Apenas uma Potterhead
20 Shattered
Notas iniciais
Capítulo 19 — Destruído
And finding answers is forgetting
All of the questions we call home
Passing the graves of the unknown
—Shattered (Trading Yesterday)
POV Lyra
Depois que Alvo saiu da enfermaria, Madame Pomfrey me deu uma poção para que eu dormisse e assim, eu o fiz. Meus olhos se fecharam em questão de segundos, parecia que tudo o que havia acontecido nas últimas horas tinha sido só um sonho, os sintomas que eu sentia não eram os mesmos, somente minhas pálpebras que pareciam pesar, de novo, uma tonelada e eu realmente sentia medo de que tudo tivesse sido apenas um sonho. Mas quando abri os olhos, dessa vez mais facilmente, percebi que tudo tinha sido real, pois a bandeja que Alvo havia trago ainda estava ali. Me ajeitei na maca em que me encontrava e me espreguicei. Madame Pomfrey sai de sua sala e vem ao meu encontro.
—Bom dia, Srtª Gryffindor. – Ela me diz, colocando em um pequeno copo mais uma dose de poção. – Que bom que já está acordada, eu já iria te acordar, já está liberada para voltar às suas atividades, só tome essa poção antes.
—Bom dia, Madame Pomfrey. – Retribui a gentileza dela e peguei o copo, bebendo, de uma vez, todo o conteúdo dentro. – Obrigada.
Ela acena a cabeça em resposta e toma o copo de minha mão, vendo que eu já havia bebido. Me levanto da maca, sentindo um pouco de tontura por ter feito isso rapidamente, firmo meus pés no chão e sigo para a saída da enfermaria.
Por sorte, eu havia acordado bem cedo, então só faltava alguns minutos para o café da manhã começar. Passei pelos corredores necessários para chegar na entrada do Salão Comunal da Lufa-Lufa, fiz o procedimento preciso para abrir a passagem de entrada e segui em frente, no caminho para os dormitórios fui parabenizada por todos que passavam por mim, eu agradecia e continuava meu caminho, quando finalmente cheguei no quarto em que compartilhava com Evy e Ruby, entrei e as duas estavam em sentadas no chão conversando, a morena e a loira olharam em minha direção e sorriram, vindo me abraçar.
—Que bom que já está melhor, Lyra! – Evy me abraçou primeiro, quase esmagando minhas costelas.
—Se você não quiser que eu volte para a enfermaria, então não quebre minhas costelas. – Imponho, rindo dela.
—Diga o que quiser, mas Evy Rushman sabe ser uma pessoa violenta, até mesmo quando está feliz. – Ruby zoa Evy e me abraça também.
—Como foi a festa ontem à noite? – Questiono e vou até a cômoda, onde guardo minhas roupas, e pego algo confortável para vestir.
—Nunca vi a Lufa-Lufa comemorar tanto. – Ruby comenta e se joga na cama, espalhando seu cabelo nela.
—Foi bem legal. – Evy complementa. – Colocaram música e com a permissão do professor Longbottom, trouxeram cerveja amanteigada de Hogsmeade de algum jeito.
—Acham que sobrou cerveja amanteigada? Já estou com saudades. – Fiz um biquinho, sendo dramática.
—Pouco provável. – Ruby me responde. – Foi confirmado pro próximo sábado, um passeio para Hogsmeade, aí você mata sua saudade.
Assenti positivamente com a cabeça e me dirigi ao banheiro, onde fiz minhas higienes e tomei um longo banho, aproveitando para pensar sobre a noite passada com Alvo, quando ele tomou meu rosto em suas mãos e me encarou profundamente com seus olhos verdes, instantaneamente corei, fechei minhas mãos em uma concha e deixei encher de água, jogando no meu rosto depois. Quando terminei o banho, me sequei e coloquei a roupa que havia pego, saindo do quarto e acompanhando as meninas para fora do Salão Comunal lufano. Como era domingo todos estavam vestidos com roupas normais ao invés do uniforme que usávamos durante todo o resto da semana. Andando pelos corredores em direção ao Salão Principal respirei fundo, minha atenção foi chamada por um dos meus companheiros de time, que apressou os passos para chegar ao meu lado.
—Que bom que está melhor. – Lincon diz abrindo um sorriso e enfia a mão dentro do sobretudo que usava, tirando de dentro uma garrafa de cerveja amanteigada. – Havia prometido pra você que iriamos guardar algo da festa de ontem, não é muito, mas é o que consegui tirar das mãos dos meninos antes que bebessem tudo.
