Notas iniciais
voltei não morri tá aí o final espero que gostem etc

Viola's P.O.V.

Eu não queria machucar ninguém, mesmo!

Eu só queria ficar com a Anne...

Mas agora, estamos aqui.

Com o mundo acabando, e é tudo culpa minha.

O que Elen iria fazer?

— O que eu faço, Anne? — perguntou Elen.

Um enorme relâmpago iluminou o céu.

— E eu que sei, Elen? — retrucou Anne. — Agora estou mais confusa que antes! Você só pode usar isso aí uma vez, mas se você errar alguma coisa todo mundo morre.

— Você sabe usar isso, Ellen? — perguntou Elen.

— O gerador de portais? Claro que sei — respondeu Ellen. — Gwen me explicou como usa essa coisa. Passa esse teclado pra cá.

Ellen pegou o teclado e escolheu a opção usar. Então, apareceu uma outra pergunta, "qual é a maneira correta de X esse item?" Havia cinco respostas, todas eram "XXXX". Ellen escolheu a opção do meio, e então tudo ficou escuro. As velas apagaram. Não havia uma luz sequer.

— Anne? Elen? Ellen, vocês estão aí? — chamei.

— Estamos aqui, Viola, não se preocupe — respondeu Anne, segurando minha mão.

De repente, tive uma sensação de estar sendo sugada. Segundos depois, estava naquele gramado seco e enorme onde Gwen tinha aberto o portal.

— Nós... voltamos? — perguntei.

— Sim — respondeu Gwen. — Mas isso não muda o fato de que o Universo está sendo destruído. Só há uma coisa a ser feita para consertar isso, e nós temos pouco tempo.

— E o que é essa coisa? — quis saber Elen.

— O julgamento.

Um julgamento.

Nunca pensei que fosse participar de um desses.

Só resta saber, quem será o réu?

— Um julgamento... pra julgar quem? — perguntou Elen.

— Viola — respondeu Gwen.

Narrator's P.O.V.

Todas olharam para a loira. Esta estava com uma cara de aterrorizada, como se já tivesse sido condenada à pena de morte.

— A-A Viola vai ser julgada...!? — indagou Anne.

— Foi ela quem desobedeceu as regras primeiro. Ela é a culpada.

— Mas... m-m-mas... — ela gaguejava.

— Não se preocupem, tudo vai dar certo... se Merion colaborar.

E então, tudo ficou escuro. Nem as velas que Ellen conjurava surtiam efeito.

Quando a luz retornou, estavam em um tribunal.

Mas não era um tribunal qualquer.

Era como se estivessem no espaço, o céu escuro cheio de estrelas, em uma ilha flutuante no meio do nada. Era o tribunal intergalático. Elen, Anne e Ellen estavam no lugar das testemunhas, Gwen (agora com uma gravata-borboleta verde-limão) era a advogada de defesa e Viola estava ao seu lado esquerdo, desesperada. Havia também muitas pessoas atrás delas, pessoas e outros seres de vários mundos diferentes. O júri.

— Ordem no tribunal!

O juiz era um homem gigante, com os braços musculosos tatuados à mostra e nada parecido com um juiz. Assim que ele bateu o martelo, todos imediatamente pararam de falar.

— Estamos aqui com Viola, de The Witch's House, acusada de causar o desequilíbrio entre os mundos...

— Gente, o que tá acontecendo!? — exclamou Anne.

— Esse é o tribunal intergalático — explicou Gwen. — Todos os julgamentos entre mundos são feitos aqui, quando uma pessoa comete um crime desse porte.

— Isso é loucura! — gritou Elen.

— Causar o desequilíbrio entre os mundos é um crime tão grave assim? — perguntou Ellen.

— O equilíbrio deve ser mantido custe o que custar — disse Gwen.

Um homem levantou-se do seu lugar. Usava roupas bem mais apropriadas a um tribunal — terno preto e calça social — e óculos redondos de fundo de garrafa.

— Todos nós sabemos como funcionam os portais. São aberturas no espaço capazes de...

