Apesar de Tudo
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Olha eu aqui de novo :D
Espero que gostem do cap.
Desculpem se tiver algum erro!
Boa leitura!
Quando finalmente apartamos o beijo, olhei para Sungmin, e então eu senti como o que eu tinha feito ia afetar tudo entre a gente. Virei rapidamente, abri a porta e saí antes que Sungmin pudesse me impedir. Voltei correndo para casa. Não é como se eu estivesse arrependido, ou eu estava? Estava arrependido por que sabia que aquilo com certeza iria mudar as coisas entre nós. Não existe amizade que não fique arrasada por um beijo, simplesmente não existe. Mas não me arrependia por que há muito eu queria sentir aquilo, como eram os lábios de Sungmin? Eu descobri da melhor forma. Seus lábios eram macios e carinhosos, como eu acho que os de uma garota nunca seriam.
Cheguei em casa e corri para o meu quarto, me trancando lá. Encontrei meu esconderijo de bebidas debaixo da cama e peguei uma garrafa de vodka que eu guardava para momentos especiais, como era o caso agora. Eu queria esquecer a burrada que eu tinha acabado de fazer com a minha amizade com Sungmin, então ficar bêbado era sempre a melhor opção. Abri a garrafa e tirei aquela tampa dosadora, o que me levou algum tempo e muita força, mas quando ela finalmente saiu, eu virei a garrafa em minha boca. O gosto era quase intragável, eu detestava vodka pura com todas as minhas forças, mas isso não importava agora, o que importava é que a vodka era capaz de me deixar tão bêbado quanto eu podia ficar e causar aquela conhecida amnésia alcoólica, que era o que eu precisava.
Minha mãe bateu em minha porta, a garrafa já tinha menos da metade de seu conteúdo original, eu estava alto, quase bêbado.
-Meu filho, você não vem jantar? – ela perguntou.
-Não mãe, não estou com fome... Eu tenho comida no meu quarto se precisar... – falei, tentando levantar do chão, onde eu estava sentado desde que comecei a beber. Tudo girou por um instante e então eu desisti de me levantar, eu só levantaria para cair de novo, era melhor ficar logo no chão.
-Tudo bem... – ela falou e eu ouvi seus passos se distanciando.
Olhei para a garrafa de vodka. Apenas uma garrafa não seria suficiente para me deixar do jeito que eu queria ficar, eu pensei, e então me lembrei que eu tinha adicionado uma garrafa de uísque à minha coleção secreta. Peguei o uísque, abri e, como na vodka, tirei o bico dosador. Virei um gole e, hey, aquilo nem era tão ruim. Deixei a vodka de lado e bebi metade da garrafa de uísque. A essas alturas, eu nem sabia mais quem eu era. Fechei a garrafa de vodka e escondi ela em qualquer lugar, dei mais um belo gole na garrafa de uísque e fechei-a também. Deitei no chão, sem conseguir segurar meu torso em pé por nem mais um segundo e curti enquanto sentia o mundo girando a minha volta. De vez em quando mexia a cabeça rapidamente para não perder a sensação boa de que nada estava sendo segurado pela gravidade, nem eu mesmo. Quis gritar, mas nada saía de minha boca. Comecei a rolar no chão, a sensação de falta de gravidade ainda me acometia e fiquei assim por horas, ou assim eu imaginei. Caí no sono antes de perceber.