—Muito obrigada, Lincon. – Retribuí o sorriso e peguei a garrafa que ele me oferecia. – Estava doida para beber cerveja amanteigada de novo.
—Não é nada. – Ele passa a mão por seus curtos cabelos e acena. – Bom, já vou indo, tenho umas coisas para fazer.
Quando ele saiu de vista eu, Evy e Ruby voltamos a fazer nosso caminho para o Salão Principal, eu jogava na cara delas que agora poderia beber cerveja amanteigada antes do próximo passeio à Hogsmeade. Entrando no gigante salão, nos dirigimos até a mesa da Lufa-Lufa e nos sentamos perto de Nico e tomamos nosso café da manhã calmamente, conversávamos sobre o jogo quando Rafa chega e se senta junto de nós cumprimentando a todos, e se inclinando para pegar um pedaço de pão.
—Lyra, adivinha o que. – Rafa me diz, mordendo o pedaço de massa e arqueando as sobrancelhas para mim.
—Já faz muito tempo que não tento mais adivinhar as coisas que você me pede. – Respondo de forma irônica. – Desembucha.
—Você-sabe-quem está lançando um novo livro. – Ele me conta de forma alegre, quase pulando no lugar.
—Não sabia que Voldemort escrevia livros. – Dou um breve comentário, fazendo com que os outros rissem e Rafa me olhasse com uma cara entediada.
—Puxa, por que não é comediante? Ia ganhar bastante dinheiro. – Ele retruca e lambe os lábios, levo um copo com leite até minha boca. – É sobre os filhos dele.
Quando o loiro ao meu lado terminou sua fala, pude sentir minha garganta se fechando e voltei o líquido ao copo, tossindo e o encarando com meus olhos arregalados, assustei Evy, Rube e Nico com minhas ações e tentei me acalmar, respirando fundo.
—Por favor, não me diz que isso é uma brincadeira sua. – Ele nega com a cabeça. – Como você sabe?
—Minha mãe. Ela mandou uma carta. – Ele tira uma carta de seu bolso traseiro da calça e me entrega. – Ela viu numa vitrine e comprou para mim, não conseguiu se conter e acabou lendo. Não disse como era e nem nada, mas disse que tinha viagem no tempo e o foco era o seu marido.
—Marido? – A voz de Evy se fez presente, chamando a atenção dos dois potterheads. – Viagem no tempo? Do que vocês estão falando?
—Ahnn... Nada muito importante, realmente. São só livros trouxas. – Rafa responde, percebendo seu erro ao falar sobre o assunto no Salão Principal.
—Espera. – Nico também se intromete. – Vocês não estão falando justamente dos livros que eu estou pensando, estão? – Eu e Rafa nos entreolhamos e encaramos o garoto ao nosso lado.
—Você conhece? – Perguntamos em sincronia.
—Meu pai trabalha na editora de livros pelo qual ela publica. Ele diz que não é realmente um livro, é um roteiro de peça de teatro. Tem uma peça de teatro também. A Londres trouxa inteira foi à loucura com isso. – Nico explica, parecendo confirmar para si mesmo que era mesmo sobre os livros de Harry Potter que falávamos. – Vocês são sortudos, de todas as pessoas pelo mundo, logo vocês.
—Eu não imaginava que você conhecia. – Eu digo perplexa.
—Tomem cuidado falando sobre isso por aí, talvez alguém possa acabar descobrindo sobre seu marido, Lyra. – Nico fala, abrindo um sorriso provocador. – Agora sei porque Rafa te provoca tanto quando está perto dele.
—Oh meu Merlin, você também não. – Exclamo, arrancando gargalhadas dos dois meninos e expressões confusas das garotas. – Quer saber, eu vou é ir fazer os deveres extras que o professor Lupin passou para mim, Rafa, você também deveria fazer isso, vou embora daqui antes que as provocações fiquem piores.
—Elas vão ficar piores de qualquer jeito, minha querida amiga, eu não tô mais sozinho para te provocar. – Rafael me avisa acompanhando Nico com seu sorriso provocador. – Mal posso esperar pro casamento.
—Você fique quieto, seu casamento com um certo alguém vai ser primeiro do que o meu. – Retribuo a provocação direcionando meu olhar para a mesa da Grifinória onde Roxy se encontrava, brigando com o irmão. – Ou você vai estar morto antes do tempo, não sei se o irmão dela vai ficar feliz com o pretendente que ela tem.