— E esse aí, quem é? — indagou Elen.

— O advogado de ataque. Ele vai fazer de tudo para que Viola seja condenada.

— Não devia ser... advogado de acusação? Ou promotor? — questionou Ellen.

— Isso aqui é um julgamento intergalático. Não espere que seja como no mundo real.

— Sempre achei que advogado de "ataque" fazia mais sentido — comentou Elen.

Viola estava completamente encolhida em sua cadeira, com as mãos nos ouvidos e tremendo, com certeza chorando.

— A Viola não merece isso! — Anne bateu na mesa, levantou-se da cadeira e protestou, interrompendo o advogado.

Gwen rapidamente puxou-a de volta para a cadeira, repreendendo-a:

— Não faça isso de novo.

— Mas isso é injusto! — exclamou Anne.

— Todos os mundos derivaram do mundo real, por isso devemos respeitá-lo. Se ele for destruído, todos os outros mundos eventualmente acabarão. De acordo com o artigo 1, parágrafo 6, apenas pessoas que vieram do mundo real e a guardiã dos portais podem transitar livremente entre eles. Com isso, eu pergunto... Viola, como a senhorita se declara?

— E-Eu sei que eu fiz besteira — disse Viola, ainda tremendo. — M-Mas eu prometo que eu não vou fazer isso de novo! Eu juro!

— Ela admite o crime! — exclamou o advogado. — Podemos considerá-la culpada e-

— Protesto! — gritou Gwen. — Que raio de julgamento é esse? Faz as perguntas direito!

— Ah, e daí, cara?

— Meritíssimo!

— Gwen tem razão, Markus — disse o juiz.

O advogado de ataque revirou os olhos.

— Vamos começar a chamar as testemunhas — declarou o juiz. — Chamo aqui senhorita Anne, do mundo real.

Anne levantou-se de sua cadeira e foi até uma outra que ficava bem no centro do tribunal: a cadeira das testemunhas.

— Diga-me, Anne... — disse o advogado. — Você estava lá no momento do crime?

— É, eu tava, mas e daí? — retrucou Anne, com raiva. — Vocês não podem fazer isso com a Viola, ela sabe que fez besteira, mas não precisa fazer ela passar por isso!

O advogado de ataque pareceu ignorar tudo o que Anne falou.

— E você é o motivo pelo qual ela passou pelo portal.

— Sim, mas-

— Então, você é cúmplice dela?

— É-É... pode-se dizer que... tá, mas...

— Culpada!

— Espera, não!

— Tsc, tsc, tsc — Gwen levantou-se e foi até Markus. — Sempre acusando nossas testemunhas de cúmplices sem nem ao menos tentar interpretar o que elas querem dizer... me impressiona nosso meritíssimo te deixar nesse cargo.

Markus bufou e cruzou os braços.

— Muito bem, dona Anne — Gwen continuou. — Qual a sua relação com a senhorita Viola?

— Ela é... minha amiga.

— Então eu aposto que você a conhece bem.

— Conheço ela bem bem.

— Você acha que ela no mínimo machucaria alguém de propósito?

— Não mesmo! A minha Viola nunca machucaria ninguém!

— Ela... falou "minha Viola"? — questionou a loirinha.

— Falou — confirmou Ellen.

Suas bochechas coraram quase que instantaneamente, com um sorrisinho sem graça.

— Então suponho que ela também não atravessaria o portal para destruir o Universo de propósito?

— Não mesmo! Eu já disse, ela passou porque ela queria ficar comigo.

— Sem mais perguntas, meritíssimo.

— Próxima testemunha! — anunciou o juiz. — Senhorita Elen, do mundo real.

Anne voltou para o seu lugar.

— Olha só, Elen — chamou Anne. — Não é só porque você não gosta da Viola que você tem que depor contra ela.

— Eu vou falar a verdade, Anne — replicou Elen. — Ela sabe que é culpada.

Ela saiu do seu lugar sentou-se na cadeira onde antes estava Anne.

