É mais que isso não é?

Sakura se sentiu desarmada.

— Pelo menos aqui não estamos em guerra...

— Isso é tão egoísta.

Sasuke se afastou.

— Eu entendo seu lado. – disse por fim. – Mas nós precisamos voltar para os nosso amigos, certo?