Apesar de Tudo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Mas eu espero sinceramente que vocês gostem da fic, eu estou trabalhando nela desde segunda de madrugada... kkk
Como eu já disse, é minha primeira fic.
Se tiver algum erro, desculpem!
Eu sempre soube que tinha tendências homossexuais, só não sabia como organizar meus pensamentos sobre isso. Mesmo por que meu primeiro contato com algo parecido foi com 8 anos. Meu primeiro ‘namoradinho’ foi Sungmin, um garotinho fofo que estudava na mesma escola que eu. Nós não éramos namorados nem nada, nós éramos apenas amigos, melhores amigos. Mas ele era mais velho que eu dois anos e nossa escola ia até a 4ª série do ensino fundamental. Quando ele terminou a 4ª série, seus pais decidiram mudar para o interior e desde então nunca mais o vi.
O que eu quis dizer com essa historinha toda é que eu não sou nenhum tapado sobre a minha sexualidade duvidosa. Porém ainda me considero heterossexual até que eu mesmo me prove o contrário.
Eu sou Cho Kyuhyun, estou no primeiro dia do meu primeiro ano do ensino médio. Primeiros dias de aula são chatos. Os professores estão se apresentando a todos, as pessoas se apresentam e então o professor fica com preguiça de começar a dar a matéria. Penso que seja assim em qualquer lugar. A aula dura o suficiente apenas para todos saberem mais ou menos os nomes de cada um. Ainda bem que eu não sou nenhum desconhecido na escola, e muito menos sou um nerd sem amigos. É claro que eu tenho amigos. A maioria dos alunos da minha sala estudava comigo no último ano do ensino fundamental, não era como se não nos conhecêssemos.
As aulas passaram devagar enquanto cada professor repetia o ritual do primeiro dia. Enquanto isso, aproveitei para colocar o sono que perdi por acordar cedo hoje em dia e dei algumas cochiladas. Na hora do almoço eu finalmente levantei, me espreguicei e fui para o refeitório com Henry, meu melhor amigo, e outros garotos que nos seguiam. Dei uma boa olhada em quem já estava no refeitório e fui para uma mesa. Sempre havia alguma garota que preparava o almoço pra mim, então decidi esperar para ver se tinha que comprar minha comida hoje ou não. Era muita presunção minha, claro, achar que alguém no primeiro dia de aula fosse me levar o almoço, porém, como eu havia dito, as pessoas que estão agora no primeiro ano estudaram comigo praticamente a vida toda, inclusive as garotas.
-Kyu-Kyuhyun... – eu ouvi alguém falando baixo atrás de mim e me virei. E lá estava a garota tímida que costumava me levar comida no fundamental. –E-Eu estou vendo que você não está almoçando... Bem, eu não estou com fome, então...
-Não, pode comer, isso é seu, não vou deixar que fique sem comer por minha causa... – falei, tudo bem se levassem comida pra mim, mas daí a ficar sem comer pra me dar, aí não.
-Está tudo bem, eu não estou mesmo com...
-Não, vá comer, mesmo que não esteja com fome, pode passar mal se não o fizer, o Henry foi pegar o nosso almoço, não se preocupe. – falei e a garota, que já estava corada até o talo, corou ainda mais e saiu com seu almoço em mãos.
-O que foi cara? – perguntou Henry, chegando com duas bandejas e colocando uma em minha frente.
-Aquela garota queria me dar seu almoço. – respondi, olhando para o prato que ele havia feito pra mim.
-E por que não aceitou? – perguntou ele.
-Ela ia ficar sem comer, ia acabar passando mal e iam colocar a culpa em mim. – peguei os hashis e comecei a comer. –O que achou de tudo até agora?
-Achei chato, e monótono. É a mesma coisa do nosso ensino fundamental. – o baixinho falou, levando uma boa quantidade de comida à boca.
-Sabe Henry, a comida não vai fugir do seu prato... – falei, olhando para ele com desgosto. Os outros garotos que estavam em nossa mesa conversavam entre si.
Quando terminei de comer, decidi ir até o pátio. Vi de longe um garoto comendo sozinho debaixo de uma árvore, mas aquilo não era importante, eu precisava dormir mais um pouco antes que começasse a chatice outra vez. Sentei embaixo de uma das árvores do pátio e peguei no sono sem nem perceber. Acordei assustado com o sinal que indicava o fim do intervalo. Levantei e fui até o banheiro enquanto todos estavam voltando para as salas. Cheguei atrasado na aula, mas pouco me importei, apenas fui até o meu lugar enquanto o professor ficou me olhando.
-Espero que tenha sido a primeira e última vez que chega atrasado numa aula minha. – o professor falou se dirigindo a mim.