— Pois bem, senhorita. Qual a sua relação com nossa adorável ré? — inquiriu Markus.

— Ela é amiga da minha melhor amiga.

— Ela não é sua amiga?

— Se eu disser que não, a Anne me mata.

— Mato mesmo — comentou Anne.

— Você tava lá quando a nossa queridinha passou pelo portal?

— Eu passei antes. Só fiquei sabendo que ela fez essa burrice porque Anne me contou.

— Então, já que você passou antes, suponho que vai falar que não teve como impedir a pirralha? — indagou o advogado.

— Claro que não tive! — exclamou Elen.

— Mas sabia que Viola poderia fazer uma coisa dessas?

— Sabia.

— Então por que não disse, "alguém segura essa doida"?

— Agora a treta está começando a ficar interessante... — comentou o juiz.

O juiz colocou suas pernas sobre o balcão e reclinou sua cadeira, como se o julgamento fosse um filme.

— Aliás, por que ninguém pensou nisso? — indagou o advogado.

— Porque todo mundo tava triste demais com a despedida pra se preocupar com essa possibilidade! — retrucou Elen.

— Aw, estavam tristes com a despedida, boo hoo hoo!

Markus gargalhou.

— Até parece que nunca teve que se despedir de ninguém — refutou Gwen. — Senhorita Elen, me diga: o que você acha da dona Viola?

— Ela é burra. Tipo, muito mesmo.

— Chega disso, Elen! — gritou Anne, ficando de pé.

Elen deu um tapão na mesa, levantou-se da cadeira das testemunhas e apontou para Anne:

— Garota, cala a boca que isso é fato e você já aceitou isso!

— E você acha que isso é hora de insultar a pobrezinha da menina?

— Ordeeeeem! Ordem nessa joça! — o juiz bateu o martelo diversas vezes. — 'Cês tão achando que isso aqui é o quê? A casa da mãe Joana? Dona Anne, você fica na sua. Dona Elen, foque no seu testemunho.

— Obrigada, meritíssimo — agradeceu Gwen. — Então tá. Mesmo sabendo que nossa criminosinha é... "desprovida de inteligência", você acha que ela atravessaria o portal para o mundo real com o intento de destruir o Universo?

— Óbvio que não, a Viola não faria mal a uma mosca. Ela só foi porque ela queria ficar com a Anne.

— Sem mais perguntas, meritíssimo.

— Pode voltar ao seu lugar, senhorita Elen. Última testemunha! — bradou o gigante. — Senhorita Ellen, de The Witch's House.

As Elen's trocaram de lugar.

— Você é Elen também? — quis saber ele.

— Ellen com dois L, senhor — replicou a bruxinha. — Doutor, altíssimo, excelência, ou seja lá o que for que eu tenha que te chamar.

— Se você é de The Witch's House, assim como nossa adorável criminosa, suponho que não tenha passado pelo portal.

— Passei, sim.

O resto do tribunal soltou um suspiro de surpresa.

— O quê!? Você também?

— Mas foi por um bom motivo! Gwen era a única que sabia o que teríamos que fazer depois que Viola passou pelo portal, e eu era a única que poderia avisá-las. E já que não ia mudar nada, mesmo...

— Não ia mudar nada, ha! Essa é boa! Provavelmente foi você, mocinha, que fez tudo acontecer mais rápido, sabia disso? Gwen, você esqueceu de rever a listinha de regras antes de mandar a pirralha pra lá!

— Cala a boca, Markus! — mandou Gwen. — Quer entender mais de mundos do que eu? Claro que não ia mudar nada!

— Não ia mudar?! Se uma só pessoa já causa um desastre, imagine duas!

— Você está equivocado, senhor Triimer! A lógica não se aplica às regras entre mundos!

— Psiu! Calem a boca vocês dois! — ordenou o juiz, batendo o martelo. — Vocês parecem duas crianças, ninguém merece! Se bem que a Gwen é mesmo uma criancinha...

Todos riram.

— Pai! — retrucou Gwen.