Levanto da mesa e me despeço dos outros, indo para o Salão Comunal. Professor Lupin acabou ficando encarregado de me ensinar tudo o que perdi nos anos em que não frequentei Hogwarts, e o professor de feitiços ficou encarregado de Rafael, no começo me senti mal por ter que aumentar o trabalho de Teddy, mas ele me acalmou e disse que adorava me dar lições, assim como adorava dar aula, então eu não seria nenhum empecilho para ele. Com todas as nossas aulas acabamos nos tornando um pouco próximos e sempre acabávamos brincando durante o tempo de ensinamento. Fico feliz de ver que ele leva sua vida de forma tão leve, com tudo que já aconteceu com ele quando era apenas uma criança, eu sei o que ele passou e não é algo muito legal. Enquanto eu faço as tarefas que ele me passa, ele me conta algumas coisas sobre sua vida e histórias que já ouviu por aí. Foi em um desses momentos que ele me contou que estava namorando Victoire Weasley, não que eu já não soubesse, mas saber de tudo sobre o ponto de vista dele acabava sendo mais interessante.
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As tentativas completamente falhas de concretizar o feitiço frustravam a ruiva, o máximo que havia conseguido fazer com que aparecesse foi um pequeno e fino fio prateado, que desapareceu em rápidos segundos. Ela abaixa a varinha com frustação e se senta em um degrau, bufando e fechando seus olhos castanhos, apoiando a cabeça em suas mãos.
Teddy se aproxima da garota e se senta ao lado dela, bagunçando seus próprios cabelos, que se encontravam azuis, como na maioria das vezes. Os dois ficaram naquela posição durante um tempo, apenas suas respirações podiam ser ouvidas no local, uma sala de aula vazia, que usavam para sua aula “particular”.
—Eu não vou conseguir, nunca. – A mais nova é a primeira a se manifestar, chamando a atenção do professor. – Por mais que eu tente, nada parece ser forte o bastante. Eu já pensei em tudo, nos momentos com Rafa, eventos que já fui, até quando eu li ‘Harry Potter’ pela primeira vez e mesmo que tenha sido a melhor tentativa, não foi suficiente. Até os momentos aqui em Hogwarts.
—Não precisa ficar tão frustrada, é apenas um feitiço no meio de tantos outros executados com perfeição por você. – Teddy fala calmamente, gesticulando com as mãos. – Alguns bruxos levam anos para fazer o pouco que você fez...
—E um menino de treze anos consegue o conjurar perfeitamente.
—Em uma situação de extrema necessidade. – O mais velho retruca, a observando. – Se o seu medo é de não ser boa o bastante, saiba que...
—Não é isso. – Ela o interrompe novamente e suspira longamente. – Desculpe, mas é que... todos os outros conseguiram, nem que fosse um mero escudo. Rafa, Rose e os outros conseguiram conjurar perfeitamente, enquanto eu não consegui nem o mínimo que me ajudaria em uma situação de necessidade.
—Não se preocupe com isso, com mais prática logo você consegue, só não deixe que seus medos tomem conta de você, deixar com que o medo de nunca alcançar os seus amigos em algo, não é muito saudável, em nenhum sentido. – Teddy fala solenemente, encarando a menor ao seu lado. – Você está muito avoada hoje, talvez isso esteja te atrapalhando, o que foi?
—É só que... nesses últimos dias eu andei pensando... – A ruiva passa a mão pelo rosto e coloca seu cabelo atrás de sua orelha. – Sobre meus pais. E se... eu estivesse lá, quando o assalto aconteceu? E sem querer fizesse alguma mágica acidental e os salvasse? Ou sei lá, se eu estivesse lá algo teria acontecido de diferente. E... eu sinto como se... não conseguindo conjurar o Patrono, é como se eu não fosse forte o suficiente para eles.
—Ei. – Ele chama a atenção dela e a olha seriamente. – Você é forte o suficiente. Sei que pode não estar se sentindo assim agora, mas eu sei como é, querer orgulhar alguém que nunca esteve realmente aqui. Mas eu aprendi que se você não pode fazer algo para as outras pessoas, faça para si mesmo. Não pense neles dessa forma, que eles não se orgulhariam de você, afinal, você não sabe. Faça algo para se orgulhar, não para mostrar aos outros.
Lyra afirma com a cabeça e Lupin apoia a mão na perna dela, levantando logo em seguida, a liberando e informando-lhe da próxima aula. A garota se levanta também e pega sua mochila, que se encontrava jogada ao lado de uma das mesas vazias, apoiando-a em seu ombro esquerdo e guardando sua varinha em um bolso especial de seu uniforme.