Quando acordei, minha cabeça latejava tanto que era um inferno apenas mexê-la alguns milímetros. Meu corpo doía por ter dormido no chão, eu ainda estava de uniforme e eu estava com muita sede. Tentei me levantar, mas minha cabeça deu uma pontada tão forte que me larguei no chão outra vez. Olhei para o relógio e era um minuto antes do relógio despertar. Tentei ser mais rápido que o minuto que iria se passar para o relógio despertar, mas infelizmente meu corpo de ressaca não era mais rápido nem que uma lesma, então meu relógio despertou, alto. Tão alto que eu gritei como um louco enquanto minha cabeça quase explodia. Eu não podia ir para a escola naquele estado, eu não agüentava nem ficar de pé direito. Arrastei-me até a minha cama, desliguei o despertador, tirei meu uniforme e destranquei a porta do quarto. Finalmente, deitei em minha cama e tentei voltar a dormir. Passei os olhos pelo meu quarto antes de qualquer coisa, pra ver se tinha algum vestígio de que eu tinha passado a noite bebendo. Nada. Fechei os olhos, mas o sono não vinha por causa da dor de cabeça e da sede que eu sentia. Não demoraria até minha mãe vir aqui conferir o que tinha de errado comigo, então eu esperei que ela viesse.
-Kyuhyun, meu filho, você não vai pra aula hoje não? – ela perguntou da porta do quarto. Vendo o meu estado, ela começou a se preocupar. –O que aconteceu com você?
-Não sei mãe... – eu falava tampando a boca com o edredom para não sair meu bafo, que provavelmente ainda estava puro álcool. –Minha cabeça e meu corpo doem...
-Será que você não pegou uma gripe? – ela falou. Tentei simular uma tosse, que ficou bem feia por causa da minha garganta seca, ela ficou ainda mais preocupada e mais certa de que eu estava doente. Eu devia ganhar um Oscar pela minha atuação. –Vou trazer um analgésico pra você...
Ela saiu da porta do meu quarto e então minha irmã substituiu-a.
-Você é um folgado, fingindo que está doente pra não ir pra escola... – ela falou rindo.
-Não estou fingindo! Ahhhhh... – foi inevitável que eu gritasse com minha irmã e mais inevitável ainda que minha cabeça doesse ainda mais, minha mãe voltou e brigou com Ara e deixou uma bandejinha no meu criado mudo com água e um comprimido. Eu me agarrei àquilo como se fosse o último copo de água do mundo. Joguei o comprimido na boca e engoli a água sob o olhar minucioso de minha mãe.
-Agora durma, meu filho. Se precisar de alguma coisa me ligue, tudo bem? – ela falou passando a mão pelos meus cabelos.
-Tudo bem mãe. – falei e ela saiu, fechando a porta atrás de si. Eu estava livre da escola por hoje. Tentei dormir, mas só consegui quando o remédio finalmente fez efeito. Acordei muito tempo depois, com a campainha tocando. Quem estaria ali àquela hora, pelo amor de Deus? Se fossem vendedores eu acabaria com a raça deles. Minha dor de cabeça não havia passado, apenas diminuído, e eu estava aparentemente horrível. Mesmo assim, apenas peguei uma calça de moletom e vesti antes de atender a porta. Desci às escadas tropeçando e quando finalmente abri a porta, qual foi minha surpresa ao ver Sungmin ali parado, olhando para a porta ansiosamente.
-Oi, Kyu... Eu posso entrar? – ele perguntou. Aquela voz doce que fazia cócegas na minha dor de cabeça, então eu lembrei por que eu tinha bebido na noite passada para início de conversa, e me senti terrivelmente envergonhado por estar apenas de calça na frente do garoto que eu havia beijado fervorosamente ontem. Como não podia simplesmente expulsá-lo dali, dei espaço para que entrasse e fui para a cozinha pegar um pouco de café.
-Fique à vontade. – falei. –Quer café?
-Não, obrigado... – ele falou tímido enquanto sentava num dos bancos do balcão da cozinha.
-Hey, você não deveria estar na escola? – perguntei.
-Bem, está na hora do almoço, então eu escapei e vim aqui... Não era para você também estar na escola? – ele perguntou.
-Ah... Então foi por isso que veio aqui? – perguntei. –Eu... Bem, eu não estava passando bem, então eu fiquei aqui...
-Estou vendo. – ele falou simplesmente. –O que fez ontem? Bebeu até capotar?