— ... "pai"? — repetiram as testemunhas.

— Desculpa, Gwen, foi só uma brincadeira. — desculpou-se o gigante. — Mas você sabe que você sempre vai ser minha garotinha.

— É, explana isso em rede universal — Gwen cruzou os braços como uma criança emburrada.

— Enfim, prossigam com o julgamento!

O advogado respirou fundo, e continuou:

— Então, você passou pelo portal também, pra "ajudar" suas amiguinhas?

— Exatamente — respondeu Ellen. — Eu fui depois da Viola.

— Ah, então você estava lá pra impedi-la!

— Estava.

— E por que não fez isso?!

— Você já viu o meu tamanho e o tamanho dela? Eu tenho 7 anos!

— Você é muito espertinha pra quem tem só 7 anos.

— Tá, eu tenho, sim, alguns séculos de idade, mas o meu físico ainda é de criança!

— Dane-se. A Gwen tava lá, também. Nunca ouviu falar de trabalho em equipe?

— Já, sim. Mas já era tarde demais. Viola hesitou um pouco antes de entrar no portal, mas quando ela foi, aconteceu tudo tão rápido que não tivemos tempo de pará-la.

— E depois?

— Gwen me disse o que teríamos que fazer pra parar a catástrofe, e eu entrei no portal, também.

Markus bufou.

— Seu turno, Gwen — disse.

— Pois bem, senhorita Ellen — Gwen aproximou-se da bruxinha. — Sua relação com Viola?

— Amigas.

— E sua opinião sobre ela?

— Ela é um amor de pessoa. Mas, tadinha, burra que nem uma porta.

— Para de humilhar a menina em rede universal!! — berrou Anne.

— Eu falei pra você ficar na sua, senhorita Anne! — exclamou o juiz.

— Desculpa... — ela murmurou.

— Pois bem — continuou Gwen. — Se você acha que ela é um amor de pessoa, você acha que ela gostaria de ver o Universo se acabando e todo mundo morrendo por culpa dela?

— Não mesmo.

— Meritíssimo.

— Muito bem, muito bem — falou o gigante. — Está na hora de ouvir a ré. Senhorita Viola, por favor, sente-se na cadeira das testemunhas.

Ellen voltou para junto das amigas. Viola levantou-se de seu lugar.

— Hey, Viola — Anne segurou sua mão. — Vai ficar tudo bem. Não se preocupa.

A loirinha engoliu em seco. Não sabia se conseguia acreditar nas palavras da amiga, mesmo que quisesse. Ela foi até a cadeira das testemunhas.

— Muito bem, dona Viola — começou Markus. — Você já se declarou culpada, né?

— É... sim — replicou ela.

— Se não fosse pela defesa da Gwen, eu te mandava pro poço em dois tempos.

— Hehe — riu Gwen, pondo dois pares de óculos (realmente, ela pôs dois óculos).

— Você atravessou o portal por livre e espontânea vontade? — perguntou o advogado.

— Sim... — respondeu Viola.

— E por que você fez isso?

— Eu só queria ficar com a Anne...

— E mesmo sabendo que não podia, você passou pelo portal.

— Eu não sabia que era um crime!

A loirinha pôs as mãos no rosto e começou a chorar incessantemente. Um choro de partir o coração de qualquer um.

— Menina... menina Viola, para de chorar — disse Markus.

Isso só fez com que a menina Viola chorasse ainda mais.

— Meritíssimo, dá um help? — pediu o advogado.

— Senhorita Viola, por favor — chamou o gigante. — A gente precisa que você fale.

— Eu... eu quero ir pra casa — a loirinha soluçou.

— Desculpe, você não pode ir pra casa agora.

— A garota vai quebrar — alertou Elen.

— Eu quero protestar, eu posso protestar? — indagou Anne.

— Sei lá, protesta e vê no que dá — respondeu Ellen.

— Hum... eu... protesto...? — Anne levantou.

— Pode isso, meritíssimo? — questionou Markus.

— Acho que pode, não pode? — disse Gwen.

