Apocalipse
4 Capítulo 4: O hospital.
Algumas semanas haviam se passado, Sakura e Sasuke estavam na biblioteca do porão analisando o mapa que Sasuke havia pego naquela visita ao vilarejo. Aquele definitivamente não era o mesmo mundo que eles haviam vindo. O mapa apontava alguns pontos chaves, entre eles a casa em que eles se encontravam.
— Eu ainda não sei dizer se isso mostra um país, um continente ou até mesmo o mundo todo. – Sasuke começou.
— Como assim? – Sakura questionou.
— Eu acordei aqui.
Sasuke apontou para o desenho de um vulcão na parte nordeste do mapa.
— E passei por essa estátua em formato redondo e essa ponte gigante até chegar no vilarejo. Isso tudo levou dois anos parando no máximo três dias para descansar.
— Estamos no sul do mapa. Abaixo de nós tem apenas água e a sudoeste uma praia.
— Não acho que encontremos algo a leste, você vê? Parece que são apenas rochas. Agora aqui no Norte... – Sasuke apontou no mapa.
— Noroeste. – Sakura corrigiu.
— Isso. Está vendo o desenho? Parece um castelo.
— Acha que podem existir sobreviventes? – Sakura pareceu esperançosa.
— Não sei, mas um castelo é um lugar seguro e geralmente possui reservas e estoques de comida.
Sasuke fechou o mapa.
— O que você tem em mente? – Sakura indagou.
— Tenho algumas ideias. – ele se sentou em uma poltrona. – Seria desperdício de tempo e muito arriscado tentar chegar até esses lugares, além disso este mapa está muito vago.
— Você quer sair para explorar? – Sakura pareceu surpresa.
— Como eu disse, seria arriscado ir andando. – Sasuke respondeu rispidamente. — Se ao menos eu encontrasse um falcão pelas redondezas eu poderia tentar usar meu Sharingan para controlá-lo.
— Seria um bom avanço.
— Ainda sim, eu quero dar uma olhada pelas redondezas. Nós nunca fomos a leste ou oeste daqui.
— Bom, se você acha que é o melhor a fazer, eu estou de acordo.
Sasuke confirmou com a cabeça.
— Tem outra coisa, o hospital.
Sakura vasculhou os pergaminhos espalhados sobre a mesa e abriu um deles em cima da mesa. Sasuke se aproximou dela, fazendo-a corar pela proximidade.
— Essa é a planta do hospital. Pelo que eu andei analisando, existem duas entradas alternativas para dentro dele. – Sakura arrumou uma mecha de cabelo atrás da orelha. – O tubo de ventilação seria o caminho mais curto, o único problema é chegar até ele já que ele fica no telhado e não existem construções perto o suficiente para que possamos pular.
— Nós poderíamos amarrar uma corda em um dos tubos e em algo próximo, mas ainda sim seria pouco prático.
— Sim. A outra alternativa é pelos esgotos. É fácil de entrar, um pouco mais demorado para chegar e também pode conter materiais contaminados.
— Achei que tivesse lido naquele jornal que o único meio de contaminação é através da mordida de alguém morto.
— Sim, mas existem outras doenças. Quero dizer, nós não sabemos muito sobre esse mundo e se as doenças são as mesmas.
— Apesar disso acho que essa é nossa melhor opção.
Sakura balaçou a cabeça positivamente.
— Bom, isso é tudo o que temos até agora. – Sasuke começou. – Descanse, nós vamos sair amanhã pela manhã.
— Você tem certeza Sasuke? Seu ombro não está totalmente recuperado.
— Tem uma coisa que eu quero testar. – Sasuke disse. – Venha.
Ele subiu as escadas em direção a sala e saiu pela porta. A lua estava escondida mas era possível enxergar devido as luzes da varanda. Sasuke caminhou até a grama e ficou parado. Ele suspirou fundo e então fez selos com as mãos.
— Katon: Goukakyuu no Jutsu!
Sasuke cuspiu uma bola de fogo para o alto que se dissipou alguns metros acima.
— S-Sasuke isso é...! – Sakura estava incrédula.
— Eu andei refletindo, essa casa tem chakra por toda parte, ele irriga as plantações e mantém os animais por perto, provavelmente também é o único lugar desse mundo em que ele existe. E também o único lugar em que conseguimos utilizar jutsus.
— Isso significa que eu posso te curar! – a garota ainda parecia descrente.
Sasuke assentiu.