-Como sabe que eu... Ah droga... Você jogou verde... – ele riu e balançou a cabeça afirmativamente. Eu detestava cair naquele tipo de coisa. –Sim, eu bebi até capotar, acordei com uma dor de cabeça que estava me matando e decidi fingir que estava doente.
-Tudo bem se esquecermos o que aconteceu ontem... – ele falou. –Assim podemos voltar a ser amigos...
-Tudo bem... – eu falei dando de ombros. Eu queria mesmo esquecer aquilo e voltar a ser amigo de Sungmin. Não queria ter abalado nossa amizade com aquilo, pra começo de conversa. –Sabe... Quando eu disse ontem... Que não suportaria te perder de novo... Bem... Aquilo era verdade. – falei olhando pela janela, mas sentindo que Sungmin me olhava.
-Eu também não, a gente é amigo há muito tempo pra perdermos isso assim... – ele falou, e então eu olhei para ele e sorri. Ele não parecia muito bem.
-Aconteceu alguma coisa, Sungmin? – perguntei e então seus olhos se desviaram de mim. Algo tinha acontecido, agora eu tinha certeza. Aproximei-me dele e puxei seu queixo levemente para que ele me encarasse. Seus olhos estavam cheios de lágrima. –O que aconteceu?
-Nada... – ele falou, a voz fraca denunciando que ele estava firmemente segurando o choro. –Não foi nada Kyu...
-Eu tenho certeza que aconteceu alguma coisa, Sungmin, me fale... – e então eu toquei em seu braço, ele se esquivou, parecia que eu tinha tocado em algum machucado ou algo assim. Enquanto ele desviava, perdeu o equilíbrio no banquinho e quase caiu. –Sungmin! – eu falei mais alto, tentando segurá-lo. Quando minhas mãos tocaram uma parte de suas costelas, ele deu um gemido de dor e então eu, sem nenhum pudor ou qualquer coisa assim, segurei-o e comecei a desabotoar sua camisa do uniforme. Ele tentou me impedir, mas eu fui mais rápido e então eu vi. Sua pele alva e macia coberta por hematomas roxos, havia um bem feio no lugar onde eu havia segurado.
-Kyu não faça isso! – ele reclamou, mas eu já tinha visto, nada ia me segurar agora.
-Sungmin, te bateram na escola, não foi? – perguntei firmemente. –Responda a verdade.
-Eu... Ahh. – ele soltou um grito de frustração. –Sim.
-E foram aqueles garotos, não foram? Os que andavam comigo... – ele apenas desviou o olhar e eu soltei um grito de fúria. Dei um soco no balcão atrás dele que deixou-o assustado. –Eles me pagam... Sungmin espere aqui eu vou colocar o meu uniforme e nós vamos pra escola.
-Kyuhyun não precisa fazer isso, eles não vão mais...
-Não, Sungmin, eu vou lá acabar com a cara de quem ousou te bater. – falei já no meio das escadas. Ele foi atrás de mim.
-Kyuhyun, por favor, eu não quero que você se machuque... – ele falou, os olhos já estavam prestes a derramar lágrimas outra vez.
-E você acha que eu quero que te machuquem, Min?! – eu perguntei. –Acha que eu vou fingir que isso não aconteceu? Eu não posso... – eu comecei a me trocar na frente dele, não estava nem aí se ele ia me ver, tanto faz, eu só queria que aqueles filhos da mãe pagassem pelo que fizeram com Sungmin. Mesmo que eu apenas conseguisse dar um murro em cada um, já estaria de bom tamanho. Eles eram três vezes um de mim, e eu sabia que não tinha a mínima chance contra eles, mas eu queria ver sangue. Se eu acertasse um murro bem dado no nariz de alguém eu ficaria feliz.
