Notas iniciais
Como prometido aí está o segundo de hoje...

O caminho até o colégio foi calmo e silencioso, mas agradável para ambos, e quando finalmente chegaram as enormes portas do colégio, o azulado fez questão de descer com a menor e a acompanhar até a entrada do mesmo.

– Tenha uma boa aula princesa.

– Obrigada Jelly – ela sorriu – Posso te pedir uma coisa?

– Claro, o que você quiser.

– Posso te dar um beijo, igual ao que a mamãe me da antes de sair – o azulado apenas assentiu e a pequena sorriu dando um leve beijo na bochecha do azulado.

– Acho melhor você entrar agora ou vai se atrasar.

– Certo – ela sorriu – E Jelly, antes que eu esqueça, se você quiser pode dormir lá em casa mais vezes, você e a mamãe ficam muito fofos dormindo juntinhos.

Agora foi a vez do azulado ficar paralisado e sem reação, parece que aquela menina havia puxado muito mais dele do que o mesmo imaginava. Antes que o azulado pudesse seguir para o seu carro e ir para seu trabalho, o mesmo foi interrompido por uma voz conhecida até demais por ele.

– Posso saber onde você se meteu?

– Eu estava por aí, por que?

– Caramba Jellal, eu fiquei preocupada com você, eu liguei no seu celular e quem me atende é uma mulher e hoje você me diz que estava por aí? Por acaso vai me dizer que veio até aqui, mas não ia entrar para me ver.

– Ultear isso não é hora e nem lugar para falarmos disso, tem muitas crianças por aqui caso você não tenha notado ainda.

– Tudo bem, mas só me responda com quem você passou a noite? Quem era a mulher que atendeu o seu celular?

– O que ela te disse, primeiramente?

– Ela teve a ousadia de me dizer “ele está aqui agorinha, dormido feito um anjinho ao meu lado depois da noite que tivemos...” E o que você me diz disso? Por acaso você anda me traindo?

– Ela disse isso? – ele sorria internamente ao notar o que a ruiva havia feito – Caramba, parece que você me pegou... Mas como você sabe Ultear chifre trocado não dói, não é?

Ele não disse mais nada antes de sair dali como se nada tivesse acontecido e seguiu para o seu carro, deixando uma mulher histérica para trás. Ele já estava imaginando que o dia seria longo, pois do que conhecia da sua noiva, ela não deixaria que isso passasse barato desse jeito.

Enquanto isso, a ruiva se apressou a entrar no prédio assim que viu o azulado sumir de suas vistas, e não pode se surpreender ao encontrar uma loira com cara de poucos amigos a esperando em sua sala.

– Onde você se meteu Er-chan?

– Desculpa Lucy, eu realmente não deveria ter me atrasado, mas eu dormi tarde ontem e hoje não consegui acordar no horário.

– E posso saber por que você ficou até tarde acordada em dia de semana? Não é do seu feitio fazer isso Erza.

– Eu sei, mas é que o Jellal apareceu lá em casa pedindo leite e acabou ficando para jantar e depois pegou no sono durante o filme e acabou dormindo lá em casa.

– Calma, uma informação por vez, como assim ele dormiu lá? E por que raios ele foi pedir leite para você?

– Parece que ele saiu de casa, e como não tinha onde ficar, ele está morando no apartamento do Natsu.

– Disso eu já sabia, afinal ele pediu pra ficar no apartamento do Natsu na minha frente... Mas ainda não entendo por que ele dormiu na sua casa.

– Quando eu vi que ele não tinha o que comer na casa do Natsu, o convidei pra jantar, aí ele me ajudou com a louça e na lição de casa da Wendy, e quando eu saí do banho nós assistimos um filme, ele dormiu, eu atendi o celular dele, por que o mesmo não acordava e era a Ultear e ela acha que eu sou alguma amante daquele idiota, e aí eu fiquei com dó de acordar ele, mas aí ele acordou e acabou dormindo na minha cama, mas não rolou nada o pervertida.

