Notas iniciais
AAAAAAAAAAA VOLTEI POVO de novo, minha prima salvadora de pátrias e de fanfics apareceu e APENAS UMA FIC RENASCEU HUAHUAHUA e, dessa vez, tbm tive aquela ajudinha da inspiração da madrugada então, fiquem com este capitulo que acabou de sair do forno e boa leitura :*

Elen's P.O.V.

Estávamos todas muito felizes pela cura da doença de Ellen, e ela mais ainda. Não quis nem entrar em casa depois que escureceu.

Claro, estava tudo uma maravilha, todo mundo feliz, mas eu quero voltar para casa. Provavelmente Anne também quer, então vou falar com ela o mais rápido possível. Já estamos aqui há quase três semanas, ou seja, já está mais que na hora de voltarmos. Talvez Ellen saiba como...

— Elen... — chamou-me Ellen já bem tarde, quando ela finalmente decidiu entrar.

— Oi — respondi, deitada na cama em que eu dormia.

— Você está triste?

Ela entrou no quarto e sentou na cama dela.

— Eu? Não! Estou feliz por você, mesmo.

— Ah... é que você não parece estar completamente feliz.

— Hm... é que...

— Você quer voltar para casa?

— M-hm.

— Entendo. Talvez eu possa te ajudar.

— Mesmo?

— Claro! Você me ajudou, e eu ajudo você. É assim que funciona, né?

— É, é sim.

— Hmm...

Ela bocejou.

— Tá com sono, né? — eu ri.

— M-hm...

— Já tá bem tarde, mesmo. Mas você não vai dormir assim toda suja, né?

— Ah, é mesmo.

Nós fomos dormir bem tarde, porque ela ainda ficou conversando depois.

No dia seguinte, estávamos dando um passeio no meio da floresta quando nos encontramos com Anne e Viola de novo.

— Hey, Ellen! — chamou Viola.

— Oi, Viola! — exclamou Ellen, correndo até ela.

— Hey, Anne — eu disse.

— E aí, Elen? — respondeu Anne.

— Você tá bem?

— Tô, e você?

— Eu tô bem, também...

Sentamos na grama e encostamos em uma árvore.

— Você tá triste? — perguntou-me Anne.

— Ellen me perguntou a mesma coisa ontem — respondi. — Eu tô bem, cara, mesmo.

— Sei lá, você parece meio...

— Meio?

— Chateada, sei lá.

— É que eu... quero voltar para casa, entende?

— Ah, entendo. Eu... não sei. Aqui é tão divertido, cheio de aventuras, e tenho que admitir que fiquei com um pouco de medo no começo. Mas estou com saudade de casa, da minha mãe, da minha cachorra, dos meus bichos de pelúcia...

— Do computador...

— Ah é, não posso esquecer do computador né? E as músicas da Melanie?

— Ah é, né! Vem, vamos cantar Mad Hatter. I'm nuts, baby, I'm mad...

— Craziest friend that you've ever had...

— You think I'm a psycho, you think I'm gone...

— Tell the psychiatrist something is wrong...

— Over the bend, entirely bonkers...

— You like me best when I'm off my rocker...

— Tell you a secret, I'm not alarmed...

— So what if I'm crazy? The best people are! — cantamos essa última parte juntas, rindo.

— A gente canta muito bem, meu Deus — comentou Anne.

— É, realmente... mas enfim, Ellen disse que talvez possa nos ajudar a voltar para casa.

— Sério?

— Uh-huh.

Ficamos vendo Ellen e Viola brincando.

— Elas estão se dando tão bem — comentou Anne.

— Verdade — concordei. — E é bom mesmo. Mas o que eu quero ver mesmo é a reação da Viola quando você voltar para casa.

— Ela ainda não raciocinou que eu vou voltar.

— O quê!? Ela acha que você vai ficar aqui pra sempre!?

— Acha.

— Nossa, eu sabia que ela era burra mas não era pra tanto!

— Eu quero ver a reação dela quando descobrir que eu vou voltar.

— Ela vai surtar, isso sim.

— Eu vou sentir falta daqui...

— Eu também... principalmente das aventuras que tivemos aqui. Nós quase morremos umas três vezes.