-Kyuhyun, por favor... – e fazia cara de cachorro que caiu da mudança, nem isso estava me acalmando. Então quando terminei de vestir meu uniforme nós saímos de casa e fomos para a escola. Sungmin ainda tentava me persuadir a não entrar em nenhuma briga, mas tudo o que ele dizia entrava por um ouvido e saia pelo outro. Eu nem prestava atenção no que ele dizia. Entramos na escola e fomos para o refeitório, onde eu encontrei os caras. Quando os vi conversando e rindo, a raiva me subiu ainda mais à cabeça.
-Hey! – eu gritei no meio do refeitório e eles olharam pra trás, talvez reconhecendo minha voz. Minha dor de cabeça que se explodisse, eu estava gritando mesmo. –Eu tenho algo pra falar com vocês!
-Então o gayzinho foi chamar seu namorado para vir acertar as contas?! – eu ouvi um deles desdenhando.
Um deles levantou e veio até mim, e então, sem que ele esperasse, eu lhe dei o murro com a maior força que eu consegui reunir, e que não foi pouca, porque eu ouvi um ‘creck’ assim que meu punho atingiu seu rosto. Ele urrou de dor e ajoelhou no chão com o nariz sangrando. Eu já estava animado quando senti um punho atingindo minha cabeça. Os outros haviam se reunido. Tentei me recuperar do murro e dei um chute no cara que estava ajoelhado no chão, acertando suas partes baixas. Ele gemeu e caiu. Então eu vi um cara vindo em minha direção, desviei dele e acertei um murro em sua barriga, ele se dobrou e então eu senti alguém me segurando pelos braços. Inferno eu já tinha sido pego. Senti um murro em minha barriga, a essas horas eu não estava vendo mais nada, apenas sentindo. Toda a minha raiva havia me cegado. Tentei chutar o cara que eu tinha esmurrado na barriga, mas ele segurou meu pé também, e eu senti outro murro em meu rosto. Meu nariz também estava sangrando agora.
Quando consegui abrir o olho, vi que Sungmin tinha se juntado à mim na briga e tinha começado a bater no cara que estava me batendo. O cara que estava me segurando me soltou para ajudar a bater em Sungmin, eu ainda tentei impedi-lo, mas ele me deu um soco na barriga que quase me fez vomitar. Eu dobrei e caí no chão de dor. Vi Henry correr em nossa direção e tentar ajudar Sungmin, mas em poucos segundos ele também estava contorcido no chão com um soco na barriga. Droga, eu não podia pará-los, eles estavam espancando Sungmin.
-Alguém quer fazer o favor de ajudar?! – eu ouvi Henry gritar. No instante que ele fechou a boca, eu vi uma movimentação e então o diretor havia chegado ao local da briga. Os caras largaram Sungmin imediatamente e eu vi que ele havia desmaiado. Me arrastei até o lugar onde ele estava e peguei-o em meu colo.
-Ele desmaiou, merda, Sungmin, acorda, fala comigo! – eu comecei a gritar em desespero, desmaiar não era uma boa coisa naquela hora, eu tinha certeza que não ia significar boa coisa.
-Todos vocês na minha sala agora. – o diretor falou. –Alguém use um desses celulares que vocês tanto usam para algo que preste e ligue para a ambulância. AGORA!
-Já liguei! – gritou Eunhyuk que vinha correndo ao encontro de mim e Sungmin, sendo acompanhado de perto por Donghae.
-O que aconteceu, Kyuhyun? – perguntou Donghae. –Você está ficando louco? Chamar esses caras pra uma briga assim, você queria se matar?
-Não... – eu falei com alguma dificuldade, limpando minha boca suja de sangue com a manga da camisa. –Eles bateram em Sungmin hoje mais cedo, eu não podia deixar por assim mesmo...
-Claro, tinha que fazer a burrice de tentar enfrentar esses caras sozinho... – falou Eunhyuk. –Você podia pelo menos ter contado pra gente o que tinha acontecido e então a gente se juntaria e bateria neles...
