Apenas uma noite
7 Capítulo 6: Terceiro Dia
Notas iniciais
Eu sempre lembraria do meu senhor misterioso.
(...)
Senti o leve roçar de lábios em minhas costas nuas e eles iam subindo até meu pescoço. Suspirei.
— Bom Dia princesa — sussurrou.
Abri meus olhos fitando seus belos olhos verdes.
— Bom Dia Senhor Misterioso, pode me dizer que horas são?
— Hum...são 5:00 da manhã — ele respondeu, e riu de meu resmungo matinal.
— Estou te acordando porque preciso ir para casa, tenho que ir pro hospital e só saio ás 20:00 — fez um biquinho que me fez se derreter.
— Own...não vamos nos encontrar hoje então? — fiz um biquinho também.
— Que tal se jantássemos? — perguntou.
— Hum, ótimo, mas...prefiro que fosse aqui..
— Aqui? – ele arregalou seus olhos intensos.
— Sim, eu peço no restaurante daqui e nós...jantamos aqui no quarto..- respondi.
— Hum, parece bom – sorriu aquele sorriso que me derretia por completo.
— Vou sentir sua falta — respondi acariciando seu rosto de anjo.
— Eu também — deu-me um sorriso triste e me beijou.
Agarrei-me a ele aproveitando esse tempo juntos.
— Hum, se eu pudesse ficava nessa cama contigo...- disse
— Eu adoraria — ri.
— Infelizmente tenho que ir. — ele se levantou e percebi que já estava vestido. Apoiei-me no cotovelo e o olhei.
— Até mais tarde então, senhor gostoso...- disse e ri
— Não era misterioso?
— Gostoso e misterioso...- disse e ele sorriu malicioso
— Gostosa é você. -disse ao passar seu olhar por meu corpo. Olhei-me e percebi que o lençol não estava cobrindo meus seios.
— Opa...- ri e me cobri mordendo os lábios.
— Melhor eu ir antes que te agarre aqui!- Veio até mim e me deu um selinho.
— Adeus princesa.
— Adeus...- disse e ele sorriu e se foi.
Quando a porta foi fechada, cai na cama e olhei para o teto. Surpreendente, cheguei faz três dias e tudo havia mudado em questão de segundos. Eu não tomei a decisão errada quando o escolhei para ser minha loucura.
Suspirei e fui tomar banho, o sono já tinha ido embora.
(...)
Sai do hotel as 10:00 horas rumo ao Shopping que tinha visitado com meu senhor misterioso. Eu realmente não era muito fã de Shopping, mas tinha prometido levar presentes e aposto que Alice iria me cobrar isso.
Caminhei pelas lojas e foi inevitável não parar numa vitrine de um loja que bebês. Era tão lindo o sapatinho rosa que tinha ali. Peguei-me pensando quando poderia comprar um. Certo que eu era muito nova para ter bebes e estava fora de cogitação ter um agora, mas meu instinto maternal estava me impulsionando a admirar os sapatinhos. Balancei a cabeça e continuei a andar pelo shopping comprando os presentes.
Depois de comprar tudo, fui para a praça de alimentação almoçar. Fiz o pedido, deixei meus pensamentos vagarem para qualquer lugar...quer dizer, alguém. Era incrível a forma como meu corpo, meu coração, meu cérebro respondia a ele. Talvez eu estivesse deixando as coisas irem longe de mais...Talvez eu devesse terminar com isso antes de voltar, eu não poderia, chamas, ter nenhum tipo de ...sentimento por ele. Eu iria embora dali a uns dias e nunca mais nos veríamos.
Doía pensar nisso, talvez eu simplesmente pudesse dizer meu nome, saber o dele, e deixar que esse relacionamento atravessasse as fronteiras.
São fronteiras, sim, como eu poderia ? Como nós poderíamos dar certo quando ele mora tão longe ? Ele não iria todo final de semana para Nova York e ...
— Seu pedido senhorita — disse a garçonete e me entregou o sanduíche e a água com gás que tinha pedido.
— Obrigada — respondi.
Balancei a cabeça para afastar os pensamentos ruins e me concentrei no lanche.
(...)
Tinha acabado de chegar e após tomar um banho, liguei para a recepção e fiz o pedido de um jantar bem ..romântico para ás 21:00. Enquanto esperava, liguei o notebook e conferi meus emails, nada de Alice. Como eu iria procurar o irmão dela se ela não me passasse o endereço ?! Talvez ele já tenha dado noticias . Desliguei o notebook e coloquei meu telefone para despertar ás 20:00 horas e fui dormir um pouco para relaxar.