— Até mais. Sabe, eu acho que essa foi a conversa mais longa que nós já tivemos desde que viemos para cá.

— Você tem razão. Eu e Ellen ficávamos presas naquela casa, e você e Viola só visitavam a gente de vez em quando, até ficar tão perigoso a ponto de eu ter que ir te visitar escondida.

— É mesmo...

Ficamos em silêncio por um tempo.

— Eu tô com sono... — bocejou Anne.

— Que horas você foi dormir?

— Ah, já era mais de meia noite.

— Mas que horas você dormiu?

— Você por acaso tá vendo algum relógio no meu pulso? Toda vez que eu quero saber que horas são, tudo o que eu vejo é o meu pulso direito sem nada. Ah, que raiva!

— Você tá com raiva por não estar com o seu relógio?

— Nossa, e como! E Viola sempre me acorda toda manhã, e eu nem posso reclamar, porque eu não sei que horas são, então eu não sei se tá cedo demais ou tarde demais. Por falar nisso, que horas são?

— Sei lá. Deve ser umas... 10 e meia, por aí.

— Nossa! Ainda!

— Que horas você costuma acordar, menina?

— Sei lá, meio-dia, por aí. Nas férias e nos fins de semana. Dias normais de aula eu acordo mais ou menos 10 e meia.

— Realmente, você acorda muito tarde.

Nós duas ficamos conversando durante um bom tempo, até Ellen e Viola cansarem de brincar. Depois, nós quatro fomos para a casa de Ellen para comermos alguma coisa. Ellen ficou o tempo todo lendo um livro.

— O que você está lendo, Ellen? — quis saber Anne.

— Algo bastante útil... — replicou Ellen, sem tirar os olhos do livro.

Na capa estava escrito, "Gwen e os outros mundos".

— Isso é uma narrativa? — perguntei.

— Claro que não.

— Mas esse nome tem muita cara de narrativa — disse Anne.

Ellen virou o livro para ver a capa.

— Realmente — concordou ela.

— Então quem é Gwen? — questionei.

— Uma garota que vai nos ajudar. Mas vai ser complicado encontrá-la.

— Por quê? — indagou Viola.

Ellen colocou o livro em cima da mesa e começou a explicar.

— É assim... existem vários mundos, e em todos eles existem portais criados por Gwen para que as pessoas possam viajar entre os mundos, e é como se o mundo dela fosse um tipo de universo alternativo, e só existe um portal para lá, que pode estar em qualquer lugar de qualquer mundo.

— E quantos mundos existem...? — perguntou Anne.

— Muitos mesmo. Mais de um milhão.

— Então a chance de encontrarmos o portal é mínima, né? — eu disse.

Ellen abriu o livro novamente, procurando uma página.

— Aqui diz que ela, sendo a guardiã dos portais, permite que as pessoas achem o portal pro mundo dela — ela leu. — Aliás, ela permite que as pessoas achem qualquer portal.

— Então, se ela quiser colaborar pro nosso lado, a gente acha o portal? — disse Anne.

— Exatamente — replicou Ellen, com um sorriso.

"Era só o que me faltava," pensei.

Ellen tomou mais um gole de seu chá.

— Mas pra que vocês querem tanto esse portal? — questionou Viola.

Todas olharam para ela. A loira encolheu-se na cadeira.

— É que tipo... — começou Anne. — A gente tem que voltar... pra casa...

— Pra... casa...?

— É, a gente vem de outro mundo... lembra...? Que você ficou me chamando de maluca?... heh...

— Sim, é verdade, eu me lembro... mas vocês não podem ficar mais um pouco...?

— A gente já ficou tempo demais, amore — repliquei ironicamente.

— M-Mas Ellen disse que talvez demore... né não, Ellen? — disse Anne, nervosa.

— Quando que eu disse isso? — disse Ellen.

— Pô, Ellen, colabora, né! — exclamou Anne.

— Não, tudo bem... eu entendo... — disse Viola, por fim.

— Entende? Ah, que ótimo! — exclamei.

— Mas eu só queria que vocês ficassem mais um pouquinho assim...

— Talvez elas fiquem, talvez não — disse Ellen. — Tudo vai depender de Gwen, se ela vai deixar a gente encontrar o portal pro mundo dela... ou não.