-Ainda assim não seria suficiente, Hyuk. – falou Donghae.
-Eu só espero que Sungmin esteja bem... – falou Eunhyuk e então eu ouvi a movimentação e o barulho da ambulância. Os médicos pegaram Sungmin e colocaram-no numa maca, tentaram me ajudar a levantar e eu não conseguia, minhas costelas pareciam que iam me perfurar, ou algo assim. Vi eles levando o garoto que eu bati primeiro, pelo menos um deles estava acabado. Vi que eles estavam levando outro cara, provavelmente Sungmin ou Henry tinham conseguido derrubar outro. Os que não estavam machucados foram para a sala do diretor. Eu queria saber o que ia acontecer a eles, mas os paramédicos queriam me levar para o hospital.
Colocaram-me numa maca e me levaram. Quando chegamos ao hospital foi uma bagunça. Na escola, tiveram que chamar outra ambulância por que tinha muita gente, então era o barulho de duas sirenes, pessoas chegando para atender-nos enquanto havia já bastante gritaria dentro do hospital. Ouvi alguém falando que havia acontecido um acidente de carro e tinham levado as vítimas pra lá. Fui atendido, fiz um raio-X e em pouco tempo eu conseguia andar outra vez, a dor nas costelas estava sendo amenizada por um analgésico forte que me deram. O analgésico também me deu um sono da porra. Eu lutei contra o sono e tentei levantar da cama que tinham me colocado enquanto esperavam o resultado do raio-X e saí perguntando onde estaria Sungmin. Quando consegui a resposta, quase que eu caí no mesmo lugar que estava.
-Ele está em cirurgia. – a mulher falou.
-M-Mas por que, o que aconteceu...? – perguntei.
-Garoto, não era pra você estar numa cama? Você parece horrível... – ela falou.
-Eu perguntei por que ele está em cirurgia... – eu perguntei outra vez.
-Parece que ele tinha uma hemorragia interna, agora volte para sua cama, garoto! – a mulher brigou e eu fui, anestesiado, parte por causa do analgésico e parte pela notícia de que Sungmin estava realmente mal, para minha cama. Droga, aquilo era tudo culpa minha, foi por que eu fui atrás dos garotos que ele se meteu na briga. Sentei na cama que eu estava antes e chorei copiosamente pelo que pareceram horas enquanto esperava que os médicos fossem me dizer o resultado do raio-X.
Era para eu estar no lugar dele. Eu causei aquilo tudo, eu devia estar tendo uma cirurgia com as minhas tripas à mostra, não Sungmin. Como eu sou idiota. Eu me bateria se conseguisse.
-Senhor Cho? – perguntou um homem, reconheci o médico que havia me atendido.
-Sim... – perguntei.
-Não há nada em seu raio-X fora do lugar, você pode terminar de descansar e voltar pra casa quando seus pais chegarem aqui. – ele falou.
-Ah, droga, meus pais têm mesmo que vir? – perguntei.
-Um dos dois, para que possamos liberá-lo. – ele falou. –Ligamos para o seu pai, mas ele não atendeu, sua mãe...
-Onde conseguiram os telefones deles? – perguntei.
-Sua escola ofereceu. – ele falou simplesmente. –Sua mãe disse que está a caminho.
-O que aconteceu com o outro garoto que chegou aqui junto comigo? Disseram que ele estava em uma cirurgia e...
-Ah, o garoto da hemorragia interna. Não se preocupe, a cirurgia não é de risco elevado, é feita o tempo todo, tenho certeza de que ele ficará bem. Agora você deve descansar.
-Não posso vê-lo? – perguntei. –Essa cirurgia leva muito tempo?