— O portão é o limite, depois dele é impossível.
Sakura se aproximou de Sasuke e estendeu uma das mãos em direção ao ombro do rapaz. Logo ela sentiu a energia fluir em seu corpo e passar para os ferimentos de Sasuke.
— Como está se sentindo? – ela perguntou.
— Perfeito.
Sakura sorriu. Era bom poder usar algum chakra depois de tanto tempo.
Parados de frente ao bueiro que dava entrada para o ducto de esgoto do hospital, Sakura e Sasuke estavam preparados. Por sorte do destino, assim que entraram pelo buraco, depararam-se com algumas vestes de proteção nuclear. Sem hesitar, eles se vestiram e começaram sua caminhada.
Sasuke havia encontrado uma lanterna na biblioteca do porão e estava usando-a para enxergar o caminho. O chão era molhado e haviam diversos ratos e baratas passando por ali. Sakura sentia arrepios ao olhar aquilo.
Depois de alguns minutos caminhando, Sasuke parou fazendo Sakura bater em suas costas.
— O que foi? – ela perguntou.
Sasuke tirou o mapa do hospital do bolso e o analisou.
— É aqui.
Sasuke passou a lanterna pelas paredes do ducto e encontrou uma escada enferrujada. Ele foi o primeiro a subir, seguido por Sakura. Ao abrir a tampa do esgoto, eles saíram em um pátio cercado com uma grade de metal. Havia alguns lençóis hospitalares pendurados em um varal, eles estavam sujos.
Após tirarem os trajes de segurança, os dois caminharam até a porta que estava destrancada e acabaram em um corredor. Andando próximos um ao outro, Sasuke e Sakura olhavam sala por sala. Tudo parecia normal, aparentemente o lugar não tinha sido invadido por zumbis, estava relativamente limpo.
— Sakura, vamos ser diretos. Onde podemos encontrar possíveis testes feitos nos pacientes que estiveram aqui?
— No laboratório. – Sakura respondeu. – Nós também deveríamos passar na farmácia do hospital e pegar alguns medicamentos.
Sasuke olhou as placas indicativas.
— A farmácia está mais perto.
Os dois seguiram o caminho até o que parecia a sala de espera. Logo ao lado havia uma meia porta. Sakura adentrou o local e estocou alguns remédios que não tinham em casa. Também pegou alguns kits de primeiro socorros.
— Pronto. – ela disse ao sair.
Sasuke estava parado apoiado em sua espada.
— O laboratório fica no andar subterrâneo. – Sasuke informou.
— Vamos até lá.
Sakura e Sasuke caminharam até o andar de baixo. Ele era menos iluminado que o de cima devido a falta de janelas. A primeira em que entraram parecia ser o laboratório de microscopia, pois haviam cerca de cinco microscópios ali.
— Você acha que tem algo aí? – Sasuke perguntou.
— Vamos descobrir.
Sakura pegou um par de luvas em uma caixa em cima de uma mesa e as vestiu em suas mãos. Ela abriu a câmara de resfriamento no fundo da sala e se deparou com alguns meios de cultivo. Lendo frasco por frasco, Sakura pegou um que continha uma ficha anotada “célula zumbi”. Em seguida, Sakura pegou uma pipeta e preparou uma lâmina microscópica.
— O que você está fazendo? – Sasuke perguntou enquanto Sakura colocava os olhos nas lentes do microscópio.
— Estou checando o tipo celular dessa doença.
Sakura tirou os olhos da lente. Ela novamente pegou uma lâmina vazia e se dirigiu para Sasuke.
— Você poderia me dar um pouco do seu sangue?
— Pra que? – Sasuke olhou confuso para ela.
— Eu quero ver como a célula age em contanto com o sangue.
Aparentando não estar muito contente com a ideia, Sasuke cedeu uma gota de seu sangue tirado da ponta de seu dedo para Sakura. Com uma nova pipeta, Sakura misturou a célula zumbi no sangue de Sasuke.
Depois de poucos minutos com os olhos no microscópio, ela se surpreendeu:
— Incrível...!
— O que foi?
— As células zumbis infectaram suas células saudáveis. De início elas pareceram matar todas as células ao contato, então depois as células mortas voltaram a atividade e se replicaram, mas com as características físicas da célula zumbi.