Mais tarde nesse mesmo dia, Ellen e eu estávamos conversando sobre o assunto.

— Uma coisa me deixou curiosa, se é ela quem cuida dos portais, como você nos trouxe para cá? — perguntei.

— Não tenho poder suficiente pra isso — replicou Ellen. — Não fui eu que as trouxe

— Espera, foi ela!?

— Foi, oras.

— M-Mas e a profecia? Você disse que...

— Eu fiz um contrato com ela.

— Sério?

— Claro que não, bobinha!

— Então como...?

— Pra falar a verdade, eu também não sei. Eu inventei aquela história idiota, nada daquilo aconteceu. E nem era pra acontecer. Talvez essa tenha sido a maior coincidência que eu já vi.

Isso me fez pensar.

— Por falar em Gwen, você sabe por onde o gato anda?

O que raios a Gwen tem a ver com o gato?

— Bom, ele... não está mais aqui.

— Onde ele está?

— Foi pra uma outra dimensão. Pelo menos foi o que Anne me disse.

— Quando isso aconteceu?

— Quando o feitiço que curou a sua doença estava sendo executado, ele pulou dentro do círculo para tentar impedir.

— Pensei que ele fosse mais esperto que issot. Então, isso significa que eu não vou poder conseguir feitiços novos, a não ser que eu arrume um outro demônio. Mas acho que já tenho todos os feitiços de que precisamos.

Estava com sono. Bocejei.

— Acho melhor irmos dormir — eu disse.

— Tem razão — concordou Ellen. — Boa noite.

— Boa noite...

No dia seguinte, Ellen fez questão de me acordar bem cedo pra me contar seu plano.

— Elen, Elen! — exclamava ela. — Acorda, menina!

— Hmm... mais cinco minutinhos, Ellen... — resmunguei.

— Não, nem cinco minutos nem cinco segundos! Anda, levanta logo!

Sentei na cama, bocejei e esfreguei os olhos.

— Que é? — retruquei.

— Você quer ir para casa? — indagou Ellen.

— Quero...

— Então, eu sei exatamente o que nós temos que fazer.

— E por que tinha que me acordar tão cedo?

— Porque temos que fazer isso logo, antes de meio-dia.

— E pra isso tinha que me acordar 5 e meia da manhã?

— É que é um processo muito demorado... enfim, vou precisar da sua ajuda.

Tive que levantar.

— E quanto a Anne e Viola? — bocejei mais uma vez. — Quando vamos chamá-las?

— Assim que arrumarmos as coisas — replicou Ellen.

— Que coisas?

— Como você espera atravessar uma floresta de mãos vazias?

— Você não disse que faria um feitiço?

— É, mas a magia das bruxas fora da casa fica extremamente fraca. E eu não sei teletransportar.

— Então... a gente vai atravessar a floresta a pé?

— Exatamente — Ellen sorriu.

Yay. Trilha.

Viola's P.O.V.

Acordei no outro dia com bastante disposição. Bocejei, me espreguicei e sorri. Como sempre, acordei Anne. E ela, como sempre, resmungou:

— Será que teria como você me deixar dormir, só hoje?

— Eu já fiz isso, você dorme o dia todo! — exclamei.

— É porque eu tô com sono...

— Você tá com preguiça.

— Ah, dorme também.

— Eu não quero dormir, eu quero levantar, aproveitar o dia, ver as Elen's!

— Pode ir, ninguém tá te impedindo.

— Mas eu quero ficar com você...

Anne olhou para mim. Esfregou os olhos, bocejou de novo e disse:

— O que eu não faço por você, Viola?

Abri um largo sorriso.

Eu praticamente pulei da cama, enquanto ela lentamente sentou-se e arrastou-se para fora do quarto. Peguei duas maçãs e puxei Anne pela mão para fora de casa.

— A gente vai comer só isso? — indagou ela.

— Sim, nós temos muito o que fazer! — exclamei.

Nesse momento, Elen apareceu. Eu estava um tanto surpresa, pois nunca a vi fora da floresta.

— Vocês vão comer só isso aí? — perguntou.

— Por quê? — questionei.

— Porque a gente vai fazer uma trilha — respondeu Elen. — E é bom que vocês estejam bem alimentadas.

