Apneia
2 Afundando com o navio
Notas iniciais
Linda Barnes era uma grande filha da puta. Emily não precisou de muito para chegar à essa conclusão. Não quando ela a havia atacado com armas tão baixas como a morte de Walker ou a gravação que havia deletado para salvar Reid.
Pois o policial Cabrera poderia muito bem testemunhar contra ela se desejasse, alegando que Emily lhe prometera a gravação em troca de entrevistar Reid sem ninguém no recinto.
Mas a verdade é que, quando Spencer começou a se incriminar daquela maneira, Prentiss temeu por ele. E fez aquilo que julgou melhor.
Agora, enquanto desfrutava de uma taça de vinho solitária em seu apartamento, apenas pensava nisso enquanto JJ estava à frente da BAU com Barnes em seu encalço.
Pois Emily imaginava que aquilo era uma caça às bruxas, e Barnes não pararia até achar um culpado. Exatamente da mesma maneira que havia dito à Emily naquela sala ao chamá-la e antes de tirar sua arma e seu distintivo.
Suspirou pesadamente, dando mais um gole no vinho. Sentindo-se corajosa o suficiente para fazer uma ligação no meio da noite.
Três toques mais tarde, Jennifer atendeu.
− Emily? Tudo bem?
E vendo como aquilo era uma bobagem.
− Eu... tudo. Desculpe ligar assim.
Ouviu uma movimentação, como se ela se levantasse da cama. Passos suaves, e o barulho do ranger das escadarias de madeira de sua casa até que chegasse ao andar debaixo.
− Não precisa se desculpar. — respondeu JJ. – Sabe que pode ligar quando quiser.
− Você também. – Sorriu fraco do outro lado da linha. – Não quis te acordar.
− Bobagem. Eu queria ter ligado, mas as coisas ficaram um tanto atribuladas. Acha que ela vai nos investigar a fundo?
− Cada detalhe que puder desenterrar. – Prentiss suspirou, bebendo mais um gole da taça. – Mas a equipe está em boas mãos com você, JJ.
− Só enquanto você não retornar.
Emily se permitiu outro sorriso, desta vez maior. E massageou as têmporas, sentindo uma leve dor de cabeça.
Jennifer era casada, mãe de dois filhos maravilhosos. Will era um marido perfeito. O que ela estava fazendo tentando se enfiar no meio daquilo?
− Em?— Jennifer chamou, ouvindo sua respiração ruidosa do outro lado da linha. – Está tudo bem, não está? Disse que daríamos um jeito.
Prentiss sentiu a garganta se fechar, a respiração falhar. Quase como se quisesse suspender o ato.
− Claro que está tudo bem, JJ. Não se preocupe. Preciso desligar. Descanse. O dia será longo. Nos vemos amanhã para falar com a equipe.
Desligou, sem dar chance que JJ dissesse nada a respeito. Encarando as próprias malas parcialmente feitas.
Pois não permitiria que nenhum dos membros de sua equipe fossem feitos de mártir. Se alguém precisasse afundar com o navio, seria ela. A Capitã Emily Prentiss.
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