– Se eu soubesse que tinha rolado tudo isso, eu nem tinha te ligado, tinha dado folga pra você amiga.

– Não exagera.

– Mas Erza, você não acha que está se envolvendo demais com o Jellal de novo? Sabe eu sei que vocês se amam, mas também já se machucaram demais no passado.

– Eu sei, mas essa porcaria que eu chamo de coração acelera toda vez que eu o vejo e sempre que eu tento dizer não a ele eu fraquejo, até mesmo já topei ir no seu aniversário com ele.

– O QUE? – a loira se espantou – Er-chan, você percebeu...

– Que eu sou burra e masoquista, percebi.

– Não, tá que boa parte você está certa, mas não é isso, você o ama com todas as forças e ele deve te amar também e o Jellal parece estar lutando por você.

– Por que diz isso?

– Em todos esses anos ele nunca fez qualquer esforço para se mudar de casa, sempre fazia o que a Ultear queria e morria de medo dela, mas desde que você chegou ele parece mudado, e tirando o fato de que está sempre arranjando uma maneira de ficar perto de você.

– Nisso você tem razão, eu não tive em uma folga desde que eu cheguei aqui, parece que sempre que eu me viro ele vai estar lá, parece que aquele medo que eu sentia de reencontrá-lo sumiu de uma hora pra outra de tanto que eu já encontrei esse infeliz na minha frente.

– Dê uma nova chance pra ele Er-chan...

– Você sabe muito bem que eu não sou mulher de me meter com homem comprometido.

– E você acha mesmo que com você por perto ele vai continuar com aquele noivado que não deveria nem mesmo ter começado?

– Er... Assim você não me dá muitas opções Lucy!

– Ok, vamos fazer assim, no meu aniversário você tenta o tudo ou nada, se rolar rolou e se não rolar você vira de uma vez essa página da sua vida que já deveria ter virado a muito tempo.

– Certo.

(...)

– Posso saber por onde você se meteu? Que eu saiba não estava com a sua noiva, pois a mesma ligou em casa atrás de você.

– Pode ficar tranquilo velho, eu já tratei desse assunto com a Ultear, ela sabe muito bem onde eu estava.

– E pode me dizer? Eu ainda me preocupo com você meu filho.

– Relaxa, se a sua preocupação for em relação a eu tentar me matar, eu não tento fazer isso a muito tempo.

– Então desembucha, por onde você se meteu? E por que raios as suas roupas sumiram do seu quarto?

– Ontem eu decidi me mudar, só isso – ele suspirou sem dar muita atenção – E antes que você me pergunte, não, eu não estava sozinho ontem.

– Não vai me dizer que anda se metendo com aquela lá de novo? Você sabe muito bem o quanto aquelazinha não merece sua atenção.

– Olhe como fala dela! Eu não quero que diga que a Erza é qualquer uma, ela é a mãe da minha filha, e eu não estava com ela ontem – ele mentiu “se ele souber eu estou frito”.

– Acho bom mesmo, mas me diga para onde você se mudou? Para aquilo que o Mystogan chama de casa?

– Não e nem quero que fique sabendo, eu sei muito bem que assim que descobrir onde eu estou morando vai correndo dizer pra Ultear, e eu não quero ela no meu pé insistindo para que eu volte pra casa.

– E por que se mudou? O que eu te deixei faltar por todos esses anos Jellal? Por acaso está insinuando que a minha casa não é boa o suficiente pra você filho ingrato?

– Não estou dizendo isso, mas eu quero morar em um ambiente mais agradável da próxima vez em que tiver a visita da minha filha, não quero que aquela cena horrorosa entre você e a Erza se repita na frente da menina.

– Então é isso? Está se mudando por causa daquela criança? Faça-me o favor Jellal, até dois dias atrás você nem mesmo conhecia essa criança e agora já está assim? O que você vai fazer depois, vai decorar um quarto de cor-de-rosa e encher de porcarias de meninas?

– Até que não é uma á ideia, eu quero compensar o tempo que não tive com ela, eu sei muito bem o que é nascer e passar boa parte da infância sem um pai.

