Apenas um lado da Moeda
1 One-shot
Notas iniciais
A festa estava cheia, eu ali pelo tédio esperando e escoltando meus amigos bêbados, a luz e o som estavam perfeitos, o ambiente parecia que conspirava a meu favor, entretanto nada daquilo me satisfazia, as pessoas se olhando e conversando umas com as outras me dava à sensação de perturbação, eu estava no segundo andar quando a vi entrar na portaria, linda, com seu charme e seus cabelos negros lisos caídos ate a cintura, seu corpo magro atributos com leves curvas, sua beleza acendia o local, seu olhar hipnotizava e seu sorriso seduzia ate a mais pura alma...
Os olhares de cobiça eram quase todos dela, cercada por pessoas lindas e interessantes, futilmente interessadas no seu corpo em fase de crescimento, alguns só a queriam para satisfazer seus desejos sexuais, outros para status, confesso que se eu a pudesse ter a noite inteira, eu beijaria seus lábios suavemente desenhados finos saboreando seu gosto a cada minuto em um canto em que ninguém nota-se, ninguém me pergunta-se como seria ter tido uma das meninas mais desejadas da noite, se eu pudesse eu faria de meu desejo segredo, apenas na mente de nos duas, se eu realmente pudesse.
Seu perfume suave inundava meu olfato como se nada mais existisse naquele ambiente de fumantes, eu esperava silenciosamente junto a minha caneca com a bebida mais forte da festa, ela vir ate mim, me cumprimentar, ela me conhecia assim como a quase todos daquela festa e eu a conhecia, nos ficávamos juntos a anos sem compromisso algum, mas eu sempre soube o tipo de menina que ela era, calma e gentil com todos e que manipula seus próprios sentimentos com frases clichês, por mais que eu a quisesse só pra mim naquela noite, eu sabia que ela iria querer outras pessoas, outros sabores, outros prazeres do que a velha e boa” Ana” poderia lhe proporcionar.
Ela veio ate mim, e me abraçou gentilmente, meus amigos que ali tanto a instigaram, fizeram-na me beijar, o primeiro beijo da minha noite e o único em que eu esperar ter, seu sorriso alegre e seu jeito fez meu tempo parar, ela forçou um beijo triplo em participei de mau gosto, mas com sorriso no rosto, ela era assim, livre e eu não conseguia soltá-la apenas a observando voar por outros lugares, outras pessoas no medo de um dia ela ir, e jamais voltar.
Despediu-se e foi visitar outras pessoas, me conformei então em apenas sorrir e estar com os meus amigos, a vendo ser abraçada por tantas pessoas com más intenções quando podia, às vezes ia ao banheiro para escapar de olha-la sentia pena de mim mesma por querer, numa dessa ela esta sozinha e enfim conseguir tê-la pra mim, somente eu e ela, mas que não durou nem 10 minutos pois os amigos invadiram, aquele momento era engraçado, ate que ela quis agarrar uma de minhas amigas heteros, eu já sabia, naquela festa eu a veria da maneira que ela é e não a que criei, fiquei não enciumada, ela era livre e não me devia satisfação, mas Jenna (minha amiga) era hetero, sai do banheiro com a raiva que jamais tivera na vida, tentei evita-la a festa toda, enquanto ela bebia loucamente.
A festa dali pra mim acabou, se eu pudesse sair dali eu sairia, mas me culpava por não conseguir larga-la por sempre ser eu a que mais a desejarei, quem a protegia, toda vez que nos víamos, ela tentava sem sorte agarrar Jenna, que se debatia dizendo aos quatro cantos que era hetero, ela já estava fora de si, e beijava a todos que queria, volta e meia eu olhava em uma direção e assim que a via saia, olhar pra ela se tornou insuportável e lamentável, não para ela, mas para mim.
E foi em um golpe de má sorte de ao ir ao banheiro a vi vomitando, sozinha, ajudei-a, afinal, a babaca serve pra isso, foi o que pensei, meu orgulho destruído por uma pirralha de 15 anos e eu não sabia como deixar de querê-la tão fortemente, ajudei-a, amparei-a, e depois de alguns minutos mais amigos nossos chegaram para ajuda-la também...
O tempo em que ela passou mal foi o tempo em que passei dizendo a mim mesma que jamais iria querê-la novamente, a trataria com amor e carinho mas jamais pediria seu beijo, seu toque e não imploraria por nada que vinhe-se dela, na ida para casa nada fazia sentindo, meus sentimentos, minha reação a ampara-la com tanto amor mesmo depois de tudo e eu ainda acreditava que conseguiria não a querer mais...
Em meu travesseiro lagrimas de magoa e dor, pela manha uma mensagem dela me agradecendo por ajudar e outra insultando meu sentimento tão calculado que eu tive vontade de soca-la, nada fora como antes pra mim, sua gentileza parecia como falsidade, seu sorriso como proteção para algo, seu beijo tão doce para mim pareceu apenas mais um gosto naqueles lábios finos que logo a seguir continuariam caçando mais em outras bocas.
Daquele momento em diante, me vi condenada mesmo sabendo de tudo, presa a ela de uma forma tão pesada e dolorosa.
Naquela noite de sábado, onde jovens dançavam sem hora pra acabar, os sorrisos pesados depois de uma semana difícil, os olhos a procura de algo que os despertassem pra vida, aonde tudo se resumia a bebidas, drogas, sexo e musica boa, descobri que o amor em si é belo e bondoso, descobri também que ele não cobra nada de ninguém, porem são as pessoas e somente elas que o transformam em um sentimento egoísta e imprevisível.
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