— Decido agora que pode — declarou o juiz, dando umas batidinhas com o martelo. — Diga seu protesto, minha filha.

— A minha amiga não vai aguentar a pressão, seu meritíssimo. Acho que seria melhor uma pausa ou sei lá.

— A gente não pode pausar agora, o Universo tá acabando.

— Eu sugiro que alguém segure a mão dela, meritíssimo — falou a bruxinha.

— Eu quero que alguém segure minha mão... — murmurou Viola.

— Acho que a Anne é a mais apta para o cargo, meritíssimo — sugeriu Elen.

— Pode ser assim, dona Viola? — inquiriu o gigante. — Você vai falar se a senhorita Anne segurar sua mão?

— Pode... pode ser.

— Senhorita Anne, por favor.

A moreninha foi até a cadeira das testemunhas e deu as duas mãos a Viola. Esta agarrou forte as mãos, as lágrimas ainda escorrendo pelo rosto.

— Tô aqui, Viola.

— Você queria ficar com a sua amiga, tá, beleza, mas vocês não poderiam se ver outro dia ou sei lá? — perguntou Markus.

— Eu não sei quando que eu ia ver ela de novo... Eu sei que tem uma coisa sobre o tempo entre os mundos, e que eu ia ficar muito tempo, talvez até anos, sem poder falar com ela de novo e eu não sei se eu ia aguentar isso...

Anne acariciou a mão de Viola com o polegar.

— Se eu disser que você atravessou o portal só para ficar com ela, e somente isso, sem nem mesmo pensar em destruir o Universo, eu estaria mentindo?

— Não!

— Eh... e-hem, bem, seu turno, Gwen.

O advogado sentou-se numa cadeira de praia ao lado do juiz e pôs seus dois pares de óculos escuros.

— Muito bem, dona Viola — começou a advogadinha. — Você e a dona Anne são muito amigas, não são?

— Somos.

— Sendo amigas, suponho que gostem uma da outra e queiram ficar juntas.

— Muito!

— Até demais — comentou Elen.

— Como você se sentiu ao saber que a senhorita Anne teria que voltar para o mundo dela?

— Eu fiquei muito triste mesmo. E mais triste ainda quando soube que eu não poderia ir com ela.

— E você passou pelo portal, mesmo sabendo que não podia, pra ficar com a senhorita Anne.

— Passei.

— Você pensou sequer uma vez em destruir o Universo?

— Eu já falei que não... já disse isso umas cinco vezes.

— Meritíssimo.

— Muito bem, é hora do discurso — o gigante deu umas batidinhas no martelo. — Gwen, por favor.

— Pois bem, meu povo. A dona Viola nunca atravessou o portal para destruir o Universo. Ela só queria ficar com a sua amiga! Todos aqui estão cientes da disparidade de tempo entre os mundos criados e o mundo real?

— Sim! — todo o tribunal respondeu.

— Então, se a dona Viola tivesse ficado no seu mundo, ela ficaria dia após dia sem sua querida amiga, sabendo que talvez nunca mais fosse vê-la... e ela ficou muito triste! Eu fiz as contas uma vez, e sabem quanto é um dia no mundo real? Quatro anos nos mundos criados. Quatro anos! Imagine ficar quatro anos sem ver seu melhor amigo!

O júri ficou de conversinha.

— Então, mesmo ela tendo assumido o crime, eu acho que ela não deveria ser penalizada. Só acho, assim.

— Markus, seu turno — anunciou o juiz.

— Nada a declarar, meritíssimo — soltou o advogado.

— Sério?

— E eu vou dizer o quê? A Gwen defende muito bem. Não é à toa que ela é sua filha.

— Sendo assim, então, é hora do júri decidir o destino de Viola. Júri, por favor.

O pessoal dos outros mundos começou a conversar.

Isso gerou um momento de tensão entre as testemunhas.

— O que tá acontecendo agora, Anne? — quis saber Viola.

— Eu sei lá — retrucou Anne. — Acho que aquele pessoal lá vai decidir o que vai acontecer com você.