– Desde que eu levei você e o Mystogan para casa eu nunca deixei faltar nada para vocês, sempre estive ali.

– É, até o sumiço da Mavis, e daí pra frente você começou a esquecer que eu e o Mystogan existíamos, a não ser que fosse conveniente se lembrar de nós.

– Não fale no nome dela.

– Por que? Foi unicamente por causa dela que eu e meu irmão fomos adotados por você, mas eu nunca soube o que você tinha feito para ela sumir desse jeito, ela sim nos amava.

– Jellal se quiser que eu ainda te respeite como filho, nunca mais repita o nome dessa mulher, ela nos abandonou, ela não nos quis então não precisamos lembrar de sua existência.

– Você pensa assim, mas eu não, a Erza já me abandonou, mas mesmo assim eu ainda a amo, assim como você ainda deve amar a Mavis, apesar de ela ter sumido à quase quinze anos.

– Como você pode amar uma mulher que te abandonou? Hein? Elas só nos querem fazer de gato e sapato e quando se cansam, elas somem e nos destroem por dentro.

– Por que ela foi embora? Zeref você nunca chegou a me dizer por que a Mavis sumiu de repente.

– Nem mesmo eu sei te dar essa resposta, a única coisa que me vem em mente é de que ela arranjou outro e decidiu fugir com ele.

O azulado ficou quieto por alguns instantes – Zeref, ela pode ter ido, mas o Mystogan e eu estaremos sempre aqui, você é nosso pai, você nos acolheu quando ninguém mais nos queria, eu sou grato a você pela minha vida toda, mas quero te pedir algo como filho.

– O que você quer? Um carro novo?

– Não, eu quero que você aceite a Wendy – ele respirou fundo – Ela é minha filha, e eu tenho certeza que se você der uma chance para aquela pequena você vai adorá-la.

– Se eu der uma chance a ela, eu também terei que suportar aquela lá?

– Pai, você mais que ninguém sabe que sim, eu já deixei bem claro que ainda a amo, faço questão que você e a Erza fiquem como pessoas civilizadas, pelo menos na frente da Wendy.

– Bem... Eu posso tentar, mas por você e não pense que com isso eu vou começar a gostar daquela ruiva atrevida que isso não vai acontecer.

– Já é um começo – o azulado sorriu – Bom, acho que eu tenho trabalho a fazer.

– Jellal...

– Sim?

– E a Ultear? Como ela reagiu a sua filha?

– Ainda não conversamos seriamente sobre isso, mas acho que não vai ser problema nenhum, já que a Ultear não tem nada o que exigir de mim.

– Como assim? Ela é sua noiva.

– Mas antes de ser a minha noiva ela já sabia muito bem que eu tinha uma filha com a Erza, e se a Ultear quiser que eu escolha entre ela e a Wendy eu nem vou parar pra pensar ao escolher a minha filha.

– Tem certeza que vai estar escolhendo a sua filha e não a mãe dela?

– A partir do momento que eu escolho a minha filha, eu também estou escolhendo a mãe dela.

– Vai trabalhar, quem sabe assim você esqueça um pouco disso e volte ao seu juízo normal.

– Ok.

(...)

– Erza, já vai buscar a Wendy?

– Já, eu vou leva-la para a aula de natação e depois volto pra cá, já que a minha tia vai busca-la depois.

– Por que não almoçamos juntas? Quem sabe a Wendy não solte mais uma pérola de você e do Jellal.

– Nem pensar, e de Jellal eu quero distancia.

– Claro, até ele bater na sua porta de novo.

– Nem comece com isso Lucy – a ruiva suspirou – Apesar de que se ele bater a minha porta de novo eu sei que não vou conseguir dizer não e vou acabar cedendo de novo.

– Viu, eu disse que você estava muito próxima dele.

– Quer saber, não vou perder meu tempo discutindo com você, bye bye.

(...)

– Wendy!

– Oi mamãe – disse a pequena sorrindo e abraçando a ruiva – Ué, onde está o Jelly?