Saindo da sala, ela se dirige a um corredor mais movimentado, sendo rodeada pelas vozes altas e conversas, junto com os corpos dos alunos se direcionando às suas aulas. Ás vezes ela acabava esbarrando nos colegas, mas estava tão absorta em seus pensamentos que sequer se desculpava ou esboçava alguma reação. Sua atenção é chamada por Rafael, que grita seu nome, chegando perto dela e colocando um braço ao redor dos ombros da menina.
—Como foi a aula com o professor Lupin? – Ele pergunta, olhando ao redor.
—Como sempre, Rafa. – Ela sorri para ele. – Aprendi alguns feitiços de proteção e tal...
—Hm... estamos no mesmo nível então.
—Acho que sim, não teria uma razão para estarmos em níveis diferentes. – Ela olha para ele.
—Você sempre é melhor que eu em tudo, achei que avançaria mais rápido. – Ele explica, dando de ombros. – Mas, olha... Eu andei pensando no seu nome, sobrenome, para ser mais específico.
—Rafa! Já disse pra não se preocupar com isso, okay? – Lyra diz, se lembrando de algumas vezes em que o amigo trazia esse assunto à tona.
—Só me escuta, tá bem? – Ele olha ao redor e puxa ela para a lateral do corredor. – Eu dei uma pesquisada, em documentos daqui de Hogwarts, ainda não tive tempo de olhar nos de fora, mas...
—Rafa, não. Tá bom? Não. Esquece isso. – Lyra diz, duramente. Olhando séria para o menino. Ele se cala e olha desapontado e desacreditado para ela.
—Mas você sempre quis saber sobre seus pais, sua família, e sua tia nunca deixou. – Ele gesticula com os braços. – E agora que você pode e tem recursos para saber sobre ele e o resto da sua família, você não quer mais saber disso?
—É, Rafa. – Ela responde, seca, e respirando fundo, podendo sentir raiva apoderar a si mesma, com a insistência do amigo. Podia ver o corredor começando a se esvaziar, indicando que o tempo para ir à aula estava se esgotando. Ela dá as costas para Rafael e começa a andar.
—Por que está assim, Lyra? Com medo? – Ele pergunta confuso, começando a andar atrás dela. – É por causa do que minha mãe disse naquela outra carta sobre o livro? Sobre Belatriz...
—Rafael, chega! – Lyra exclama, parando de andar e encara Rafael, com raiva exibida nos olhos. – Só fique quieto!
—Lyra, você realmente acha que pode ser filha-
Rafael é impedido de continuar sua pergunta por um alto barulho, ele posiciona as mãos na frente do rosto, por reflexo, e sente coisas pontudas o atingindo. Depois de muito estardalhaço, com o som de algo caindo no chão, ele olhou preocupado para Lyra, vendo-a abaixando os braços, também, e a raiva sumindo de seus olhos, dando lugar à confusão e medo.
Se virando e balançando os braços, ouve sons de coisas atingindo o chão, percebendo serem cacos de vidro, que caíram de sua roupa. A grande vidraça da outra lateral do corredor havia se quebrado, despedaçado, como se alguém houvesse lançado algo contra ela, mas observando, não havia nem um objeto que poderia ter sido arremessado. Ele volta seu olhar para Lyra e percebe alguns alunos que estavam mais à frente do corredor voltando e olhando para eles, assim como outros saiam das salas, procurando saber do que aconteceu.
—V-Você tá bem, Lyra? – Ele pergunta, gaguejando, se aproximando dela e ela apenas acena positivamente com a cabeça, olhando para suas próprias mãos, que tremiam. Logo, alguns professores se aproximam dos dois, perguntando o que havia acontecido, e afastando os outros alunos. – N-Não sei, professores. – Rafa olha para o professor Lupin, que chegara correndo no momento. – Só estávamos conversando e.... – ele olha para Lyra, preocupado.
—Tudo bem. – Lupin olha para Lyra, preocupado e desconfiado, e volta seu olhar para os outros alunos e professores. – Por favor, retornem às suas classes. Lyra, Rafael, me acompanhem, por gentileza.
Rafael apenas acena com a cabeça e observa Lyra, segurando seu braço, levemente, e a guiando atrás de Lupin. Durante um tempo, Rafael não pensava nada, estava apenas surpreso com tudo o que aconteceu, ele balança a cabeça, tentando se concentrar em algo e percebe que o caminho que percorrem é o caminho para a sala da diretora Minerva.