-Me desculpe professor, não vai acontecer outra vez. – falei simplesmente, ele aceitou minhas desculpas e voltou a falar qualquer coisa que não dei atenção. Peguei minha mochila e rasguei um pedaço de papel do meu caderno novo, e escrevi ‘não agüento mais ficar na aula, isso é normal? É apenas nosso primeiro dia de aula...’ fiz uma bolinha e joguei em Henry. Eu tinha uma puta pontaria. Acertei sua cabeça abaixada, provavelmente ele estava dormindo, mas sentiu a bolinha e levantou a cabeça procurando quem havia jogado. É claro que ele me olhou e eu apontei o papel amassado no chão com os olhos.
Ele abaixou-se e pegou o papel, desamassou e leu. Escreveu algo e mandou de volta, quase que o papel caiu na cabeça da garota que sentava atrás de mim. Se não fossem meus reflexos rápidos... Peguei o papel e li o que ele tinha escrito. Dizia: é claro que é normal, isso é a escola... Não me incomode, eu estou com sono. Ri e joguei o papel na mochila.
Mais duas aulas daquelas e eu estava livre. Saí da sala depois de quase todo mundo e encontrei com Henry nos armários. Guardei alguns livros que tinha levado para deixar na escola (e nunca mais pegar) e nós saímos da escola conversando. A casa de Henry era a meio caminho da minha, então voltamos andando juntos e conversando. Acenei para ele enquanto continuava minha caminhada para casa.
-Estou em casa! – falei enquanto tirava os sapatos e colocava minhas pantufas. Ninguém nem esticou o pescoço pra ver se eu estava bem, então subi para o meu quarto. Abri meu notebook e liguei-o, depois fui trocar de roupa.
O resto do dia passou como qualquer outro. Fiquei jogando durante todo o resto da tarde, minha mãe me chamou para o jantar e depois, continuei jogando. Fui dormir já passava das duas e meia da madrugada. Droga, tinha esquecido completamente de que eu teria que acordar cedo no outro dia. Agora o jeito era dormir na aula outra vez.
Levantei e dei um soco no despertador, ele não parou de apitar. Grunhi enquanto abria o olho e apertava o botão que o faria parar. Levantei preguiçosamente e fui para o meu banheiro, me despi e tomei um banho rápido antes de colocar o uniforme e descer para o desjejum. Minha mãe e minha irmã ficaram conversando enquanto eu engolia o café da manhã e saía para a escola. Passando na frente da casa de Henry, ouvi a movimentação lá dentro e depois de algum tempo, ouvi Henry correndo para me alcançar.
-Quase que eu não acordo em tempo hoje... – ele reclamou arrumando a mochila no ombro direito.
-Bom dia pra você também. – falei.
-Bom dia. – ele falou olhando para minha cara com uma sobrancelha levantada.
-O que foi? – perguntei, tentando fazê-lo desviar os olhos de mim. Detestava quando os homens me encaravam.
-Nada. – ele falou simplesmente, depois balançando a cabeça e não mais olhando pra mim enquanto não chegamos na escola.
Fui até meu armário, peguei alguns livros para fingir que estava estudando e fui para a sala. Sentei em meu lugar e fiquei cochilando enquanto a aula não começava. As aulas de toda a semana foram assim, eu dormia tarde, acordava cedo e morrendo de sono, ia para a escola e lá eu dormia e fingia estudar. Na terça-feira da outra semana, as pessoas fofocavam pelos corredores durante o almoço. Pelo que chegou aos meus ouvidos, um garoto novo tinha entrado na escola, e ele vinha do interior. Era um caipira como os outros, provavelmente. As garotas diziam que ele era bonito, eu precisava ver isso. Minha popularidade na escola era crescente enquanto os garotos das outras turmas admiravam minha falta de prioridades e de escrúpulos. Vagabundos sempre eram admirados nas escolas, e eu sabia disso por que sempre fui um, e sempre fui admirado. A verdade era que eu estava acostumado a ser popular, ali não seria diferente.
-Ficou sabendo do aluno novo? – perguntou Henry quando sentei na mesa. –Parece que ele veio do interior. Deve ser um caipira... – ele riu.
-Não duvido. Onde está meu almoço? – perguntei. Era um milagre que minha mesa ainda estivesse vazia à minha frente.
-Nenhuma garota te parou no corredor? – perguntou Henry.
-Não... – falei pensando, ninguém tinha me parado no corredor, afinal todas elas estavam falando sobre o garoto novo. –Vou lá pegar meu almoço antes que o intervalo acabe.