— Como assim, Elen? — inquiriu Anne. — Trilha? Você ficou maluca?

— Não tanto quanto você vai parecer quando contar essa aventura pra sua mãe. Vem comigo.

Com Anne ainda bocejando e bem sonolenta, seguimos ela. Encostada em uma árvore, vimos Ellen tomando conta de duas mochilas.

— Oi, Ellen! — exclamei.

— Oi, Viola! — disse ela, vindo na minha direção. Nos abraçamos.

— Tá, agora vocês podem nos explicar essa coisa de trilha? — pediu Anne.

— É o seguinte: nós vamos fazer uma trilha sem trilha pra procurar por Gwen para que vocês possam voltar para casa — explicou Ellen.

— Voltar pra casa? — indaguei. — Espera aí, hoje, agora?!

Elen e Anne se entreolharam. Finalmente, Anne disse:

— Então, tipo, a gente vai procurar ela assim? Sem nenhuma pista?

— É, ué! — exclamou Elen.

— Mas eu tinha planejado tanta coisa pra gente fazer hoje... — eu disse.

— Mas nós vamos fazer uma trilha juntas...! — disse Anne, com um sorriso nervoso.

Elen levou uma das mãos ao rosto.

— Você não pode ficar mais...?

— Não posso. Me desculpe, Viola.

— Guardem suas lágrimas de despedida para depois — disse Elen. — Ainda temos um longo caminho a percorrer.

Ellen levantou-se e pegou uma mochila.

— Vocês vão comer só isso aí, mesmo? — perguntou.

— Por que tá todo mundo me perguntando isso!? — indaguei.

— Eu só acho que é porque a gente vai atravessar uma floresta inteira — disse Anne.

Elen pegou a outra mochila e nós começamos a caminhar.

Anne's P.O.V.

Estava me sentindo meio mal por não ter falado para Viola antes que eu ia ter que voltar para casa. Mas ao mesmo tempo achava ela muito idiota para não ter percebido isso. Se eu vim de outro mundo, obviamente eu ia ter que voltar alguma hora.

Mas eu não me importo muito com isso, adoro pessoas idiotas.

Nós ficamos revezando as mochilas, para que ninguém ficasse carregando muito peso por muito tempo. E realmente, aquela mochila pesava muito.

Na nossa primeira parada, eu estava com muita fome, porque as maçãs que Viola trouxe não foram o suficiente.

— Tem alguma coisa comestível nesses chumbos pras costas? — questionei.

— Alguma coisa comestível, tipo o quê? — respondeu Elen.

— Sei lá, uma coxinha.

— Coxinha eu não sei, mas acho que tem uma torrada ou biscoito.

Comi um ou dois biscoitos – que por sinal estavam todos quebrados – e reparei que Ellen estava a todo momento observando o que tinha ao nosso redor, como se estivesse monitorando o que estava acontecendo.

— Hey, Ellen — chamei.

Ela não respondeu.

— Ellen! — eu disse, mais alto.

— Hm? — ela respondeu, sem tirar os olhos do que quer que fosse.

— O que você está fazendo?

— Estou olhando as coisas...

— Que coisas? As árvores? O mato? Não tem nada de interessante pra se olhar aqui.

Ellen não disse nada. Achei estranho. Será que ela estava esperando alguma coisa?

Depois de comer quase o pacote todo de biscoito – e ser duramente repreendida por isso –, continuamos nossa "trilha" para... pra onde?

— Afinal, pra onde a gente tá indo? — eu quis saber. — Vocês não esperam que a gente chegue no mundo real andando, né?

— Pergunta pra Ellen, eu não sei de nada — disse Elen.

— Ô, bruxinha, pra onde a gente tá indo?

— Para o mundo de Gwen — disse Ellen.

— E a gente chega lá andando?

— Na teoria, sim.

— Mas na prática...

Ficamos andando o dia inteiro, revezando mochilas e fazendo paradas aqui e ali, até que anoiteceu. Tivemos que parar de vez para continuar no outro dia. Fizemos uma fogueira, colocamos sacos de dormir no chão, assamos marshmallows, aquela coisa bem acampamento mesmo.