—Sobre o que conversavam? – Lupin pergunta, simplista, os olhando de canto de olho.
—É... um assunto delicado, professor Lupin. – Rafael responde baixo e observa o mais velho acenar com a cabeça, compreensivamente.
—Lyra? – Lupin a chama, parando de andar, logo à frente da entrada para a sala da diretora. – Parece meio abalada, está tudo bem?
Lyra apenas acena positivamente com a cabeça, e entra na sala, seguida dos outros dois. A diretora levanta o olhar dos pergaminhos que preenchia e se levanta de sua cadeira, olhando curiosa para os dois adolescentes e para o professor que haviam entrado.
—No que posso ajudá-los? – Ela pergunta, calma.
—Diretora Minerva, uma situação curiosa acabou de acontecer em um dos corredores. – Lupin responde e explica o que havia acontecido. – Os dois aqui, parecem terem sido os alvos, ou até a causa de tal.
—Mas, professor! – Rafael fala alto, parecendo incrédulo. – Não fizemos aquilo, juro, sequer há razão para tal!
—Não estou os culpando, senhor Collins. – O professor faz um sinal com a mão. – Situações como essas podem ser provocadas involuntariamente, se não for pedir muito, podem nos explicar sobre o que conversavam?
Rafael umedece os lábios e olha para Lyra, procurando por permissão, com o olhar, e a menina apenas assente, suspirando.
—Eu ando curioso. – Ele começa, encarando os mais velhos na sala e encontrado o olhar com a pintura de Dumbledore, na parte de trás da sala. – Sobre os pais de Lyra, e comecei a procurar sobre eles, nos documentos liberados daqui de Hogwarts, mas... Lyra não quer que eu faça isso, eu estava comentando e....
—Eu fiquei com raiva, professores. – Lyra interrompe o amigo, terminando a fala. Os mais velhos trocam olhares e voltam a encarar os mais novos.
—Isso nos parece ser um caso até frequente, não nessa proporção, mas frequente, pequenos casos assim acontecem com os primeiranistas o tempo todo. – Minerva fala, solene. – É compreensível, senhorita Gryffindor, que isso possa ter sido um caso de magia acidental.
—Nenhum dos dois tem muito treino com a magia, e ela não foi condicionada do jeito como deveria, com vocês, para que a magia em vocês, se posso dizer assim, entre em descontrole junto com grandes emoções é normal. – Lupin complementa.
—Tal acontecimento já deve ter sido revertido por algum professor presente no local, mas é de nosso consentimento de que alunos poderiam ter saídos feridos de lá. – Minerva toma a palavra, andando calmamente pela sala. – Mesmo que tenha sido um caso de magia acidental, por serem quintanistas, não poderia deixá-los sem uma punição, colegas poderiam ter se machucado, como já disse, espero que entendam isso.
—Entendo completamente, diretora Minerva. – Lyra responde, levantando a cabeça. – Mas peço para que a punição seja só minha, afinal, o acidente foi provocado por mim.
—Lyra, você não tem que fazer isso, a culpa é minha também. – Rafa tenta contradizer, mas Lyra olha para ele, suplicante, fazendo-o suspirar. – Tudo bem.
—Muito bem. – Minerva suspira, se sentando em sua cadeira. – Como foi algo acidental, não tirarei pontos de sua casa, senhorita Gryffindor. Fará companhia à Hagrid, essa noite, ele terá de fazer uma visita à Floresta Proibida. Tome cuidado, sim?
—Tomarei, diretora. – Lyra diz. – Podemos ir para nossas aulas, agora?
—À vontade. – A diretora acena com a mão e olha com solidariedade para a menina.
Lupin decide ficar na sala, para conversar com Minerva, enquanto Rafael e Lyra saem e andam até suas salas, sem se falarem, há muito tempo que um silêncio desconfortável como esse não acontecia entre os dois. Rafael encara a amiga, suspirando e apoia a mão no ombro dela, antes que ela entrasse na aula de poções.
—Me desculpe. – Ele sussurra, olhando para baixo. – Eu só queria te ajudar com isso.
—Eu não quero ajuda com isso, Rafa. – Ela retruca, falando baixo e tira a mão dele de seu ombro, abrindo a porta da sala de poções.
—Se serve de alguma coisa, eu não acho que você seja filha dela, e você sabe disso, porque tem provas. – Ele diz, antes que ela o encarasse, fechando a porta, os separando.
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