-Não, talvez depois que descansar eu possa te levar até ele... – ele falou e então saiu. Eu deitei e limpei meu rosto, percebendo que minhas roupas estavam horríveis e cheias de sangue. Eu tentei dormir um pouco, mas estava tudo bagunçado na minha cabeça, eu não conseguia parar de pensar para descansar, então fiquei fingindo que estava dormindo para ver se o médico me levava para ver Sungmin quando terminassem a cirurgia.
-Kyuhyun! O que aconteceu meu filho?! Você não tinha ficado em casa hoje?! – ouvi minha mãe chegando e gritando, me balançando para que eu acordasse.
-Mãe! Aii! – eu falei reclamando enquanto ela pegava num lugar que doía só de eu me mexer. –Eu ia ficar em casa, mas Sungmin apareceu lá em casa, pra perguntar por que eu não tinha ido pra escola, eu percebi que tinham batido nele na escola e então eu fui até a escola pra bater em quem tinha batido nele-uhhh... – eu emendei um gemido de dor enquanto tentava ficar em pé. Acho que o efeito dos analgésicos estava passando. Nem sabia quanto tempo tinha que eu estava no hospital.
-Mas meu filho, não se resolve nada com violência, quantas vezes eu vou ter que te falar isso? – ela falou, claro, já vinha o sermão.
-Ok mãe, mas eu estava com muita raiva na hora. Sungmin tentou me parar e... – eu dei um gemido de dor e então pensei, ele realmente tinha tentado me parar, e eu não parei, e agora ele estava tendo que passar por uma cirurgia por minha culpa. Eu comecei a chorar desesperadamente outra vez, minha mãe me abraçou rapidamente.
-Calma, meu filho, o que aconteceu agora? – ela perguntou assustada.
-Sungmin está passando por uma cirurgia por minha causa mãe... – eu quase gritei. Minha mãe apertou o abraço e acariciou meus cabelos, acho que havia anos que ela não me via chorar como uma criança assim.
-Acalme-se, tudo vai ficar bem. – ela falou.
-Então você é a Senhora Cho? – o médico perguntou, não tinha visto quando ele tinha chegado.
-Sim. – ela falou simplesmente. –Meu filho está bem, não está?
-Sim, não há nenhum problema com ele. Apenas vou receitá-lo um analgésico para a dor em suas costelas, mas tirando isso tudo está bem. Agora, eu tinha prometido te levar até o outro garoto quando a cirurgia terminasse. Contando que você não o faça passar por nenhum estresse...
-Claro, eu nunca faria isso... – falei limpando meu rosto.
-Vamos lá, então. Enquanto isso, por que a senhora Cho não fica e assina os papéis para a liberação de seu filho? – o médico perguntou.
-Claro. – ela falou e levantou indo para um balcão ali perto. Eu levantei e segui o médico até um quarto no terceiro andar.
-Aqui está. Você está entregue. Não passe muito tempo aqui, depois pode voltar no horário de visitas. – o médico falou abrindo a porta.
-Obrigado. – eu falei. Entrei no quarto e ele estava dormindo. Eu não queria passar muito tempo ali mesmo, não queria ver Sungmin desfalecido daquela forma por minha causa. Eu fora tão burro. Sentei-me ao lado de sua cama e peguei uma mão. –Desculpe, Sungmin. Eu... Nem sei o que vou te dizer quando acordar, mas espero que ainda queira me ver depois do que eu fiz.
Assim, deixei o quarto dele e fui ao encontro de minha mãe. Perguntei quando seria o horário de visitas amanhã, e fiquei feliz em saber que o horário seria bastante grande amanhã, por ser sábado. Voltei pra casa e deitei, não me importando que horas eram ou se eu estava com fome ou não, eu precisava apenas dormir.
Notas finais
Vocês também não querem um Kyuhyun pra vocês? (eu quero um pra mim... kkkk)
Espero que tenham gostado e que não me matem pela demorinha pra postar, mas tem que deixar um suspense né. Tava postando um por dia por que nem eu estava conseguindo segurar os capítulos prontos... hehe
Beijoo
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