Ellen continuava inquieta.

— Ellen, sossega! — exclamou Elen. — Aqui, vem comer uns marshmallows.

— Me arrependo profundamente de não ter pedido o teletransporte para o gato — disse Ellen.

— Mas a gente não tava chegando...? — perguntou Viola.

— Sim, mas se eu tivesse o teletransporte, já estaríamos lá.

Ela aproximou-se de nós e sentou no chão.

— Aqui, toma — disse Elen, entregando a ela um marshmallow.

Ellen pegou o doce e comeu. Não dizia nada, o tempo todo. Continuava olhando em volta como se estivesse jogando Five Nights at Freddy's.

— Você tá esperando algum animatronic pular em cima da gente? — perguntei.

— O que é um... animatronic? — ela respondeu.

— Não importa — disse Elen. — É que você parece preocupada.

— É que nós já deveríamos estar lá, sabe? No mundo de Gwen... Mas a gente tá demorando tanto que tá me preocupando.

— Realmente, você disse que a gente tinha que chegar lá antes do meio-dia, né? — disse Elen. — Ou seja, qualquer ritual que a gente fosse fazer, já era.

— Não é nada de ritual, é que depois do meio-dia a floresta fica muito perigosa — disse Ellen.

— Perigosa... como? — questionou Viola.

— Animais... e tal...

Elen e eu nos entreolhamos.

— Wow. Animais. E tal — repeti.

— Mas eu tô falando sério...!

— Tá — disse Elen. — Vamos dormir. Temos que chegar no mundo da Gwen "antes do meio-dia".

Com isso, nos deitamos e dormimos.

Ellen's P.O.V.

Eu não poderia ter escolhido dia pior para atravessar a floresta.

"Ah, a Ellen tá agindo muito estranho," eu ouvi Anne e Elen comentando no caminho.

Claro que eu estou agindo estranho. Estamos sendo perseguidas por um grupo de caçadores de bruxas.

Viola com certeza já deve ter ouvido falar da lenda da bruxa da floresta. A bruxa que atrai as crianças para sua casa e depois as mata.

Como está óbvio para todos nós, a bruxa sou eu e não nego que matei muitas crianças para conseguir o que queria.

Mas julgar meus atos agora não vem ao caso.

A coisa é que surgiu na vila um grupo de caçadores de bruxas. Eles deveriam vir atrás de mim para me matar. Mas nunca conseguiram me encontrar.

Agora...

Agora estamos aqui. No meio da floresta. No território deles. Numa noite escura e fria, totalmente vulneráveis aos seus ataques.

Parabéns, Ellen.

Talvez Elen e Anne nunca cheguem em casa por causa de você.

Aconteceu o que eu esperava. E o que eu mais temia.

No meio da noite, ouvi gritos e muitos passos. Na mesma hora, me levantei e acordei as outras.

— Que foi... Ellen...? — resmungou Anne.

— Não dá tempo de explicar! — gritei. — Vamos, acordem!!

Todas se levantaram. Apaguei a fogueira e saímos correndo.

— Ellen, pode me explicar o que está acontecendo?! — indagou Elen.

— Os caçadores de bruxas — repliquei. — Estão atrás de mim.

— Como assim, caçadores?! — gritou Anne.

— Os caçadores de bruxas são os homens mais corajosos da vila — disse Viola. — Eles procuram a bruxa da lenda.

— Isso, Viola — agradeci. — Obrigada.

— E você sabia esse tempo todo que eles estavam atrás da gente e não nos disse porque...? — reclamou Elen.

— Pensei que soubessem! — exclamei.

— Eu sabia que eles procuravam a casa — disse Anne. — Pra matar você.

— E como não me encontraram na casa, resolveram procurar na floresta — completei.

— A gente vai morrer! — exclamou Viola.

Nesse momento, a floresta simplesmente acabou. Não havia mais árvores, grama, absolutamente nada.

E então, o chão também sumiu.

Começamos a cair. As outras gritaram, mas eu apenas fechei os olhos.

De repente, paramos. Estávamos flutuando, como se o lugar não tivesse gravidade.

— O-Onde estamos? — perguntou Elen.

— Em um lugar com gravidade zero onde o tempo não passa — repliquei.