— E por que que tem que ser aquele pessoal?

— Tipo... não faço a mínima ideia.

— Ai, que saco, quero ir pra casa — resmungou Elen.

— Ai, também —

Até que uma menina desceu as escadas que levavam até a parte mais baixa do tribunal. Ela era toda cor-de-rosa (sério, até a pele dela era rosa).

— A ré é culpada, meritíssimo — disse. — Mas pedimos que o senhor considere as motivações da dona Viola.

— Muito bem. Obrigado, Mary.

Mary voltou ao seu lugar.

— Com o veredito do júri, Viola é culpada do crime — disse o juiz. — E a pena para o crime de quebra do desequilíbrio de mundos, de acordo com o artigo 1, parágrafo 8, é morte por esquartejamento seguida de sentir eternamente essa dor no poço das almas.

A loirinha arregalou os olhos.

— Mas, claramente podemos ver que a pobre da menina só fez isso pra ficar com sua amiga e não queria machucar ninguém. Na real, nem precisava desse julgamento, só de ver a carinha da menina a gente já vê que ela não fez por mal, mas a autora precisava de alguma coisa pra enrolar no último capítulo e fez a gente se reunir aqui pra botar medo na Viola por nada. Senhorita Viola, de The Witch's House, você será absolvida de sua pena.

O júri irrompeu em comemoração assim que o juiz bateu o martelo pela última vez.

Gwen sorriu. Anne e Viola envolveram-se num abraço apertado. Esta ainda estava atordoada depois de ter ouvido sua pena, mas logo abraçou aquela de volta.

— Nós conseguimos! — exclamou Anne.

— E-Eu... não vou morrer...?

— Não, Viola — respondeu Gwen. — Mas... vê se não faz isso de novo, tá?

Elas reuníram-se com as Elen's.

— Desde quando você é filha do juiz? — riu Elen.

— Desde que ele é meu pai — refutou Gwen.

— E pode isso? — questionou Ellen.

— Claro que pode, ele é o deus da justiça, o mínimo que você poderia esperar da filha dele é que ela fosse uma advogada.

— A gente pode ir pra casa agora? — pediu Viola.

— Bora lá — falou Gwen, abrindo um portal.

Elen's P.O.V.

De volta ao mundo da Gwen, estava morrendo de vontade de voltar pra casa porque eu queria tomar um Toddynho, mas eu tinha que me despedir da Ellen antes.

— Hey, Ellen — chamei.

A bruxinha me abraçou.

— Obrigada, Elen — disse.

— Pelo quê? — abracei-a de volta.

— Por ser minha amiga.

— Não precisa nem agradecer, não foi por nada!

— Mas, é sério, obrigada mesmo — Ellen olhou para mim.

— Quem não seria seu amigo?

— Um monte de gente, na verdade. Eu nunca tive um amigo de verdade. Só vocês três... e eu serei eternamente grata por isso.

— Você tá tentando ser fofa?

— Tô tentando ser sincera.

— Tudo bem. Funcionou, então.

— Te amo.

— Também te amo.

Nos separamos.

— Anne, vê se não demora, tá? — disse Elen.

— Tá bom, vou ver o que eu faço.

Acenei para Ellen, e passei pelo portal.

Anne's P.O.V.

Eu estava morrendo de raiva dessa tal dessa autora que fez a minha Viola passar medo por nada, mas não tanta raiva assim porque ela salvou a minha loirinha. Valeu, autora.

Viola e eu ainda estávamos abraçadinhas uma com a outra.

Bem, eu não diria que eu estou 100% pronta pra ir. Eu quero voltar pra casa, mesmo, mas...

A Viola...

Elen com certeza diria, "ah, dane-se ela, o Universo quase acabou por causa dela e você aí de 'mimimi'."

Mas eu me importo com ela. Sério, muito mesmo.

Fico só pensando como ela vai ficar aqui sem mim. Triste, solitária e completamente desnorteada, essa lerdinha. Como eu adoro esse jeitinho dela.