Saí da mesa e fui até a fila, que já tinha diminuído visivelmente, assim como a quantidade e variedade de comida quando cheguei. Bufei enquanto colocava qualquer coisa no prato e voltava para a mesa. Quando coloquei minha bandeja na mesa e ia sentando, eu vi o garoto novo. Claro, eu já conhecia mais ou menos as pessoas daquela escola, pelo menos de rosto, e os populares principalmente. Aquele garoto definitivamente estava atraindo a atenção apenas por que era novato. O uniforme impecavelmente arrumado, alguns livros na mão, um óculos pendia em seu nariz e a franja grande escondia parcialmente seus olhos. Ele parecia não querer chamar a atenção, mas definitivamente fracassou.
-Então é ele o garoto novo. Realmente parece um caipira... – falei.
-Olhe como o uniforme dele está bem arrumado, que tipo de pessoa consegue usar o uniforme assim? – perguntou Henry rindo.
-Pare de rir, vamos lá dar as boas vindas para o nosso novo colega? – perguntei para Henry, ele levantou uma sobrancelha e colocou a mão em minha testa, para testar minha temperatura. –Só estou querendo olhar o garoto de perto. Vamos chamá-lo para a nossa mesa hoje, afinal, querendo ou não, ele é um hyung.
-Tudo bem... – falou Henry levantando e nós fomos até ele.
-Olá. – falei enquanto o garoto tentava se esquivar de mim e de Henry. –Fiquei sabendo que chegou agora na escola. Não quer se sentar conosco?
-Eu... Bem... Tudo bem. – o garoto falou incerto, a insegurança o dominava, um típico caipira.
-Vamos lá, não precisa ter vergonha da gente, somos dongsaengs legais. – riu Henry ao meu lado. O garoto continuou olhando-nos incerto sobre o que pensar, mas acompanhou-nos até a nossa mesa. Eu sentei e comecei a comer, enquanto ele sentou e ficou olhando sua comida.
-O que foi, não está com fome? – perguntei. Aquele garoto me fazia ter uma sensação de déjà vu estranha. E ele parecia tão inocente que quase pedia por uma brincadeira.
-Eu... Não muita. – ele falou.
-Coma, você pode passar mal mais tarde se não comer. – falei. Era sempre a minha desculpa para as pessoas comerem. –Esses caipiras desconfiam de tudo... – falei e então houve uma explosão de risos em nossa mesa enquanto Sungmin corava furiosamente.
-Esses caipiras que vêm pra cidade e não sabem de nada... – um dos garotos da mesa falou, era um brutamontes jogador de futebol americano. Sungmin corou ainda mais.
-Eu realmente não devia ter insistido para que um caipira viesse para a nossa mesa... – eu falei, e foi a gota d’água para o garoto, que saiu da mesa às pressas, quase tropeçando em si mesmo enquanto tentava se distanciar de nós. Os garotos da mesa estavam quase rolando de rir, mas dizer aquilo me deixou mal. Eu sempre fui um vagabundo, mas eu nunca fui arrogante e prepotente, aquilo só tinha saído de minha boca como uma brincadeira. Infelizmente deixei a brincadeira ir longe demais.
-Cara, você pegou pesado com o novato agora. – falou Henry, que enxugava as lágrimas enquanto respirava fundo para não rir mais.
-Eu sei. Vou me desculpar com ele. – falei, começando a levantar, mas então Henry me segurou no lugar.
-Não vá agora, vai perder a credibilidade com os caras. – ele falou, e então eu relaxei no lugar, na hora da saída eu pediria desculpas ao garoto. Eu não queria ser culpado por esse garoto parar de ir à escola ou virar um assassino em série por raiva.
Quando as aulas finalmente terminaram, eu fui o primeiro a sair da sala, fiquei no corredor olhando enquanto todos os alunos passavam, procurando o garoto com os olhos. Não o vi, o último aluno do terceiro ano passou e nada do garoto. Fui procurar no banheiro mais próximo, e então o encontrei.
-Você... – ele falou baixo quando virou e me viu.
-Eu... Bem... Me desculpe pelo que eu disse mais cedo, não sei o que deu em mim, eu não sou de falar aquilo para as pessoas, mas eu não sei por que... – eu falei, despejando tudo o que estava em minha cabeça antes de pensar se alguma coisa fazia sentido no que eu falava.
-Sabe, realmente fiquei chateado pelo que você falou, mas fiquei muito mais chateado por não ter me reconhecido. Eu o reconheci no mesmo instante em que te vi. – ele falou, parecendo realmente chateado. Eu olhei para o rosto do garoto, confuso. Por que eu teria de reconhecê-lo? Por acaso eu o conhecia? Ele não se parecia com ninguém que eu me lembrasse. A franja tampando os olhos e os óculos também não ajudavam em nada no reconhecimento. –Você ainda não sabe quem eu sou... – ele riu amargamente. –Muito prazer, Cho Kyuhyun. Lee Sungmin.
Notas finais
Por favor, se você gostou, pare um pouco e deixe uma review, eu vou amaaar *-*
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