Sasuke não tinha entendido muito bem o que Sakura havia explicado. Ela se afastou de microscópio e então disse:
— Essas células infectam outras células como um vírus... E é tão rápido que eu consigo entender como deve ter sido difícil encontrar uma cura. Eu mesma não tenho capacidade de pensar em algum antígeno que fosse capaz de fazer isso.
— Então é bom que nenhum de nós dois sejamos infectados por isso. – Sasuke disse por fim.
Sakura tirou as luvas rindo. Ela as descartou no lixo e os dois voltaram para o corredor. A próxima porta parecia ser um consultório comum, havia uma mesa organizada e uma cadeira em frente a ela. Sasuke abriu as gavetas e revirou os papéis que havia ali.
— Nada importante.
Os dois saíram dali e se depararam com mais alguns laboratórios de microscopia. Havia uma última porta no final do corredor, uma porta larga e com diversos avisos de restrição de entrada, permitido apenas para pessoas autorizadas. Sakura e Sasuke imaginaram que não teria problema passar por ali.
Haviam janelas de vidro pro todo o corredor, elas mostravam diferentes salas com macas e outros instrumentos que pareciam cirúrgicos. Por algum motivo Sakura sentiu um arrepio na espinha e começou a ficar hesitante. Ela se aproximou mais de Sasuke sem que ele percebesse. A medida que iam passando lentamente pelas janelas, as coisas pareciam ficar piores.
Em uma das salas, havia um liquido preto viscoso jorrado por toda parte. Em uma outra, havia um corpo totalmente desidratado caído em uma maca. Aquele lugar parecia uma sessão destinada a experimentos científicos, provavelmente não autorizados. Sakura segurou a manga da capa preta que Sasuke usava ao ver que algo se mexia na ultima cabine do corredor.
— Tem alguém ali. – ele disse.
— Sasuke-kun...
O rapaz se aproximou mais da cabine. Havia um homem ruivo usando um jaleco sujo de sangue. Ele estava de costas e quando se virou Sakura começou a tremer, o homem tinha alguns pedaços de vísceras em suas mãos, próximas a sua boca. Pelo que pode reparar, os pedaços de órgãos não eram dele. Ele também não parecia ser um zumbi e isso foi confirmado quando ele soltou o que tinha nas mãos e olhou para Sasuke e Sakura assustado.
— Eu estou delirando? – e em seguida deu uma risada horripilante. – Estou... Estou...
Os olhos arregalados do ruivo olhavam diretamente para onde Sakura e Sasuke estavam. O homem então começou a bater a cabeça contra o vidro. Na primeira batida Sakura paralisou, estava apavorada e não conseguia se mexer por algum motivo. Sasuke havia ativado seu Sharingan, como se tentasse ver algo de diferente, mas era apenas uma pessoa comum, se é que se podia dizer isso.
O homem sem afastou do vidro e se sentou em uma cadeira que havia ali. Ele parecia triste mas então começou a rir. Ele sacou uma arma de fogo do jaleco e mirou contra sua própria cabeça e sem hesitação nenhuma apertou o gatilho. Sasuke foi rápido o suficiente para cobrir Sakura com seu manto impedindo que ela visse aquilo.
— Vamos embora daqui. – ele disse segurando o corpo trêmulo da garota.
Ele auxiliou Sakura até a recepção do hospital. Ali ela se apoiou na parede fria e percebeu que estava ofegante. Estava se sentindo enjoada, aquele homem realmente havia mexido com seus sentidos.
— Você está bem? – Sasuke perguntou, preocupado.
Sakura não conseguiu responder. Sua visão estava turva e começava a escurecer. A última coisa que conseguiu ver foi o chão indo em sua direção.
Quando Sakura acordou, ela viu que seu rosto estava apoiado no ombro de Sasuke. Ele havia a carregado nas costas até metade da montanha.
— Você acordou.
— O que... O que aconteceu? – sua cabeça latejava.
— Você desmaiou. – Sasuke parou.
Sakura desceu das costas do rapaz e cambaleou ao tocar o chão, Sasuke a segurou pelos braços.
— Obrigada...
— Está se sentindo bem?
— Minha cabeça dói. – Sakura pousou a mão em sua testa.
Sasuke abriu tirou uma banana de dentro das vestes e a atirou para Sakura.
— Você deve estar com fome.
Sakura descascou a banana e deu uma mordida. Ela sentiu que a fruta fosse voltar mas a ânsia logo passou. Os dois voltaram a andar até chegarem na casa. Sakura abriu a porta não vendo a hora de se jogar na cama.
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