— E isso aqui é seguro? — questionou Anne. — Porque, sinceramente, tô morrendo de medo.

— Claro que é — eu disse. — Mas eu não sei se é seguro ficar aqui por muito tempo.

— Pra onde a gente vai, então? — perguntou Viola.

— Temos que achar um corredor com a porta no final — respondi. — Bem... ali.

Apontei para uma luz, não muito longe.

Fomos até lá e sentimos o chão embaixo de nossos pés.

Era um corredor estreito, cheio de janelas altas como o teto, pelas quais entravam a luz do sol que vinha não sei de onde. Bem parecido com os corredores de minha casa.

No final deste, havia uma porta vermelha, com a maçaneta dourada. Passamos por ela e no momento em que fechei-a, desapareceu.

Estávamos em um lugar que tinha um gramado seco. Havia muitas árvores de um lado e absolutamente nada do outro. O céu era escuro, nublado.

Estávamos no mundo de Gwen.

— Então, vocês me encontraram.

Virei-me para ver quem era.

Uma garotinha ruiva, com os olhos verdes e bem baixinha estava lá. Ela tinha duas caudas e duas asas, uma angelical e outra de dragão. Para completar, tinha um círculo verde desenhado em volta de seu olho esquerdo. Não usava roupas – também, não precisava. Não parecia ter mais de 5 anos de idade e a maior parte de seu corpo era coberta por pelos.

"Exatamente como no livro," pensei.

— Gwen? — disse Elen.

— Sou eu — respondeu a garota.

— Gwen! — exclamei — Err... que prazer conhecê-la...!

— Ah. Oi, Ellen.

— Vocês se conhecem? — perguntou Anne.

— Não exatamente... — respondeu Gwen.

— É que eu andei aprontando algumas, sabe? — expliquei, com um sorriso sem graça. — Coisa de criança, hehe!

Gwen revirou os olhos.

— Mas isso não vem ao caso agora — disse. — Vocês querem ir para casa, não querem?

— M-hm! — exclamou Elen.

— É... — respondeu Anne, olhando para Viola.

Durante todo o percurso na floresta, Viola pareceu triste. Talvez fosse porque Anne ia ter que ir embora, e ela não queria isso.

Na verdade, acho que nenhuma das duas queria se separar da outra.

— Bom — disse Gwen, por fim. — Aqui está.

Um portal se abriu.

— Anne... — chamou Viola.

— Hm?

— Eu posso ir com você?

— E-Eu não sei...

Elas olharam para Gwen, procurando uma resposta.

— Na verdade, não — replicou Gwen. — Nem você, Viola, e nem Ellen podem passar pelo portal.

— Por quê?! — exclamou Viola.

— Há um equilíbrio entre os mundos, todos os mundos. Pessoas do mundo real podem ir para outros mundos, mas não o contrário, pois poderia causar uma catástrofe.

Viola suspirou. Anne parecia realmente chateada.

— Então, Anne? — disse Elen. — A gente vai ou não?

— Me dê só um segundo, Elen — disse Anne.

Elen veio até mim e me abraçou.

— Tchau, Ellen — disse ela.

— Tchau! — exclamei, abraçando-a.

Então, Elen entrou no portal.

— Bom, então, eu acho que isso é um adeus — disse Anne.

— Ou... um até mais? — perguntou Viola, com um sorriso.

— Não, Viola. Um adeus.

O sorriso sumiu do rosto de Viola, fazendo ela parecer ainda mais triste.

— Não fique assim, Viola. Não gosto de te ver com essa cara.

Isso não mudou sua expressão.

— Então... tchau...

Anne virou-se para entrar no portal, mas Viola segurou sua mão. Ela virou novamente, e ela a abraçou.

A morena abraçou a loira de volta.

— Adeus, Anne. Vou sentir sua falta...

— Eu também...

Elas se separaram, e Anne entrou no portal.

Mas então, algo esperado e totalmente contra as regras aconteceu.

Notas finais
tan-tan-taaaaan! eu provavelmente não vou demorar muito para postar o proximo capitulo. so preciso dar uma revisada pq ele ja ta escrito DESDE SEMPRE pq eu sou dessas que escreve o final antes do meio mesmo, mindexa até ;)