Acordei com o telefone berrando e rumei para outro banho. Sai enrolada na toalha e peguei o vestido vermelho que Alice fizera questão que eu trouxesse, como ela mesmo disse " Aposto que vai usa-lo em alguma ocasião especial, vai por mim" As vezes achava que Alice previa o futuro.
Sequei o cabelo no secador e fiz uma maquiagem leve. Logo ouvi duas batidas na porta, abri e dois garçons entraram com o jantar e foram arrumar na mesa. Esperei que terminassem e agradeci lhes dando uma gorjeta. Agora era só esperar ele chegar...Ele..
Meu coração já acelera em expectativa.
Os minutos se passaram e enfim deu 21:00 horas. Sorri em antecipação e 15 minutos depois duas batidas na porta. Sorri e caminhei até lá e abri.
— Olá Senhor Misterioso — respondi quando abri e fitei seus olhos. Ele usava uma camiseta preta igual a que usava quando nos encontramos, calças jeans e tênis.
— Uau — disse e sorri — Você...está linda
— Você também — ele sorriu e entrou, já enlaçando minha cintura e me beijando.
Derreti-me completamente em seus braços e minhas mãos migraram para seus cabelos macios. Ele gemeu e me afastei.
— Depois — ri e me virei para a mesa.- Vamos jantar
— Nossa, com certeza é melhor que ir a um restaurante — disse e eu ri.
— Vem- chamei e ele veio. Puxei a cadeira para mim e me sentei, logo sentou a minha frente e me deu aquele sorriso torto de sempre.
— Posso?- perguntou apontando para a garrafa de vinho.
— Claro — sorri e ele pegou a garrafa e a abriu nos servindo. Destampei a comida que estava no carrinho que os garçons deixaram e nos servi também.
— Sabe...eu..- ele começou, meio gaguejando, estava tenso.
— Sim?
— Queria te perguntar uma coisa...- disse.
— Pergunte.
— Você, ahn...tem...alguém em Nova York ? Não quero que se sinta ofendida, eu...
— Não, não tenho – respondi rapidamente e segura.
— Ahn — seus olhos brilharam e eu corei.
— Você tem? — rebati
— O que?
— Alguém, aqui..?
— Não, eu...não. — respondeu. — Eu realmente gostei de te conhecer e queria que não fosse embora.
— Bom, eu também não queria ir, mas...- ri
— Já que sou sua loucura, isso quer dizer que não nos veremos de novo certo? — perguntou e bebericou seu vinho.
Fiquei em silêncio remoendo sua pergunta.
— Não sei.- respondi sinceramente e comecei a comer.
— Hum.- sentia a tristeza dele em mim, como se ela morasse em mim.
Os minutos se arrastaram e o silêncio permaneceu. Terminamos a refeição e ele nos serviu mais vinho.
— Você tem irmãos? — ele perguntou do nada.
— Se um amiga se pode chamar de irmã, sim — ri me lembrando da “anã”.
— Minha irmã é muito louca — ele disse.
— Minha amiga-irmã também é muito louca — ri
— Mas é uma pessoa adorável e sinto falta dela as vezes — confessou
— Ela mora em Nova York? — perguntei bebendo do vinho,
— Sim, ela é estilista — explicou-me
— Oh, minha amiga também.- disse
Ele apenas ficou me fitando e eu abaixei o olhar. Vi quando se levantou e estendeu a mão para mim. O olhei e peguei me levantando.
Ficamos simplesmente assim, nos olhando marcando um ao outro em nossas memórias. Registrando os detalhes, o calor, a emoção um do outro.
— Eu....- começou
— Você..?
Silêncio.
— Eu...gosto muito de você...- disse e acariciou meu rosto.
— Eu também gosto...muito de você — sussurrei e ele colocou nossas testas.
— Loucura — suspirou
— Sim, loucura...- disse enlaçando seu pescoço.
— Mas eu gosto...- beijou a ponte do meu nariz.
-Eu também....- sussurrei de volta.
Ele enlaçou minha cintura e me beijou calmo, fraterno. O gosto do vinho em seus lábios só aguçou meu corpo a continuar, a deseja-lo, a querê-lo, .a...ama-lo..
Não, eu não podia.
Simplesmente não podia me apaixonar por ele.
Ou podia ?
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