Tão adorável.

Claro, ela ainda teria a Ellen, mas não seria a mesma coisa.

— Viola... — murmurei.

— Eu vou sentir tanto, tanto, tanto sua falta... — ela soluçou, apertando o abraço.

— Eu também, Viola, eu também...

— Acha que a gente vai se ver de novo?

— Não posso te dizer. Não sei do futuro, sabe?

Dei uma risada.

— É isso, Viola. Se cuida, okay?

Okay, confesso, deixei uma lágrima rolar.

— O-Okay...

Nos separamos e, acenando, entrei no portal.

Estava de volta na mesa do computador. O céu tinha voltado ao normal, com absolutamente nenhuma nuvem e um sol escaldante de uma tarde de domingo.

The Witch's House ainda estava aberto, mas ao invés do menu ou do jogo, a janela exibia uma mensagem escrita, "thank you!"

— Acabou? — perguntei a mim mesma.

— Sei lá.

Levei um susto. Não sabia que Elen estava no quarto.

— Hey, Anne — disse ela.

— Oi... — repliquei.

— Que foi?

— Nada, não...

— Se você diz... enfim, que aventura, hein?

— Né não?

— Eu não sei o que me foi mais loucura: a gente entrando no jogo, a gente tentando salvar o mundo...

— O julgamento da Viola...

— Eu nunca pensei que participaria de um julgamento intergalático! — exclamou Elen.

— Se pedirem uma redação sobre o que fizemos nas férias, só isso já rende umas 40 linhas.

— Só 40?

— Sério, acho que tudo isso foi loucura.

— Acha que finalmente vamos ter paz, agora?

— Realmente espero que sim.

— Cara, será que a gente ficou mais velha? — Elen questionou-se.

— Por que a gente teria ficado mais velha?

— Tipo, a gente foi pra um mundo paralelo onde um minuto no mundo real é um dia inteiro lá, e isso quer dizer que a gente viveu um mês a mais do que as pessoas que ficaram aqui, então...

— ... a gente tá mais velha, cara.

— Que... estranho.

— A gente vai morrer em dois tempos assim.

— Isso se não matarem a gente antes!

Demos uma risada.

— Você tem Toddynho aí?

— Não, por quê?

— Nada não.

De repente, minha mãe nos chamou:

— Anne! Elen! Podem vir aqui, por favor?

Descemos as escadas e fomos até ela. As tias estavam indo embora, e assim que elas se foram, minha mãe disse:

— Sua mãe ligou, Elen. Disse que seu pai deve estar chegando aqui a qualquer momento pra te buscar.

— Tudo bem — disse Elen.

Enquanto esperávamos no portão, ficamos conversando:

— Então... vocês resolveram o "problemão" de vocês? — quis saber mamãe.

— Mais resolvido impossível — replicou Elen.

— E a tal... qual era o nome dela?

— A Viola? — eu disse. — Ela... voltou pra casa. Que nem a gente.

— Como? E com aquela chuva? — indagou mamãe.

— Portais, tia — respondeu Elen.

Minha mãe fez que entendeu.

Naquele momento, o pai de Elen chegou. Ela entrou no carro, nos despedimos e eles foram embora. Mamãe e eu entramos em casa.

— Anne... que história é essa de Viola?

— Ah, não é nada não, mãe. Você não entenderia.

— Mas eu quero que você me explique.

— Você quer a verdade?

— M-hm.

— Okay. Nós entramos no nosso jogo favorito pra resolver um problema, e acabamos tendo que salvar o mundo depois, por isso aquela chuva do nada.

— A chuva era porque o mundo tá acabando?

— Estava, porque nós conseguimos salvar.

— Anne... acho que você tá jogando muito.

— Você não queria a verdade? Foi exatamente isso que aconteceu.

Minha mãe suspirou. Balançou a cabeça e voltou ao que estava fazendo.

Afinal, não tenho culpa se pareço maluca falando a verdade.

Notas finais
é só isso (ou não) não tem mais jeito acabou, boa sorte
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!