– Deve estar trabalhando, sei lá, mas por que a pergunta? Por acaso ele virou a minha sombra?

– Não, mas eu gosto quando ele está por perto.

– Você gosta dele filha?

– Adoro, parece que nos conhecemos já faz um tempão, ele é muito legal.

– Bom, vamos deixar o Jellal de lado e almoçar?

– Vamos!

Quando a ruiva havia se virado de costas e de mãos dadas com a filha escutou ao longe alguém chamar pelo seu nome, mas dessa vez não era a voz do azulado que lhe chamava e sim uma mulher e que infelizmente a ruiva sabia muito bem qual.

– Scarlet!

– Milkovich.

– Quanto tempo Scarlet, deixe me fazer às contas... Dez anos?!

– É e daí? Desembucha Milkovich você não me pararia a troco de nada, e seja rápida sim, eu não tenho tempo a perder com você.

– Bom, já que você quer assim, eu só tenho um aviso, fique bem longe do Jellal, agora ele é MEU entendeu? Nós estamos muito apaixonados e em breve vamos nos casar.

– Ok, mas tem um probleminha, o Jellal não é um objeto e ele tem vontade própria, alias todas as vezes que eu o vi foi ele a se aproximar de mim e não o contrário – a ruiva disse sorrindo – E mais uma coisinha minha querida, se vocês estivessem tão apaixonados como você diz você não estaria tão insegura quanto agora.

– Não se faça de sonsa Erza, você sabe muito bem o porquê de eu não confiar em você, tem algo que você tem que o Jellal nunca vai ser capaz de me dar.

– Caramba Ultear já tinha me esquecido desse detalhezinho de você ser tão desprezível que Deus até poupou o mundo de ter miniaturazinhas de você.

– Mamãe, você conhece a diretora? — a pequena se intrometeu assim que percebeu.

– Então quer dizer que essa aí é a sua filha Scarlet?

– É sim Ultear, mas acho que você notou mais nas semelhanças que ela tem com ele não? Fique sabendo que se você tocar um dedo na minha filha você estará morta ouviu?

– Bela filha, sorte dela parecer tanto com o pai, mas é uma pena que ela tenha você como mãe.

– Eu não tô entendendo nada – se pronunciou puxando o braço da mãe – Vamos embora mamãe, eu estou com fome...

– Já estamos indo Wendy – ela sorriu para a filha e voltou-se com a cara fechada para a morena – E você, nós inevitavelmente nos encontraremos de novo, não se preocupe Milkovich.

– Em breve Fernandes, acostume-se Scarlet.

– Você ainda não se casou, não cante vitória antes da hora.

A ruiva não disse mais nada antes de se virar e sair andando com a filha, deixando para trás uma morena espumando de raiva. Erza sabia que a filha não ficaria quieta por muito tempo, então decidiu dizer o necessário por enquanto.

– Wendy, essa era a noiva do Jellal, o nome dela é Ultear Milkovich e há muito tempo atrás ela era uma conhecida minha.

– A diretora é a noiva bruxa do Jelly? Eu prefiro você mamãe, acho que o Jelly também acha por que ele não sai lá de casa.

– Não comente isso perto dela sim, se ela descobrir pode descontar em você sem razão Wendy.

– Ok, mas mamãe por que você disse que eu me parecia com ele? Você estava falando do meu pai?

– Err... – ela suspirou – Era sim Wendy.

– Essa mulher também sabe quem é meu pai?

– Infelizmente sabe, mas não vamos falar sobre isso, hoje nós vamos ter um almoço de mãe e filha e depois eu vou te deixar na natação.

– O Jelly não vem hoje?

– Fique tranquila do jeito que ele é, não me surpreenderia de vê-lo mais tarde, afinal agora ele é nosso vizinho.

– Tem razão, é bom que eu vou pedir pra ele me ajudar na lição de casa, será que o Jelly é bom em ciências mamãe?

– Tenho as minhas dúvidas, ele sempre foi preguiçoso no colégio.

Continua...

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Opinem... ;)